{"id":7154,"date":"2019-02-01T14:34:10","date_gmt":"2019-02-01T16:34:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=7154"},"modified":"2019-02-01T14:34:10","modified_gmt":"2019-02-01T16:34:10","slug":"economistas-realizam-debate-sobre-banco-dos-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=7154","title":{"rendered":"Economistas realizam debate sobre banco dos BRICS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Durante a 688\u00aa Sess\u00e3o Plen\u00e1ria do Conselho Federal de Economia foi realizado, como j\u00e1 \u00e9 tradicional, um debate econ\u00f4mico. O tema, desta vez, foi o Novo Banco de Desenvolvimento (o banco dos BRICS) e os debatedores foram os economistas Luciana Acioly, pesquisadora da Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas Macroecon\u00f4micas do IPEA, e Paulo Nogueira Batista Junior, ex-diretor-executivo do Fundo Monet\u00e1rio Internacional e ex-vice-presidente do pr\u00f3prio banco dos BRICS.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Luciana foi a primeira a falar e iniciou contextualizando a crise financeira de 2008, cuja principal novidade foi o fato de ter seu epicentro nos pa\u00edses desenvolvidos. Havia questionamentos quanto \u00e0 governan\u00e7a de organismos internacionais como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial, onde os pa\u00edses em desenvolvimento possu\u00edam pouca representatividade, apesar de representarem um quinto do PIB mundial em 1990 e um ter\u00e7o em 2008.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">No contexto da crise ocorreram v\u00e1rias reuni\u00f5es do chamado G20, nas quais se discutia como recuperar a economia global da recess\u00e3o. \u201cA cria\u00e7\u00e3o do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) pelo BRICS surge contexto de poucos avan\u00e7os nas reformas de governan\u00e7a financeira global, discutidas e aprovadas no \u00e2mbito do G20 ap\u00f3s 2008\u201d, afirmou Luciana. Em 2012 foi proposta a ideia de criar um banco de desenvolvimento, em 2013 foi realizado um estudo de viabilidade e em 2014 anunciou-se o acordo de coopera\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Em seguida, a economista caracterizou a forma como a decis\u00e3o foi recebida pela comunidade internacional, caracterizando tr\u00eas grupos diferentes: um deles avaliando como algo necess\u00e1rio e oportuno, canalizando recursos para a economia real; outro grupo avaliou como resultado da busca de objetivos espec\u00edficos relativos a motivos geopol\u00edticos e econ\u00f4micos do grupo \u2013 em especial, da China; e um terceiro avaliou como uma oportunidade para o estreitamento da coopera\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses do BRICS e demonstrar sua insatisfa\u00e7\u00e3o com a governan\u00e7a financeira global.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Ao falar sobre as diferen\u00e7as entre este banco e os que j\u00e1 existiam, mencionou tr\u00eas aspectos: um mandato mais claro e enxuto, simetria nas rela\u00e7\u00f5es de poder entre os membros fundadores e opera\u00e7\u00f5es focadas em infraestrutura e desenvolvimento sustent\u00e1vel. Mas h\u00e1 v\u00e1rios desafios que precisam ser respondidos \u2013 entre eles, a capacidade de alcance global, as dificuldades para expandir a carteira de opera\u00e7\u00f5es e a estrutura de governan\u00e7a. \u201cO Brasil precisa estabelecer quais s\u00e3o seus objetivos dentro do banco para aproveitar esta fonte complementar de investimento\u201d, afirmou Luciana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Paulo Nogueira Batista Junior conheceu a institui\u00e7\u00e3o por dentro e falou algumas coisas que, \u00e0s vezes, n\u00e3o aparecem \u00e0 primeira vista. \u201cO processo de cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi liderado pela China e sim pela \u00cdndia\u201d, afirmou. O processo de reformas p\u00f3s-2008 teve in\u00edcio enquanto Dominique Strauss-Kahn esteve \u00e0 frente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, mas n\u00e3o continuou depois de 2011. \u201cSem alarde, os BRICS reconheceram que foram ludibriados, e isto foi um terreno f\u00e9rtil para criar o CRA (da sigla Contingent Reserve Arrangement, un fundo monet\u00e1rio dos BRICS) e o NBD\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Batista destacou que o Brasil teve um papel-chave na cria\u00e7\u00e3o do banco. Isso porque o projeto, conduzido por \u00cdndia e \u00c1frica do Sul, n\u00e3o havia tido avan\u00e7os significativos, enquanto a cria\u00e7\u00e3o do CRA, comandada pelo Brasil, estava mais adiantada. \u201cA China participou intensamente, mas n\u00e3o liderou o processo. Quem mais impulsionou foi o Brasil, at\u00e9 a crise final no governo Dilma\u201d, avaliou o economista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Entre os problemas do banco, Batista apontou que a esperada agilidade na aprova\u00e7\u00e3o dos processos ocorre apenas na primeira etapa, mas n\u00e3o na contrata\u00e7\u00e3o e no desembolso. Embora o banco receba em dia os aportes de capital, e j\u00e1 tenha US$ 8 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos aprovados, os desembolsos at\u00e9 agora somam apenas US$ 226 milh\u00f5es. Al\u00e9m disso, a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se tornou um banco global, permanecendo com apenas cinco pa\u00edses-membros. Entre os aspectos que travam este crescimento, o economista mencionou que a China e a \u00cdndia quase chegaram a um conflito armado; a R\u00fassia, devido ao conflito com a Ucr\u00e2nia, sofre san\u00e7\u00f5es de mais de 40 pa\u00edses e teme que algum pa\u00eds inimigo entre no banco; e a participa\u00e7\u00e3o do Brasil, ap\u00f3s o fim do governo de Dilma Rousseff, foi prejudicada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">E o Brasil \u00e9 decisivo para o futuro do banco, na vis\u00e3o do ex-vice-presidente. \u201cO pr\u00f3ximo presidente ser\u00e1 indicado pelo Brasil, em meados de 2020; e j\u00e1 em 2019 o Brasil conduz o processo pol\u00edtico do BRICS. O pr\u00f3ximo escrit\u00f3rio regional do banco ser\u00e1 aberto no Brasil, para atender as Am\u00e9ricas. O motor dos BRICS era o Brasil\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Ap\u00f3s as exposi\u00e7\u00f5es, Luciana Acioly e Paulo Nogueira Batista Junior responderam \u00e0s perguntas dos conselheiros federais, resultando num debate rico e proveitoso. A transmiss\u00e3o pode ser assistida na p\u00e1gina do Cofecon no facebook.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a 688\u00aa Sess\u00e3o Plen\u00e1ria do Conselho Federal de Economia foi realizado, como j\u00e1 \u00e9 tradicional, um debate econ\u00f4mico. 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