{"id":7344,"date":"2019-03-22T17:51:25","date_gmt":"2019-03-22T20:51:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=7344"},"modified":"2019-03-22T17:51:25","modified_gmt":"2019-03-22T20:51:25","slug":"daniela-prates-e-lena-lavinas-debatem-conjuntura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=7344","title":{"rendered":"Daniela Prates e Lena Lavinas debatem conjuntura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Como j\u00e1 \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o durante as reuni\u00f5es do Conselho Federal de Economia, foi realizado nesta sexta-feira (22), por ocasi\u00e3o da 689\u00aa Sess\u00e3o Plen\u00e1ria, um debate de conjuntura. O tema, desta vez, foram as perspectivas para a economia brasileira em 2019. As debatedoras foram as economistas Daniela Prates e Lena Lavinas. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cofeconeconomia\/videos\/303873803593234\/?__xts__[0]=68.ARAvWSM9SPt7FiYCUTVr8kSCFmMC2RoVbrhj0w_xnExJ4Cx07X3bJq49CSSY55tBmP-suqvW6tBNxSNMsun72TOlmIgX2xuZP2aQAiPJpF68bhw4WhYMXEmNJBp0ifcIc5_GEJ--B2ko5c6T8YyyUCvj9ek3QYrEzQamG18ufcmwLtoXc00PuQ7HA2J1F4WJhZOyxGpnJg35d18rJ8be3bIyqzo0hnEw6mXB6FD6QEiNy_PFiKAoQCRPezXim5SiXDnjwwc200_ascGE15dm9q_H75CBLo27PCwa6GNfJN85cmqEOhMse7e3K0zE9TK7vj3yPmq06QKaG78DC-M6yX8_BdjKudUH&amp;__tn__=-R\">Clique aqui para assistir ao v\u00eddeo, na \u00edntegra, do debate<\/a>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Daniela falou primeiro e iniciou falando que o debate econ\u00f4mico no Brasil est\u00e1 muito pobre. \u201cS\u00f3 se fala sobre a previd\u00eancia, e parece que a reforma vai resolver todos os problemas\u201d, afirmou. \u201cMas a ideia chave que eu quero transmitir \u00e9 que h\u00e1 uma importante sinergia entre a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica, as demais pol\u00edticas econ\u00f4micas e a pol\u00edtica social\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">A economia caracterizou a economia brasileira como perif\u00e9rica, sujeita a assimetrias produtivas e tecnol\u00f3gicas, monet\u00e1rias e financeiras. Falou sobre o \u201cprivil\u00e9gio exorbitante\u201d dos Estados Unidos por terem uma moeda chave nas trocas internacionais e colocou que a capacidade brasileira de atrair fluxos de capitais \u00e9 pequena. \u201cO problema se agrava quando a esta simetria monet\u00e1ria se acoplam as assimetrias financeiras\u201d, analisa Daniela. \u201cPara conseguir atrair fluxos de capitais, temos que oferecer um diferencial na taxa de juros. Hoje n\u00e3o estamos mais no primeiro lugar do ranking de juros reais, mas ainda temos um diferencial\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Ao falar sobre pol\u00edtica monet\u00e1ria, cambial e fiscal, apontou a monet\u00e1ria como a que est\u00e1 se saindo melhor. \u201cEm fun\u00e7\u00e3o de choques favor\u00e1veis nas commodities, estamos com a infla\u00e7\u00e3o baixa e a taxa de juros tamb\u00e9m. Isso \u00e9 importante, embora n\u00e3o suficiente, para retomar o crescimento\u201d, avalia. \u201cA pol\u00edtica financeira est\u00e1 sendo desmontada. Sem o banco p\u00fablico a Alemanha n\u00e3o seria o que \u00e9 hoje. A China, ent\u00e3o, nem precisamos falar. No Brasil est\u00e3o desmontando isso achando que o mercado de capitais vai resolver. N\u00e3o vai\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Como o Brasil poderia se tornar menos vulner\u00e1vel \u00e0s press\u00f5es de aprecia\u00e7\u00e3o e deprecia\u00e7\u00e3o cambial? \u201cAdotando regula\u00e7\u00e3o sobre fluxo de capitais e derivativos\u201d, respondeu Daniela, comentando em seguida o exemplo da Coreia do Sul, que, por ser membro da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), n\u00e3o pode adotar controle de capitais \u2013 apenas regula\u00e7\u00e3o macroprudencial. \u201cO Brasil tem que adotar controle de capitais. Eu estou em p\u00e2nico (com a possibilidade de entrada do Brasil na OCDE), porque n\u00f3s vamos perder ainda mais instrumentos de pol\u00edtica, e ainda estamos dando como troca perder algumas vantagens na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, que ainda d\u00e3o algum grau de liberdade para a pol\u00edtica comercial e industrial\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Daniela Prates \u00e9 graduada em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP (1992), mestrado (1997) e doutorado (2002) em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade Estadual de Campinas \u2013 UNICAMP, com bolsa da Capes (de maio de 2000 a maio de 2001) na Universidade de Paris 13. \u00c9 professora associada da Unicamp, ministrando disciplinas nas \u00e1reas de Economia Internacional e Macroeconomia Aberta na gradua\u00e7\u00e3o e na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sendo respons\u00e1vel pela disciplina de Economia Internacional no Mestrado de Teoria Econ\u00f4mica. \u00c9 editora-chefe da revista Economia e Sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Lena Lavinas abriu sua fala trazendo uma an\u00e1lise de Christine Lagarde, presidente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, sobre o impacto que a elimina\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as de g\u00eanero poderia ter na economia mundial. \u201cIsso permitiria um crescimento da ordem de 35% nas economias de muitos pa\u00edses em desenvolvimento se a gente anulasse as diferen\u00e7as entre homens e mulheres no mercado de trabalho\u201d, afirmou. \u201cO sexismo \u00e9 um fator que freia o crescimento da produtividade, promove o desperd\u00edcio de talentos e compromete a emerg\u00eancia de novas formas de produzir e de trabalhar, justamente o que se mostra urgentemente necess\u00e1rio em meio \u00e0 transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, energ\u00e9tica e de prefer\u00eancias que trazem os millenials, entre elas a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">A atual conjuntura, na vis\u00e3o de Lavinas, \u00e9 de uma s\u00e9rie de retrocessos nos indicadores sociais \u2013 especialmente depois da recess\u00e3o vivida em 2015\/2016: \u201cA pobreza extrema voltou a patamares prevalecentes no in\u00edcio do mil\u00eanio, anteriores \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do programa Bolsa Fam\u00edlia; cerca de 15 milh\u00f5es de pessoas vivem na indig\u00eancia, n\u00edvel igual ao de 2004 e o dobro de 2014; a taxa de mortalidade infantil reverteu a tend\u00eancia de queda; o Brasil voltou a entrar no mapa da fome; de 2016 para 2017 o percentual de crian\u00e7as menores desnutridas aumentou 2%; o desemprego n\u00e3o cedeu e permanece superior a todas as m\u00e9dias anuais compiladas desde 1991\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">A economista apontou para um quadro que classificou como ainda mais sombrio e amea\u00e7a a recupera\u00e7\u00e3o: o endividamento das pessoas. \u201cS\u00e3o 63 milh\u00f5es de inadimplentes, quase 40% da popula\u00e7\u00e3o adulta\u201d, avaliou. \u201cElas est\u00e3o se endividando para comer, e comendo mal, porque a inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 aumentando. A saga dos negativados \u00e9 interpretada como falta de educa\u00e7\u00e3o financeira e planejamento. Mas sabemos que isso reflete uma mudan\u00e7a estrutural, em que o cr\u00e9dito torna-se uma forma de acesso a bem-estar, educa\u00e7\u00e3o superior e rem\u00e9dios, e n\u00e3o apenas aquisi\u00e7\u00e3o de bens dur\u00e1veis ou moradia. Viver endividado \u00e9 norma no capitalismo financeirizado\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Com todos estes dados, o futuro enxergado pela economista n\u00e3o \u00e9 promissor. \u201cPrimeiro, pelas consequ\u00eancias delet\u00e9rias da PEC do teto de gastos. A pol\u00edtica social vai se tornar um colateral, que vai garantir benef\u00edcios m\u00ednimos. Aqueles que aspiram a ter uma sa\u00fade melhor ter\u00e3o que ir ao mercado financeiro, ao mercado de seguros\u201d, finaliza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12px; font-family: verdana, geneva, sans-serif;\">Lena Lavinas \u00e9 graduada em Economia pelo Institut d\u2019Etudes pour le D\u00e9veloppement Economique et Social \u2013 Universit\u00e9 Paris I (Pantheon-Sorbonne) (1976), e obteve seu mestrado (1979) e doutorado (1984) no Institut de Hautes Etudes d\u2019Am\u00e9rique Latine \u2013 Universite Paris III (Sorbonne-Nouvelle). Foi fellow do Wissenschaftskolleg zu Berlin (Institute for Advanced Study) entre 2016 e 2017. \u00c9 professora titular do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro \u2013 UFRJ, lecionando na gradua\u00e7\u00e3o e na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, nas disciplinas de Economia do Bem-estar e Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas e Programas Sociais.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como j\u00e1 \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o durante as reuni\u00f5es do Conselho Federal de Economia, foi realizado nesta sexta-feira (22), por ocasi\u00e3o da 689\u00aa Sess\u00e3o Plen\u00e1ria, um debate de conjuntura. O tema, desta vez, foram as perspectivas para a economia brasileira em 2019.<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=7344\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7345,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-7344","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7344"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7344\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/7345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}