{"id":3022,"date":"2017-10-10T10:27:47","date_gmt":"2017-10-10T13:27:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cofecon.org.br\/?p=3022"},"modified":"2017-10-10T10:27:47","modified_gmt":"2017-10-10T13:27:47","slug":"artigo-e-impossivel-haver-justica-no-brasil-sem-que-haja-reducao-da-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=3022","title":{"rendered":"Artigo &#8211; \u00c9 imposs\u00edvel haver justi\u00e7a no Brasil sem que haja redu\u00e7\u00e3o da desigualdade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil de hoje \u00e9 muito diferente daquele de duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s, desde l\u00e1 houve uma forte e saud\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o da pobreza. Pode-se dizer que, na nossa hist\u00f3ria recente, passamos por tr\u00eas grandes ciclos de queda no n\u00famero de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o de pobreza: o primeiro ocorreu com a transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\/Plano Cruzado; o segundo, com a estabilidade econ\u00f4mica P\u00f3s Plano Real de FHC e o terceiro, com as Pol\u00edticas Inclusivas de Lula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surge uma pol\u00eamica se houve ou n\u00e3o redu\u00e7\u00e3o da desigualdade concomitantemente com a redu\u00e7\u00e3o da pobreza no Brasil. Os dados do IBGE mostram que sim no Brasil P\u00f3s Real, a parcela da renda apropriada pelos 10% mais ricos havia passado de 46% para 41%, a dos 50% mais pobres crescera de 14% para 18% e a da classe m\u00e9dia de 40% para 41%. O Estrato dos 1% brasileiros mais ricos possui 28% da renda nacional, em compara\u00e7\u00e3o com 20% nos EUA e 11% na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A redu\u00e7\u00e3o da pobreza simultaneamente com a da desigualdade era atribu\u00edda principalmente a estabilidade, a eleva\u00e7\u00e3o real do sal\u00e1rio m\u00ednimo com FHC, Lula e Dilma, e ao aumento da escolaridade da for\u00e7a de trabalho. Por\u00e9m, essa redu\u00e7\u00e3o da desigualdade, que j\u00e1 era questionada anteriormente, com a libera\u00e7\u00e3o de uma base de dados da Receita Federal e mais recentemente com a divulga\u00e7\u00e3o de pesquisa da Escola de Economia de Paris, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Thomas Piketty, autor de \u201cO Capital do S\u00e9culo XXI\u201d, recebeu um grande refor\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses dados mostram que a desigualdade no Brasil \u00e9 muito maior do que se imaginava, com gigantesca concentra\u00e7\u00e3o de renda no topo da pir\u00e2mide social. Os 10% mais ricos possuem 55% da renda nacional, enquanto os 50% mais pobres apenas 12%, e a classe m\u00e9dia 32%. A renda aumentou nos dois extremos da sociedade. \u00a0Houve redu\u00e7\u00e3o na desigualdade no mercado de trabalho, por\u00e9m ela foi compensada com um crescimento mais que proporcional no ganho de capital dos ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 salutar que o combate \u00e0 pobreza, principalmente \u00e0 pobreza extrema, seja uma das prioridades das pol\u00edticas p\u00fablicas, mas s\u00f3 teremos um pa\u00eds justo com a redu\u00e7\u00e3o do abismo das desigualdades hoje existentes e n\u00e3o tem como fazer isso sem tratar da concentra\u00e7\u00e3o de renda no topo da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lauro Chaves Neto<\/strong> \u2013 Presidente do Conselho Regional de Economia, Consultor, Professor da UECE e Doutor em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil de hoje \u00e9 muito diferente daquele de duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas atr\u00e1s, desde l\u00e1 houve uma forte e saud\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o da pobreza. 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