{"id":9891,"date":"2020-01-14T09:29:50","date_gmt":"2020-01-14T12:29:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=9891"},"modified":"2020-01-14T09:29:50","modified_gmt":"2020-01-14T12:29:50","slug":"artigo-comercio-internacional-e-desenvolvimento-economico-uma-analise-a-partir-da-complexidade-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=9891","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Com\u00e9rcio Internacional e Desenvolvimento Econ\u00f4mico: uma an\u00e1lise a partir da Complexidade Econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9892 alignleft\" src=\"https:\/\/www.cofecon.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/C\u00e9sar_.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"250\" \/><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0C\u00e9sar Roberto Leite da Silva &#8211; Prof. Titular do Departamento de Economia da PUCSP. Artigo publicado na revista Economistas n\u00ba 34.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio de 1999 o Brasil adotava um regime de taxas fixas de c\u00e2mbio. Fixas no sentido que era determinada pelas autoridades monet\u00e1rias, mas reajustadas com frequ\u00eancia. Nesta data adotou-se o regime de metas para infla\u00e7\u00e3o \u2013 o governo passaria a controlar a taxa de juros e o c\u00e2mbio seria flutuante.<\/p>\n<p>Mesmo com essa mudan\u00e7a no regime cambial, nota-se que desde a implanta\u00e7\u00e3o do Plano Real (1994) h\u00e1 uma tend\u00eancia de aprecia\u00e7\u00e3o da moeda nacional, o que, em tese, n\u00e3o favorece as exporta\u00e7\u00f5es. No in\u00edcio dos anos 1990 o saldo da balan\u00e7a comercial brasileira foi sistematicamente negativo, at\u00e9 2000. Os saldos positivos, registrados desde ent\u00e3o, foram alcan\u00e7ados gra\u00e7as ao expressivo crescimento das exporta\u00e7\u00f5es de produtos agr\u00edcolas. Desde 2008 o saldo comercial das manufaturas foi crescentemente negativo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do aumento da participa\u00e7\u00e3o, em termos f\u00edsicos, das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das commodities observada neste per\u00edodo ajudou a elevar o saldo comercial do setor. O sucesso externo do agroneg\u00f3cio, devido \u00e0s formid\u00e1veis vantagens comparativas de seus produtos, ajudou a estabelecer a ideia de que n\u00e3o haveria problemas se o Brasil se caracterizasse como exportador de commodities. Vale lembrar que as exporta\u00e7\u00f5es de min\u00e9rios e combust\u00edveis tamb\u00e9m se elevaram neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>Mas surgiram algumas cr\u00edticas a essa esp\u00e9cie de modelo econ\u00f4mico: a \u00eanfase na produ\u00e7\u00e3o de commodities, agr\u00edcolas e minerais, associada ao Real apreciado, produziram uma forte desindustrializa\u00e7\u00e3o. Os cr\u00edticos desta abordagem costumam lembrar que \u00e9 natural que, ao longo do processo de desenvolvimento, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no produto tenda a diminuir, enquanto a de servi\u00e7os aumenta. Isto \u00e9 verdade, mas o que se observa nos pa\u00edses desenvolvidos \u00e9 uma mudan\u00e7a na qualidade da produ\u00e7\u00e3o industrial, privilegiando bens mais complexos e que demandam alto conte\u00fado de pesquisa e desenvolvimento.<\/p>\n<p>A partir destas considera\u00e7\u00f5es este trabalho pretende discutir a import\u00e2ncia da complexidade econ\u00f4mica no processo de desenvolvimento econ\u00f4mico. O primeiro item aborda sucintamente a rela\u00e7\u00e3o entre desenvolvimento e industrializa\u00e7\u00e3o. Em seguida s\u00e3o apresentadas as contribui\u00e7\u00f5es do Atlas da Complexidade Econ\u00f4mica para entender o processo de desenvolvimento. Em seguida explora um pouco a evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira, refletida nas exporta\u00e7\u00f5es, sob a \u00f3tica da complexidade. Para encerrar, algumas considera\u00e7\u00f5es finais.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> Desenvolvimento econ\u00f4mico e industrializa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>De forma bem esquem\u00e1tica, pode-se dizer que a literatura que trata do desenvolvimento econ\u00f4mico pode ser dividida em duas vertentes. Para os autores de extra\u00e7\u00e3o neocl\u00e1ssica o mercado \u00e9 capaz de promover as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para iniciar um processo de desenvolvimento econ\u00f4mico. J\u00e1 para os estruturalistas o desenvolvimento s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado com a mudan\u00e7a na estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds, transferindo recursos das atividades com baixa produtividade para os setores com alta produtividade.<\/p>\n<p>Para estes autores <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> as atividades econ\u00f4micas n\u00e3o s\u00e3o neutras no que se refere \u00e0 sua capacidade de promover o desenvolvimento. As atividades que t\u00eam maior possibilidade de iniciar este processo s\u00e3o as que apresentam retornos crescentes de escala, grande intensidade de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, divis\u00e3o do trabalho dentro e entre empresas e externalidades positivas, provocando fortes sinergias. Estas empresas operam, em geral, em mercados n\u00e3o competitivos, apresentam r\u00e1pido progresso t\u00e9cnico, que \u00e9 uma caracter\u00edstica do alto conte\u00fado de pesquisa e desenvolvimento, alta concentra\u00e7\u00e3o industrial e barreiras \u00e0 entrada. Estes setores s\u00e3o, por excel\u00eancia, compostos pelas atividades industriais.<\/p>\n<p>Estas caracter\u00edsticas s\u00e3o opostas \u00e0s que est\u00e3o presentes nas atividades que geram pouco valor adicionado, frequentemente operam em mercados pr\u00f3ximos da concorr\u00eancia perfeita, t\u00eam baixo conte\u00fado de pesquisa e desenvolvimento e, consequentemente, pouca inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e poucas possibilidades de explorar significativamente a divis\u00e3o do trabalho e desenvolver sinergias.<\/p>\n<p>Em resumo, a sofistica\u00e7\u00e3o e complexifica\u00e7\u00e3o do tecido produtivo parecem ser caracter\u00edsticas das economias mais desenvolvidas. Mas resta um problema: como testar a hip\u00f3tese de que o desenvolvimento econ\u00f4mico est\u00e1 associado a uma ind\u00fastria complexa que n\u00e3o opera em concorr\u00eancia perfeita e apresenta tantas \u201cfalhas de mercado\u201d, como anteriormente citado? E, para complicar, estas ideias n\u00e3o se coadunam com a vis\u00e3o liberal, ou melhor, neoliberal da economia, t\u00e3o em voga.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Complexidade econ\u00f4mica e desenvolvimento<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Pode-se dizer que a resposta a esta quest\u00e3o foi bem encaminhada com a publica\u00e7\u00e3o do Atlas da Complexidade Econ\u00f4mica <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, publica\u00e7\u00e3o resultado da parceria entre o Media Lab do MIT e da Kennedy School, de Harvard. O trabalho coordenado pelos professores Hausmann e Hidalgo permite avaliar indiretamente a sofistica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de um pa\u00eds por meio de suas exporta\u00e7\u00f5es <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A complexidade econ\u00f4mica de um pa\u00eds est\u00e1 assentada em dois conceitos: ubiquidade e diversidade dos produtos exportados. Se o pa\u00eds exporta bens n\u00e3o ub\u00edquos e tecnologicamente complexos pode-se concluir que o pa\u00eds tem uma ind\u00fastria sofisticada com alto teor de complexidade. Vale comentar um pouco estes dois conceitos. A n\u00e3o ubiquidade precisa estar associada \u00e0 presen\u00e7a de bens que demandam alta tecnologia, como avi\u00f5es e equipamentos m\u00e9dicos sofisticados, que s\u00e3o produzidos por poucos pa\u00edses. Um contraexemplo s\u00e3o os metais e pedras preciosas, que poucos pa\u00edses exportam mas n\u00e3o demandam conhecimento altamente especializado para sua extra\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a diversidade se refere a um grande n\u00famero de produtos exportados com elevada complexidade. Mais um contraexemplo: uma pauta com muitos produtos agr\u00edcolas e minerais n\u00e3o s\u00e3o ind\u00edcio de diversidade associada ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>As ind\u00fastrias que produzem bens que exigem grande complexidade no processo e alto conte\u00fado tecnol\u00f3gico, al\u00e9m de economias de escala, mas tamb\u00e9m por isso, tendem a apresentar externalidades positivas de rede e de aglomera\u00e7\u00e3o. Como consequ\u00eancia, s\u00e3o formadas redes produtivas locais altamente sofisticadas. As empresas pioneiras criam alta depend\u00eancia de seus clientes (<em>vendor lock-in<\/em>) justamente porque n\u00e3o operam em concorr\u00eancia, e o custo, monet\u00e1rio ou n\u00e3o, para trocar de fornecedor seria muito elevado.\u00a0 Este processo tende a refor\u00e7ar os n\u00f3s das redes produtivas locais. Lembrando que uma das caracter\u00edsticas da complexidade econ\u00f4mica \u00e9 a n\u00e3o ubiquidade de seus produtos, o com\u00e9rcio internacional refor\u00e7a esta tend\u00eancia, pois o mercado fica ampliado na propor\u00e7\u00e3o dos parceiros comerciais.<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica fundamental destas redes \u00e9 que s\u00e3o locais, e, portanto, n\u00e3o transacion\u00e1veis. Transacion\u00e1veis s\u00e3o os produtos que elas fabricam. Com esses elementos n\u00e3o fica dif\u00edcil perceber a rela\u00e7\u00e3o entre a exporta\u00e7\u00e3o de bens complexos e o desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Analisando a pauta exportadora dos pa\u00edses foi poss\u00edvel medir indiretamente a sofistica\u00e7\u00e3o de seus tecidos produtivos. T\u00e9cnicas de computa\u00e7\u00e3o, de redes e complexidade, aplicadas a big data, com informa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sobre praticamente todos os pa\u00edses, possibilitaram que os autores do Atlas criassem \u00edndices de complexidade econ\u00f4mica anuais (ICE) para cada pa\u00eds, come\u00e7ando em 1963. S\u00e3o registrados valores negativos e positivos. Quanto maior o valor do \u00edndice maior a complexidade.<\/p>\n<p>Uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o para testar a rela\u00e7\u00e3o entre complexidade econ\u00f4mica e desenvolvimento \u00e9 investigar uma poss\u00edvel correla\u00e7\u00e3o entre os \u00edndices de complexidade e o PIB per capita, dos pa\u00edses. A figura 1 representa 119 pa\u00edses que, em 2017, tinham essas informa\u00e7\u00f5es. A linha de tend\u00eancia ajustada entre os pares de pontos sugere que a rela\u00e7\u00e3o entre essas vari\u00e1veis \u00e9 crescente. Como exemplos, pode-se citar a Sui\u00e7a, que nesta data tinha um PIB per capita de US$ 80.763, e um \u00edndice de complexidade igual a 2,2439, e Malawi, com renda de US$ 325,01 e \u00edndice de complexidade de -0,7687. O ponto vermelho na figura 1 representa o Brasil.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses conhecidos como emergentes, que aumentaram significativamente suas rendas nos \u00faltimos anos, aumentaram a complexidade econ\u00f4mica de suas exporta\u00e7\u00f5es. Os casos mais emblem\u00e1ticos s\u00e3o a Cor\u00e9ia do Sul e a China. Pa\u00edses tradicionalmente ricos, como o Jap\u00e3o, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha apresentam elevados e est\u00e1veis ICE. \u00cdndia e \u00c1frica do Sul t\u00eam ICE modestos e relativamente estagnados. Um caso interessante \u00e9 o Brasil, que, em 1964, come\u00e7o da s\u00e9rie, era o pa\u00eds, entre os considerados, com menor ICE, mas at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000 mostrou um crescimento consistente. Entretanto, a partir desse per\u00edodo, regrediu consideravelmente (Figura 2).<\/p>\n<p><strong>A complexidade econ\u00f4mica do Brasil<\/strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel observar a evolu\u00e7\u00e3o das mercadorias exportadas pelo Brasil, classificadas segundo a intensidade tecnol\u00f3gica. Na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o h\u00e1 4 categorias: baixa, m\u00e9dia baixa, m\u00e9dia alta e alta intensidades. As atividades de agricultura e pecu\u00e1ria, extra\u00e7\u00e3o de minerais met\u00e1licos e extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural n\u00e3o est\u00e3o classificadas como ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (NCIT). A conclus\u00e3o da an\u00e1lise \u00e9 que nos \u00faltimos anos a participa\u00e7\u00e3o da agricultura e pecu\u00e1ria, da extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural aumentou, enquanto as atividades de alta, m\u00e9dia alta, alta e m\u00e9dia baixa, quando n\u00e3o declinaram, ficaram estagnadas (figura 3). Este fato \u00e9 refor\u00e7ado pela compara\u00e7\u00e3o do ICE de 2017, que foi de 0,24, com o de 1998, o mais alto da s\u00e9rie, 0,61. Este fen\u00f4meno foi batizado de \u201creprimariza\u00e7\u00e3o\u201d das trocas internacionais brasileiras (GON\u00c7ALVES, 2001) ainda no in\u00edcio dos anos 2000, e, infelizmente, se acentuou desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode-se ter uma boa ideia da complexidade econ\u00f4mica de uma mercadoria consultando uma tabela do The Atlas of Economic Complexity, onde os produtos s\u00e3o classificados em 34 comunidades de acordo com seu \u00cdndice de Complexidade M\u00e9dio (Average PCI)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0 No topo da lista est\u00e3o as m\u00e1quinas, com \u00edndice de complexidade m\u00e9dio de 2,54, seguidas pelos eletr\u00f4nicos, 2,25. No final, com os menores \u00edndices est\u00e3o as commodities agr\u00edcolas algod\u00e3o, arroz e soja, entre outras, com -2,25. De modo geral os produtos agr\u00edcolas e minerais n\u00e3o processados t\u00eam os menores \u00edndices de complexidade.<\/p>\n<p>O Brasil aparece como primeiro exportador de produtos agr\u00edcolas diversos (APCI &#8211; 0,78), segundo exportador de cereais de \u00f3leos vegetais (APCI -0,34) e carne e ovos (APCI 0,64)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Comparando um dos anos em que O Brasil apresentou maior ICE, 1997, com 2018, nota-se que no primeiro ano, por ordem de import\u00e2ncia na pauta exportadora, est\u00e3o produtos de baixa intensidade tecnol\u00f3gica, seguidos pelos de m\u00e9dia-alta intensidade. Em terceiro lugar est\u00e3o os produtos NCIT, quase na mesma propor\u00e7\u00e3o que os de m\u00e9dia-baixa intensidade tecnol\u00f3gica. Por \u00faltimo, modestamente est\u00e3o os produtos de alta tecnologia, como inform\u00e1tica e eletr\u00f4nica e aeronaves (Figura 4). Em 2018 os produtos NCIT ocupam o primeiro lugar, com folga, seguidos pelos de baixa tecnologia, m\u00e9dia-alta e m\u00e9dia-baixa. Por \u00faltimo, e ainda modestamente, os de alta tecnologia (Figura 5).<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica brasileira, expressa sobretudo pelo aumento do desemprego e queda do produto, aparenta ser de dif\u00edcil supera\u00e7\u00e3o. As medidas de conten\u00e7\u00e3o, justificadas pela crise fiscal, operam no sentido pr\u00f3-c\u00edclico, agravam a situa\u00e7\u00e3o. A justificativa \u00e9 que a disciplina fiscal e uma s\u00e9rie de reformas, da previd\u00eancia, trabalhista, tribut\u00e1ria e do estado, entre outras, \u201cdestravariam\u201d a economia. Passado algum tempo, j\u00e1 h\u00e1 quase um consenso entre os analistas que a \u00eanfase na oferta n\u00e3o basta. \u00c9 necess\u00e1rio algum est\u00edmulo por parte da demanda.<\/p>\n<p>Os envolvidos nessa discuss\u00e3o, em sua maioria, ignoram um aspecto importante: a qualidade da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Por qualidade entenda-se quais atividades ser\u00e3o respons\u00e1veis pela retomada do crescimento. As considera\u00e7\u00f5es dos itens anteriores desse texto sugerem que os diferentes ramos da atividade econ\u00f4mica n\u00e3o s\u00e3o neutros quanto aos seus efeitos sobre o desenvolvimento.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia mundial indica que pa\u00edses ricos s\u00e3o pa\u00edses que produzem bens complexos que exigem muita pesquisa e desenvolvimento, e que exportam intensivamente estes produtos. O Brasil trilhou um caminho oposto: os resultados positivos das exporta\u00e7\u00f5es est\u00e3o apoiados em commodities. Este fato \u00e9 um reflexo da evolu\u00e7\u00e3o da estrutura econ\u00f4mica, que reflui em dire\u00e7\u00e3o a um passado de j\u00e1 se julgava superado.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>HAUSMANN, R.; HIDALGO, C.A.; BYSTIS, S.; COSCIA, M.; CHUNG,S.; JIMENEZ, J.; SIM\u00d5ES, A.; YILDIRIM, M.A. <em>The Atlas of Economics Complexity \u2013 Mapping Paths to prosperity. <\/em>Puritan Press, 2011. Dispon\u00edvel em http:\/\/atlas.cid.harvard.edu\/\u00a0 ou <a href=\"https:\/\/oec.world\/static\/pdf\/atlas\/AtlasOfEconomicComplexity_Part_I.pdf\">https:\/\/oec.world\/static\/pdf\/atlas\/AtlasOfEconomicComplexity_Part_I.pdf<\/a><\/p>\n<p>GALA,. Paulo. Complexidade Econ\u00f4mica: uma nova perspectiva para entender a antiga quest\u00e3o da riqueza das na\u00e7\u00f5es. Rio de Janeiro: Contraponto: Centro Internacional Celso Furtado de Pol\u00edticas para o Desenvolvimento, 2017.<\/p>\n<p>GON\u00c7ALVES, Reinaldo. Competitividade internacional e integra\u00e7\u00e3o regional: a hip\u00f3tese<\/p>\n<p>da inser\u00e7\u00e3o regressiva. <strong>Revista de Economia Contempor\u00e2nea<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 5, n.<\/p>\n<p>especial, 2001. p. 13-34<\/p>\n<p>BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Doen\u00e7a holandesa e sua neutraliza\u00e7\u00e3o: uma abordagem ricardiana. In: <a href=\"http:\/\/www.bresserpereira.org.br\/papers\/2010\/2010.Doenca_holandesa_neutralizacao_abordagem_ricardiana.pdf\">http:\/\/www.bresserpereira.org.br\/papers\/2010\/2010.Doenca_holandesa_neutralizacao_abordagem_ricardiana.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> No caso latino americano destacam-se, como autores estruturalistas, Ra\u00fal Prebish e Celso Furtado.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Hausmann; Hidalgo et al (2011)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> No Brasil vale destacar o trabalho do professor Paulo Gala (2017), da FGV de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Hausmann; Hidalgo et al (2011), Table 5.1, p. 49.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a><em> Ibidem<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":9892,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-9891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9891"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9891\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}