{"id":8145,"date":"2019-07-01T18:24:27","date_gmt":"2019-07-01T21:24:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=8145"},"modified":"2019-07-01T18:24:27","modified_gmt":"2019-07-01T21:24:27","slug":"artigo-acordo-mercosul-uniao-europeia-as-oportunidades-precisam-superar-os-riscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=8145","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia: as oportunidades precisam superar os riscos"},"content":{"rendered":"\n<h4><strong>Por Fernando de Aquino Fonseca Neto &#8211; Economista, doutor em Economia pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e conselheiro do Cofecon<\/strong><\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mercosul-ue.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-8146 alignleft\" src=\"http:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mercosul-ue.jpg\" alt=\"\" width=\"262\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mercosul-ue.jpg 350w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/mercosul-ue-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/a>Com a assinatura, pelo presidente Bolsonaro, do Acordo de Livre Com\u00e9rcio entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, o tema explodiu no debate p\u00fablico interno. Os da situa\u00e7\u00e3o saudando como uma grande conquista do atual governo e os da oposi\u00e7\u00e3o antevendo a redu\u00e7\u00e3o da economia nacional a grandes fazendas gerando pouqu\u00edssimos empregos de baix\u00edssimos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>No plano econ\u00f4mico, consumidores celebram a oportunidade de comprar produtos de melhor qualidade a pre\u00e7os mais baixos, empres\u00e1rios agropecu\u00e1rios se animam vislumbrando elevados faturamentos e empres\u00e1rios industriais se apavoram com a redu\u00e7\u00e3o de barreiras comerciais. Todos olhando vantagens individuais de curto prazo. \u00c9 preciso colocarmos o tema em bases mais objetivas, tentando identificar como elevar a qualidade de vida de todos, de modo sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por um lado, a abertura econ\u00f4mica concorre para elevar a demanda e os investimentos, em si ambos ben\u00e9ficos para todos, gerando empregos, aprendizagem e receita tribut\u00e1ria para financiar pol\u00edticas p\u00fablicas. Contudo, essa abertura, com sua pr\u00f3pria gera\u00e7\u00e3o de investimentos e demanda, precisa estar enquadrada em um acertado projeto de pa\u00eds. Assim, muito mais que for\u00e7as pol\u00edtica e econ\u00f4mica neste momento, reclamadas por Celso Amorim, Brasil e Argentina precisam de discernimento e interesse em perseguir eleva\u00e7\u00f5es gerais de bem-estar.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\">\n<div id=\"jornalggn_horizontal_2\" class=\"ggnads adv-dfp-google\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p>Pelo menos no caso do Brasil, predomina no governo uma vers\u00e3o selvagem do neoliberalismo. Em termos de pol\u00edtica externa, tal vers\u00e3o se basearia nas vantagens comparativas est\u00e1ticas, as mesmas propostas por David Ricardo h\u00e1 duzentos anos, ignorando qualquer assimetria de desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico. Cada pa\u00eds se dedica a produzir o que faz com menores custos e trocar esses produtos no mercado internacional, obtendo quantidades maiores de tudo que demandarem.<\/p>\n<p>O Brasil consegue menores custos em produtos intensivos em recursos naturais \u2013 min\u00e9rio de ferro, soja, carnes, que t\u00eam grande potencial de degradar o meio ambiente e disseminar a ingest\u00e3o de agrot\u00f3xicos. Ainda assim, geram poucos empregos e de baixa remunera\u00e7\u00e3o. Vantagens comparativas est\u00e1ticas, para o caso brasileiro, significa expandir esses setores e contrair outros, com maior gera\u00e7\u00e3o de emprego, maior produtividade e melhores sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>O pa\u00eds precisa elevar a atividade em setores que utilizem intensivamente a m\u00e3o-de-obra dispon\u00edvel, como constru\u00e7\u00e3o civil e com\u00e9rcio, e em setores que gerem, massivamente, ocupa\u00e7\u00f5es de alta produtividade, para que alcancem altas remunera\u00e7\u00f5es, que se transmitam pra outros segmentos do mercado de trabalho. Estes \u00faltimos setores seriam uma \u201caposta\u201d dos chamados \u201cNovos Desenvolvimentistas\u201d, baseados em evid\u00eancias emp\u00edricas bastante s\u00f3lidas, que revelam alta correla\u00e7\u00e3o entre complexidade produtiva e qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o. A rigor, cada caso \u00e9 um caso, dependendo, no final das contas, da forma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica de cada pa\u00eds. Duas not\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es a essa solu\u00e7\u00e3o pela complexidade produtiva seriam a Austr\u00e1lia, que se desenvolveu sem ela, e a \u00cdndia, que mant\u00e9m imensos bols\u00f5es de mis\u00e9ria, mesmo desenvolvendo setores de alta complexidade.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o se trata de rejeitar integralmente o Acordo, muito menos de aceit\u00e1-lo com base apenas em interesses individuais e de curto prazo. S\u00e3o vinte anos de negocia\u00e7\u00e3o, que passaram pelos governos FHC, Lula, Dilma e Temer, com Bolsonaro apenas assinando, pelo Poder Executivo. Assim, n\u00e3o \u00e9 acerto ou erro de nenhum partido ou presidente particular. Importa agora ajust\u00e1-lo para que favore\u00e7a tanto a ganhos de curto prazo, em termos de demanda, empregos e investimentos, quanto a um desenvolvimento que eleve a qualidade de vida de todos, o que, certamente, n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado sem a revers\u00e3o do atual processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<ul>\n<li>Artigo publicado no Jornal GGN em 01\/07\/2019: https:\/\/jornalggn.com.br\/analise\/acordo-mercosul-uniao-europeia-as-oportunidades-precisam-superar-os-riscos-por-fernando-de-aquino-fonseca-neto\/<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":8146,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-8145","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8145"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8145\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8146"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}