{"id":629,"date":"2017-05-08T15:02:37","date_gmt":"2017-05-08T18:02:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=629"},"modified":"2017-05-08T15:02:37","modified_gmt":"2017-05-08T18:02:37","slug":"grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=629","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Grandes Economistas Brasileiros 2 &#8211; Visconde de Itaborahy"},"content":{"rendered":"<div class=\"WordSection1\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Desaparecimentos misteriosos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um mist\u00e9rio do qual a Hist\u00f3ria \u00e9 v\u00edtima, e ainda os historiadores n\u00e3o se debru\u00e7aram seriamente para resolv\u00ea-lo: por que grandes homens, desde estadistas at\u00e9 intelectuais, desaparecem da mem\u00f3ria nacional ap\u00f3s alguns anos do falecimento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que muitos deles nem sequer entraram nela quando vivos \u2013 como \u00e9 o caso de M\u00e1rio Ferreira dos Santos, o maior fil\u00f3sofo brasileiro de todos os tempos \u2013 o que nos levaria a outras perguntas, desta vez sobre a incultura no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas aquele insond\u00e1vel mist\u00e9rio persiste, quando se nota que not\u00f3rios pol\u00edticos e estudiosos do passado, plenamente reconhecidos como tais no seu tempo, de repente s\u00e3o legados ao esquecimento. \u00c9 o caso da grande maioria de estadistas ilustres que o Brasil teve nos tempos do Imperador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se se perguntasse para um jornalista qualquer do final do s\u00e9culo XIX quem foram Jo\u00e3o Alfredo Correa de Oliveira, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e Bernardo Pereira de Vasconcelos, ele seguramente saberia responder. Hoje em dia, um jornalista t\u00e3o afamado quanto o outro responderia, se conseguisse, com dificuldade \u2013 \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da persona de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, que fatalmente remeteria \u00e0 figura do nosso Boni.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que tais nomes n\u00e3o se conservaram na mem\u00f3ria nacional pela sua desimport\u00e2ncia atual? Uma obje\u00e7\u00e3o como essa seria imperdo\u00e1vel: num Brasil ainda assolado pela iniquidade econ\u00f4mica entre brancos e negros, pela manuten\u00e7\u00e3o do estamento burocr\u00e1tico e pelos decrescentes n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o, qu\u00e3o \u201cdesimportantes\u201d s\u00e3o o abolicionista da Lei \u00c1urea, o fundador do Brasil e o criador do col\u00e9gio Pedro II? Os homens do passado, com efeito, s\u00e3o, em grande parte, os causadores tanto das qualidades quanto dos defeitos da atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1, por outro lado, que assim ocorreu por conta dos sucessivos golpes de Estado? Embora seja verdade que, dentre as destrui\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica, uma delas foi a substitui\u00e7\u00e3o artificial, na mem\u00f3ria popular, dos pais fundadores do Brasil por her\u00f3is quase-m\u00edticos (como Tiradentes e Zumbi), o fato n\u00e3o \u00e9 suficiente para explicar a perman\u00eancia daqueles nomes no esquecimento \u2013 \u201cpor que ningu\u00e9m os tirou de l\u00e1?\u201d. Realmente, a quest\u00e3o est\u00e1 em aberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas voltando ao nosso jornalista do s\u00e9culo XIX. Se perguntado quem foi Visconde de Itaborahy, ele diria, sem pestanejar: \u201cfoi o maior financista do Imp\u00e9rio\u201d. E ele \u00e9 o homenageado deste artigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Contexto hist\u00f3rico<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joaquim Jos\u00e9 Rodrigues Torres nasceu num pa\u00eds que estava caminhando rumo \u00e0 autonomia pol\u00edtica e econ\u00f4mica. O Brasil de sua gera\u00e7\u00e3o era aquele que, tendo conquistado sua independ\u00eancia em 1822, vivia uma fase de afirma\u00e7\u00e3o como na\u00e7\u00e3o, de certa forma muito semelhante \u00e0 de outros pa\u00edses sul-americanos que haviam obtido sua liberta\u00e7\u00e3o, mais ou menos na mesma \u00e9poca. Diferentemente de seus vizinhos, por\u00e9m, que se libertaram da Espanha, o Brasil rompeu seus la\u00e7os de domina\u00e7\u00e3o com Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas mais de quatro d\u00e9cadas em que Itaborahy exerceu papeis importantes no Segundo Imp\u00e9rio, ocorreram altera\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas importantes no Brasil, dentre as quais cumpre destacar:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>1.No plano econ\u00f4mico, cresce a import\u00e2ncia relativa do caf\u00e9 como principal produto da economia brasileira ao mesmo tempo em que se reduz a import\u00e2ncia relativa do a\u00e7\u00facar, que havia sido o produto base na maior parte do per\u00edodo colonial, embora entre o in\u00edcio da decad\u00eancia do a\u00e7\u00facar e a ascens\u00e3o do caf\u00e9, tenha ocorrido o ciclo do ouro, respons\u00e1vel pelo processo de interioriza\u00e7\u00e3o do nosso desenvolvimento, at\u00e9 ent\u00e3o quase integralmente circunscrito \u00e0 faixa litor\u00e2nea desde o descobrimento. O trip\u00e9 caracter\u00edstico da economia brasileira ao longo do per\u00edodo colonial \u2013 e que se estendeu de certa forma aos primeiros anos do Brasil independente, quando prevaleceu o modelo prim\u00e1rio-exportador (FURTADO, 2007) \u2013 era constitu\u00eddo da monocultura, da produ\u00e7\u00e3o extensiva realizada em grandes latif\u00fandios e na m\u00e3o de obra escrava. Observava-se, eventualmente, alguma atividade secund\u00e1ria de certa import\u00e2ncia, como a cria\u00e7\u00e3o de gado ou a produ\u00e7\u00e3o de couros e de fumo em determinadas \u00e9pocas. No per\u00edodo do Visconde de Itaborahy, de acentuada influ\u00eancia do caf\u00e9, isso aconteceu com o algod\u00e3o, com o cacau e, j\u00e1 na parte final do s\u00e9culo XIX, com a borracha. Merece especial destaque o impacto causado nas finan\u00e7as do Imp\u00e9rio por situa\u00e7\u00f5es de anormalidade social e politica, quando as despesas dos minist\u00e9rios militares atingiam picos elevados. Foi o que ocorreu ainda no Primeiro Imp\u00e9rio no fim doas anos 1820 com a Guerra Cisplatina e nos anos 1830 com as opera\u00e7\u00f5es contra os separatistas no sul do Brasil. No in\u00edcio do Segundo Imp\u00e9rio, conflitos regionais tamb\u00e9m ocorreram, como a Guerra dos Farrapos, no sul do pa\u00eds, e a Revolu\u00e7\u00e3o Praieira, em Pernambuco. No entanto, o fen\u00f4meno mais importante do per\u00edodo foi, sem d\u00favida, a Guerra do Paraguai, que se estendeu de dezembro de 1864 a mar\u00e7o de 1870, quando as despesas militares atingiram 65% dos gastos totais (ABREU; LAGO, p. 34). A terceira e \u00faltima passagem do Visconde de Itaborahy pelo Minist\u00e9rio da Fazenda foi exatamente de 1868 a 1870, em plena Guerra do Paraguai.<\/li>\n<li>2.No plano pol\u00edtico, o Visconde de Itaborahy vivenciou os altos e baixos do Segundo Imp\u00e9rio, marcado, em grande parte, pela disputa entre os dois partidos que dominaram a cena pol\u00edtica no per\u00edodo: o Liberal e o Conservador. Apesar da intensa disputa, os dois partidos eram constitu\u00eddos por representantes da elite e defendiam pontos de vista muito semelhantes. Cabia ao Imperador escolher o presidente do Conselho de Ministros, o que ele fazia escolhendo entre os integrantes do partido que tinha maioria na Assembleia Geral. Outro aspecto a ser real\u00e7ado \u00e9 a influ\u00eancia pol\u00edtica decorrente das mudan\u00e7as na estrutura produtiva. Como costuma ocorrer em pa\u00edses em que a monocultura \u00e9 um dos tra\u00e7os dominantes, os produtores do produto mais importante adquirem consider\u00e1vel poder pol\u00edtico. Nesse sentido, o Segundo Imp\u00e9rio viu crescer a import\u00e2ncia pol\u00edtica dos fazendeiros do caf\u00e9, \u00e0 medida que este produto assumia papel preponderante na economia brasileira. A influ\u00eancia pol\u00edtica vai al\u00e9m, determinando, inclusive, mudan\u00e7as na geografia do poder. Assim \u00e9 que a capital do Brasil colonial manteve-se em Salvador, ou seja, no nordeste, em fun\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia relativa desta regi\u00e3o durante todo o per\u00edodo em que o a\u00e7\u00facar era o principal produto da economia brasileira. Com o advento da economia mineira a capital do pa\u00eds \u00e9 transferida, em 1763, para o Rio de Janeiro, l\u00e1 permanecendo a partir do fortalecimento da economia cafeeira, por sua proximidade com o novo centro din\u00e2mico da economia brasileira. Tamb\u00e9m nesse per\u00edodo, o cen\u00e1rio pol\u00edtico foi sacudido pelas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio em Rep\u00fablica, cuja proclama\u00e7\u00e3o viria a ocorrer em 1889.<\/li>\n<li>3.No plano social, o Visconde de Itaborahy foi testemunha e teve que lidar com a transi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra quase exclusivamente escrava, vigente at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, para rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o mais din\u00e2micas, t\u00edpicas de um capitalismo mais desenvolvido, com destaque para a m\u00e3o de obra assalariada, que veio a se consolidar apenas na fase republicana. Nesse processo de transi\u00e7\u00e3o, duas quest\u00f5es merecem men\u00e7\u00e3o especial: a quest\u00e3o imigrat\u00f3ria, com a vinda de levas de europeus que vieram ao Brasil para substituir a m\u00e3o de obra escrava que come\u00e7ava a ter problemas para se reproduzir, e a pr\u00f3pria quest\u00e3o abolicionista. Afinal, se a aboli\u00e7\u00e3o definitiva ocorreu s\u00f3 em 1888 com a Lei \u00c1urea, outras restri\u00e7\u00f5es foram se sucedendo nas d\u00e9cadas precedentes, quando tivemos a Lei Eus\u00e9bio de Queiroz, de 1850, que aboliu oficialmente o tr\u00e1fico de escravos no Brasil, a Lei do Ventre Livre, de 1871, que tornava livres os escravos nascidos ap\u00f3s sua promulga\u00e7\u00e3o, e a Lei dos Sexagen\u00e1rios, de 1885, que dava liberdade aos escravos que completassem 65 anos de idade \u2013 leis, vale dizer, estabelecidas por minist\u00e9rios conservadores (TORRES, 1968, pp.178-180).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Mais um engenheiro<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente da maioria de seus contempor\u00e2neos, o jovem Rodrigues Torres deixou sua casa, no ent\u00e3o buc\u00f3lico Porto de Caxias, onde prosperou seu pai como abastado fazendeiro, para estudar n\u00e3o Direito, mas Matem\u00e1tica em Coimbra (FILHO, 1986, pp. 35-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Graduado, voltou ao Brasil em 1826 como <i>lente<\/i> (belo nome para algo similar a <i>professor<\/i>) na Academia Militar. Ligado a ela at\u00e9 1833, Torres lecionou l\u00e1 matem\u00e1ticas e engenharia, tendo como destacado aluno ningu\u00e9m menos do que Te\u00f3filo Otoni (idem, ibidem, p. 43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, assim como o aprendiz, a carreira jamais o impediu de se interessar por assuntos pol\u00edticos e econ\u00f4micos. Not\u00f3rio pelo seu conhecimento dos <i>Founding Fathers <\/i>norte-americanos, Rodrigues Torres fez da livraria de Evaristo da Veiga sua grande \u00e1gora de ideias iluministas anglo-sax\u00e3s, para o encantamento de Otoni (idem, ibidem, pp. 42-45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por afinidade a essas mesmas ideias, foram perseguidos mestre e aluno na Academia Militar, aquele menos do que o outro (idem, ibidem, pp. 42-44). \u00c9 bastante prov\u00e1vel que esta tenha sido uma das raz\u00f5es para a sa\u00edda volunt\u00e1ria de Rodrigues Torres do cargo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, a sua sa\u00edda da Academia era, de certo modo, um fato que aconteceria mais cedo ou mais tarde: ao aproximar-se, em 1829, de Evaristo da Veiga &#8211; que reconhecia no lente um grande erudito em diversos assuntos \u2013 Torres foi introduzido no c\u00edrculo dos <i>liberais moderados<\/i> que protagonizariam o per\u00edodo regencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naqueles anos, eles contavam com a lideran\u00e7a de ningu\u00e9m menos do que Bernardo Pereira de Vasconcelos, Diogo Feij\u00f3 e o pr\u00f3prio Evaristo da Veiga: Minas, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro unidos para conquistar a liberdade sem compromet\u00ea-la com a demagogia jacobina. Mal sabiam os l\u00edderes que essa forte coliga\u00e7\u00e3o chegaria ao fim em menos de uma d\u00e9cada, com a prematura morte de Veiga e o rompimento entre Vasconcelos e Feij\u00f3 \u2013 rompimento que seria a g\u00eanese dos dois grandes partidos do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vasconcelos fundaria, ent\u00e3o, o Partido Conservador \u2013 e, para sua felicidade, teria como aliado o g\u00eanio do futuro Visconde de Itaborahy.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Resumo da carreira pol\u00edtica<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pol\u00edtico Rodrigues Torres foi, essencialmente, um austero. Rigorosos eram seus racioc\u00ednios; econ\u00f4micos, seus discursos; desapaixonado, seu timbre; quase im\u00f3vel, sua face.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, o Visconde era norteado por princ\u00edpios morais s\u00f3lidos e personalidade firme. Como puro conservador, ele sabia que, diante de uma realidade pol\u00edtica ditada pelas circunst\u00e2ncias fluidas, o embasamento e a unidade das decis\u00f5es que tomava deviam estar solidificadas na pr\u00e1tica individual dos bons costumes e no respeito \u00e0 ordem social. Se assim n\u00e3o o fosse, o sistema estaria sempre \u00e0 merc\u00ea de revolucion\u00e1rios, oportunistas e demagogos, cuja moral \u00e9 t\u00e3o somente uma distin\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria entre o que \u00e9 bom para os objetivos do movimento e o que n\u00e3o o \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evid\u00eancias da sua rigorosa e independente consci\u00eancia individual s\u00e3o, de fato, abundantes. Caberia citar algumas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Em 1835, \u00e0 euforia do Ato Adicional, Torres votou, sem apoio partid\u00e1rio e quase sozinho, contra sua reda\u00e7\u00e3o final (idem, ibidem, p. 118);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Conhecedor da obra de Thomas Jefferson (idem, ibidem, p. 45) e David Ricardo (GAMBI, 2015, p. 183), Itaborahy jamais se deixou impregnar totalmente pelos escritos estrangeiros, sempre priorizando a sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o individual e buscando concili\u00e1-los com a realidade do Brasil. Como os grandes conservadores da \u00e9poca, nosso Visconde n\u00e3o se entregou ao \u201cmarginalismo das elites\u201d \u2013 atitude identificada por Oliveira Vianna a respeito da tend\u00eancia da elite brasileira se deixar absorver completamente por paradigmas, valores e problemas estrangeiros, incapaz de pensar a partir das situa\u00e7\u00f5es propriamente nacionais (TORRES, 1968, p. XV).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Em 1868, diante da imposi\u00e7\u00e3o de um gabinete conservador por parte do Poder Moderador, Rodrigues Torres \u2013 o l\u00edder daquele \u2013 lidou com forte oposi\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara (na \u00e9poca, de maioria luzia<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>) e, mesmo assim, n\u00e3o negociou a agenda que, para ele, era a mais apropriada para o momento (idem, ibidem, pp. 95-121).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua personalidade firme conquistou para ele um lugar especial entre os primeiros chefes do Partido Conservador, chamados de <i>Triunvirato Saquarema <\/i>(FILHO, 1986, p. 124). Itaborahy compartilhava a lideran\u00e7a com outras importantes figuras pol\u00edticas do Segundo Reinado: o emancipacionista Eus\u00e9bio de Queir\u00f3s e o erudito Paulino Jos\u00e9 Soares de Souza. Com o falecimento do fundador do Partido Conservador \u2013 anunciada pelo pr\u00f3prio Itaborahy (SOUSA, 1957) \u2013 e a morte mais ou menos prematura dos outros tri\u00fanviros, Rodrigues Torres se tornou por muitos anos a coluna vertebral do Partido, assegurando sua unidade pelas gera\u00e7\u00f5es (FILHO, 1986, p. 187).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da lideran\u00e7a dos conservadores, o Visconde tamb\u00e9m conquistou uma carreira de bastante presen\u00e7a nos cargos p\u00fablicos, listados com as respectivas dura\u00e7\u00f5es<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> de of\u00edcio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ministro da Marinha (1831-1834), (1837-1840), (1843-1844);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ministro da Fazenda (1832), (1848-1853), (1868-1870);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Deputado (1834-1844);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Presidente da Prov\u00edncia do Rio de Janeiro (1835-1836);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Senador (1844-1872);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Presidente do Conselho de Ministros (1852-1853), (1868-1870);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Conselheiro do Estado (1854-1872).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Protecionismo e Industrialismo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fica evidente pelas datas citadas quando contrastadas com a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de cada gabinete, Rodrigues Torres foi o Ministro da Fazenda de maior tempo no cargo (VERSIANI, 2012, p. 876). Ineg\u00e1vel, portanto, que a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil no Segundo Reinado \u00e9, significantemente, de responsabilidade sua. E com maestria assumiu essa miss\u00e3o, sendo chamado por uns de \u201cTaumaturgo das Finan\u00e7as\u201d (FILHO, 1986, p. 121).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, Itaborahy se envolveu em v\u00e1rios debates pol\u00edtico-econ\u00f4micos. Um deles foi a quest\u00e3o do Protecionismo no Brasil, ao qual era favor\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para resumir seu argumento, o racioc\u00ednio ser\u00e1 transcrito em t\u00f3picos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1- Seguindo o pensamento de Adam Smith (1976, p. 16), Torres afirma: \u201ca experi\u00eancia demonstra que a acumula\u00e7\u00e3o de riquezas \u00e9 muito mais lenta nos pa\u00edses puramente agr\u00edcolas, do que nos manufatureiros ou comerciais\u201d (apud FILHO, 1986, p. 133). Logo, a industrializa\u00e7\u00e3o, acompanhada da diversifica\u00e7\u00e3o e da especializa\u00e7\u00e3o, \u00e9 essencial para a prosperidade do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2- Essa industrializa\u00e7\u00e3o, todavia, dificilmente poderia ser empreendida pela iniciativa privada sozinha, pois a transfer\u00eancia de capital agr\u00edcola para a ind\u00fastria \u00e9 um processo moroso e complexo (idem, ibidem, pp. 111-112), al\u00e9m de arriscado e oneroso nos primeiros anos (VERSIANI, 2012, p. 876).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3- Cumpre, portanto, ao Estado colaborar ativamente com o processo de industrializa\u00e7\u00e3o, o que significa: \u201cincentivar novas for\u00e7as produtivas, buscando obter que parte da popula\u00e7\u00e3o se aplique em<span class=\"apple-converted-space\">\u00a0<\/span><em>fabricar alguns dos artigos de consumo recebidos do estrangeiro<\/em>\u201d (apud FILHO, 1986, p. 133); adotar \u201cprinc\u00edpios de vigil\u00e2ncia quanto ao destino do capital investido\u201d (apud idem, ibidem, p. 112); assumir, junto \u00e0 sociedade, o \u00f4nus inicial do estabelecimento de novas ind\u00fastrias (VERSIANI, 2012, p. 876); e investir na infraestrutura nacional (FILHO, 1986, pp. 84-86).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, o argumento de Itaborahy era, fundamentalmente, a tese da ind\u00fastria nascente (VERSIANI, 2012, p. 876), para a qual \u201co sistema da liberdade de ind\u00fastria n\u00e3o servir\u00e1 sen\u00e3o para acabar com o Brasil\u201d (apud FILHO, 1986, p. 111) pois \u201cnenhuma das na\u00e7\u00f5es conhecidas tem chegado a grande desenvolvimento industrial sen\u00e3o \u00e0 sombra de leis protetoras\u201d (apud VERSIANI, 2012, p. 876).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe, contudo, ressaltar que o protecionismo defendido por Rodrigues Torres n\u00e3o era nem irrestrito nem incondicional. A prote\u00e7\u00e3o s\u00f3 se justificaria se o estabelecimento beneficiado pudesse \u201cem prazo mais ou menos breve chegar a certo ponto de robustez, que o habilite a viver e crescer de seus pr\u00f3prios recursos\u201d (apud VERSIANI, 2012, p. 876), de modo a n\u00e3o onerar perpetuamente os consumidores (apud idem, ibidem, p. 877).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Lastro met\u00e1lico contra a anarquia banc\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro c\u00e9lebre debate do qual Torres participou com protagonismo foi o do Regime de Emiss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca, grande parte da classe pol\u00edtica ambicionava tornar independente tamb\u00e9m a economia nacional \u2013 e, para tanto, fazia-se mister estabelecer um bom sistema de financiamento privado aos novos empreendimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ele se daria? \u00c0 pergunta, duas respostas antag\u00f4nicas foram dadas, e a implementa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica de uma ou de outra dependia de quem ocupava o Minist\u00e9rio da Fazenda. A caracteriza\u00e7\u00e3o dessas duas posi\u00e7\u00f5es foi, com sucesso, exposta pelo professor Thiago Gambi, da Universidade Federal de Alfenas (2015, pp.180-182), e \u00e9 nele que se baseiam, em grande parte, os par\u00e1grafos a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado do debate, havia aqueles que defendiam um regime de emiss\u00e3o <i>descentralizado<\/i>, cuja moeda teria uma <i>conversibilidade fraca<\/i> (lastreada tanto em metais quanto em t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica). Estes eram chamados de <i>Papelistas<\/i>, e tinham como lideran\u00e7a Bernardo de Souza Franco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em oposi\u00e7\u00e3o, outros sustentavam que o regime de emiss\u00f5es deveria ser <i>centralizado<\/i>, de modo a garantir <i>a mais forte conversibilidade poss\u00edvel <\/i>(lastreando a maior quantidade de moedas em ouro). Disse-se \u201cmais forte poss\u00edvel\u201d porque o lastro integral em ouro n\u00e3o existiu no Brasil sen\u00e3o em alguns curtos per\u00edodos (idem, ibidem, p. 178). Dessa posi\u00e7\u00e3o eram os <i>Metalistas<\/i>, cujo l\u00edder, junto a Torres Homem, era o nosso Rodrigues Torres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As respectivas linhas de racioc\u00ednio s\u00e3o transcritas abaixo:<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"WordSection2\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><i>Papelismo<\/i><\/p>\n<p>1- T\u00edtulos banc\u00e1rios n\u00e3o-monet\u00e1rios, quando emitidos, o s\u00e3o para efetivar uma transa\u00e7\u00e3o comercial j\u00e1 ocorrida. H\u00e1, portanto, uma contrapartida real para essa opera\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria. Logo, emiss\u00e3o de notas banc\u00e1rias <i>n\u00e3o<\/i> causa infla\u00e7\u00e3o &#8211; pelo contr\u00e1rio: \u00e9 o aumento dos pre\u00e7os que causa o aumento no volume de notas emitidas.<\/p>\n<p>2- Se t\u00edtulos banc\u00e1rios n\u00e3o causam infla\u00e7\u00e3o, eles, por outro lado, s\u00e3o essenciais para o florescimento de novos empreendimentos, financiando tanto o capital inicial quanto o consumo dos produtos. Uma limita\u00e7\u00e3o artificial (n\u00e3o imposta pelo mercado) da oferta de notas imporia, portanto, freios \u00e0 atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>3- Mais apropriado, portanto, ao crescimento econ\u00f4mico do Brasil \u00e9 a <i>pluralidade das emiss\u00f5es<\/i>: cada banco privado, conhecendo e sendo pressionado pelas informa\u00e7\u00f5es do seu pr\u00f3prio mercado, deve emitir o volume de t\u00edtulos que julgar necess\u00e1rio e conveniente. Al\u00e9m disso, unificar quantitativamente a pol\u00edtica de emiss\u00f5es num pa\u00eds de grandes desigualdades inter-regionais \u00e9 comprometer seu crescimento homog\u00eaneo, privilegiando algumas regi\u00f5es sobre outras.<\/p>\n<p><i>Metalismo<\/i><\/p>\n<p>1- T\u00edtulos banc\u00e1rios n\u00e3o-monet\u00e1rios trocam de alguns donos antes do \u00faltimo resgatar seu valor no banco. Ap\u00f3s a primeira troca, a qual efetiva a transa\u00e7\u00e3o comercial previamente estabelecida, os portadores do t\u00edtulo o utilizam como moeda para transa\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o ocorridas. Logo, o t\u00edtulo, ao comportar-se como moeda, segue o mesmo princ\u00edpio monet\u00e1rio: o aumento da oferta de notas banc\u00e1rias, <i>coeteris paribus<\/i>, causa infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"WordSection4\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>2- Embora seja verdade que a expans\u00e3o da oferta monet\u00e1ria (tanto em esp\u00e9cie quanto em notas banc\u00e1rias) contribua para o fomento da atividade econ\u00f4mica, ele ser\u00e1 inerentemente acompanhado de crises financeiras caso aquela expans\u00e3o tenha ocorrido sem contrapartida real.<\/p>\n<p>3- Os t\u00edtulos banc\u00e1rios devem ser lastreados para evitar infla\u00e7\u00e3o e crises financeiras, as quais desestabilizam a economia e impedem o crescimento sustent\u00e1vel. Dada a dimens\u00e3o continental do pa\u00eds, a fiscaliza\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es privadas seria consideravelmente burl\u00e1vel. Tamb\u00e9m \u00e9 importante considerar que, para um pa\u00eds fundamentalmente agroexportador, a estabilidade cambial \u00e9 bastante desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Logo, a cria\u00e7\u00e3o de uma institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria com o <i>monop\u00f3lio das emiss\u00f5es<\/i>, seguindo o modelo ingl\u00eas de Robert Peel, seria a mais adequada medida.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caberia, ainda, considerar em mais detalhes as premissas sobre as quais Rodrigues Torres raciocina, de modo a compreender com mais propriedade seu posicionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imbu\u00eddo tanto de princ\u00edpios morais quanto de postulados proto-monetaristas, Itaborahy n\u00e3o admitia a regulariza\u00e7\u00e3o legal de notas banc\u00e1rias sem lastro real, pois elas n\u00e3o representariam verdadeiramente cr\u00e9dito ou riqueza:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 cr\u00e9dito? [&#8230;] cr\u00e9dito \u00e9 sen\u00e3o a faculdade que uma pessoa natural ou jur\u00eddica possua para ceder a outra certo capital seu por certo prazo, [&#8230;] Tratando-se de capital propriamente dito, a restri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, se imposta pelo Poder P\u00fablico, seria n\u00e3o s\u00f3 incab\u00edvel, mas atentat\u00f3ria do direito reconhecido a qualquer pessoa para fazer uso dos bens de sua propriedade como entender. Assim, [&#8230;] a restri\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito por via de uma lei seria realmente um atentado ao direito de propriedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratar-se-ia [a Lei 1.083<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>] de uma restri\u00e7\u00e3o? N\u00e3o; se ela ocorresse em caso assim, deixaria de haver diverg\u00eancia entre n\u00f3s; o honrado senador [Souza Franco] ter-me-ia em sua fileira para combater qualquer lei que restringisse o cr\u00e9dito. A mesma hip\u00f3tese n\u00e3o ocorre, por\u00e9m, quando pela palavra cr\u00e9dito se entende a faculdade de conceder amplamente a cada indiv\u00edduo o direito de emprestar, n\u00e3o capital, mas t\u00edtulos que n\u00e3o podem ser convertidos em capital, que n\u00e3o representam de fato coisa alguma e que iludem o p\u00fablico chamado a receb\u00ea-los em troca de produtos reais e valiosos. Neste caso, a liberdade de cr\u00e9dito [&#8230;] n\u00e3o faz mais do que estimular os estabelecimentos que dele se servem \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o das transa\u00e7\u00f5es comerciais (apud FILHO, 1986, p. 126)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, Rodrigues Torres reconhecia na atividade banc\u00e1ria desregulada a causa das crises e depress\u00f5es (idem, ibidem, p. 115; idem, ibidem, p. 161). Nesse sentido, Itaborahy reiterava, sem grandes mudan\u00e7as, o ciclo econ\u00f4mico ricardiano: quando bancos privados de determinado pa\u00eds aumentam o volume de t\u00edtulos emitidos sem lastro, os pre\u00e7os crescem de modo generalizado. Essa infla\u00e7\u00e3o pressiona a balan\u00e7a comercial rumo ao d\u00e9ficit, pois tanto os agentes nacionais quanto os estrangeiros v\u00e3o preferir comprar fora do pa\u00eds. A balan\u00e7a comercial deficit\u00e1ria faz com que os recursos reais que lastreavam a moeda do pa\u00eds (na \u00e9poca, o ouro) emigrem. Com a diminui\u00e7\u00e3o das reservas reais, os bancos freiam a emiss\u00e3o de t\u00edtulos e exigem o pagamento dos emprestadores. Cientes da evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e dessa nova atitude do banco, o p\u00fablico, desconfiado, inicia uma corrida em massa em busca das reservas que l\u00e1 depositou. A conclus\u00e3o \u00e9 a quebra dos bancos e dos empreendimentos financiados por aqules. Em suma, o <i>boom<\/i> financeiro \u00e9 inevitavelmente acompanhado do <i>bust<\/i> (ROTHBARD, 2009, pp. 21-25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi com o prop\u00f3sito de impedir essas especulativas e corrosivas flutua\u00e7\u00f5es financeiras que Rodrigues Torres criou o Segundo Banco do Brasil, em 1853, e garantiu seu monop\u00f3lio de emiss\u00f5es. Tamb\u00e9m foi com esse prop\u00f3sito que Itaborahy e seus aliados metalistas fizeram passar a t\u00e3o discutida Lei n\u00ba 1.083, a qual restringia a emiss\u00e3o dos bancos privados num tempo em que, com a ascens\u00e3o de Souza Franco ao Minist\u00e9rio em 1857, a pluralidade havia retornado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, quatro anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da lei, o Segundo Imp\u00e9rio Brasileiro foi afligido por sua maior crise financeira, a Crise de Souto de 1864. Muito se escreveu e ainda se escreve sobre ela, com rela\u00e7\u00e3o a suas verdadeiras causas. Alguns estudiosos corroboram o argumento papelista: a Lei n\u00ba 1.083, ou <i>Lei das Entraves<\/i>, estrangulou o sistema financeiro, impedindo que fossem emitidas notas em momentos de corrida aos bancos. Outros, por\u00e9m, reiteram a posi\u00e7\u00e3o metalista: a Lei n\u00ba 1.083, ou <i>Lei da Prud\u00eancia<\/i>, mitigou os efeitos da pluralidade de emiss\u00f5es e do abuso do cr\u00e9dito, os quais teriam sido ainda mais arrasadores e mal\u00e9ficos se a lei n\u00e3o tivesse vigorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os importantes estudiosos que entraram nesse debate sobre a Crise de Souto est\u00e3o listados numa nota de rodap\u00e9 pelo prof. Gambi (2012, p. 137). Dos citados, destaca-se, em favor da tese metalista, Sebasti\u00e3o Ferreira Soares \u2013 o qual presenciou a crise intimamente \u2013 e Andr\u00e9 Arruda Vilella \u2013 autor contempor\u00e2neo que, munido da estat\u00edstica moderna, apresentou sua tese sobre o assunto na London School of Economics.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, Itaborahy canalizou parte de seu g\u00eanio e esp\u00edrito para combater a anarquia do cr\u00e9dito e das notas banc\u00e1rias. Embora n\u00e3o fosse poss\u00edvel o estabelecimento do padr\u00e3o-ouro pleno, o Visconde sabia que um incompleto sistema de lastro, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desregula\u00e7\u00e3o escancarada, era mais adequado para o crescimento sustent\u00e1vel da economia brasileira. Ele certamente n\u00e3o se contentaria com os atuais voos galin\u00e1ceos da nossa economia, sempre acompanhados da queda fatal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ministro Rodrigues Torres<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guiado por esses princ\u00edpios econ\u00f4micos, Rodrigues Torres realizou diversos atos no sentido do desenvolvimento nacional &#8211; seja como presidente de prov\u00edncia, seja como membro do Minist\u00e9rio. Vale, por ora, citar alguns deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Promulga\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Comercial de 1850;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Cria\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil, o segundo banco p\u00fablico do Imp\u00e9rio;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Cria\u00e7\u00e3o da primeira Caixa Econ\u00f4mica e do Monte de Socorro;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Primeiro recenseamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda como membro de Minist\u00e9rio, cabe destacar sua participa\u00e7\u00e3o naquele que foi um dos mais reconhecidamente bem-sucedidos de todo o Segundo Reinado: o Gabinete de 29 de setembro de 1848<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi esse o Minist\u00e9rio respons\u00e1vel por importantes conquistas: \u201cacabou com a confus\u00e3o no Prata (fim de Rosas), extinguiu o tr\u00e1fico de escravos, fez passar o C\u00f3digo Comercial at\u00e9 hoje em vigor [parcialmente], aprovou uma importante lei de terras, talvez a mais famosa de nossa Hist\u00f3ria\u201d (TORRES, 1968, p. 68). Mais ainda, foi o Minist\u00e9rio que promulgou a Lei n\u00ba 641 de 1852, a qual \u201cdefiniu as bases sobre as quais se estabeleceriam as ferrovias no Brasil; suas diretrizes gerais vigoraram at\u00e9 o final do s\u00e9culo XIX\u201d (SAES, 1996, p. 178).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior feito de Rodrigues Torres no poder executivo, todavia \u2013 e, qui\u00e7\u00e1, em toda sua carreira &#8211; foi o mandato em plena Guerra do Paraguai. Quando assumiu o Minist\u00e9rio de 1868, nada conspirava a seu favor. Os desequil\u00edbrios fiscais cresciam a n\u00edveis preocupantes: segundo as estat\u00edsticas recolhidas por Oliver \u00d3nody (1960, p. 30), o d\u00e9ficit acumulado em 1865, 1866 e 1867 cresceu, aproximada e respectivamente, 34%, 22% e 31% &#8211; cifras at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9ditas no Brasil independente. Al\u00e9m disso, como j\u00e1 aludido, o congresso impunha forte e relutante oposi\u00e7\u00e3o ao gabinete rec\u00e9m-formado, acusando-o de ileg\u00edtimo \u2013 e, deste modo, emperrando as medidas necess\u00e1rias para combater a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra esse impasse pol\u00edtico quase insol\u00favel, O Poder Moderador teve que agir: o Congresso foi dissolvido e o Gabinete de 1868 p\u00f4de ent\u00e3o efetivar seu plano para conter o desequil\u00edbrio fiscal crescente. Nesse plano, o Visconde de Itaborahy, de fato, cogitou usar todas as ferramentas poss\u00edveis: venda de ap\u00f3lices, emiss\u00e3o de bilhetes do Tesouro e emiss\u00e3o de papel-moeda (FILHO, 1986, p. 146). Como das duas primeiras fontes pouco mais se podia esperar aparentemente, Rodrigues Torres reconheceu a necessidade de se apelar \u00e0 \u00faltima medida: o Decreto n\u00ba 4.232, de 5 de agosto 1868, autorizou a emiss\u00e3o de quarenta mil contos de r\u00e9is para cobrir despesas com a guerra (idem, ibidem, p. 145). Nessa concess\u00e3o ao papel-moeda, Itaborahy n\u00e3o traiu nem refutou seus princ\u00edpios metalistas, pois, quando proclamados no Parlamento, eles sempre vinham acompanhados da seguinte ressalva: \u201cs\u00f3 em caso extremo \u00e9 toler\u00e1vel emitir-se papel-moeda al\u00e9m do restrito limite preestabelecido\u201d (apud idem, ibidem, p. 147), casos em que a dignidade e a seguran\u00e7a nacionais estivessem em risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O apelo \u00e0 emiss\u00e3o de papel-moeda, todavia, foi no final das contas apenas uma alternativa de emerg\u00eancia, caso n\u00e3o sobrasse, realmente, nenhuma fonte razo\u00e1vel de recursos pecuni\u00e1rios. Daqueles quarenta mil contos em emiss\u00e3o legalmente permitidos, Rodrigues Torres apenas emitiu 28 mil contos\u2013 sendo que 11 mil foram usados para substitui\u00e7\u00e3o de notas, n\u00e3o representando aumento no meio circulante (idem, ibidem, p. 149).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, Itaborahy logrou evitar o instrumento emissor de papel-moeda gra\u00e7as \u00e0 sua confiabilidade ante os agentes econ\u00f4micos internos e externos<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> (idem, ibidem, pp. 147-148). No lugar da emiss\u00e3o, o ministro captou recursos \u201catrav\u00e9s da subscri\u00e7\u00e3o, em escalas crescentes, de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica valorizados com cl\u00e1usula de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria\u201d (idem, ibidem, p. 150) e adquiriu empr\u00e9stimos, um de 30 mil e outro de 40 mil contos, com venda de ap\u00f3lices (idem, ibidem, pp. 147-150).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final, a atua\u00e7\u00e3o de Rodrigues Torres como Ministro da Fazenda foi, como j\u00e1 se esperava, bastante exitosa: em 1868, o d\u00e9ficit acumulado cresceu 16%, cifra inferior aos aumentos pret\u00e9ritos; em 1869, o crescimento foi de 10%, e, finalmente, em 1870, o aumento foi de apenas 0,4% (\u00d3NODY, 1960, p. 30). Tudo isso, vale relembrar, com poucos recursos oriundos da emiss\u00e3o de papel-moeda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O que o Brasil n\u00e3o tinha \u2013 e continua n\u00e3o tendo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da inabal\u00e1vel disposi\u00e7\u00e3o estadista, o Visconde n\u00e3o conseguiu, nem qualquer outro conseguiria, reformar tudo o que julgava desordenado na estrutura econ\u00f4mica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em 1847 \u2013 25 anos antes do primeiro recenseamento do Brasil, de iniciativa sua \u2013 Rodrigues Torres ressaltou a import\u00e2ncia da estat\u00edstica para os assuntos do Estado (FILHO, 1986, pp.113-114). Com efeito, quando Itaborahy compunha seus relat\u00f3rios econ\u00f4micos, aquele jovem amante da matem\u00e1tica aflorava nas tabelas transcritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem s\u00f3 de matem\u00e1tica, contudo, vivia Rodrigues Torres. Tamb\u00e9m muito lhe concernia a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o nacional. Prova disso foi que assumiu <i>voluntariamente<\/i> o cargo de Inspetor Geral da Instru\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria e Secund\u00e1ria da Corte, entre 1859 e 1860. Dentre suas reivindica\u00e7\u00f5es no quesito, destacava-se o financiamento da forma\u00e7\u00e3o docente e da consequente multiplica\u00e7\u00e3o das escolas de primeiras letras (idem, ibidem, p. 85).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, Itaborahy sugeriu<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> anos antes de S\u00e9rgio Buarque de Holanda a associa\u00e7\u00e3o que existe entre a predisposi\u00e7\u00e3o dos brasileiros a empreendimentos de esfor\u00e7o m\u00ednimo e resultado r\u00e1pido \u2013 aquilo que o autor de <i>Ra\u00edzes do Brasil<\/i> chamou de \u201ctipo aventureiro\u201d \u2013 e instabilidade pol\u00edtico-econ\u00f4mica. Com efeito, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds cujo povo persegue o sucesso \u00e0 revelia da sustentabilidade. Os corriqueiros fatos de oportunismo pol\u00edtico e despreocupa\u00e7\u00e3o com a infraestrutura seriam manifesta\u00e7\u00f5es dessa conduta social: \u201cpouco importa aos que se impacientam na busca de sucessos que a pressa seja inimiga da perfei\u00e7\u00e3o, se neles catam interesses individuais\u201d (apud idem, ibidem, p. 108).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados mais de 140 anos, o Brasil ainda enfrenta, em maior ou menor grau, os problemas acusados por Rodrigues Torres: se agora temos institui\u00e7\u00f5es especializadas em estat\u00edsticas, elas ainda n\u00e3o fornecem dados cr\u00edveis e satisfat\u00f3rios sobre o Pa\u00eds, quantitativa e qualitativamente; se agora o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 consideravelmente amplo, nossos alunos batem recordes e mais recordes de pior desempenho intelectual<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>; se agora a infla\u00e7\u00e3o parece estar controlada e o trip\u00e9 macroecon\u00f4mico razoavelmente consolidado, nossa hist\u00f3ria \u00e9 ainda uma hist\u00f3ria de galinhas que sonham voar \u2013 mas que s\u00f3 sabem cair com a cloaca no ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas e webgr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ABREU, Marcelo de Paiva e LAGO, Luiz Aranha Correa do. <i>A economia brasileira no Imp\u00e9rio, 1822-1889.<\/i> Texto para Discuss\u00e3o N\u00ba 584. Departamento de Economia, PUC-RJ. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.economia.puc-rio.br\/PDF\/td584.pdf.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FILHO, J. L. <i>Visconde de Itabora\u00ed:<\/i> A Luneta do Imp\u00e9rio. Rio de Janeiro: 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FURTADO, Celso. <i>Forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil.<\/i> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.<\/p>\n<p class=\"Default\" style=\"text-align: justify;\">GAMBI, T. F. R. Projetos Pol\u00edticos e Crises Econ\u00f4micas: An\u00e1lises do Caso do Banco do Brasil na Crise Banc\u00e1ria de 1864. <i>Veredas da Hist\u00f3ria<\/i> [online], Ano V, Edi\u00e7\u00e3o 2, p.124- 145, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______________. O debate pol\u00edtico e o pensamento econ\u00f4mico no Imp\u00e9rio brasileiro: centraliza\u00e7\u00e3o de poder e monop\u00f3lio de emiss\u00e3o no segundo Banco do Brasil (1852-1853). <i>Almanack<\/i>. Guarulhos, n.09, p.176-189, abril de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3NODY, O. <i>A Infla\u00e7\u00e3o Brasileira: <\/i>1820-1958. Rio de Janeiro: 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROTHBARD, M. <i>Economic Depressions:<\/i> Their Cause and Cure. Auburn: Ludwig von Mises Institute, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SAES, F. A. M. Estradas de Ferro e Diversifica\u00e7\u00e3o da Atividade Econ\u00f4mica na Expans\u00e3o Cafeeira de S\u00e3o Paulo, 1870-1900. In: SZMRECS\u00c1NYI, T.; LAPA, J. R. A. (Orgs.). <i>Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica da Independ\u00eancia e do Imp\u00e9rio<\/i>. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SMITH, A. <em>An\u00a0Inquiry into the Causes of the Wealth of Nations<\/em>. Oxford: Oxford University Press, 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUSA, O. T. <i>Hist\u00f3ria dos Fundadores do Imp\u00e9rio do Brasil:<\/i> Bernardo Pereira de Vasconcelos. Volume 5. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1957.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TORRES, J. C. O. <i>Os Construtores do Imp\u00e9rio:<\/i> Ideais e Lutas do Partido Conservador Brasileiro. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VERSIANI, F. R. As Longas Ra\u00edzes do Protecionismo: 1930 e as Rela\u00e7\u00f5es entre Ind\u00fastria e Governo. <i>EconomiA<\/i>, Bras\u00edlia, v.13, n.3b, p. 867\u2013895, set\/dez 2012.<\/p>\n<hr \/>\n<div><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Luzia era o apelido dos liberais.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><br \/>\n [2]<\/a> As rupturas e as imediatas renomea\u00e7\u00f5es que ocorreram no mesmo ano n\u00e3o foram especificadas.<\/div>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Especificada abaixo.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> O qual permaneceu, grosso modo &#8211; desconsiderando modifica\u00e7\u00f5es importantes &#8211; at\u00e9 1853.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u201cNos pa\u00edses estrangeiros, principalmente n Inglaterra, o nome de Rodrigues Torres era repetido com entusiasmo pelos nomes mais competentes [&#8230;] quando chegava a Londres a not\u00edcia de altera\u00e7\u00f5es ministeriais, vivia sempre uma pergunta na boca dos capitalistas: se o <i>Torres havia subido<\/i>\u201d (apud FILHO, 1986, p. 148)<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Discurso cuja parte foi transcrita em destaque no in\u00edcio (FILHO, 1986, p. 108).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.cofecon.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=3577:grandes-economistas-brasileiros-2-visconde-de-itaborahy&amp;catid=16:artigo&amp;Itemid=843#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Com efeito, \u00e9 prefer\u00edvel, para a sanidade cultural do Pa\u00eds, restringir o acesso e desenvolver poucos indiv\u00edduos verdadeiramente capazes a expandi-lo e criar uma gera\u00e7\u00e3o inteira de semianalfabetos. Aqueles poucos poder\u00e3o disseminar o conhecimento ao longo das gera\u00e7\u00f5es, enquanto que estes muitos n\u00e3o poder\u00e3o melhorar a educa\u00e7\u00e3o nem mesmo de sua descend\u00eancia, se igualmente condicionada ao sistema educacional atual.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz Alberto Machado \u00e9 Economista pela Universidade Mackenzie, mestre em Criatividade e Inova\u00e7\u00e3o pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal) e vice-diretor da Faculdade de Economia da FAAP.<br \/>\n Renato Lembe \u00e9 estudante de Economia da Faculdade de Economia da FAAP e editor do Projeto Saquarema.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desaparecimentos misteriosos H\u00e1 um mist\u00e9rio do qual a Hist\u00f3ria \u00e9 v\u00edtima, e ainda os historiadores n\u00e3o se debru\u00e7aram seriamente para resolv\u00ea-lo: por que grandes homens, desde estadistas at\u00e9 intelectuais, desaparecem da mem\u00f3ria nacional ap\u00f3s alguns anos do falecimento? \u00c9 verdade<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=629\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-629","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/629"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=629"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/629\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}