{"id":4824,"date":"2018-05-03T16:52:21","date_gmt":"2018-05-03T19:52:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=4824"},"modified":"2018-05-03T16:52:21","modified_gmt":"2018-05-03T19:52:21","slug":"artigo-84-dos-novos-extremamente-pobres-brasileiros-encontram-se-nas-regioes-nordeste-e-norte-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=4824","title":{"rendered":"Artigo &#8211; 84% dos novos extremamente pobres brasileiros encontram-se nas Regi\u00f5es Nordeste e Norte do Brasil"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\">O Jornal Valor Econ\u00f4mico publicou mat\u00e9ria nesta quarta-feira, 02\/05, na qual estima-se que entre 2016 e 2017 o n\u00famero de Extremamente Pobres no Estado do Maranh\u00e3o teria se elevado em cerca de 100 mil pessoas, sendo que dentre estas, cerca de 47,4 mil se concentram na regi\u00e3o metropolitana da Grande S\u00e3o Lu\u00eds. Ambos as estimativas podem estar pr\u00f3ximas da verdade, sendo que o fen\u00f4meno da r\u00e1pida eleva\u00e7\u00e3o do contingente de Extremamente Pobres no bi\u00eanio 2016-17 (ou seja, aqueles que vivem com menos do que o equivalente a R$ 1,90 d\u00f3lar por dia, ou R$ 5,89, \u00e0 taxa de c\u00e2mbio m\u00e9dio de 2017), assumiu um car\u00e1ter marcadamente regional, ocorrendo na maior parte dos Estados das regi\u00f5es Norte e Nordeste. Na verdade, trata-se de mais uma faceta da dram\u00e1tica amplia\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais brasileiras, que vem sendo observada na esteira da tempestade recessiva brasileira, ocorrida entre 2014 e 2016. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\">Estimamos, com base nos trabalhos da Pnad Continua (IBGE) e da LCA consultores, que no bi\u00eanio 2016\/2017 houve um aumento de 2,1 milh\u00f5es de pessoas no contingente de extremamente pobres no Brasil. Na Tabela abaixo pode-se ver a distribui\u00e7\u00e3o regional dos 2,1 milh\u00f5es de novos Extremamente Pobres surgidos no Brasil entre 2015 e 2017: 1,51 milh\u00e3o (72%) surgiram na Regi\u00e3o Nordeste, enquanto que cerca de 230 mil (10,9%) surgiram na Regi\u00e3o Norte.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4825 size-full aligncenter\" src=\"http:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tabela-FH.png\" alt=\"\" width=\"494\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tabela-FH.png 494w, https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Tabela-FH-300x159.png 300w\" sizes=\"(max-width: 494px) 100vw, 494px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\">H\u00e1 tr\u00eas ordens de fatores que explicam o porqu\u00ea de 83% dos novos Extremamente Pobres terem surgido nas Regi\u00f5es Norte e Nordeste, que concentram n\u00e3o mais que 36% da popula\u00e7\u00e3o brasileira: <\/span><\/p>\n<ol>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Crise fiscal-financeira do Governo Federal<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">, como reflexo dos impactos da recess\u00e3o sobre as finan\u00e7as p\u00fablicas, com expressiva redu\u00e7\u00e3o das transfer\u00eancias federais obrigat\u00f3rias, levando a redu\u00e7\u00f5es absolutas na receitas totais (em contexto de elevada depend\u00eancia fiscal). \u00c9 importante lembrar que houve no per\u00edodo uma forte contrata\u00e7\u00e3o dos desembolsos do BNDES (-70% de queda no bi\u00eanio, em compara\u00e7\u00e3o ao bi\u00eanio 2009-10) e queda de 50% no volume de investimentos federais (mesma base de compara\u00e7\u00e3o). N\u00e3o resta d\u00favida que o colapso do gasto federal em suas m\u00faltiplas vertentes afetou mais que proporcionalmente os Estados das Regi\u00f5es Norte e Nordeste. Alguns Estados da Regi\u00e3o, com destaque para o Maranh\u00e3o, conseguir compensar, ainda que parcialmente, a redu\u00e7\u00e3o de quase R$ 2,0 bilh\u00f5es nas transfer\u00eancias federais constitucionais ao longo do per\u00edodo 2015-2018. No caso da ampla maioria dos munic\u00edpios, entretanto, a capacidade de realizar pol\u00edticas compensat\u00f3rias aos tamb\u00e9m cerca de R$ 2,0 em perdas de transfer\u00eancias (apenas no Estado do Maranh\u00e3o) \u00e9 muito reduzida;<\/span><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Queda no pre\u00e7o das <\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i><b>commodities<\/b><\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\"><b> minerais e agr\u00edcolas<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">, gerando desemprego e capacidade ociosa na Ind\u00fastria regional, a exemplo da interrup\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio e de pelotas de ferro, na Ilha do Maranh\u00e3o; <\/span><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Efeitos desestruturantes da forte seca que atingiu o Estado (e amplas por\u00e7\u00f5es da Regi\u00e3o Nordeste), em 2015\/2016<\/b><\/span><span style=\"font-size: medium;\">, e que levou \u00e0 desocupa\u00e7\u00e3o cerca de 180 mil pequenos produtores rurais, classificados como &#8220;Conta Pr\u00f3prias&#8221;, muito dos quais ainda n\u00e3o retornaram \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de ocupados. <\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando se decomp\u00f5e espacialmente o novo contingente de Extremamente Pobres revelados no Brasil desde 2016, v\u00ea-se que nas Regi\u00f5es Nordeste e Norte, respons\u00e1veis por 84% do contingente, a pobreza extrema surge principalmente no meio rural, enquanto que nas regi\u00f5es Sudeste e Sul, respons\u00e1veis por 13% dos novos extremamente pobres, a incid\u00eancia ocorre sobretudo nas regi\u00f5es metropolitanas. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\">No caso da Regi\u00e3o Metropolitana da Grande S\u00e3o Lu\u00eds, entretanto, \u00e9 importante observar que foram concentrados muitos dos efeitos recessivos trazidos pela brutal contra\u00e7\u00e3o na concess\u00e3o de empr\u00e9stimos imobili\u00e1rios, superior a R$ 700 Milh\u00f5es (se comparados o ano de 2014 e o de 2017). Dentre as cerca de 33 mil demiss\u00f5es l\u00edquidas de emprego formal, registradas no Estado do Maranh\u00e3o, entre 2015 e 2016, 17,4 mil ocorreram no Subsetor de Constru\u00e7\u00e3o Civil (com destaque para a atividade <\/span><span style=\"font-size: medium;\"><i>Constru\u00e7\u00e3o de Edif\u00edcios<\/i><\/span><span style=\"font-size: medium;\">), enquanto que n\u00e3o menos que 18,5 mil demiss\u00f5es l\u00edquidas ocorreram na Regi\u00e3o Metropolitana, no bi\u00eanio 2015-2016. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\">O Governo Fl\u00e1vio Dino desenvolveu um conjunto de pol\u00edticas, programas e a\u00e7\u00f5es com impactos estruturantes na redu\u00e7\u00e3o da pobreza rural e urbana, tendo tamb\u00e9m adotado medidas de natureza contra-c\u00edclica, principalmente na Regi\u00e3o Metropolitana da Grande S\u00e3o Lu\u00eds. Entre os programas estruturantes inclui-se o Plano de A\u00e7\u00f5es Mais IDH, que conjugou uma s\u00e9rie de investimentos na reforma de constru\u00e7\u00e3o de escolas, sa\u00fade, \u00e1gua e saneamento, moradia rural, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es de incentivpo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agroalimentar, como estrat\u00e9gia de inclus\u00e3o socioprodutiva. Pode-se destacar tamb\u00e9m, como medidas de impacto estruturante na redu\u00e7\u00e3o da pobreza rural e urbana, a constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de 7 hospitais macrorregionais, al\u00e9m de 750 mil consultas de natureza preventiva, na constru\u00e7\u00e3o e reforma e asfaltamento de mais de 2 mil Km de estradas, na amplia\u00e7\u00e3o da oferta de \u00e1gua e saneamento, na realiza\u00e7\u00e3o de concursos para policiais, m\u00e9dicos e professores, al\u00e9m de progress\u00e3o salarial para v\u00e1rias categorias funcionais do Estado, a exemplo dos professores e t\u00e9cnicos do Planejamento Estadual. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-size: medium;\">Entre as pol\u00edticas e programas contra-c\u00edclicos lan\u00e7adas pelo Governador Fl\u00e1vio Dino, para sustentar o emprego na Regi\u00e3o Metropolitana da Grande S\u00e3o Lu\u00eds (al\u00e9m de outros munic\u00edpios do Estado), pode-se citar programas como o Mutir\u00e3o Rua Digna, o Cheque Moradia e o Programa Mais Empregos, os quais implicaram na mobiliza\u00e7\u00e3o de cerca de R$ 80 milh\u00f5es, principalmente na gera\u00e7\u00e3o de oportunidades de emprego e renda no subsetor da constru\u00e7\u00e3o civil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><strong>Felipe de Holanda, conselheiro federal do Conselho Federal de Economia e p<\/strong><strong>residente do Instituto Maranhense de Estudos Socioecon\u00f4micos e Cartogr\u00e1ficos &#8211; IMESC<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><strong>Artigo publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o de 03\/05\/2018 do Jornal Pequeno, de S\u00e3o Lu\u00eds-MA.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Jornal Valor Econ\u00f4mico publicou mat\u00e9ria nesta quarta-feira, 02\/05, na qual estima-se que entre 2016 e 2017 o n\u00famero de Extremamente Pobres no Estado do Maranh\u00e3o teria se elevado em cerca de 100 mil pessoas, sendo que dentre estas, cerca<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=4824\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4826,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-4824","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4824"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4824"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4824\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}