{"id":737,"date":"2017-03-31T15:31:29","date_gmt":"2017-03-31T18:31:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=737"},"modified":"2017-03-31T15:31:29","modified_gmt":"2017-03-31T18:31:29","slug":"homepublicacoesnoticiaspresidente-do-cofecon-divulga-estudo-sobre-o-mercado-de-trabalho-no-df-presidente-do-cofecon-divulga-estudo-sobre-o-mercado-de-trabalho-no-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=737","title":{"rendered":"Presidente do Cofecon divulga estudo sobre o mercado de trabalho no DF"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/images\/carteira.jpg\" alt=\"carteira\" width=\"375\" height=\"214\" \/>O contingente desempregado no Distrito Federal atingiu novo recorde hist\u00f3rico em fevereiro de 2017: 322 mil pessoas est\u00e3o sem ocupa\u00e7\u00e3o na capital da Rep\u00fablica. Ao considerar toda a \u00e1rea metropolitana de Bras\u00edlia, que engloba cidades goianas do entorno do DF, estima-se que o contingente chegue a 475 mil trabalhadores sem ocupa\u00e7\u00e3o em toda a regi\u00e3o. Considerando esses adversos resultados, divulgados pela Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED\/DF), o presidente do Cofecon, J\u00falio Miragaya, elaborou uma nota t\u00e9cnica sobre a situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho na regi\u00e3o. Confira abaixo o documento na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>322 mil desempregados em Bras\u00edlia \u00e9 novo recorde hist\u00f3rico<br \/>\n Na \u00e1rea metropolitana, s\u00e3o quase meio milh\u00e3o de desempregados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contingente desempregado no Distrito Federal atingiu novo recorde hist\u00f3rico no m\u00eas de fevereiro de 2017, com 322 mil pessoas sem ocupa\u00e7\u00e3o na capital da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo do IBRASE\/COFECON j\u00e1 alertara que, em 2015, pela primeira vez na s\u00e9rie hist\u00f3rica de 23 anos da Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED\/DF), ocorrera a elimina\u00e7\u00e3o de postos de trabalho no DF, 36 mil em rela\u00e7\u00e3o ao contingente existente em dezembro de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2016 houve uma parcial recupera\u00e7\u00e3o desta perda (saldo positivo de 31 mil postos de trabalho), mas nos dois primeiros meses de 2017 registrou-se saldo negativo de 33 mil postos, conforme mostra o Gr\u00e1fico abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/images\/Saldo_1993_-_2017.png\" alt=\"Saldo 1993 - 2017\" width=\"646\" height=\"392\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A deteriora\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho local come\u00e7ou em 2013, ap\u00f3s dois anos (2011\/2012) de desempenho excepcional, com a gera\u00e7\u00e3o de 100 mil novos empregos no DF. J\u00e1 em 2013 e no ano seguinte, o n\u00famero de postos de trabalho cresceu de forma p\u00edfia, em apenas 30 mil, tendo o contingente ocupado alcan\u00e7ado 1.326 mil em dezembro de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este crescimento reduzido foi insuficiente para absorver o aumento da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA), de forma que o contingente desempregado cresceu, alcan\u00e7ando 163 mil ao final de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, como agravamento da crise econ\u00f4mica nacional que afetou fortemente o Distrito Federal, houve a perda de 36 mil postos de trabalho (1.290 mil pessoas ocupadas em dezembro de 2015). Dessa forma, mesmo com a incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 PEA de apenas 20 mil pessoas, o contingente desempregado subiu de 163 mil em dezembro de 2014 para 218 mil um ano depois, com a taxa de desemprego saltando de 11,0% para 14,5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em 2016 ocorreu uma parcial recupera\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho, com saldo l\u00edquido de 31 mil, muito aqu\u00e9m do necess\u00e1rio para absorver o enorme incremento na PEA, de 114 mil pessoas (compensando a t\u00edmida expans\u00e3o da PEA em 2015). Sendo assim, o contingente desempregado saltou para 302 mil, recorde hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, nos dois primeiros meses de 2017 o cen\u00e1rio piorou ainda mais, com a perda de 33 mil postos de trabalho (anulando completamente o saldo positivo conseguido no ano anterior). O resultado, mesmo que atenuado pela sa\u00edda da PEA de 13 mil pessoas, foi de novo recorde hist\u00f3rico no contingente desempregado em fevereiro de 2017, atingindo nada menos que 322 mil pessoas, ainda que a taxa de desemprego de 20,0% esteja abaixo da taxa recorde de 23,9% de abril de 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/images\/Evolu%C3%A7%C3%A3o_2014-2017.png\" alt=\"Evolu\u00e7\u00e3o 2014-2017\" width=\"581\" height=\"296\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se observar que os dados apresentados pela PED\/DF escondem uma realidade ainda mais dram\u00e1tica, pois eles n\u00e3o incluem a Periferia Metropolitana de Bras\u00edlia (PMB).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa simula\u00e7\u00e3o conservadora, estima-se a taxa de desemprego na PMB em 23,0%, ou seja, 15% acima da m\u00e9dia do DF, similar \u00e0 verificada no antigo Grupo 3 da PED\/DF, que agrupava as Regi\u00f5es Administrativas de baixa renda da capital federal (Ceil\u00e2ndia, Santa Maria, Planaltina, Parano\u00e1, entre outras).Tal taxa de desemprego incidindo sobre estimadas 665 mil pessoas compondo a PEA da PMB vai resultar num contingente desempregado na Regi\u00e3o de 153 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somados aos 322 mil desempregados no DF, totaliza 475 mil desempregados na \u00c1rea Metropolitana de Bras\u00edlia (AMB), elevando a taxa de desemprego metropolitano para 20,9%, simplesmente a 2\u00aa maior taxa entre as metr\u00f3poles brasileiras, inferior apenas \u00e0 Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador, mas superando a capital baiana quando se trata de taxa de desemprego aberto (18,5% versus 17,7% em Salvador).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Analisando-se os dados de acordo com a posi\u00e7\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o, observa-se que nos \u00faltimos dois anos foram perdidos 35 mil empregos com carteira de trabalho assinada e outros 20 mil no setor p\u00fablico, voltando a crescer os ocupados no servi\u00e7o dom\u00e9stico e na condi\u00e7\u00e3o de aut\u00f4nomos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise segundo setor de atividade econ\u00f4mica revela que a ocupa\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o mant\u00e9m-se h\u00e1 anos em torno de 45 mil, p\u00edfios 0,5% do total nacional e que na constru\u00e7\u00e3o civil, o atual n\u00famero de 63 mil ocupados \u00e9 30% inferior aos 90 mil empregos existentes h\u00e1 quatro anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento m\u00e9dio mensal real, o quadro \u00e9 tamb\u00e9m desolador, tendo ca\u00eddo 3,6% em dois anos, de R$ 3.693,00 em janeiro de 2015 para R$ 3.559,00 em janeiro de 2017. Analisando-se os n\u00fameros segregados, observa-se que a queda foi substancialmente maior entre os assalariados do setor privado, com o rendimento m\u00e9dio real tendo ca\u00eddo 7,3%, de R$ 2.006,00 para R$ R$ 1.860,00, ao passo que entre os assalariados do setor p\u00fablico a queda foi bem menor, de 1,5%, de R$ 7.870,00 para R$ 7.752,00.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como consequ\u00eancia,o rendimento m\u00e9dio dos assalariados do setor p\u00fablico, que em janeiro de 2015 era 3,9 vezes maior que o dos assalariados do setor privado, passou a ser 4,2 vezes maior em janeiro de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados revelam tamb\u00e9m que a popula\u00e7\u00e3o ocupada de menor renda teve a queda mais acentuada em seus rendimentos. Os 10% mais pobres viram seus rendimentos m\u00e9dios mensais ca\u00edrem de R$ 673,00 para R$ 542,00, redu\u00e7\u00e3o de 19,5% em termos reais, bem mais acentuada que a queda entre os 10% mais ricos, cujos rendimentos m\u00e9dios mensais ca\u00edram de R$ 14.297,00 para R$ 13.107,00 (- 8,3%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Efeito da queda da ocupa\u00e7\u00e3o e do rendimento m\u00e9dio real, a massa de rendimentos caiu 9,0% desde janeiro de 2015, retornando ao n\u00edvel existente h\u00e1 cinco anos, de fevereiro de 2012, o que explica as imensas dificuldades enfrentadas pelas empresas de com\u00e9rcio e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados revelam a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e a necessidade de se agir para mitigar consequ\u00eancias negativas nas esferas econ\u00f4mica e social. N\u00e3o obstante Bras\u00edlia possuir o maior PIB per capita e a maior renda domiciliar do Pa\u00eds, a taxa de desemprego \u00e9 elevada em decorr\u00eancia de sua estrutura produtiva pouco diversificada e de uma economia excessivamente dependente do setor p\u00fablico.O Distrito Federal acomodou-se com a condi\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rio de vultosas transfer\u00eancias financeiras da Uni\u00e3o e a inexist\u00eancia de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e9 o seu maior sintoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, os problemas se perpetuam: al\u00e9m da baixa diversifica\u00e7\u00e3o de nossa estrutura produtiva e da excessiva depend\u00eancia das atividades do setor p\u00fablico, tem-se a extrema centraliza\u00e7\u00e3o das atividades no Plano Piloto, a enorme concentra\u00e7\u00e3o social e espacial da renda e a inexist\u00eancia de qualquer planejamento integrado com a periferia metropolitana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais grave \u00e9 que subsistem tabus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades que poderiam ser estimuladas no DF (e na periferia metropolitana), como a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, e que concorreriam para reduzir a taxa de desemprego e aumentar a receita tribut\u00e1ria pr\u00f3pria, tornando os or\u00e7amentos menos dependentes das transfer\u00eancias federais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, a\u00e7\u00f5es que poderiam, no curto prazo, incrementar a atividade econ\u00f4mica local e, consequentemente, ampliar a gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e mitigar o grave problema do desemprego, n\u00e3o prosperam, podendo ser destacadas a implanta\u00e7\u00e3o definitiva do Parque Cidade Digital; a inaugura\u00e7\u00e3o efetiva da Cidade Administrativa em Taguatinga\/Ceil\u00e2ndia e a amplia\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o do Polo Industrial JK.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soma-se a isto a falta de iniciativa do GDF em buscar negociar com o Governo Federal determinados projetos estruturantes, como a conex\u00e3o de Bras\u00edlia com a Ferrovia Norte-Sul mediante um ramal ferrovi\u00e1rio at\u00e9 An\u00e1polis; a implanta\u00e7\u00e3o do gasoduto Paul\u00ednia-Goi\u00e2nia-Bras\u00edlia; e a constru\u00e7\u00e3o do anel rodovi\u00e1rio, que poderiam efetivamente transformar nossa estrutura produtiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Urge a elabora\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de um plano de desenvolvimento integrado da \u00c1rea Metropolitana de Bras\u00edlia. Talvez o agravamento da crise \u201cdesperte\u201d as esferas p\u00fablicas e a sociedade brasiliense para uma caminhada na busca de solu\u00e7\u00f5es para os problemas estruturais que afligem a capital da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que os distintos governos perdem oportunidade de buscar as macrossolu\u00e7\u00f5es para o Distrito Federal por absoluta falta de planejamento. Se perdem na agenda imediatista, na escassez de verbas para atender as demandas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte p\u00fablico etc, sem perceber que a falta de recursos guarda rela\u00e7\u00e3o direta com as limita\u00e7\u00f5es na capacidade de arrecada\u00e7\u00e3o, que por sua vez decorre do baixo n\u00edvel da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se, por fim,enfatizar que, do atual mandato,j\u00e1 se passaram 27 meses, praticamente 60% do total.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>J\u00falio Miragaya<\/strong>, Presidente do IBRASE e do COFECON<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O contingente desempregado no Distrito Federal atingiu novo recorde hist\u00f3rico em fevereiro de 2017: 322 mil pessoas est\u00e3o sem ocupa\u00e7\u00e3o na capital da Rep\u00fablica. 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