{"id":4269,"date":"2018-03-26T14:25:48","date_gmt":"2018-03-26T17:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=4269"},"modified":"2018-03-26T14:25:48","modified_gmt":"2018-03-26T17:25:48","slug":"artigo-a-expansao-chinesa-e-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=4269","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A expans\u00e3o chinesa e o Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A extraordin\u00e1ria expans\u00e3o internacional chinesa representa desafios e oportunidades para as economias nacionais. Do alto de suas reservas cambiais atualmente de US$ 3,1 trilh\u00f5es, a China vem conduzindo sua internacionaliza\u00e7\u00e3o. Os chineses vem realizando investimentos e adquirindo ativos mundo afora, especialmente na \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina, com o objetivo principal de suprir sua insufici\u00eancia, h\u00eddrica, aliment\u00edcia e energ\u00e9tica, al\u00e9m de abrir mercados para suas empresas. Somente em 2017, a China investiu US$ 120 bilh\u00f5es externamente, dos quais US$ 20 bilh\u00f5es no Brasil, nos mais diferentes segmentos, desde infraestrutura, at\u00e9 com\u00e9rcio e servi\u00e7os. Somos o segundo maior destino dos investimentos chineses, somente superado pelos EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n O debate sobre os impactos dos investimentos estrangeiros nas economias hospedeiras \u00e9 amplo na literatura internacional. O primeiro aspecto a ser destacado \u00e9 que os benef\u00edcios dos investimentos externos n\u00e3o s\u00e3o autom\u00e1ticos. Dependem das politicas econ\u00f4micas e da regula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses receptores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n Um segundo aspecto importante \u00e9 que em nenhuma experi\u00eancia conhecida, mesmo nos pa\u00edses maiores receptores de investimentos estrangeiros ele se torna predominante. Raramente atingem mais de 15% da forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo, o total de investimentos, em infraestrutura, amplia\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva das empresas, constru\u00e7\u00e3o civil e m\u00e1quinas e equipamentos. Assim, \u00e9 crucial destacar que o papel din\u00e2mico dos investimentos, base para a sustenta\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico da imensa maioria dos pa\u00edses, \u00e9 exercido pelo investimento local, que responde, em m\u00e9dia, por cerca de 85% do total realizado. Apesar da chamada globaliza\u00e7\u00e3o, no quesito investimento a parcela predominante \u00e9 dom\u00e9stica !<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n H\u00e1 outros aspectos relevantes envolvendo a quest\u00e3o dos investimentos diretos estrangeiros e o desenvolvimento dos pa\u00edses. H\u00e1 externalidades relevantes, impactando o padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio exterior e tecnologia dos pa\u00edses. Observa-se ainda uma interconex\u00e3o crescente entre investimento, exporta\u00e7\u00f5es e inova\u00e7\u00f5es na economia mundial. A integra\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes cadeias produtivas globais, imprescind\u00edvel para uma inser\u00e7\u00e3o externa ativa dos paises em desenvolvimento, se d\u00e1, em grande medida, pelo papel desempenhado pelas filiais das grandes empresas globais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n Dai a import\u00e2ncia, considerando os aspectos apontados, da estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o externa brasileira, especialmente considerando o recente protagonismo dos investimentos chineses, com destaque para os seguintes pontos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n &#8211; A sustentabilidade intertemporal do balan\u00e7o de pagamentos. Dado o compromisso de remunera\u00e7\u00e3o futura dos s\u00f3cios estrangeiros, em d\u00f3lares, via transfer\u00eancias de lucros e dividendos, \u00e9 necess\u00e1rio gerar receitas na mesma moeda. O problema \u00e9 que h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia dos investimentos em setores voltados para o mercado dom\u00e9stico e que, portanto, n\u00e3o geram receitas em d\u00f3lares;<br \/>\n &#8211; Desnacionalizar a gest\u00e3o e controle de empresas locais significa mudar o seu centro de decis\u00e3o para o exterior, o que diminui o grau de influ\u00eancia local. Isso \u00e9 cr\u00edtico, especialmente quando se trata de setores estrat\u00e9gicos para o desenvolvimento local. Da\u00ed a relev\u00e2ncia de fortalecer a regula\u00e7\u00e3o, controle, fiscaliza\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o destas atividades, sob o risco de se criar restri\u00e7\u00f5es ao desempenho de toda a economia;<br \/>\n &#8211; Tamb\u00e9m se torna fundamental estabelecer um projeto de desenvolvimento que explicite o papel desejado dos investimentos; que setores e necessidades devam ser priorizados e quais as politicas para atra\u00ed-los, mant\u00ea-los e gerar um m\u00ednimo de compromisso com os objetivos locais;<br \/>\n &#8211; Estimular atividades que, para al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de commodities promovam uma maior agrega\u00e7\u00e3o de valor, de forma a viabilizar gera\u00e7\u00e3o de renda, tributos, empregos e tecnologia.<\/p>\n<p><strong>Antonio Corr\u00eaa de Lacerda<\/strong> &#8211; professor-doutor e diretor da FEA-PUCSP, conselheiro e ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), \u00e9 coautor, entre outros livros, de \u201cEconomia Brasileira\u201d (Saraiva). Site www.aclacerda.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto publicado em O Estado de S. Paulo, 13\/03\/2018. Link: http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,a-expansao-chinesa-e-o-brasil,70002224539<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A extraordin\u00e1ria expans\u00e3o internacional chinesa representa desafios e oportunidades para as economias nacionais. Do alto de suas reservas cambiais atualmente de US$ 3,1 trilh\u00f5es, a China vem conduzindo sua internacionaliza\u00e7\u00e3o. Os chineses vem realizando investimentos e adquirindo ativos mundo afora,<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=4269\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4270,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-4269","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4269"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4269"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4269\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}