{"id":3308,"date":"2017-11-20T14:13:41","date_gmt":"2017-11-20T16:13:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=3308"},"modified":"2017-11-20T14:13:41","modified_gmt":"2017-11-20T16:13:41","slug":"artigo-a-persistente-desigualdade-racial-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=3308","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A persistente desigualdade racial do Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por volta do s\u00e9culo VII, quando mercadores isl\u00e2micos no deserto do Saara compravam m\u00e3o de obra africana no sul do continente, iniciou uma onda de intoler\u00e2ncia contra os negros no mundo.<span id=\"more-4454\"><\/span> No Brasil, a hist\u00f3ria do negro come\u00e7ou em torno de 1530, quando os primeiros navios trouxeram africanos para a terra rec\u00e9m-descoberta. Pesquisas apontam que entre 3,5 e 5,5 milh\u00f5es de negros foram trazidos de Gana, Angola, Mo\u00e7ambique e outros, em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas sendo vendidos e tratados como animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da \u201cP\u00e1tria M\u00e3e-Gentil\u201d mostra que aqueles povos foram exclu\u00eddos, torturados e, boa parte, mortos. Mais de 100 anos ap\u00f3s da Lei \u00c1urea, ruas, escolas, empresas e demais organiza\u00e7\u00f5es mostram que a desigualdade racial no Brasil est\u00e1 cada vez mais explicita e ainda h\u00e1 um longo caminho a ser percorrido para reverter essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es da Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pelo DIEESE, as a\u00e7\u00f5es governamentais executadas ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas n\u00e3o foram suficientes para promover a equidade de valora\u00e7\u00e3o do trabalho exercido pelos negros em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00e3o-negros. Enquanto a taxa de desemprego entre a popula\u00e7\u00e3o negra alcan\u00e7ou 14,9%, em S\u00e3o Paulo, em 2015, entre o grupo de n\u00e3o-negros ficou em 12%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o ao rendimento m\u00e9dio por hora trabalhada, h\u00e1 uma real dist\u00e2ncia entre os dois grupos. Em todas as regi\u00f5es pesquisadas a popula\u00e7\u00e3o negra aufere os menores rendimentos relativos do que o grupo de n\u00e3o-negros. Em S\u00e3o Paulo houve um aumento dessa dist\u00e2ncia, enquanto aqueles receberam, em junho de 2016, R$ 9,39 por hora trabalhada, esses ganharam R$ 13,88. Diferen\u00e7a de 32,3%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em quase todas as regi\u00f5es, exceto Salvador, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o perde import\u00e2ncia na estrutura ocupacional de negros e n\u00e3o-negros, enquanto os servi\u00e7os aumentam a sua participa\u00e7\u00e3o. Mas vale lembrar que a maior propor\u00e7\u00e3o de homens negros est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o civil e de mulheres negras nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dessa extrema disparidade, torna-se imperativo, por parte dos \u00f3rg\u00e3os governamentais, iniciar um grande debate sobre a quest\u00e3o racial no Pa\u00eds e propor pol\u00edticas para combater o problema. Um dos instrumentos utilizados para amenizar essa desigualdade foi a cria\u00e7\u00e3o das cotas em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino. Uma pol\u00edtica afirmativa amparada na legisla\u00e7\u00e3o em vigor, mas alguns cr\u00edticos afirmavam que o modelo rebaixaria o n\u00edvel educacional e degradaria as universidades p\u00fablicas. Tamb\u00e9m previam que os cotistas jamais acompanhariam o ritmo dos colegas \u201cmais iluminados\u201d e isso resultaria na desist\u00eancia dos beneficiados pelos programas de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, uma pesquisa realizada na Unicamp demonstrou que, em 33 dos 64 cursos analisados, os alunos que ingressaram na universidade por meio de um sistema semelhante ao de cotas tiveram desempenho melhor do que os n\u00e3o beneficiados. No curso de Engenharia da Computa\u00e7\u00e3o, os estudantes cotistas tiraram, no 3\u00ba semestre, m\u00e9dia de 6,8, contra 6,1 dos demais. Em F\u00edsica, o primeiro grupo cravou 5,4 pontos, mais dos que os 4,1 dos outros (diferen\u00e7a de 32%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, que possamos nos mobilizar e lutar, dentro dos princ\u00edpios democr\u00e1ticos e da legalidade, para que as futuras gera\u00e7\u00f5es de negros vivam num pa\u00eds mais igualit\u00e1rio e com muitas oportunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ricardo Paix\u00e3o &#8211; Conselheiro do Conselho Regional de Economia do ES (Corecon-ES)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por volta do s\u00e9culo VII, quando mercadores isl\u00e2micos no deserto do Saara compravam m\u00e3o de obra africana no sul do continente, iniciou uma onda de intoler\u00e2ncia contra os negros no mundo. 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