{"id":9911,"date":"2020-02-11T09:26:55","date_gmt":"2020-02-11T12:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=9911"},"modified":"2020-02-11T09:26:55","modified_gmt":"2020-02-11T12:26:55","slug":"artigo-a-nova-mas-nao-tao-nova-assim-economia-das-startups","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=9911","title":{"rendered":"Artigo &#8211; &#8220;A nova, mas n\u00e3o t\u00e3o nova assim, economia das startups&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9913 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/site-caras.png\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/site-caras.png 350w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/site-caras-300x214.png 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Tem sido um grande desafio compreender os movimentos promovidos pela &#8220;nova economia&#8221; das startups, n\u00e3o s\u00f3 pela velocidade como as transforma\u00e7\u00f5es est\u00e3o acontecendo, mas tamb\u00e9m pela renova\u00e7\u00e3o dos conceitos tradicionais.<\/p>\n<p>A economia mudou e impactou nosso cotidiano de forma significativa. Nosso instinto de adapta\u00e7\u00e3o est\u00e1 em alerta e tudo parece confuso nesse momento. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos, bem no meio da passagem no tempo de um mundo anal\u00f3gico para o digital. Mas, como bem observaria Darwin, nosso poder de adapta\u00e7\u00e3o nos faz diferente de qualquer esp\u00e9cie que j\u00e1 pisou nesse planeta. Um dos atalhos para aproveitar as oportunidades trazidas por essa &#8220;nova economia&#8221; das startups \u00e9 entender que nada se cria, tudo se transforma (nada que o Lavoisier j\u00e1 tenha falado h\u00e1 mais de 200 anos). Muito do que se discute hoje tem um \u201cqu\u00ea\u201d de <em>D\u00e9j\u00e0 vu<\/em>. <em>D\u00e9j\u00e1 vu<\/em> aqui em um sentido cl\u00e1ssico e te\u00f3rico do conceito, afinal a maioria desses &#8220;novos&#8221; entendimentos s\u00e3o conceitos-base da teoria econ\u00f4mica revestidos por um v\u00e9u de modernidade adaptativa.<\/p>\n<p>Em 1480, um jovem italiano, possivelmente pertencente \u00e0 gera\u00e7\u00e3o Z de sua \u00e9poca, tentava vender uma ideia fant\u00e1stica e disruptiva: conquistar novos mercados. Na cabe\u00e7a dele, a ideia iria virar uma grande <em>startup<\/em>, s\u00f3 precisava convencer grandes investidores do seu projeto. Inicialmente, ningu\u00e9m quis banc\u00e1-lo, achavam essa ideia de conquistar novos mercados estapaf\u00fardia. N\u00e3o se tinha muitas informa\u00e7\u00f5es se, realmente, esses mercados existiam, e at\u00e9 mesmo sen\u00e3o existia um precip\u00edcio no horizonte. O jovem foi insistente, como todo bom empreendedor deve ser, procurou investidores italianos, portugueses, at\u00e9 chegar aos que viabilizariam esse neg\u00f3cio: nobres espanh\u00f3is. Seriam eles seus investidores-anjo. O empreendedor n\u00e3o precisou provar seu plano de neg\u00f3cios (n\u00e3o tinha como), mas, pelo menos, precisou de um bom discurso para convencer seus patrocinadores, como dir\u00edamos hoje, um pitch vencedor. Esse jovem da hist\u00f3ria \u00e9 Crist\u00f3v\u00e3o Colombo e os anjos, os reis da Espanha. O final da hist\u00f3ria, todos sabem. Colombo descobriu a Am\u00e9rica em 12 de outubro de 1492 e abriu o caminho para uma s\u00e9rie de navega\u00e7\u00f5es e conquistas do mundo ocidental.<\/p>\n<p>Atualmente, essa mesma hist\u00f3ria contempor\u00e2nea, pode ser usada para entender, por exemplo, o Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX. Musk quer mudar o mundo, ele quer colonizar Marte, nada diferente, do que o Colombo quis fazer (e fez).<\/p>\n<p>Esse \u201cnovo mundo\u201d de neg\u00f3cios que temos atualmente n\u00e3o tem nada de novo. Mudam as palavras, os neologismos, os exemplos, mas a ess\u00eancia dos conceitos econ\u00f4micos e de neg\u00f3cios continua a mesma. Se h\u00e1 algo novo, podemos apontar a velocidade com que as revolu\u00e7\u00f5es ou mudan\u00e7as acontecem e o contexto do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. O resto segue igual. Empreendedores querem vender suas ideias, financiadores querem retorno dos seus investimentos e consumidores querem resolver seus problemas ou necessidades.<\/p>\n<p>Muitas defini\u00e7\u00f5es utilizadas pela nova economia surgem agora nos notici\u00e1rios econ\u00f4micos como se fossem novidade. Por exemplo, o conceito de economia de escala, que hoje fundamenta a rota de valor criada pelas startups e que justifica a velocidade de seu crescimento \u00e9 entendido como exponenciabilidade. O que vemos nas startups \u00e9 que elas s\u00e3o capazes de entregar o mesmo produto numa escala potencialmente ilimitada e exponencial, ou seja, o novo produto entregue custou menos do que anterior, e em alguns casos esse custo de uma nova unidade vendida pode estar pr\u00f3ximo de zero &#8211; pense aqui em um novo usu\u00e1rio do Facebook e quanto ele agrega de custos para a empresa do Mark Zuckerberg.<\/p>\n<p>Na teoria econ\u00f4mica, em especial na microeconomia, estuda-se esse movimento atrav\u00e9s do conceito de custo marginal. Em um sistema capaz de produzir economia de escala, o custo marginal ser\u00e1 decrescente. Quanto menor, mais deve-se produzir e ganhar escala. David Ricardo j\u00e1 falava disso no s\u00e9culo XIX, apesar da economia, nesse tempo, ser sustentada pela agricultura e pouco pelo com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>O termo escalabilidade virou moda no mundo das startups, algo que precisa ser alcan\u00e7ado para que um modelo de neg\u00f3cios fique sustent\u00e1vel. \u00c9 fundamental que todo empreendedor esteja atento para a busca das economias de escala. Precisa sim, sempre buscar o ponto \u00f3timo para construir a melhor rota de valor para essas novas companhias, mas ele tem que saber que nada disso \u00e9 novo, apenas tudo acontece numa velocidade incrivelmente alta com uso da tecnologia.<\/p>\n<p>Por outro lado, atualmente as empresas ligadas \u00e0 &#8220;nova economia&#8221; discutem o conceito de MVP para seus produtos ou servi\u00e7os. MVP \u00e9 a sigla de <em>Minimum Viable Product<\/em> e significa produto m\u00ednimo vi\u00e1vel. Lan\u00e7ar um MVP n\u00e3o \u00e9 mais do que ofertar um produto ou servi\u00e7o com o m\u00ednimo de custos poss\u00edveis para que ele possa ser testado e validado pelo mercado, ou seja, significa atingir a f\u00f3rmula antiga de viabilidade de produ\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era ensinada pelos economistas neocl\u00e1ssicos no s\u00e9culo XIX. Se a esse racioc\u00ednio inserimos o conceito de valor agregado, que significa na capacidade de somar valor de uso e de utilidade no produto ou servi\u00e7o, conseguimos descrever qual \u00e9 a procura atual das empresas num mercado cada vez mais vol\u00e1til e incerto. Definitivamente, nada novo conceitualmente.<\/p>\n<p>Disrup\u00e7\u00e3o \u00e9 o conceito usado para descrever mudan\u00e7as estruturais em sistemas econ\u00f4micos e mercados. \u00c9, por exemplo, o que o Uber, Spotify, Airbnb causaram nos seus respectivos mercados. &#8220;Disruptar&#8221; at\u00e9 virou verbo moderno. Se trocarmos disrup\u00e7\u00e3o por destrui\u00e7\u00e3o criadora, n\u00e3o ter\u00edamos nenhuma altera\u00e7\u00e3o na estrutura do conceito. A diferen\u00e7a \u00e9 que o economista austr\u00edaco Joseph Schumpeter, j\u00e1 discutia isso em 1942 no seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia. Schumpeter precisamente apontava a necessidade de inova\u00e7\u00e3o para entender ciclos econ\u00f4micos e novas fases do capitalismo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, j\u00e1 imaginou o que falaram os habitantes da Inglaterra em 1750 quando a mecaniza\u00e7\u00e3o se estendeu do setor t\u00eaxtil para a metalurgia, para os transportes, para a agricultura e para outros setores da economia?<\/p>\n<p>Imagine qual foi a rea\u00e7\u00e3o da economia ao analisar o impacto dos diversos inventos que revolucionaram as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o e alteraram o sistema de poder econ\u00f4mico. Naquele tempo, a fonte de riqueza deslocou-se da atividade comercial para a industrial. Quem desenvolvesse a capacidade de produzir mercadorias passaria a ter a lideran\u00e7a econ\u00f4mica no mundo. Algo parecido com o que est\u00e1 acontecendo atualmente na economia com as empresas inovadoras detentoras de tecnologias disruptivas, que \u00e9 onde o capital e a riqueza est\u00e1 se concentrando.<\/p>\n<p>Se \u00e9 para analisar os impactos das inova\u00e7\u00f5es na humanidade, um invento que talvez tenha tido mais influ\u00eancia criadora sobre a humanidade, inclusive, mais que a pr\u00f3pria internet, foi o descobrimento da prensa tipogr\u00e1fica por parte do Johannes Gutenberg em 1400. Gutenberg desenvolveu um sistema mec\u00e2nico de tipos m\u00f3veis que deu in\u00edcio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o da Imprensa, e que \u00e9 amplamente considerado o invento mais importante do segundo mil\u00eanio. O invento de Gutemberg teve um papel fundamental no desenvolvimento da Renascen\u00e7a, Reforma e na Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e lan\u00e7ou as bases materiais para a moderna economia baseada no conhecimento e a dissemina\u00e7\u00e3o em massa da aprendizagem. Imagine como era antes dessa inven\u00e7\u00e3o. S\u00f3 algumas pessoas, as que sabiam ler e os nobres tinham acesso aos livros eram os detentores de saberes. O conhecimento era monop\u00f3lio de poucos, a popula\u00e7\u00e3o, eminentemente analfabeta, n\u00e3o tinha acesso ao conhecimento. O impacto do tipo m\u00f3vel de impress\u00e3o propiciou a irradia\u00e7\u00e3o do saber, impulsionou a alfabetiza\u00e7\u00e3o e permitiu com que mais pessoas tenham acesso ao conhecimento. Uma disrup\u00e7\u00e3o total sem precedentes. Guardada as devidas propor\u00e7\u00f5es, algo parecido com a descoberta do fogo ou da roda. Portanto, disrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada novo, ela sempre acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade. Inclusive, a evolu\u00e7\u00e3o depende da destrui\u00e7\u00e3o criadora.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que se fala em disrup\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma novidade sim que caracteriza a maioria dessas empresas inovadoras: a falta de lucro em curto prazo. Buscando conquistar a maior fatia do mercado poss\u00edvel, sonhando com o monop\u00f3lio \u2013 no melhor estilo \u201cthe winner takes all\u201d &#8211; Uber, Spotify, Netflix, dentre outras, s\u00f3 t\u00eam apresentado resultados negativos nos \u00faltimos anos, contradizendo assim o princ\u00edpio-base do capitalismo: o lucro. Queimam caixa para ganhar mercados.<\/p>\n<p>Segundo o balan\u00e7o do terceiro trimestre, a Uber \u201cqueimou\u201d US$ 543 mil a cada hora em 2019. O preju\u00edzo foi de US$ 1,16 bilh\u00e3o. Proje\u00e7\u00f5es mostram que em 2019, a empresa deve acumular perdas de US$ 8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para explicar essa a\u00e7\u00e3o, cunhou-se a defini\u00e7\u00e3o \u201cqueimar caixa\u201d para explicar como essas empresas, patrocinadas por grandes capitais de investimento (<em>Private Equity &amp; Venture Capital<\/em>), n\u00e3o se importam, no curto prazo, em bancar empresas que gastam mais do que ganham, sempre e quando a perspectiva seja conquistar novos mercados. Sob um olhar da teoria neocl\u00e1ssica, pode-se dizer que a firma est\u00e1 gastando e investindo o que tem at\u00e9 virar monop\u00f3lio ou formar um oligop\u00f3lio e ter para si um mercado dependente do seus produtos ou servi\u00e7os. Perceba que essa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, ela foi formulada no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Por outro lado, se voc\u00ea perguntar para um humilde motorista de Uber se ele sabe que a empresa n\u00e3o tem lucro, ele, com certeza, dir\u00e1 que n\u00e3o acredita nisso. Ele afirmar\u00e1 que lhe \u00e9 cobrado 25% por cada corrida e que, dificilmente, essa porcentagem d\u00e1 de sobra para dar lucro \u00e0 empresa. Possivelmente esse pensamento seja verdadeiro, mas em longo prazo. Por ora, a empresa gasta mais do que ganha. Esses gastos s\u00e3o em investimentos de novos projetos de transporte de pessoas com carros aut\u00f4nomos ou drones para entrega de comida; gasta-se consideravelmente em promo\u00e7\u00f5es e formas de aquisi\u00e7\u00e3o de clientes, sem contar os processos trabalhistas ou de acuso de ass\u00e9dio de alguns dos seus motoristas. Soma-se a essa montanha de dinheiro gasto, os investimentos em expans\u00e3o territorial, al\u00e9m dos recursos dispendidos ao desenvolvimento da tecnologia do aplicativo, principal recurso da empresa que une motoristas a usu\u00e1rios pelo mundo. Tudo isso pode ser complementado pelos gastos com lobby pol\u00edtico para tentar impedir a rejei\u00e7\u00e3o dessa modalidade disruptiva nos pa\u00edses. Todo esse investimento talvez n\u00e3o volte na sua totalidade, muita coisa ser\u00e1 perdida. A teoria econ\u00f4mica entende isso como custos perdidos ou <em>sunk costs<\/em>, novidade? Nada disso, esse conceito data de 1960 com os estudos de Arkes, H.R.<\/p>\n<p>Da outra ponta do sistema temos um consumidor cada vez mais acostumado a uma economia onde, a maior parte dos servi\u00e7os usados, s\u00e3o oferecidos de forma gratuita (quanto se paga diretamente para usar o Whatsapp?), inicialmente, ou subsidiada (vide o valor do km rodado cobrado pelo Uber). N\u00e3o h\u00e1 conta que feche positiva. As grandes empresas oferecem cupons, servi\u00e7os bancados na espera de conquistar mercados e n\u00f3s consumidores estamos ficando cada vez mais relutantes a pagar por servi\u00e7os tecnol\u00f3gicos. \u00c9 nesse mundo que as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas est\u00e3o sendo pautadas, afetando, de alguma forma, pequenos empreendedores que s\u00e3o obrigados a oferecer seus produtos e servi\u00e7os de &#8220;gra\u00e7a&#8221; ou &#8220;quase de gra\u00e7a&#8221;. Portanto, um empreendedor, se quiser emplacar seu produto ou servi\u00e7o, ter\u00e1 de oferec\u00ea-lo de gra\u00e7a ou dever\u00e1 contar com um patrocinador que acredite que, no futuro, sua empresa decolar\u00e1 e lhe render\u00e1 altos lucros. Pode parecer servi\u00e7o p\u00fablico, mas no fundo nada \u00e9 de gra\u00e7a, como diria o c\u00e9lebre economista Milton Friedman, no seu livro <em>There&#8217;s No Such Thing as a Free Lunch <\/em>de 1975, embora essa frase tenha aparecido nos Estados Unidos entre 1930 e 1940. O termo faz refer\u00eancia a uma pr\u00e1tica comum entre bares americanos do s\u00e9culo XIX, que ofereciam uma refei\u00e7\u00e3o sem \u201cnenhum custo\u201d sempre e quando os clientes consumissem bebidas. A maioria das empresas que oferece \u201calmo\u00e7o de gra\u00e7a\u201d, principalmente, na \u00e1rea de servi\u00e7os, na realidade pratica a estrat\u00e9gia de venda identificada como <em>Freemium<\/em>, em que uma parte do servi\u00e7o \u00e9 gratuito, mas o usu\u00e1rio tem de &#8220;pagar&#8221; ouvindo ou assistindo an\u00fancios comerciais. Para quem n\u00e3o quiser nada disso, h\u00e1 o plano pago, que o livra de toda essa propaganda e d\u00e1 direito a servi\u00e7os mais personalizados. Por isso \u00e9 denominado <em>Freemium<\/em>: uma parte \u00e9 de gra\u00e7a (<em>Free<\/em>) e a outra parte \u00e9 paga (Premium). Por exemplo, a maioria dos usu\u00e1rios do Spotify n\u00e3o paga nada, a empresa se sustenta pelos aportes dos capitais de investimentos, os quais apostam que a empresa se consolide no futuro e gere lucros.<\/p>\n<p>Mas engana-se quem acredite que o mercado ficou mais benevolente com preju\u00edzos e n\u00e3o goste mais de lucros. Os investimentos feitos por grandes capitais s\u00e3o de longo prazo, mas esse prazo j\u00e1 est\u00e1 expirando para as empresas mais valorizadas da atualidade. Um exemplo disso pode ser visto em 2019 com o caso da empresa Wework. A Wework \u00e9 uma empresa imobili\u00e1ria americana que fornece espa\u00e7os de trabalho compartilhados (coworkings) para empresas do setor tecnol\u00f3gico e de servi\u00e7os, dentre outras. Foi fundada em 2010 pelo israelense Adam Neumann e o americano Miguel McKelvey. Sua sede \u00e9 em Nova Iorque e em 2018 j\u00e1 geria 4,33 milh\u00f5es de metros quadrados. Ap\u00f3s alcan\u00e7ar uma valoriza\u00e7\u00e3o de quase USD 47 bilh\u00f5es, inclusive com o aporte de um dos maiores investidores do mundo, o SoftBank, a companhia entrou em uma espiral de perdas significativas de valor que, inclusive impossibilitaram\/desanimaram a sua abertura de capital na bolsa americana em 2019 e iniciou uma onda de demiss\u00f5es da boa parte da sua for\u00e7a de trabalho. A companhia atualmente est\u00e1 avaliada em USD 8 bilh\u00f5es (perdeu quase 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de valor), depois de ter sido \u201csalva\u201d por um aporte de emerg\u00eancia do SoftBank. Ao que tudo indica, a ideia de neg\u00f3cios n\u00e3o oferece uma boa perspectiva de lucros futuros e o mercado se deu conta. Ao que tudo indica, nada novo, a teoria dos ciclos econ\u00f4micos est\u00e1 a\u00ed para explicar esse vaiv\u00e9m de valor. O mercado n\u00e3o \u00e9 nada mais que uma conven\u00e7\u00e3o de agentes com racionalidade limitada que quando se unem formam certezas de valor. Est\u00e1 nos livros dos cl\u00e1ssicos da economia, desde Adam Smith, at\u00e9 na moderna abordagem do Yuval Harari nos seus livros <em>top sellers<\/em> Sapiens e Homodeus.<\/p>\n<p>Da mesma forma, esses mesmos agentes ilimitados podem n\u00e3o ter complac\u00eancia com preju\u00edzos e perdas que neguem a ess\u00eancia do capitalismo. H\u00e1 outros exemplos que podem ser citados de empresas promissoras que, de l\u00edderes de mercado, sumiram ou foram vendidas por pre\u00e7os \u00ednfimos como o <em>Yahoo<\/em>, outrora, quase \u00fanico buscador de informa\u00e7\u00f5es da internet no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000 e a Theranos, empresa da \u00e1rea da sa\u00fade que prometia realizar diagn\u00f3sticos avan\u00e7ados dos seus pacientes, coletando algumas gotas de sangue. No caso da Theranos nada daquilo que se prometia se cumpria, n\u00e3o havia inova\u00e7\u00e3o e a solu\u00e7\u00e3o estava pr\u00f3xima da fraude. A empresa e a sua\u00a0 fundadora e CEO, Elizabeth Holmes, quem chegou a ser considerada \u201ca pr\u00f3xima Steve Jobs\u201d, foram expelidas do mercado.<\/p>\n<p>Ou seja, mesmo em tempos de apostas longas, por parte do capital, o princ\u00edpio elementar de lucro, ainda \u00e9 \u201csagrado\u201d, apesar de muitos acreditarem no mundo de servi\u00e7os gratuitos.<\/p>\n<p>Ainda podemos decifrar esses &#8220;novos&#8221; conceitos e confront\u00e1-los com os que a teoria econ\u00f4mica j\u00e1 mostra, levaria um livro para fazer isso. Nosso ponto aqui \u00e9 que ningu\u00e9m est\u00e1 inventando a roda, s\u00f3 precisamos entender do que estamos falando.<\/p>\n<p>Acreditamos que quanto mais empreendedores engajados, novas solu\u00e7\u00f5es ser\u00e3o criadas, mais valor ser\u00e1 constru\u00eddo, e toda economia se beneficiar\u00e1 positivamente. E para que mais iniciativas surjam, o entendimento de todas as possibilidades econ\u00f4micas se torna crucial para o ecossistema. Isso precisa ser um chamado para que os economistas consigam traduzir seus conceitos para a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos empreendedores e, ao mesmo tempo, os criadores e gestores de startups consigam entender e usufruir do que h\u00e1 de melhor na teoria econ\u00f4mica. \u00c9 poss\u00edvel continuar explicando, por exemplo, de divis\u00e3o do trabalho, do Adam Smith, mas em lugar de falar da fabrica de alfinetes, por que n\u00e3o usar como exemplo a fabrica da ind\u00fastria automotiva Tesla?\u00a0 Em ambos os exemplos, os conceitos-base, s\u00e3o os mesmos. Essa \u00e9 a grandeza da teoria econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O economista, por forma\u00e7\u00e3o, tem a capacidade de analisar todos esses novos acontecimentos e adaptar a teoria nesses movimentos tidos como novidade. O que h\u00e1 \u00e9 uma mudan\u00e7a de condicionantes tecnol\u00f3gicos e de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, mas nada que altere os princ\u00edpios b\u00e1sicos da teoria econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Enquanto se fala no futuro das profiss\u00f5es e no surgimento de muitas que \u201cainda n\u00e3o existem\u201d, \u00e9 poss\u00edvel entender o mundo a partir das ideias \u201cnovas dos economistas mortos\u201d.<\/p>\n<p>Por tudo isso, acreditamos no papel vital do economista como intermediador deste momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>L\u00e9o Jianoti, economista, investidor-anjo e conselheiro de empresas.<\/strong><\/p>\n<p>Leonardo\u00a0\u00e9 economista, investidor-anjo e conselheiro de empresas. Formado em economia pela UFPR,\u00a0com mestrado em bioenergia tb pela UFPR e forma\u00e7\u00e3o executiva em Management by Value pela Columbia University\/EUA, Leonardo\u00a0possui 15 anos de experi\u00eancia em projetos de\u00a0estrat\u00e9gia econ\u00f4mica\u00a0desenvolvidos por todas as Am\u00e9ricas e \u00c1frica. Suas experi\u00eancias est\u00e3o concentradas\u00a0em avalia\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, valora\u00e7\u00e3o de empresas (valuation) e gest\u00e3o de novos\u00a0neg\u00f3cios. Depois de anos\u00a0assessorando fam\u00edlias investidoras (family offices) em\u00a0diferentes setores, se tornou investidor anjo, apoiando financeiramente\u00a0startups em seus desafios de desenvolvimento. \u00c9 co-fundador da Curitiba Angels,\u00a0foi investidor-anjo em\u00a011 startups, incluindo Contabilizei, James Delivery,\u00a0Phosfato e Troco Simples, entre outras, e atua como conselheiro de empresas\u00a0contribuindo na transi\u00e7\u00e3o para a nova economia.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hugo E. Meza, economista, Professor e Fundador da Amauta &#8211; Economia Criativa.<\/strong><\/p>\n<p>Possui gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1993), mestrado em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (1999) e doutorado em Integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina pela Universidade de S\u00e3o Paulo (2007). Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Economia, atuando principalmente nos seguintes temas: Macroeconomia, empreendedorismo, Inova\u00e7\u00e3o e Criatividade.<br \/>Atua com educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia desde 2000. Implantou projetos de EAD e cria solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para essa \u00e1rea. Foi Diretor Geral de institui\u00e7\u00e3o de ensino superior. \u00c9 professor de P\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Positivo na \u00e1rea de neg\u00f3cios. \u00c9 professor convidado do Google para avaliar projetos de empreendedorismo social e do Google for Education. \u00c9 um dos tr\u00eas representantes da Prezi Educators Society. Paralelamente, tamb\u00e9m desenvolve atividades como avaliador ad hoc do ensino superior para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e \u00e9 associado da empresa de Economia Criativa Amauta. \u00c9 explorador de caminhos e trilhas e \u00e9 o Experience Planner do Caminho a Machu Picchu. Criador do site <a href=\"http:\/\/www.econovida.com.br\">www.econovida.com.br<\/a> dedicado a entender a vida desde uma perspectiva econ\u00f4mica. O site aborda v\u00e1rias nuances da economia como finan\u00e7as pessoais, economia criativa, An\u00e1lise de mercado e economia emp\u00edrica. Faz parte da rede de professores da Apple (Apple Teacher).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":9913,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-9911","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9911"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9911\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9913"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}