{"id":755,"date":"2017-03-23T15:56:39","date_gmt":"2017-03-23T18:56:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=755"},"modified":"2017-03-23T15:56:39","modified_gmt":"2017-03-23T18:56:39","slug":"eugenio-gudin-um-engenheiro-interessado-em-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=755","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Eug\u00eanio Gudin &#8211; Um engenheiro interessado em economia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pode parecer estranho, mas aquele que \u00e9 considerado um dos maiores economistas brasileiros de todos os tempos \u00e9 engenheiro. Nascido no Rio de Janeiro no dia 12 de junho de 1886, no bairro do Cosme Velho, foi na ent\u00e3o capital do Brasil que Eug\u00eanio Gudin viveu sua inf\u00e2ncia e juventude, estabelecendo um v\u00ednculo muito forte com a cidade que se tornou uma de suas localidades prediletas \u2013 juntamente com Paris e Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gudin cursou engenharia civil entre os anos de 1901 e 1905 na escola Polit\u00e9cnica do Rio de Janeiro e foi como engenheiro que come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria profissional na Light &amp; Power Cia. em 1906. No ano seguinte foi contratado pela firma Dodsworth &amp; Cia., da qual se tornou s\u00f3cio tempos mais tarde. Como engenheiro, Gudin participou de diversas obras de infraestrutura primeiro no Rio de Janeiro e, posteriormente, j\u00e1 com a fama de ser competente e dedicado, no nordeste do Brasil, come\u00e7ando pelo Cear\u00e1 onde coordenou a constru\u00e7\u00e3o da represa de Acarape. Em 1913, mudou-se para Pernambuco, onde consolidou sua carreira de engenheiro de grande vis\u00e3o e onde p\u00f4de conhecer mais de perto os meandros pol\u00edticos envolvidos na conquista dos grandes projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornando ao Rio de Janeiro em 1922, ocupou sucessiva e concomitantemente, cargos de dire\u00e7\u00e3o em importantes empresas, tais como a Great Western of Brazil Railway Company e a Western Telegraphic &amp; Co. Fluente no ingl\u00eas e no franc\u00eas, Gudin participou de in\u00fameras negocia\u00e7\u00f5es com bancos e empresas estrangeiras, tornando-se um ponto de refer\u00eancia para grupos que estavam em vias de ampliar seus investimentos no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi por essa raz\u00e3o que no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930 a Companhia Paulista de For\u00e7a e Luz (CPFL) passou a contratar os servi\u00e7os de consultoria de Eug\u00eanio Gudin. \u201cA empresa contava com o engenheiro\/executivo para articular as rela\u00e7\u00f5es entre os executivos americanos e brasileiros, bem como representar a empresa, fornecedora de servi\u00e7os p\u00fablicos, perante as autoridades das diferentes esferas de poder do pa\u00eds \u2013 federal, estadual e municipal. Tratava-se, evidentemente, n\u00e3o s\u00f3 de um trabalho de consultoria de alto n\u00edvel, mas tamb\u00e9m da necessidade de um guia seguro que orientasse os americanos nas tratativas com as autoridades brasileiras\u201d (SCALERCIO, 2012, p. 40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Julgamos importante mencionar este in\u00edcio da trajet\u00f3ria profissional de Gudin para evidenciar suas primeiras liga\u00e7\u00f5es com empresas estrangeiras que fizeram investimentos no Brasil, um dos aspectos que ele defendeu por toda a vida, sendo por isso muitas vezes criticado por sucessivas gera\u00e7\u00f5es de nacionalistas que o apontavam como entreguista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua experi\u00eancia como engenheiro e executivo, Gudin foi conhecendo e se impacientando cada vez mais com a \u201cfalta de senso econ\u00f4mico generalizado na forma de administrar os neg\u00f3cios\u201d, bem como uma not\u00f3ria falta de planejamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasce a\u00ed seu interesse pelas ci\u00eancias econ\u00f4micas, que ele passa a estudar seriamente como autodidata j\u00e1 na d\u00e9cada de 1920.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Os primeiros passos do economista e do jornalista<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convencido da necessidade de estudar economia, Gudin dedicou-se a isso com o vigor e a dedica\u00e7\u00e3o que o caracterizaram por toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO primeiro livro que leu com aten\u00e7\u00e3o sobre o assunto intitulava-se <i>The meaning of Money<\/i>, de Hartley Withers, que foi durante alguns anos editor da revista inglesa <i>The Economist<\/i>. Logo em seguida, atacou os cl\u00e1ssicos com Adam Smith e David Ricardo. Submergiu na leitura de Alfred Marshall, voltando \u00e0 tona saboreando artigos e revistas de economistas ingleses, americanos e as obras de John Stuart Mill. Apaixonou-se tamb\u00e9m pelos trabalhos do economista sueco Johan Knut Wicksell. Quando j\u00e1 idoso, gostava de dizer que: \u2018Se eu n\u00e3o estivesse aqui preso com essa bengala, eu me levantaria, porque n\u00e3o se pronuncia o nome de Wicksell sentado\u2019\u201d(idem, p. 48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um fator que fez com que o interesse de Gudin pela economia se tornasse cada vez maior e mais conhecido foi decorr\u00eancia da amizade que ele travara com Assis Chateaubriand durante o per\u00edodo que viveu em Recife. Em 1924, aceita o convite do amigo para escrever artigos sobre economia em <i>O Jornal<\/i>, peri\u00f3dico carioca que Chateaubriand acabara de adquirir. Inicia-se assim outra faceta de sua trajet\u00f3ria profissional que o acompanhar\u00e1 pelo resto de sua vida. Depois de escrever para diversos \u00f3rg\u00e3os da imprensa, foi como articulista de <i>O Globo<\/i> que encerrou essa atividade, tendo seu \u00faltimo artigo publicado no dia 6 de mar\u00e7o de 1986, poucos meses antes de completar 100 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como articulista, Gudin cobriu os principais momentos da vida econ\u00f4mica do Brasil, tendo se tornado c\u00e9lebres suas cr\u00edticas ferozes a personagens como Get\u00falio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jo\u00e3o Goulart, assim como seu apoio a Castello Branco e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 1964, posi\u00e7\u00e3o que foi se modificando \u00e0 medida que foi percebendo que os outros generais-presidentes n\u00e3o possu\u00edam o mesmo esp\u00edrito liberal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, em sua longa jornada como articulista, Gudin mostrou-se permanentemente um ferrenho defensor do liberalismo econ\u00f4mico, enaltecendo as virtudes de uma sociedade pautada pela propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, pela livre iniciativa empresarial, pela limitada interven\u00e7\u00e3o governamental e pela busca do lucro como principal orientador das decis\u00f5es fundamentais da economia: o que, quanto, como e para quem produzir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No plano pol\u00edtico, sua defesa dos princ\u00edpios liberais n\u00e3o atingia o mesmo rigor com que se posicionava na economia, uma vez que para ele uma democracia plena s\u00f3 seria poss\u00edvel com uma popula\u00e7\u00e3o mais culta e educada, coisa que n\u00e3o conseguiu ver no Brasil, para sua tristeza. Gudin afirmava que sem essa boa forma\u00e7\u00e3o educacional, a sociedade estaria permanentemente \u00e0 merc\u00ea de lideran\u00e7as populistas e pouco comprometidas com os interesses maiores da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ainda como articulista que protagonizou um debate que marcou \u00e9poca nos anais da hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Um debate hist\u00f3rico<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos mais c\u00e9lebres foi o confronto te\u00f3rico entre nosso Gudin e seu ant\u00edpoda, e tamb\u00e9m engenheiro, Roberto Simonsen, que se deu a partir de um relat\u00f3rio escrito por este em 1944: <i>A Planifica\u00e7\u00e3o da Economia Brasileira<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rec\u00e9m apossado pelo Estado Novo Varguista como Ministro do Trabalho, Simonsen estava preocupado com o \u201cilus\u00f3rio enriquecimento\u201d (2010, p. 38) do Brasil no per\u00edodo da Segunda Guerra Mundial. Segundo dados levantados pelo pr\u00f3prio minist\u00e9rio, a renda nacional brasileira era quatro vezes inferior ao patamar minimamente necess\u00e1rio para o conforto geral das fam\u00edlias brasileiras (idem, p. 3). Mais grave ainda era a constata\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica por Simonsen de que o crescimento da renda nacional, deixada a economia nacional \u00e0 merc\u00ea do mercado, n\u00e3o se daria \u00e0 velocidade suficiente para acompanhar o aumento populacional \u2013 estando condenado o povo brasileiro, portanto, aos baixos n\u00edveis de desenvolvimento econ\u00f4mico (idem, p. 44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simonsen, ante o cen\u00e1rio, prop\u00f5e, inspirado em Friedrich List, Miha\u00efl Mano\u00eflesco e nas an\u00e1lises de Lee Hagar e Morris Cooke, a planifica\u00e7\u00e3o da economia nacional, nos moldes da R\u00fassia Comunista e dos EUA p\u00f3s-New Deal (idem, p. 44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos olhos liberais de Gudin, nada mais incorreto para o caso brasileiro. Reage, ent\u00e3o, por meio de uma extensa resposta, <i>Rumos de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/i>, na qual, al\u00e9m de refutar a proposta planificadora em si mesma, aponta v\u00e1rios erros metodol\u00f3gicos e hist\u00f3ricos do parecer de Simonsen. Eis o in\u00edcio do debate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para torn\u00e1-lo resumidamente acess\u00edvel, ser\u00e3o expostas as principais premissas da <i>Planifica\u00e7\u00e3o<\/i> de Simonsen e as respectivas contra argumenta\u00e7\u00f5es de Gudin (contidas na primeira parte dos <i>Rumos de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/i>). Aos que desejam se aprofundar na quest\u00e3o, recomendamos a leitura completa dos <i>Rumos<\/i> e dos textos subsequentes: a r\u00e9plica de Simonsen, em <i>O Planejamento da Economia Brasileira<\/i>, e a tr\u00e9plica de Gudin, na <i>Carta \u00e0 Comiss\u00e3o de Planejamento<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">*<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de Simonsen, no seu primeiro parecer, que \u00e9 a planifica\u00e7\u00e3o da economia brasileira, est\u00e1 fundamentada nas seguintes premissas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I \u2013 A renda nacional era de 40 bilh\u00f5es de cruzeiros, segundo o c\u00e1lculo do Minist\u00e9rio do Trabalho (idem, p. 37). A f\u00f3rmula usada foi:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>RN = Produ\u00e7\u00e3o (agr\u00edcola + mineral\u00f3gica + industrial) + Importa\u00e7\u00f5es \u2013 Exporta\u00e7\u00f5es \u00b1<\/i><i> Movimento de Capital<\/i> (idem, p. 143);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II \u2013 A quantidade da renda nacional era insuficiente para o m\u00ednimo de conforto \u00e0s fam\u00edlias, sendo este m\u00ednimo a renda nacional de 160 bilh\u00f5es (idem, p. 43);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III \u2013 O meio pelo qual se quadruplicaria a renda nacional seria a industrializa\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o da infraestrutura log\u00edstica e energ\u00e9tica, sem menosprezar a agricultura (idem, p. 45);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV \u2013 O setor privado, deixado a si mesmo, n\u00e3o seria capaz de, em curto prazo, promover uma industrializa\u00e7\u00e3o suficiente para quadruplicar a renda nacional (idem, p. 44);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V \u2013 A planifica\u00e7\u00e3o da economia, por outro lado, era uma alternativa segura \u00e0 simples iniciativa privada, como os casos russo, turco e americano comprovam (idem, pp. 44-45). Ela se daria pela coordena\u00e7\u00e3o estatal estrat\u00e9gica e pela coopera\u00e7\u00e3o entre os diversos setores produtivos privados (idem, p. 47).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">*<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gudin, em sua resposta na primeira parte dos <i>Rumos<\/i>, rejeita as respectivas premissas da seguinte maneira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I \u2013 O c\u00e1lculo da renda nacional, feita pelo minist\u00e9rio, n\u00e3o era confi\u00e1vel (idem, pp. 62-65), pois foram cometidos cinco erros (aqui, Gudin cita o grande economista estat\u00edstico Colin Clark):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Incluiu-se bens intermedi\u00e1rios, quando na verdade a renda nacional \u00e9 um valor l\u00edquido, s\u00f3 considerando bens finais;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o se incluiu a renda oriunda do setor de servi\u00e7os;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o se incluiu os investimentos, nem se considerou a varia\u00e7\u00e3o do capital;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Subtraiu-se as exporta\u00e7\u00f5es e somou-se as importa\u00e7\u00f5es, quando as opera\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e9 que s\u00e3o corretas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o se incluiu impostos, pagamento de juros, fretes, lucros, sal\u00e1rios de intermedi\u00e1rios, armazenagens e despesas com varejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II \u2013 Como n\u00e3o se conhece com precis\u00e3o a real cifra da renda nacional, n\u00e3o se sabe, evidentemente, o quanto e o qu\u00e3o rapidamente ela precisa crescer para alcan\u00e7ar aquele m\u00ednimo patamar (idem, p. 65);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III \u2013 A imprecis\u00e3o do c\u00e1lculo tamb\u00e9m p\u00f5e em cheque a apressada necessidade da industrializa\u00e7\u00e3o no curto prazo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV \u2013 Gudin n\u00e3o refutou esse argumento diretamente &#8211; mas reiterou que, se \u00e9 invi\u00e1vel ao setor privado, por falta de recursos financeiros, determinado empreendimento estrat\u00e9gico, tamb\u00e9m o \u00e9 para o Estado, pois este n\u00e3o cria capital, apenas o confisca daquele, diretamente (por tributos) ou indiretamente (por impress\u00e3o de papel-moeda) (idem, p. 81).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o que, geralmente, afugentaria o capital privado de determinado empreendimento \u00e9 a preval\u00eancia do Estado sobre eles, quando este est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de produtor e competidor (idem, pp. 81-82). E a presen\u00e7a do Estado na economia brasileira j\u00e1 era, em compara\u00e7\u00e3o com a Inglaterra e os EUA, bastante significante (idem, pp. 79-80).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, grande parte da riqueza auferida pelas na\u00e7\u00f5es durante o s\u00e9culo XIX foi conquistada num regime liberal \u2013 enquanto que os pa\u00edses planificadores do s\u00e9culo XX tiveram consider\u00e1vel responsabilidade na promo\u00e7\u00e3o do totalitarismo e da guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V \u2013 A planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o era uma alternativa ao caso brasileiro, pelas seguintes raz\u00f5es (aqui Gudin citou grandes economistas do s\u00e9culo XX: Ludwig von Mises, Friedrich von Hayek e Lionel Robbins):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c0 exce\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, a planifica\u00e7\u00e3o nos diversos pa\u00edses onde adotada tem sido ineficaz. O New Deal americano, por exemplo, foi logo substitu\u00eddo por um retorno ao regime liberal, pelo mesmo Roosevelt (idem, pp. 69-71). A planifica\u00e7\u00e3o nazifascista, por outro lado, \u201csolucionou\u201d o problema do desemprego ao deslocar a m\u00e3o-de-obra para o ex\u00e9rcito e para a ind\u00fastria b\u00e9lica. De modo que, concretamente, o que acabou com o desemprego n\u00e3o foi a planifica\u00e7\u00e3o, mas o \u00edmpeto da guerra (idem, pp. 72-73).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Com rela\u00e7\u00e3o ao caso russo, seu sucesso se deve \u00e0 espolia\u00e7\u00e3o estatal da riqueza privada e da limita\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria \u00e0 liberdade de escolha econ\u00f4mica (o que comer, onde trabalhar, etc.) da popula\u00e7\u00e3o (idem, pp. 73-74). Em suma, conquistou-se o crescimento econ\u00f4mico com a escravid\u00e3o do povo pela burocracia e pelo Partido Comunista. Obviamente, a R\u00fassia Bolchevique n\u00e3o \u00e9, nem nunca deve ser, um modelo para pa\u00edses, como o Brasil, cuja democracia \u00e9 um valor inegoci\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, cabe destacar da reposta de Gudin que em nenhum momento o conceito de <i>planejamento<\/i>, como atribui\u00e7\u00e3o do Estado, foi criticado. Pelo contr\u00e1rio, foi enaltecido pelo autor, quando cita os casos dos EUA e da Inglaterra (idem, pp. 74-76). \u00c9 necess\u00e1rio, contudo, diferenciar planejamento de planifica\u00e7\u00e3o: aquela \u00e9 uma saud\u00e1vel padroniza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e institucional necess\u00e1ria para assegurar os direitos \u00e0 propriedade, \u00e0 vida e \u00e0 liberdade nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e um m\u00ednimo de previsibilidade no momento de o empres\u00e1rio tomar decis\u00f5es; esta \u00e9 a subordina\u00e7\u00e3o da iniciativa privada \u00e0 uma casta burocr\u00e1tico-partid\u00e1ria que sup\u00f5e administrar melhor os recursos da sociedade do que a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No planejamento, o Estado serve \u00e0 sociedade, impondo regras geralmente aceitas com o intuito de impedir abusos individuais; na planifica\u00e7\u00e3o, a sociedade \u00e9 obrigada a servir ao Estado, espoliada de seus recursos e alienada de seus direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No planejamento, o Estado assegura uma ordem sobre a qual os agentes privados devem tomar decis\u00f5es; na planifica\u00e7\u00e3o, o Estado compete com o setor privado e, pela arrog\u00e2ncia e poder da casta tecnocr\u00e1tica, centraliza as decis\u00f5es, destruindo a autonomia deste. Trata-se, evidentemente, de uma competi\u00e7\u00e3o socioeconomicamente delet\u00e9ria, cujas consequ\u00eancias s\u00f3 podem ser a destrui\u00e7\u00e3o dessa mesma competi\u00e7\u00e3o, na medida em que o Estado tem meios seguros de vencer o setor privado, a improdutividade econ\u00f4mica e o totalitarismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Carreira p\u00fablica<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de estar envolvido com a vida p\u00fablica por muitas d\u00e9cadas, participando ativamente do debate das grandes quest\u00f5es nacionais e exercendo o papel de formador de opini\u00e3o por meio de seus artigos em jornais, a presen\u00e7a de Gudin em cargos ou fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ficou marcada por dois momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro deles ocorreu quando foi o principal nome da delega\u00e7\u00e3o brasileira presidida pelo ministro da Fazenda de Getulio Vargas, Arthur de Souza Costa, na Confer\u00eancia de Bretton Woods. A referida confer\u00eancia teve lugar em 1944 nas montanhas do estado de New Hampshire, Estados Unidos, reunindo delega\u00e7\u00f5es de 44 pa\u00edses. Seu objetivo era o de redesenhar o funcionamento das rela\u00e7\u00f5es financeiras internacionais a partir do final da Segunda Grande Guerra, que na ocasi\u00e3o tinha seu final j\u00e1 claramente previs\u00edvel, com a vit\u00f3ria dos aliados. Num evento em que a presen\u00e7a dominante era a do economista brit\u00e2nico John Maynard Keynes, foram tomadas importantes decis\u00f5es, com destaque para a cria\u00e7\u00e3o do Banco Mundial e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Na delega\u00e7\u00e3o do Brasil, participaram tamb\u00e9m figuras que anos mais tarde ocupariam os Minist\u00e9rios da Fazenda e do Planejamento como Oct\u00e1vio Gouv\u00eaa de Bulh\u00f5es e Roberto Campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00faltimo deu o seguinte depoimento a respeito de seu primeiro encontro com Gudin, ocorrido durante a Confer\u00eancia de Bretton Woods: \u201cVim a conhecer Gudin em toda a riqueza de sua personalidade polimorfa, capaz de combinar a um s\u00f3 tempo a intensidade do raio laser e a alegria crom\u00e1tica do arco-\u00edris\u201d (SCALERCIO, 2012, p.283).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo ocorreu quando exerceu o cargo de Ministro da Fazenda no governo Caf\u00e9 Filho, de 25 de agosto de 1954 a 4 de abril de 1955. Na oportunidade, com uma equipe de sua absoluta confian\u00e7a, em que se destacavam Oct\u00e1vio Gouv\u00eaa de Bulh\u00f5es, na diretoria da Superintend\u00eancia da Moeda e do Cr\u00e9dito (Sumoc), e Clemente Mariani, na presid\u00eancia do Banco do Brasil, Gudin levou a cabo uma pol\u00edtica econ\u00f4mica bastante austera, com o objetivo de reequilibrar as finan\u00e7as, recompor as reservas e reduzir a infla\u00e7\u00e3o, tr\u00eas graves legados do governo de Get\u00falio Vargas. N\u00e3o tendo interesses pol\u00edticos pessoais, Gudin jamais se preocupou em agradar a quem quer que fosse. Dessa forma, deixou o Minist\u00e9rio, juntamente com Bulh\u00f5es e Clemente Mariani, assim que percebeu que o presidente da Rep\u00fablica estava fazendo acordos com governadores que contrariavam a austeridade da pol\u00edtica econ\u00f4mica vigente. Os resultados obtidos nos quase oito meses em que esteve \u00e0 frente do Minist\u00e9rio foram bastante satisfat\u00f3rios, uma vez que tanto as finan\u00e7as do Brasil como a infla\u00e7\u00e3o atingiram patamares bem mais favor\u00e1veis do que se encontravam antes de ele assumir a Pasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Contribui\u00e7\u00f5es para o estudo da economia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo se interessado pela economia desde os tempos em que exercia a carreira de engenheiro, Gudin teve papel relevante na cria\u00e7\u00e3o do curso de ci\u00eancias econ\u00f4micas no Brasil. Em 1937, Gudin integrou o grupo que formou a Sociedade Brasileira de Economia, entidade que tinha por prop\u00f3sito maior influir em prol da cria\u00e7\u00e3o de uma escola para o ensino das ci\u00eancias econ\u00f4micas na capital da Rep\u00fablica. No ano seguinte, foi fundada a Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Administrativas, cujo primeiro diretor foi Tem\u00edstocles Brand\u00e3o Cavalcanti. Gudin, ent\u00e3o, apresentou sua candidatura para o concurso da c\u00e1tedra de Moeda e Cr\u00e9dito. Foi aprovado, iniciando assim sua carreira de professor universit\u00e1rio. Anos mais tarde, a faculdade foi incorporada \u00e0 Universidade do Brasil \u2013 depois Universidade Federal do Rio de Janeiro<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3533:eugenio-gudin-um-engenheiro-interessado-em-economia&amp;catid=16&amp;Itemid=843#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como continuava viajando frequentemente para o exterior, Gudin aproveitava para conhecer cursos importantes da Europa e dos Estados Unidos, bem como para estabelecer rela\u00e7\u00f5es com renomados economistas dessas localidades, entre os quais Maurice By\u00e8, Harberler e Jacob Viner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 1941, enviou um documento ao ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Gustavo Capanema, com um projeto de Programa de Curso Superior de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, organizado em colabora\u00e7\u00e3o com o professor Maurice By\u00e9 e com Oct\u00e1vio Gouv\u00eaa de Bulh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o dos programas dos cursos de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas no Brasil reconhece nesse projeto a base da grade curricular que prevaleceu at\u00e9 a reforma curricular decorrente do Parecer n\u00ba 375\/84 e da Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba 11, de 26\/6\/84 do Conselho Federal de Educa\u00e7\u00e3o, que estabeleceu o Novo Curr\u00edculo M\u00ednimo de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas adotado em todos os cursos do Brasil a partir de 1985, que sofreu pequenas altera\u00e7\u00f5es em 1997, quando foram definidas as atuais Diretrizes Curriculares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gudin tem ainda duas outras contribui\u00e7\u00f5es relevantes para o ensino de economia no Brasil. Uma dessas contribui\u00e7\u00f5es aparece na forma de livro. <i>Princ\u00edpios de Economia Monet\u00e1ria<\/i>, em dois volumes, de sua autoria, constitu\u00edram-se por longo per\u00edodo na bibliografia b\u00e1sica da disciplina Moeda e Cr\u00e9dito, depois chamada de Moedas e Bancos e, posteriormente, Economia Monet\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra contribui\u00e7\u00e3o significativa decorre de seus v\u00ednculos com a Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, que havia sido criada em 1944. Gudin tomou a iniciativa de tentar convencer seu primeiro presidente, Luiz Sim\u00f5es Lopes, a patrocinar a forma\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo de economia na nova institui\u00e7\u00e3o. Foi o passo inicial para a gloriosa trajet\u00f3ria da Escola de Economia e do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), que v\u00eam formando gera\u00e7\u00f5es de bons economistas e prestando relevantes servi\u00e7os na \u00e1rea da pesquisa econ\u00f4mica no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Lembran\u00e7a long\u00ednqua<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em qualquer \u00e1rea do conhecimento e da a\u00e7\u00e3o, h\u00e1 personagens cuja import\u00e2ncia, ainda que marcante, n\u00e3o faz com que a lembran\u00e7a de seu nome sobreviva por muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este, definitivamente, n\u00e3o \u00e9 o caso de Eug\u00eanio Gudin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para justificar tal afirma\u00e7\u00e3o, vamos nos ater a dois epis\u00f3dios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 1970, os estudantes da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, Cont\u00e1beis e Administrativas da Universidade Mackenzie decidiram alterar o nome de seu diret\u00f3rio acad\u00eamico, que at\u00e9 ent\u00e3o tinha o nome de Diret\u00f3rio Acad\u00eamico Economia e Administra\u00e7\u00e3o Mackenzie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s alguma discuss\u00e3o, em que diversos nomes foram cogitados, a escolha recaiu sobre Eug\u00eanio Gudin, de tal forma que o diret\u00f3rio passaria a se chamar Diret\u00f3rio Acad\u00eamico Eug\u00eanio Gudin, denomina\u00e7\u00e3o que permanece at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudantes resolveram, na ocasi\u00e3o, promover uma aula magna com a presen\u00e7a do novo patrono de seu Diret\u00f3rio Acad\u00eamico. Data definida, convite aceito, e os integrantes do D. A. resolveram convidar para moderar a palestra o mais conhecido comentarista econ\u00f4mico da \u00e9poca, o jornalista Joelmir Beting.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro contato, Joelmir Betting respondeu que tinha disponibilidade na data e que sua presen\u00e7a implicaria no pagamento de um determinado cach\u00ea. Em novo contato, os estudantes explicaram que o evento tinha como principal nome o de Eug\u00eanio Gudin, que aceitara participar sem cobrar nada. Ao saber que Eug\u00eanio Gudin estaria presente, Joelmir Betting alterou sua resposta, dizendo que seria um prazer e uma honra participar de um evento com o velho economista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro epis\u00f3dio ocorreu em 2001, ano em que se comemorava o cinquenten\u00e1rio da regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de economista<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3533:eugenio-gudin-um-engenheiro-interessado-em-economia&amp;catid=16&amp;Itemid=843#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para celebrar a passagem da data, o Conselho Regional de Economia de S\u00e3o Paulo (Corecon \u2013 2\u00aa Regi\u00e3o \u2013 SP) decidiu escolher os dez maiores economistas dos primeiros 50 anos da profiss\u00e3o de economista no Brasil. A escolha ocorreu por meio de vota\u00e7\u00e3o \u00e0 qual estavam habilitados todos os economistas inscritos na entidade. Eug\u00eanio Gudin foi o economista mais velho a ser eleito. Os outros foram (em ordem alfab\u00e9tica): Affonso Celso Pastore, Ant\u00f4nio Delfim Netto, Arm\u00ednio Fraga, Celso Furtado, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares, Mario Henrique Simonsen, Ot\u00e1vio Gouveia de Bulh\u00f5es, Paul Singer e Roberto Campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale destacar que, a exemplo de Eug\u00eanio Gudin, outros economistas desta rela\u00e7\u00e3o foram reconhecidos como economistas, embora tivessem outra gradua\u00e7\u00e3o, por terem se formado antes da exist\u00eancia do curso no Brasil. S\u00e3o os casos de Celso Furtado (advogado), Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares (matem\u00e1tica), Ot\u00e1vio Gouveia de Bulh\u00f5es (advogado) e Roberto Campos (te\u00f3logo e diplomata). Mario Henrique Simonsen, que se graduou primeiramente em engenharia, fez posteriormente o curso de gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Faculdade de Economia e Finan\u00e7as do Rio de Janeiro \u2013 SUESC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00edmos afirmando que Eug\u00eanio Gudin viveu intensamente, desfrutando de suas grandes paix\u00f5es: o Brasil (\u201csempre fui chifrado, corneado por uma mulher chamada Brasil\u201d), o Rio de Janeiro, a Fran\u00e7a e, particularmente Paris, a fam\u00edlia, os vinhos, as mulheres e as flores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivendo t\u00e3o intensamente, Gudin sentia imensa dificuldade em se despedir dessas paix\u00f5es, o que fica bem claro num depoimento de seu neto, Luiz Roberto Cunha, com o qual encerramos este artigo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMas do Brasil, sua grande paix\u00e3o, nosso homenageado nunca quis se despedir, at\u00e9 porque n\u00e3o pretendia deixar de manter sua \u201cfrente de batalha\u201d, isto \u00e9, os artigos em <i>O Globo<\/i>. Tanto que, como lembra minha irm\u00e3 Violeta Maria, em 1978, quando a FGV quis homenage\u00e1-lo com um livro de seus artigos, a edi\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava pronta, mas ao observar que o t\u00edtulo na capa era \u201c\u00daltimos Ensaios\u201d, Gudin, recusando-se a aceitar que de fato seriam os \u201c\u00faltimos\u201d, mandou para o dep\u00f3sito toda a tiragem, que foi refeita com um novo t\u00edtulo, <i>O pensamento de Eug\u00eanio Gudin<\/i> (FGV, 1978)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BORGES, Maria Ang\u00e9lica. <i>Eug\u00eanio Gudin<\/i>: <i>Capitalismo e Neoliberalismo<\/i>. S\u00e3o Paulo: UNESP\/EDUC, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CASTRO, Nivalde Jos\u00e9 de. <i>O Economista: a hist\u00f3ria da profiss\u00e3o no Brasil<\/i>. Rio de Janeiro: Cofecon; Corecon-RJ\/Corecon-SP, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONSELHO Federal de Economia. <i>Sessenta Anos de Hist\u00f3ria da Regulamenta\u00e7\u00e3o da Profiss\u00e3o de Economista<\/i>. Bras\u00edlia: Cofecon, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUDIN, Eug\u00eanio. GUDIN, E. Rumos de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica. 1945. Em: <i>A Controv\u00e9rsia do Planejamento na Economia Brasileira<\/i>. 3\u00aa Ed. Bras\u00edlia: IPEA, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_______________ <i>O pensamento de Eug\u00eanio Gudin<\/i>. Rio de Janeiro: Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MENDES, Armando Dias. <i>O Economista e o Ornitorrinco<\/i> <i>\u2013 Ensaios sobre a forma\u00e7\u00e3o e a profiss\u00e3o dos economistas<\/i>. Bras\u00edlia: Coron\u00e1rio Editora Gr\u00e1fica, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCALERCIO, M\u00e1rcio e ALMEIDA, Rodrigo de. <i>Eug\u00eanio Gudin: invent\u00e1rio de flores e espinhos: um liberal em estado puro<\/i>. Rio de Janeiro: Insight, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SIMONSEN. A Planifica\u00e7\u00e3o da Economia Brasileira. 1944. Em: <i>A Controv\u00e9rsia do Planejamento na Economia Brasileira<\/i>. 3\u00aa Ed. Bras\u00edlia: IPEA, 2010.<\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3533:eugenio-gudin-um-engenheiro-interessado-em-economia&amp;catid=16&amp;Itemid=843#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> H\u00e1 uma pol\u00eamica a respeito de qual foi o primeiro curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas do Brasil. Enquanto alguns historiadores consideram o surgimento deste curso no Rio de Janeiro como pioneiro, outros consideram que o primeiro curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas surgiu em S\u00e3o Paulo, no ano de 1934, numa ramifica\u00e7\u00e3o da Escola de Com\u00e9rcio da Funda\u00e7\u00e3o Alvares Penteado (atual Funda\u00e7\u00e3o Escola de Com\u00e9rcio Alvares Penteado \u2013 Fecap), cuja sede situava-se no Largo de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3533:eugenio-gudin-um-engenheiro-interessado-em-economia&amp;catid=16&amp;Itemid=843#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> A Lei n\u00ba 1.411, que disp\u00f5e sobre a profiss\u00e3o de economista, foi sancionada pelo presidente da Rep\u00fablica no dia 13 de agosto de 1951. Em 17 de novembro de 1952, a referida Lei foi regulamentada pelo Decreto n\u00ba 31.794.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Luiz Alberto Machado<\/strong> \u00e9 Economista pela Universidade Mackenzie, mestre em Criatividade e Inova\u00e7\u00e3o pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal), vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP. Renato Lembe \u00e9 estudante de Economia da Faculdade de Economia da FAAP e editor do Projeto Saquarema.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pode parecer estranho, mas aquele que \u00e9 considerado um dos maiores economistas brasileiros de todos os tempos \u00e9 engenheiro. Nascido no Rio de Janeiro no dia 12 de junho de 1886, no bairro do Cosme Velho, foi na ent\u00e3o capital<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=755\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-755","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/755"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}