{"id":9899,"date":"2020-01-28T09:51:30","date_gmt":"2020-01-28T12:51:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=9899"},"modified":"2020-01-28T09:51:30","modified_gmt":"2020-01-28T12:51:30","slug":"artigo-efetividade-de-choques-monetarios-e-o-mercado-de-trabalho-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=9899","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Efetividade de choques monet\u00e1rios e o mercado de trabalho brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9902 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Michel-Candido.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Michel-Candido.jpg 350w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Michel-Candido-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/p>\n<ul>\n<li>Michel C\u00e2ndido de Souza &#8211; Gradua\u00e7\u00e3o e Mestrado em Economia pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Doutorando em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais e Professor Assistente do Departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Artigo publicado na revista Economistas n\u00ba 34.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, a trajet\u00f3ria de vari\u00e1veis associadas ao n\u00edvel de emprego apresentou um papel de destaque nas discuss\u00f5es macroecon\u00f4micas. Seja no campo estrat\u00e9gico (para aux\u00edlio de decis\u00f5es dos <em>policy makers<\/em>) ou no arcabou\u00e7o t\u00e9cnico (quanto as melhores alternativas para sua mensura\u00e7\u00e3o), o mercado de trabalho tem sido interpretado como um dos grandes motores das economias modernas. Consequentemente, sua boa organiza\u00e7\u00e3o e efici\u00eancia afetam diretamente o processo produtivo de um pa\u00eds. Fatores como o tempo m\u00e9dio de procura por um emprego, a probabilidade de uma nova vaga ser preenchida, a taxa de destrui\u00e7\u00e3o\/cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e a combina\u00e7\u00e3o entre procura e oferta de vagas podem explicar muito dos \u00edndices de ocupa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra formal. Logo, componentes informacionais, sazonais, geogr\u00e1ficos e at\u00e9 mesmo institucionais, possuem grande import\u00e2ncia na an\u00e1lise do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a segunda guerra, podemos vislumbrar dois per\u00edodos distintos quanto a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas estruturais que afetaram a din\u00e2mica dos mercados de trabalho: os primeiros vinte e cinco anos que sucederam o conflito, marcados pela ordem econ\u00f4mica internacional que favorecia a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao &#8220;pleno emprego&#8221; (dentro dos ideais intervencionistas do <em>Welfare State<\/em>) e a d\u00e9cada de 1970 em sequ\u00eancia, que marcou o in\u00edcio de pol\u00edticas liberais em favor da desregulamenta\u00e7\u00e3o e flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, por parte dos estados alinhados. Estes momentos representam quebras importantes na hist\u00f3ria, por conta da mudan\u00e7a nos n\u00edveis de desemprego e at\u00e9 mesmo na din\u00e2mica informacional dos mercados, j\u00e1 que os trabalhadores passaram a contar com novos recursos legislativos e tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Para os economistas, uma conhecida refer\u00eancia sobre a import\u00e2ncia do mercado de trabalho adv\u00e9m da Lei de Okun. A abordagem prop\u00f5e a exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o emp\u00edrica negativa, no curto prazo, entre o desvio da taxa de desemprego (em rela\u00e7\u00e3o ao desemprego natural) e a diferen\u00e7a do Produto Interno Bruto (em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel tendencial). De forma simplificada, os holofotes costumam se voltar para a an\u00e1lise de sensibilidade do desemprego perante altera\u00e7\u00f5es na trajet\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o nacional, sem necessariamente impor rela\u00e7\u00e3o causal entre as vari\u00e1veis. No limiar, conforme Gordon (2010) e Gali (2012) argumentam, a Lei de Okun auxiliaria a execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas monet\u00e1rias, j\u00e1 que o desemprego poderia ser reduzido em concord\u00e2ncia com as bandas de um regime de metas bem estabelecido.<\/p>\n<p>Contudo, embora em termos socio econ\u00f4micos grande parte das pol\u00edticas p\u00fablicas busque impulsionar a cria\u00e7\u00e3o de novas vagas e elevar a renda m\u00e9dia dos trabalhadores, por conta de problemas informacionais os efeitos observados podem ser contr\u00e1rios a tais objetivos. Como exemplo, segundo Souza(2017), caso o consumo seja estimulado acima da capacidade de oferta da economia, no curto prazo, a baixa efici\u00eancia do mercado de trabalho pode ocasionar em um n\u00famero de vagas preenchidas inferior ao total de postos de trabalho criados com a mudan\u00e7a na demanda, freando consideravelmente o efeito esperado (de redu\u00e7\u00e3o) sobre o desemprego dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>O objetivo deste breve artigo \u00e9 estimular a reflex\u00e3o sobre os poss\u00edveis efeitos que choques monet\u00e1rios podem exercer sobre o mercado de trabalho brasileiro, considerando suas imperfei\u00e7\u00f5es. Em outras palavras, partindo do ponto de vista Novo-Keynesiano, de que a arquitetura da pol\u00edtica monet\u00e1ria pode afetar (no curto prazo) as vari\u00e1veis reais, buscamos discutir como uma mudan\u00e7a na taxa de juros contribui para redu\u00e7\u00e3o do desemprego e quais s\u00e3o as limita\u00e7\u00f5es deste instrumento, expondo as principais teorias e a din\u00e2mica recente das imperfei\u00e7\u00f5es microecon\u00f4micas no mercado de trabalho brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Fric\u00e7\u00f5es no Mercado de Trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980, buscando explicar as hist\u00f3ricas taxas de desemprego vivenciadas pelas economias desenvolvidas, muitos pesquisadores investigaram a exist\u00eancia de poss\u00edveis fric\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho. Alguns dos principais trabalhos desta literatura foram desenvolvidos por Diamond (1982), Mortensen (1982) e Pissarides (1985), laureados com pr\u00eamio Nobel em 2010 pelas contribui\u00e7\u00f5es feitas a teoria do desemprego, conhecida como abordagem DMP.<\/p>\n<p>Dentre as alternativas, o desenvolvimento da abordagem <em>search and matching<\/em> foi uma das op\u00e7\u00f5es apresentadas. Basicamente, essa modelagem se baseia na premissa de que ambos os fluxos de movimento do mercado de trabalho s\u00e3o capazes de atender a uma rela\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio final. A forma de obten\u00e7\u00e3o desse equil\u00edbrio se d\u00e1 pela chamada fun\u00e7\u00e3o <em>match<\/em>, que segue um padr\u00e3o Cobb-Douglas e busca capturar a taxa com que trabalhadores desempregados e firmas com vagas ociosas se encontram no mercado, al\u00e9m de considerar alguns fatores condicionantes capazes de distorcer essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De um lado, os agentes desempregados buscam por postos de trabalho que proporcionem retorno superior ao sal\u00e1rio reserva. No oposto, as firmas buscam por trabalhadores que preencham as vagas ociosas e proporcionem retornos superiores aos custos envolvidos no processo de contrata\u00e7\u00e3o. Quando existe acordo entre as partes, o trabalhador se disp\u00f5e a iniciar sua jornada por um sal\u00e1rio considerado por ele justo, a empresa prev\u00ea um retorno superior ao custo marginal do trabalho, o setor produtivo recebe uma nova participa\u00e7\u00e3o, o <em>search<\/em> tem \u00eaxito e o <em>match<\/em> ocorre. Basicamente, a fun\u00e7\u00e3o resume uma tecnologia de negocia\u00e7\u00e3o entre agentes que colocam an\u00fancios, leem jornais e revistas, v\u00e3o a ag\u00eancia de emprego e utilizam contatos para gerar parceiras que resultem em uma coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o <em>match<\/em> n\u00e3o \u00e9 um processo perfeito. Existe falta de coordena\u00e7\u00e3o entre os agentes participantes do mercado de contrata\u00e7\u00e3o, de forma que nem todos os desempregados s\u00e3o capazes de encontrar uma vaga e vice-versa. Al\u00e9m do que, preencher uma vaga \u00e9 um processo demorado e caro para ambas as partes, logo, o sal\u00e1rio \u00e9 um componente resultante de um processo de negocia\u00e7\u00e3o entre empresas e trabalhadores, no qual estes \u00faltimos possuem algum grau de barganha na negocia\u00e7\u00e3o. E \u00e9 a partir desta din\u00e2mica imperfeita e de custos elevados no processo de contrata\u00e7\u00e3o, que parte do desemprego presente na economia emerge, fazendo com que pol\u00edticas econ\u00f4micas nem sempre alcancem os efeitos plenamente esperados.<\/p>\n<p><strong>Breve Hist\u00f3rico sobre a Din\u00e2mica do Mercado de Trabalho Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1980, a economia brasileira cresceu a taxas elevadas, principalmente no per\u00edodo p\u00f3s-guerra, algo pr\u00f3ximo de 6,5% ao ano. Este intervalo representou um importante per\u00edodo de evolu\u00e7\u00e3o, mesmo com entraves e gargalos provenientes do processo de industrializa\u00e7\u00e3o tardio.<\/p>\n<p>Como esperado, o mercado de trabalho acompanhou o movimento tendencial e vivenciou um per\u00edodo de aumento expressivo de vagas, especialmente no setor formal. Conforte Giambiagi (2011) e Ferreira de Souza (2016), o crescimento econ\u00f4mico at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1970 proporcionou uma expans\u00e3o direta nos n\u00edveis de consumo das fam\u00edlias, por\u00e9m, de forma desigual para grande parte dos trabalhadores contratados, o que impulsionou a concentra\u00e7\u00e3o de renda e ampliou as desigualdades sociais no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Basicamente, entre 1964 e 1980, o mercado de trabalho brasileiro foi intrinsicamente alterado. Houve maior flexibilidade aos empregadores e uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1sticas no poder de barganha dos trabalhadores, al\u00e9m de uma estagna\u00e7\u00e3o nos ganhos reais do sal\u00e1rio m\u00ednimo, pressionado para baixo no per\u00edodo da ditadura.<\/p>\n<p>Em sequ\u00eancia, na d\u00e9cada de 1980, a economia brasileira passou por um per\u00edodo de &#8220;anos perdidos&#8221;, caracterizado pelo baixo crescimento econ\u00f4mico (consequ\u00eancia direta da perda de f\u00f4lego do processo tardio de industrializa\u00e7\u00e3o) e descontrole do n\u00edvel de pre\u00e7os. Naturalmente, a desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica trouxe consigo a destrui\u00e7\u00e3o de um n\u00famero elevado de vagas, mas os efeitos sobre o mercado de trabalho foram um pouco mais complexos e estruturais do que a intui\u00e7\u00e3o sugere.<\/p>\n<p>Os maus momentos alteraram, majoritariamente, a inser\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, muito provavelmente por conta do decl\u00ednio nos setores prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, bem como devido \u00e0 queda no dinamismo industrial e o baixo n\u00edvel de investimentos da economia. Em contrapartida, o setor de servi\u00e7os aumentou sua participa\u00e7\u00e3o no n\u00famero total de ocupa\u00e7\u00f5es, passando de 5,9 milh\u00f5es em maio de 1982 para 7,67 milh\u00f5es em dezembro de 1989, destacando o crescimento relativo nos ramos do com\u00e9rcio, atividades sociais e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Contudo, estas expans\u00f5es n\u00e3o podem ser atribu\u00eddas a um fen\u00f4meno pontual de desindustrializa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o aumento na ocupa\u00e7\u00e3o do setor de servi\u00e7os foi acompanhado pela amplia\u00e7\u00e3o do setor informal e a estrutura industrial manteve-se praticamente intocada.<\/p>\n<p>Nos anos 90, devido a abertura econ\u00f4mico-financeira, firmeza na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria (que priorizava o regime de metas), cuidado na gest\u00e3o fiscal e abandono das tentativas de utilizar a taxa de c\u00e2mbio como instrumento de crescimento, o pa\u00eds recuperou um pouco da estrutura din\u00e2mica do mercado de trabalho. No entanto, como grande parte das empresas n\u00e3o possu\u00eda amplo acesso ao mercado de cr\u00e9dito e as inova\u00e7\u00f5es mais recentes, as maiores mudan\u00e7as no mercado de trabalho ocorreram no sentido de reorganiza\u00e7\u00e3o dos processos, com redu\u00e7\u00e3o de postos, aumento da rotatividade e principalmente terceiriza\u00e7\u00e3o de grande parte da m\u00e3o de obra. Os dados do IBGE mostram que a popula\u00e7\u00e3o ocupada sem carteira de trabalho (nas regi\u00f5es metropolitanas) saltou de 2,89 milh\u00f5es em janeiro de 1990 para 4,55 milh\u00f5es em dezembro de 1999.<\/p>\n<p>Para a primeira d\u00e9cada dos anos 2000, o crescimento sustentado e a redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o (herdada do plano de estabiliza\u00e7\u00e3o implementado na d\u00e9cada anterior) proporcionaram o aumento da cria\u00e7\u00e3o de empregos assalariados, contribuindo diretamente para a formaliza\u00e7\u00e3o dos contratos e ampliando o poder de compra do trabalhador m\u00e9dio. Al\u00e9m disso, a implementa\u00e7\u00e3o de programas sociais e educacionais em larga escala diminuiu consideravelmente as diferen\u00e7as de renda no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da \u00faltima d\u00e9cada foi marcado pela crise internacional. Entre 2010 e 2011 j\u00e1 se especulava sobre os poss\u00edveis problemas com n\u00edveis muito reduzidos do desemprego, devido \u00e0 baixa produtividade do trabalhador brasileiro e a escassez de m\u00e3o de obra especializada. Al\u00e9m disso, o agravamento da conjuntura europeia afetou a economia no \u00faltimo trimestre de 2011, sinalizando dificuldades maiores para o mercado de trabalho nacional em 2012. Mesmo assim, a economia brasileira ainda demonstrou boa capacidade de ocupa\u00e7\u00e3o das novas vagas, proporcionando taxas de desemprego que atingiram n\u00edveis historicamente reduzidos entre 2012 e 2013.<\/p>\n<p>Recentemente, com o descontrole das contas p\u00fablicas, fim do b\u00f4nus demogr\u00e1fico, avan\u00e7o do n\u00edvel de pre\u00e7os (atingindo novamente a casa de dois d\u00edgitos em 2015) e a press\u00e3o do c\u00e2mbio, em 2016 a economia Brasileira entrou em uma de suas maiores recess\u00f5es na hist\u00f3ria. Nesta conjuntura, o mercado de trabalho brasileiro passou por um momento de grande fragilidade, registrando taxas negativas hist\u00f3ricas, o que desaqueceu a economia e reduziu o n\u00edvel de pre\u00e7os. Conjuntamente, no final de 2016, o Banco Central iniciou uma pol\u00edtica de queda na taxa b\u00e1sica de juros, que entre outros prop\u00f3sitos buscou auxiliar a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As Limita\u00e7\u00f5es da Pol\u00edtica Monet\u00e1ria em Mercados de Trabalho com Fric\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A efetividade da pol\u00edtica monet\u00e1ria, como ferramenta de aux\u00edlio e est\u00edmulo a demanda, \u00e9 amplamente reconhecida por diversas escolas de pensamento econ\u00f4mico. Contudo, pouco debate existe sobre os efeitos diretos da condu\u00e7\u00e3o destas pol\u00edticas sobre o mercado de trabalho brasileiro, principalmente quanto as imperfei\u00e7oes no processo de contrata\u00e7\u00e3o. Estudos recentes, como de Bas\u00edlio (2012), Attuy (2012) e Souza (2017), oferecem evid\u00eancias te\u00f3ricas e emp\u00edricas de que a efetividade da pol\u00edtica econ\u00f4mica, como redutora do desemprego, pode ser limitada pelas fric\u00e7\u00f5es presentes no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, um choque de redu\u00e7\u00e3o na taxa b\u00e1sica de juros apresentaria os seguintes efeitos: devido ao per\u00edodo matura\u00e7\u00e3o entre a contrata\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio, o n\u00famero de trabalhadores empregados n\u00e3o aumenta instantaneamente. Dessa forma, o ajustamento do trabalho \u00e0 nova demanda (consumo das fam\u00edlias) \u00e9 dado, inicialmente, por um aumento de horas trabalhadas da m\u00e3o de obra ativa. Contudo, o aumento da procura tamb\u00e9m estimula os lucros esperados e leva sequencialmente a uma abertura de vagas. Como consequ\u00eancia, h\u00e1 mais contrata\u00e7\u00f5es, de modo que o desemprego cai e os sal\u00e1rios s\u00e3o pressionados para cima.<\/p>\n<p>Mais especificamente, dentro do mercado de trabalho, a probabilidade de um agente encontrar emprego na economia brasileira aumenta, mas a chance de uma nova vaga ser preenchida cai. Isso ocorre pois o n\u00famero de vagas tende a crescer de maneira proporcionalmente superior aos novos matches da economia, seja por quest\u00f5es informacionais ou at\u00e9 mesmo de qualifica\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o permite que o desemprego recue ainda mais, no curto prazo.<\/p>\n<p>Logo, mesmo que a rela\u00e7\u00e3o entre um choque monet\u00e1rio e o n\u00edvel de emprego seja desenvolvida conforme o esperado, as fric\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho atuam como limitadoras de uma maior expans\u00e3o do emprego. Ou seja, esperamos que as pol\u00edticas monet\u00e1rias sejam efetivas e contribuam para a recupera\u00e7\u00e3o da economia, mas ressaltamos que a ado\u00e7\u00e3o de medidas que melhorem a fluidez do mercado de trabalho, em termos informacionais (intermedia\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra) e educacionais (como investimento massivo em cursos de qualifica\u00e7\u00e3o profissional), contribuem para aumentar a efetividade de a\u00e7\u00f5es do Banco Central e podem garantir um efeito mais igualit\u00e1rio entre as diversas camadas da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>REFERENCIAS:<\/strong><\/p>\n<p>ATTUY, G. <em>Ensaios sobre macroeconomia e mercado de trabalho. Tese (Doutorado em Economia)<\/em>, Universidade de S\u00e3o Paulo, 2012.<\/p>\n<p>BAS\u00cdLIO, F.A.C. <em>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria e Barganha Salarial: A Import\u00e2ncia das Institui\u00e7\u00f5es do Mercado de Trabalho na Aus\u00eancia de Rigidez Nominal. <\/em><em>Tese (Doutorado em Economia)<\/em>, Universidade de Bras\u00edlia, 2012.<\/p>\n<p>DIAMOND, P. A. Wage determination and efficiency in search equilibrium. <em>Review of Economic Studies<\/em>. v.49 n.2 p.217 &#8211; 227, 1982<\/p>\n<p>FERREIRA DE SOUZA,P.H.G. <em>A desigualdade vista do topo: a concentra\u00e7\u00e3o de renda entre os ricos no Brasil, 1926-2013. Tese (Doutorado em Sociologia)<\/em>, Universidade de Bras\u00edlia, 2016.<\/p>\n<p>GIAMBIAGI, F.;VILLELA, A.; CASTRO, B.C.; e HERMANN, J. <em>Economia Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em> (1945-2010). S\u00e3o Paulo: Campus,2011.<\/p>\n<p>GORDON, R. J. Okun\u2019s Law and Productivity Innovations. <em>American Economic Review<\/em>, v. 100, n. 2, p. 11-15, 2010.<\/p>\n<p>GALI, J.;FRANK S.; WOUNTERS, R. Slow Recoveries: A Structural Interpretation.<em> Journal of Money, Credit and Banking<\/em>, v. 44, p. 9-30, 2012.<\/p>\n<p>MORTENSEN,D.T. The Matching Process as a Noncooperative Bargaining Game. In: McCall ,J.J. <em>The Economics of Information and Uncertainty<\/em>. Chicago, University of Chicaco Press, p.233-254, 1982.<\/p>\n<p>PISSARIDES, C. Short-Run Equilibrium Dynamics of Unemployment, Vacancies, and Real Wages. <em>American Economic Reivew,<\/em> 75, 676-690.1985.<\/p>\n<p>SOUZA,M.C. Pol\u00edtica Monet\u00e1ria e Mercado de Trabalho no Brasil. <em>Revista de Economia Contempor\u00e2nea<\/em>. 21, 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":9902,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-9899","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9899"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9899\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9902"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}