{"id":6733,"date":"2018-11-08T10:30:57","date_gmt":"2018-11-08T12:30:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=6733"},"modified":"2018-11-08T10:30:57","modified_gmt":"2018-11-08T12:30:57","slug":"artigo-visoes-economicas-de-mundo-em-disputa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=6733","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Vis\u00f5es econ\u00f4micas de mundo em disputa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O esfor\u00e7o de padronizar vis\u00f5es econ\u00f4micas de mundo, ainda que sempre com algum grau de subjetividade, ganha mais interesse em per\u00edodos de disputa eleitoral. As pessoas em geral n\u00e3o escolhem de modo racional nem t\u00eam consci\u00eancia da integralidade de sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de mundo. Ela \u00e9 formada, em grande medida, por identifica\u00e7\u00e3o com seus afetos, mas v\u00e3o para o embate e condicionam a pr\u00f3pria vida e a dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Libert\u00e1rios:<\/strong> S\u00e3o cidad\u00e3os do mundo, cuja refer\u00eancia e empatia seriam com grupos globalizados, com estilos de vida que admiram. N\u00e3o se importam com as condi\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o e acreditam numa incapacidade, imut\u00e1vel, de um pa\u00eds como o Brasil alcan\u00e7ar qualidade de vida para todos compar\u00e1vel \u00e0 das na\u00e7\u00f5es hoje desenvolvidas. Nesse contexto, o Estado deve ser dimensionado no m\u00ednimo necess\u00e1rio para garantir os direitos de propriedade e o cumprimento dos contratos. Mercado totalmente livre, produzindo o que for mais competitivo e trocando o excedente pelo que outros consigam produzir melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neoliberais:<\/strong> Se veem como herdeiros do liberalismo cl\u00e1ssico ingl\u00eas, embora em condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas muito diversas, uma vez superados os privil\u00e9gios da nobreza nos s\u00e9culos XVIII e XIX, que aqueles combateram para viabilizar o desenvolvimento econ\u00f4mico. Acreditam na possibilidade desse desenvolvimento em um pa\u00eds como o Brasil, mas que o ativismo do Estado apenas dificultaria. Pol\u00edticos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos t\u00eam interesses pessoais, ligados ao enriquecimento e ao progresso na carreira, que predominariam sobre as medidas mais adequadas para o pa\u00eds. Por isso, al\u00e9m de assegurar estabilidade, os neoliberais podem aceitar apenas algumas pol\u00edticas horizontais, como os investimentos p\u00fablicos em educa\u00e7\u00e3o e ag\u00eancias reguladoras de pre\u00e7os abusivos e outras pr\u00e1ticas nocivas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desenvolvimentistas:<\/strong> N\u00e3o acreditam que o Estado neoliberal seja suficiente. O crescimento pode ser muito lento, pela debilidade de incentivos em um contexto de elevada incerteza sobre os lucros futuros, ou concentrador de renda. Elevar satisfatoriamente o ritmo de crescimento e a qualidade de vida de todos seriam melhores objetivos econ\u00f4micos, os quais demandariam um ativismo estatal maior. Gastos p\u00fablicos estrategicamente planejados em infraestrutura e em ci\u00eancia e tecnologia e incentivos a setores de grande potencial de ganhos de produtividade e gera\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00f5es de alta remunera\u00e7\u00e3o s\u00e3o pol\u00edticas defendidas pelos dessa vis\u00e3o econ\u00f4mica. Existe uma controv\u00e9rsia interna fundamental: enquanto os novos-desenvolvimentistas priorizam a pr\u00e1tica do que chamam taxas de c\u00e2mbio competitivas \u2013 aquelas que incentivariam ao aumento da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade internas \u2013 os sociais-desenvolvimentistas ponderam que as perdas de curto prazo no poder de compra da popula\u00e7\u00e3o podem n\u00e3o ser compensadas por ganhos expressivos e generalizados de produ\u00e7\u00e3o e produtividade, em uma estrutura produtiva com a defasagem tecnol\u00f3gica como a do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comunistas:<\/strong> Muitos s\u00e3o, mas n\u00e3o se definem como tal; mais ainda n\u00e3o s\u00e3o, mas s\u00e3o assim rotulados. O fato \u00e9 que, para os comunistas, a economia de mercado seria uma fase transit\u00f3ria do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, que ser\u00e1 superada por uma economia n\u00e3o mais controlada pela classe capitalista, mas por uma vanguarda da classe oper\u00e1ria, que constituir\u00e1 o Estado socialista. Tal vis\u00e3o os leva a apoiar interven\u00e7\u00f5es sem limites do Estado, seja regulamentando, seja produzindo diretamente, avaliando que assim a economia de mercado estaria se aproximando de uma economia socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEm termos de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria, os comunistas e os desenvolvimentistas sociais-democratas integram os chamados partidos de esquerda. No Brasil atual, os sociais-democratas t\u00eam sido hegem\u00f4nicos na esquerda em geral. Mesmo para os comunistas, essa supera\u00e7\u00e3o da economia de mercado, ao estilo leninista, tem sido tratada como um objetivo cada vez mais distante e relativo. As utopias da esquerda, no pa\u00eds, t\u00eam se voltado muito mais para modelos como o dos pa\u00edses n\u00f3rdicos. A simpatia e admira\u00e7\u00e3o a personalidades, atuais ou passadas, de perfil comunista mais ortodoxo, v\u00eam sendo determinadas, principalmente, por verem nelas atributos pessoais como combatividade, idealismo e humanismo, sem a pretens\u00e3o de reproduzir seus m\u00e9todos e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Fernando de Aquino Fonseca Neto &#8211;\u00a0Conselheiro do Cofecon e Doutor em Economia pela UnB<\/p>\n<ul>\n<li>Artigo publicado no site da Carta Capital, em 08\/11\/2018.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o de padronizar vis\u00f5es econ\u00f4micas de mundo, ainda que sempre com algum grau de subjetividade, ganha mais interesse em per\u00edodos de disputa eleitoral. 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