{"id":3059,"date":"2017-10-18T13:43:08","date_gmt":"2017-10-18T15:43:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=3059"},"modified":"2017-10-18T13:43:08","modified_gmt":"2017-10-18T15:43:08","slug":"artigo-por-que-o-pib-brasileiro-cresce-a-taxa-tao-baixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=3059","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Por que o PIB brasileiro cresce a taxa t\u00e3o baixa?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">(1) A intermedia\u00e7\u00e3o de capital, a dupla demanda e as escolhas temporais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta de 2005, li um artigo do finado Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes, na Folha de S\u00e3o Paulo, alertando sobre o baixo crescimento da economia brasileira. O artigo tomava como base uma taxa de crescimento hist\u00f3rica de 2,7% ao ano. Hoje a indaga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 brasileira, mas chama a aten\u00e7\u00e3o de organismos internacionais como a CEPAL e o FMI. Para 2017 e 2018, o FMI prev\u00ea taxas de crescimento de 0,7% e 1,5%. Apesar da melhora na previs\u00e3o de 0,3% para 0,7% em 2017, \u201co crescimento brasileiro continua menor do que a m\u00e9dia global e dos pa\u00edses emergentes\u201d. O Brasil n\u00e3o conseguir\u00e1 crescer mais do que 2% at\u00e9 2022, segundo o Correio Braziliense, em 11.10.2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um trabalho rec\u00e9m-publicado nos EUA pelo economista Danny Yagan, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley, constatou quatro fatos interessantes: 1) A economia americana saiu da grande recess\u00e3o (2008-2009); 2) A taxa de desemprego saiu de 10% em 2009 e est\u00e1 abaixo de 5%, e os sal\u00e1rios come\u00e7am a subir; 3) Em agosto\/2017, 78,4% dos americanos que est\u00e3o no auge do seu per\u00edodo de trabalho (normalmente definido entre 25 a 54 anos) estavam empregados &#8211; o n\u00famero representa uma queda de 1,3% em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio da recess\u00e3o. Essa diferen\u00e7a representa o desaparecimento de 1,5 milh\u00e3o de trabalhadores da economia americana; 4) O crescimento m\u00e9dio da economia dos EUA desde o fim da recess\u00e3o tem sido de 2,2%, metade do obtido no per\u00edodo seguinte \u00e0 crise do come\u00e7o dos anos 1980 (Folha de S\u00e3o Paulo, 9.10.2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja a correla\u00e7\u00e3o do crescimento do PIB com o crescimento do emprego e do sal\u00e1rio e do crescimento cadenciado do PIB americano para 2,2% ao ano em m\u00e9dia ap\u00f3s a recess\u00e3o de 2008\/ 2009. Isso \u00e9 uma pista para se esclarecer o crescimento baixo do PIB brasileiro? \u00c9 certo que h\u00e1 regras novas operando na economia brasileira para tentar se explicar seu baixo crescimento de hoje em rela\u00e7\u00e3o aos anos 1980 e se sup\u00f5e que alguns delas sejam de car\u00e1ter nacional e local e outras de aplica\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intermedia\u00e7\u00e3o de capital talvez seja uma regra nova de cunho internacional. Conv\u00e9m n\u00e3o confundir intermedia\u00e7\u00e3o de capital com a demanda intermedi\u00e1ria de capital. Esta continua existindo, mas sob o efeito e influ\u00eancia da intermedia\u00e7\u00e3o do capital que funciona aos mesmos moldes da intermedia\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma demanda potencial por demanda de capital (DpM) e passou a existir com muita for\u00e7a em determinado per\u00edodo da hist\u00f3ria recente a demanda para a Intermedia\u00e7\u00e3o de Capital &#8211; para m\u00e1quinas e equipamentos (DIM), que se confronta com uma certa oferta &#8211; a oferta de m\u00e1quinas e equipamentos (OM). Ent\u00e3o DpM menos DIM \u00e9 igual a OM. Da\u00ed resulta um efeito novo para o crescimento do PIB: a demanda potencial (DpM) cresce mas a oferta OM fica em estado estacion\u00e1rio. Se a oferta de bens de capital n\u00e3o cresce, o crescimento do PIB torna-se influenciado apenas por uma parte da demanda efetiva Keynesina, o consumo das fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato a participa\u00e7\u00e3o da Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo no PIB brasileiro de 2016 (16,4%) \u00e9 inferior que o registrado em 2007 (17,8%) (Correio Braziliense, 15.10.2017). Se prosseguirmos nas evid\u00eancias emp\u00edricas veremos que esse indicador ser\u00e1 mais rico quanto mais nos aproximarmos dos anos 1980. Teoricamente podemos recorrer a um exemplo. Suponha que a DpM seja 500.000 e que a DIM seja de 50.000. Logo, a oferta OM ser\u00e1 de 450.000 m\u00e1quinas e equipamentos. Suponha que a DpM tenha crescido 3% no ano seguinte, o que seria um dado robusto para explicar o crescimento do PIB. Mas oferta OM, n\u00e3o cresceu nada. Isto \u00e9, a participa\u00e7\u00e3o da Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo no PIB n\u00e3o aumentou. Ao contr\u00e1rio, caiu. Para que esse efeito negativo no PIB se confirme basta que a Intermedia\u00e7\u00e3o de Capital cres\u00e7a 30%, isto \u00e9, passe de 50.000 para 65.000. A oferta de m\u00e1quinas e equipamentos continuou a mesma do per\u00edodo anterior, 450.000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, medir, o crescimento da demanda de m\u00e1quinas e equipamentos pela Intermedia\u00e7\u00e3o de Capital n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim. H\u00e1 que se levar em conta o n\u00famero de vezes (N1) que uma certa M\u00e1quina ou Equipamento (M1) \u00e9 demandada efetivamente em um determinado per\u00edodo de tempo: N1XM1+N2.M2+N3.M3&#8230; De modo que se sup\u00f5e que tr\u00eas for\u00e7as mant\u00eam de p\u00e9 a oferta de bens de capital no Brasil; 1) A demanda intermedi\u00e1ria de bens de capital remanescente; 2) A demanda externa de bens de capital; 3) A demanda agr\u00edcola por m\u00e1quinas de equipamentos. As demandas 1 e 2 n\u00e3o se tem dados dispon\u00edveis no momento. A demanda 3, a agr\u00edcola, tem um fator determinante para que isso ocorra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um diferencial proporcionado pelas escolhas temporais que os agricultores fazem que impede a assun\u00e7\u00e3o da intermedia\u00e7\u00e3o do capital no campo. Quando os agricultores v\u00e3o para a atividade no campo na fase de semeadura e de colheita, o fazem simultaneamente. Todos escolhem fazer as atividades ao mesmo tempo. A isso chama-se de Escolha Temporal Homog\u00eanea (ETHo). Se devem as fases das esta\u00e7\u00f5es do ano. E isso torna improv\u00e1vel o empr\u00e9stimo, aluguel ou a loca\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, o que obriga os agricultores individualmente a serem propriet\u00e1rios de cada m\u00e1quina e equipamento empregado na fase de semeadura de da colheita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contrapartida, no centros urbanos \u00e9 comum a conviv\u00eancia das escolhas temporais homog\u00eaneas e heterog\u00eaneas. Isto \u00e9: as escolhas s\u00e3o efetuadas em tempos aleat\u00f3rios. O que explica a perfeita coexist\u00eancia da Intermedia\u00e7\u00e3o de capital com os centros urbanos principalmente os mais desenvolvidos. Mas h\u00e1 outras regras operando na economia brasileira que explica o baixo crescimento do PIB, que em outra oportunidade voltarei ao assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carlos Magno &#8211; Economista e Escritor.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1) A intermedia\u00e7\u00e3o de capital, a dupla demanda e as escolhas temporais. Por volta de 2005, li um artigo do finado Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes, na Folha de S\u00e3o Paulo, alertando sobre o baixo crescimento da economia brasileira. O artigo<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=3059\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3060,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-3059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3059"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3059\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}