{"id":5656,"date":"2018-07-27T12:41:30","date_gmt":"2018-07-27T15:41:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=5656"},"modified":"2018-07-27T12:41:30","modified_gmt":"2018-07-27T15:41:30","slug":"5656","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=5656","title":{"rendered":"Andr\u00e9 Perfeito e D\u00e9rcio Garcia Munhoz debatem taxa de juros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">O Conselho Federal de Economia realizou na manh\u00e3 desta sexta-feira (27), por ocasi\u00e3o da sua 685\u00aa Sess\u00e3o Ple\u00e1ria, um debate sobre a taxa de juros e as condi\u00e7\u00f5es para sua redu\u00e7\u00e3o no Brasil. Foram convidados como debatedores os economistas Andr\u00e9 Perfeito, da corretora Spinelli, e D\u00e9rcio Garcia Munhoz, professor aposentado da Universidade de Bras\u00edlia e ex-presidente do Cofecon.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">\u201cVivemos uma crise pol\u00edtica muito aguda, o presidente n\u00e3o governa, o ministro da Fazenda n\u00e3o pode fazer muita coisa e o quadro fiscal se deteriora a olhos vistos\u201d, afirmou Perfeito no in\u00edcio de sua fala. Ao falar sobre a queda dos juros reais no per\u00edodo de 2005 a 2012 (de 12% para 1,4%), avaliou que a queda se deu muito mais rapidamente do que a capacidade dos gestores alterarem sua percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 uma taxa de juros livre de risco. Pontuou rapidamente a eleva\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e seu impacto na infla\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os \u2013 algo \u201cal\u00e9m do consenso\u201d, num conceito keynesiano \u2013 e comentou que havia discuss\u00f5es no Banco Central eram sobre como desacelerar a economia de tal sorte que o emprego subisse e os sal\u00e1rios se acomodassem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Andr\u00e9 mostrou um gr\u00e1fico com a curva de receita, despesa e super\u00e1vit\/d\u00e9ficit prim\u00e1rio. \u201cManter o Meirelles \u00e9 falar em corte de gastos, mas eu n\u00e3o imagino em hip\u00f3tese alguma que a linha da despesa v\u00e1 encontrar a linha da receita\u201d. Afirmou que, no curto prazo, o problema estava na queda das receitas e que qualquer ajuste fora disso era furado. \u201cA solu\u00e7\u00e3o do Temer foi o teto dos gastos, para aumentar a credibilidade, cair os juros, estimular o crescimento e a arrecada\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deu certo\u201d. Apresentou dados sobre a queda nos investimentos (com a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo na casa de 16%) e a redu\u00e7\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada para um n\u00edvel pior do que o de 2008.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">No quadro eleitoral, avaliou que o ajuste em curso n\u00e3o gerou os benef\u00edcios prometidos e que \u00e9 dif\u00edcil imaginar que o eleitor aceite um discurso de ajuste. \u201cA infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sob controle. O que est\u00e1 sob controle \u00e9 uma recess\u00e3o\u201d. Ao comparar a recess\u00e3o atual com outros, afirmou que seis anos ap\u00f3s a crise de 1929, a economia havia crescido 16% acima do ano-base; que seis anos ap\u00f3s a crise da d\u00edvida externa, a economia havia crescido 6%; e que a proje\u00e7\u00e3o, na crise atual, \u00e9 de uma queda de 2,5% em compara\u00e7\u00e3o com o ano-base. \u201cSe minhas hip\u00f3teses derem certo, um candidato de centro-esquerda ganhar\u00e1 mais for\u00e7a e os juros voltam a subir j\u00e1 na primeira reuni\u00e3o do Copom ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es\u201d. Comentou ainda que o d\u00f3lar deve subir a R$ 4 e que o ajuste econ\u00f4mico que n\u00e3o deu certo vai continuar afundando a economia brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">D\u00e9rcio Garcia Munhoz come\u00e7ou sua fala dizendo que a taxa de juros no Brasil \u00e9 odiada e amada. \u201cComo o Brasil foi transformado numa economia rentista, a pol\u00edtica econ\u00f4mica e monet\u00e1ria esteve muito centrada em garantir o rendimento do capital e o restante \u00e9 o restante. O Banco Central foi assumindo uma independ\u00eancia crescente, de modo que os Minist\u00e9rios da Fazenda e do Planejamento foram virando coadjuvantes\u201d, afirmou. Ao repassar a hist\u00f3ria do pa\u00eds, falou de Delfim Netto e M\u00e1rio Henrique Simonsen como ministros fortes no per\u00edodo militar. Abordou rapidamente os planos econ\u00f4micos fracassados no governo Sarney e constatou que o presidente havia perdido totalmente o comando da economia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">D\u00e9rcio tamb\u00e9m falou sobre a d\u00edvida p\u00fablica no per\u00edodo da hiperinfla\u00e7\u00e3o. \u201cA gente sempre achava que a d\u00eddiva p\u00fablica iria estourar, mas n\u00e3o estourava. Por qu\u00ea? Porque havia um sistema de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria em que voc\u00ea dava uma subindexa\u00e7\u00e3o em determinados momentos e isso puxava a d\u00edvida para baixo. A\u00ed eu entendi por que \u00e9 que o Collor saiu. Em mar\u00e7o e abril de 1990 houve uma infla\u00e7\u00e3o de 160% e ele deu uma corre\u00e7\u00e3o de pouco mais de 40%, uma subindexa\u00e7\u00e3o exagerada\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Ao falar sobre o Plano Real, Munhoz apontou que os sal\u00e1rios sofreram uma perda. \u201cMas todos se sentiam melhor porque agora podiam comprar a prazo com juros baixos, o que n\u00e3o acontecia antes\u201d. Mencionou a cria\u00e7\u00e3o da taxa Selic, apontando que o Banco Central foi ganhando independ\u00eancia, enfraquecendo a autoridade \u00fanica na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica. \u201cA Selic n\u00e3o \u00e9 um instrumento de pol\u00edtica monet\u00e1ria. \u00c9 um instrumento que garante uma remunera\u00e7\u00e3o adequada aos t\u00edtulos p\u00fablicos, especialmente em fun\u00e7\u00e3o do tamanho e do volume de capitais de curto prazo na economia brasileira\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Ao tratar da crise recente, afirmou que o or\u00e7amento p\u00fablico estava equilibrado at\u00e9 2013. \u201cHouve aqueles excessos em 2014 por causa da elei\u00e7\u00e3o, em 2015 foram feitos alguns acertos mas havia despesas extras, restos a pagar, e em 2016 um deficit de 160 bilh\u00f5es, com o or\u00e7amento usado para fins pol\u00edticos\u201d. Em 2013 iniciou-se um ciclo de eleva\u00e7\u00e3o nos juros. \u201cO que havia que justificasse isso? A bolsa em baixa. Os comunicados do Copom n\u00e3o diziam rigorosamente nada. Depois passaram a falar do reflexo inflacion\u00e1rio. Mas subiam os pre\u00e7os livres? N\u00e3o! Subiam os pre\u00e7os monitorados, que foram controlados durante muito tempo. Era a mesma inten\u00e7\u00e3o de aumentar a Selic para conter a fuga de capitais\u201d. Como consequ\u00eancia, o desemprego subiu, de 7 para 14 milh\u00f5es de pessoas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Ao falar sobre as complexidades do cen\u00e1rio atual, D\u00e9rcio apontou que n\u00e3o adianta falar em redu\u00e7\u00e3o de juros. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 falar que vamos reduzir juros. Os juros est\u00e3o baixos e temos a maior crise econ\u00f4mica do mundo. A complexidade \u00e9 muito maior. Alguma coisa tem que ser feita, e n\u00e3o \u00e9 mexer nos juros, porque se a bolsa der uma balan\u00e7ada para baixo os juros v\u00e3o ter que subir. Fora disso, acho que temos que tomar medidas emergenciais para recompor uma parte da renda das fam\u00edlias\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: verdana, geneva, sans-serif; font-size: 12px;\">Ap\u00f3s as falas dos dois debatedores, ambos responderam \u00e0s perguntas feitas pelos conselheiros presentes \u00e0 sess\u00e3o plen\u00e1ria. O debate foi transmitido ao vivo pelo facebook e pode ser assistido na p\u00e1gina do Cofecon na rede social: https:\/\/www.facebook.com\/cofeconeconomia\/.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho Federal de Economia realizou na manh\u00e3 desta sexta-feira (27), por ocasi\u00e3o da sua 685\u00aa Sess\u00e3o Ple\u00e1ria, um debate sobre a taxa de juros e as condi\u00e7\u00f5es para sua redu\u00e7\u00e3o no Brasil. 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