{"id":28626,"date":"2026-09-28T14:19:42","date_gmt":"2026-09-28T17:19:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28626"},"modified":"2026-09-28T17:46:56","modified_gmt":"2026-09-28T20:46:56","slug":"usos-de-evidencias-por-economistas-no-brasil-relato-de-uma-pesquisa-em-andamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28626","title":{"rendered":"Usos de evid\u00eancias por economistas no Brasil: relato de uma pesquisa em andamento"},"content":{"rendered":"\n<p><em>*Por Maur\u00edcio Mota Saboya Pinheiro <sup><sub>1<\/sub> <\/sup><br>Corecon-DF n\u00ba 5261<br>Joscimar Souza Silva <sup>2 <\/sup><\/em><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p>O Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), por meio de sua Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas do Estado, das Institui\u00e7\u00f5es e da Democracia (Diest), conduzir\u00e1 a pesquisa <em>online<\/em> intitulada \u201cUsos de evid\u00eancias por economistas no Brasil\u201d. Esta busca entender, entre outras coisas, os papeis desempenhados por certos fatores (detalhados na se\u00e7\u00e3o 3) nas decis\u00f5es de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas no Brasil contempor\u00e2neo. A pesquisa ter\u00e1 como p\u00fablico-alvo uma amostra de economistas, que trabalham n\u00e3o apenas como analistas e\/ou autoridades de pol\u00edtica (<em>policymakers<\/em>), mas que atuam profissionalmente em diversas \u00e1reas, nos setores p\u00fablico e privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o presente artigo tem por objetivo apresentar e justificar a metodologia do question\u00e1rio (<em>survey<\/em>) que ser\u00e1 usado na coleta dos dados da referida pesquisa. Por meio desse instrumento, intentamos construir um quadro de informa\u00e7\u00f5es sistematizado, que aporte conhecimentos sobre os modos como economistas usam evid\u00eancias no Brasil, embora nos interessem, de modo especial, os economistas que tomam decis\u00f5es de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de viabilizar o trabalho de campo, o IPEA e o Conselho Federal de Economia (Cofecon), com o apoio t\u00e9cnico do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), preparam um Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica (ACT). Esse instrumento, al\u00e9m de conferir forte chancela institucional, que assegure confian\u00e7a e ades\u00e3o aos participantes da pesquisa, garante que o levantamento de dados respeite estritamente a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o da Dados (LGPD) (Lei n\u00ba 13.709\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Este trabalho estrutura-se como segue. Na segunda se\u00e7\u00e3o, apresentamos alguns fundamentos te\u00f3ricos do uso de evid\u00eancias em pol\u00edticas macroecon\u00f4micas. Na se\u00e7\u00e3o 3, apresentamos a estrutura do question\u00e1rio, com \u00eanfase nos blocos tem\u00e1ticos de vari\u00e1veis cujos valores pretendemos levantar junto a economistas registrados no Sistema Cofecon. Na quarta se\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 exposta a estrat\u00e9gia de campo, incluindo aspectos como: fonte dos contatos, procedimentos de abordagem ao p\u00fablico-alvo e a \u00e9tica da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">2. Fundamentos te\u00f3ricos: fatores que afetam o uso de evid\u00eancias em pol\u00edticas macroecon\u00f4micas<\/h1>\n\n\n\n<p>H\u00e1 diferentes padr\u00f5es, normas e \u201cculturas\u201d de usos de evid\u00eancias para orientar decis\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es nos diversos setores de pol\u00edticas p\u00fablicas (Koga, Palotti &amp; Mello, 2022). N\u00e3o obstante, as pol\u00edticas macroecon\u00f4micas ainda t\u00eam sido relativamente pouco estudadas sob a perspectiva das evid\u00eancias empregadas na tomada de decis\u00f5es. Trabalhos te\u00f3ricos (Fiani, 2022; Pinheiro et al., 2025) t\u00eam problematizado os usos de evid\u00eancias na macroeconomia. Todavia, sob uma perspectiva aplicada, faltam estudos sobre os instrumentos e modos com os quais <em>policymakers<\/em> tomam decis\u00f5es na gest\u00e3o das pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal, especialmente no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Pinheiro et al. (2025) levantam a hip\u00f3tese de que matrizes te\u00f3ricas, escolas de pensamento e atitudes metodol\u00f3gicas desempenham importantes papeis nas formas como economistas empregam evid\u00eancias em suas an\u00e1lises. Al\u00e9m disso, quando estes se encarregam da gest\u00e3o das pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, suas escolhas podem ser afetadas por certos fatores contextuais. Alguns desses fatores dizem respeito \u00e0s conjunturas econ\u00f4micas e pol\u00edticas (internas e externas), bem como aos arcabou\u00e7os institucionais que condicionam as decis\u00f5es de pol\u00edtica (Pinheiro et al., no prelo).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, fatores relativos \u00e0s biografias, carreiras profissionais e inclina\u00e7\u00f5es ou prefer\u00eancias pessoais dos economistas-decisores tamb\u00e9m podem influir no uso de evid\u00eancias para orientar as pol\u00edticas macroecon\u00f4micas. A raz\u00e3o \u00e9 que o agente decisor dessas pol\u00edticas possui uma hist\u00f3ria pessoal, bem como tem atributos identit\u00e1rios, conhecimentos, inclina\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as e valores. Nesse quadro, as evid\u00eancias funcionam como instrumentos, que se p\u00f5em a servi\u00e7o de certos prop\u00f3sitos do <em>policymaker<\/em>, em suas decis\u00f5es de pol\u00edtica. Portanto, aqueles atributos pessoais s\u00e3o partes integrantes do processo decis\u00f3rio em pol\u00edtica macroecon\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">3. Conte\u00fado e estrutura do question\u00e1rio<\/h1>\n\n\n\n<p>Dado o contexto te\u00f3rico descrito na se\u00e7\u00e3o 2, desejamos medir a poss\u00edvel influ\u00eancia de certos fatores pessoais nas escolhas de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, da parte de economistas que atuam profissionalmente no Brasil. Nesse sentido, o <em>survey<\/em> da pesquisa \u201cUsos de evid\u00eancias por economistas no Brasil\u201d ser\u00e1 empregado na coleta de informa\u00e7\u00f5es que nos ajudem a compreender melhor as pr\u00e1ticas, atitudes e crit\u00e9rios metodol\u00f3gicos empregados por profissionais da economia em suas atividades cotidianas, bem como no uso de evid\u00eancias. Entender os papeis desempenhados pelas matrizes te\u00f3ricas, escolas de pensamento, atitudes metodol\u00f3gicas e por determinados condicionantes contextuais \u2013 eis o prop\u00f3sito central da pesquisa de campo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Tabela 1 mostra os blocos tem\u00e1ticos, com respectivos n\u00fameros de perguntas, que estruturam o question\u00e1rio da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela 1: Estrutura do question\u00e1rio da pesquisa \u201cUsos de evid\u00eancias por economistas no Brasil\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Parte<\/strong><\/td><td><strong>Bloco<\/strong><\/td><td><strong>Objetivo do bloco<\/strong><\/td><td><strong>N\u00famero de perguntas<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1<\/td><td>Perguntas-filtro<\/td><td>Selecionar apenas o p\u00fablico-alvo do question\u00e1rio<\/td><td>4<\/td><\/tr><tr><td>2<\/td><td>Sociodemogr\u00e1fico<\/td><td>Identificar o perfil dos respondentes, possibilitando o controle da amostra estratificada e an\u00e1lises inferenciais<\/td><td>13<\/td><\/tr><tr><td>3<\/td><td>Influ\u00eancias intelectuais<\/td><td>Conhecer o perfil agregado das influ\u00eancias intelectuais dos economistas, possibilitando an\u00e1lises inferenciais<\/td><td>2<\/td><\/tr><tr><td>4<\/td><td>Uso de evid\u00eancias para tomada de decis\u00f5es em pol\u00edticas macroecon\u00f4micas<\/td><td>Levantar percep\u00e7\u00f5es sobre o uso de evid\u00eancias em pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, considerando o p\u00fablico geral de economistas<\/td><td>7<\/td><\/tr><tr><td>5<\/td><td>Prefer\u00eancias metodol\u00f3gicas<\/td><td>Conhecer o perfil agregado das influ\u00eancias metodol\u00f3gicas dos economistas, possibilitando an\u00e1lises inferenciais&nbsp;<\/td><td>3<\/td><\/tr><tr><td>6<\/td><td>Tomada de decis\u00e3o em macroeconomia<\/td><td>Avaliar as percep\u00e7\u00f5es dos economistas que trabalham tomando decis\u00f5es de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas ou as avaliando (exclusivo para esse segmento de economistas)&nbsp;<\/td><td>2<\/td><\/tr><tr><td>7<\/td><td>Processos de obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o<\/td><td>Levantar o consumo geral de informa\u00e7\u00e3o pelo p\u00fablico dos economistas<\/td><td>2<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>O question\u00e1rio coletar\u00e1 informa\u00e7\u00f5es mutuamente complementares sobre v\u00e1rios temas, distribu\u00eddos em sete blocos de perguntas, indo desde as compreens\u00f5es dos economistas sobre a economia como campo do conhecimento, suas forma\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias intelectuais, at\u00e9 suas cren\u00e7as e valores pessoais. Destaque ser\u00e1 dado a informa\u00e7\u00f5es sobre a tomada de decis\u00f5es dos que trabalham com pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, e sobre seus processos de obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Espera-se que o desenho do <em>survey<\/em> permita a identifica\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es entre vari\u00e1veis de v\u00e1rios tipos, de tal modo que possam ser testadas hip\u00f3teses sobre fatores condicionantes do uso de evid\u00eancias por autoridades de pol\u00edtica macroecon\u00f4mica no Brasil contempor\u00e2neo. Especificamente, procuramos medir a influ\u00eancia de certos fatores pessoais no uso de evid\u00eancias pelos economistas. Exemplos de tais fatores: 1) hist\u00f3ricos acad\u00eamicos (forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ortodoxa ou heterodoxa); 2) \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o em economia; 3) outras vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas (g\u00eanero, localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, idade); 4) influ\u00eancias intelectuais (autores e escolas de pensamento); 5) o assunto, mat\u00e9ria ou tema das decis\u00f5es (\u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o profissional); 6) inclina\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas (propens\u00e3o ao monismo ou pluralismo metodol\u00f3gico); 7) acessos e prefer\u00eancias por meios de obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es (fontes oficiais de dados, grande m\u00eddia, redes sociais etc.).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">4. Estrat\u00e9gia de campo<\/h1>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma pesquisa amostral, cujo cadastro b\u00e1sico \u00e9 constru\u00eddo a partir uma base de dados de contatos de economistas do Cofecon e Corecons. A base comp\u00f5e-se de cerca de 230 mil indiv\u00edduos, atuantes nos setores p\u00fablico, privado e terceiro setor, bem como em uma variedade de setores de atividade e localiza\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas. Ser\u00e1 sorteada uma amostra estratificada dessa popula\u00e7\u00e3o-alvo, de grande tamanho (n = 1.527), permitindo infer\u00eancias estat\u00edsticas com elevado grau de confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O question\u00e1rio \u00e9 direcionado a pessoas com forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia em economia, inclusive envolvidas em atividades de pesquisa e\/ou fun\u00e7\u00f5es de tomada de decis\u00e3o em pol\u00edticas macroecon\u00f4micas. Temos, ent\u00e3o, dois subp\u00fablicos: <em>economistas em geral<\/em>; e <em>economistas<\/em> <em>policymakers<\/em>. Essa distin\u00e7\u00e3o se justifica, porque diferem os padr\u00f5es de usos de evid\u00eancias por esses grupos \u2013 pois distintas atividades profissionais est\u00e3o em jogo \u2013, por\u00e9m, espera-se que aqueles padr\u00f5es sejam an\u00e1logos em alguma medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a especificidade da popula\u00e7\u00e3o, optou-se por um question\u00e1rio autoaplicado, via e-mail de forma a permitir maior flexibilidade e liberdade ao respondente, possibilitando tamb\u00e9m acesso homog\u00eaneo ao p\u00fablico-alvo. A utiliza\u00e7\u00e3o de question\u00e1rio via e-mail pode alcan\u00e7ar um n\u00famero maior de respondentes, independentemente da localiza\u00e7\u00e3o, com melhor custo-benef\u00edcio. Ademais, a aus\u00eancia de um entrevistador pode reduzir o vi\u00e9s e permitir maior conforto ao entrevistado para respostas em temas sens\u00edveis (Dillman, Smith &amp; Christian, 2014).<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de motivar nossos potenciais informantes a responderem ao question\u00e1rio, evitando assim baixas taxas de resposta e o n\u00e3o cumprimento da amostra, \u00e9 necess\u00e1rio conquistar a confian\u00e7a dos informantes. Para isso, precisamos persuadi-los de que informa\u00e7\u00f5es individuais permanecer\u00e3o sob sigilo \u2013 o question\u00e1rio ser\u00e1 n\u00e3o-identificado \u2013, e que nossos m\u00e9todos e instrumentos s\u00e3o seguros, evitando \u201cvazamentos\u201d de informa\u00e7\u00f5es. Assim, na aplica\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio, dever\u00e1 haver um processo de prepara\u00e7\u00e3o e \u201csensibiliza\u00e7\u00e3o\u201d dos informantes, para o que se requer interatividade entre a coordena\u00e7\u00e3o da pesquisa pelo IPEA, as institui\u00e7\u00f5es intermediadoras (Cofecon e Corecons) e os economistas filiados a essas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma forma sabidamente eficaz de se consolidar a confian\u00e7a do p\u00fablico em uma pesquisa <em>online<\/em> \u00e9 por meio de uma boa divulga\u00e7\u00e3o. Por isso, pretendemos divulgar amplamente a pesquisa \u201cUsos de evid\u00eancias por economistas no Brasil\u201d nos canais institucionais de comunica\u00e7\u00e3o do IPEA, do Cofecon e dos Corecons. Nesse aspecto, \u00e9 importante indicar um t\u00f3pico de not\u00edcia sobre a pesquisa, tanto nos respectivos <em>websites<\/em> como nas mensagens a serem enviadas com o <em>link do question\u00e1rio<\/em>. Procuraremos tamb\u00e9m informar as respectivas ouvidorias sobre a pesquisa, para que possam esclarecer eventuais d\u00favidas do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Por se tratar de um <em>survey<\/em>, sem identifica\u00e7\u00e3o do respondente, a pesquisa dispensa avalia\u00e7\u00e3o por Comit\u00ea de \u00c9tica, conforme Resolu\u00e7\u00e3o n. 510, de 7 de abril de 2016, do Conselho Nacional de Sa\u00fade (CONEP) \u2013 norma que regulamenta o Conselho Nacional de \u00c9tica em Pesquisa e os Comit\u00eas de \u00c9tica em Pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, em tempos de <em>big data<\/em>, intelig\u00eancia artificial e desinforma\u00e7\u00e3o, tem havido uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente com a \u00e9tica em pesquisas de campo, pois a extra\u00e7\u00e3o e o tratamento de informa\u00e7\u00f5es pessoais podem incluir manipula\u00e7\u00f5es que causem danos \u00e0 integridade e privacidade de pessoas. Logo, teremos de identificar com cuidado os dados sens\u00edveis (pessoais) dos respondentes ao question\u00e1rio, criando protocolos de seguran\u00e7a para que tais dados n\u00e3o sejam acess\u00edveis sequer aos pesquisadores. Nesse sentido, \u00e9 indispens\u00e1vel o consentimento livre e esclarecido pelos respondentes, o respeito \u00e0 LGPD e outros normativos pertinentes.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">5. Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h1>\n\n\n\n<p>De um ponto de vista te\u00f3rico, o processo decis\u00f3rio em pol\u00edtica macroecon\u00f4mica inclui <em>inter alia<\/em> os prop\u00f3sitos de a\u00e7\u00e3o do agente decisor (<em>policymaker<\/em>) e as evid\u00eancias (informa\u00e7\u00f5es) por ele utilizadas. H\u00e1 um conjunto de refer\u00eancias impl\u00edcitas (t\u00e1citas) que circundam a decis\u00e3o do agente e que, de certa forma, d\u00e3o sentido e explicam a decis\u00e3o. Grande parte dessas refer\u00eancias diz respeito aos conhecimentos, cren\u00e7as e valores do <em>policymaker<\/em>, bem como a outros atributos pessoais. Nas pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, aquele conjunto de refer\u00eancias impl\u00edcitas comp\u00f5e o <em>contexto decis\u00f3rio<\/em> dessas pol\u00edticas. A pesquisa \u201cUsos de evid\u00eancias por economistas no Brasil\u201d intenta precisamente levantar dados que nos ajudem a entender melhor os papeis desempenhados por certos fatores pessoais, seja dos economistas em geral, no exerc\u00edcio di\u00e1rio de suas atividades profissionais, seja dos <em>policymakers<\/em>, no contexto decis\u00f3rio de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em particular, os resultados do <em>survey<\/em> nos permitir\u00e3o, entre outras coisas, construir uma base para testar a hip\u00f3tese de que o uso de evid\u00eancias para a tomada de decis\u00f5es em pol\u00edtica macroecon\u00f4mica pelo economista se correlaciona com a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do economista, suas prefer\u00eancias metodol\u00f3gicas e influ\u00eancias intelectuais, seus meios de obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, seu perfil sociodemogr\u00e1fico, dentre outras vari\u00e1veis. Embora o desenho do <em>survey<\/em> n\u00e3o permita testes de hip\u00f3teses causais, de car\u00e1ter explicativo e com alto grau de certeza, ele pelo menos possibilitar\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o mais precisa do fen\u00f4meno sob estudo, al\u00e9m do estabelecimento de infer\u00eancias envolvendo rela\u00e7\u00f5es entre vari\u00e1veis de m\u00faltiplas ordens.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenho observacional do <em>survey<\/em> proposto \u00e9 objetivo e exequ\u00edvel. Estrutura-se de forma l\u00f3gica, com perguntas claras, sendo, ademais, o resultado de um planejamento de campo que prima pelas \u201cboas pr\u00e1ticas\u201d desse tipo de pesquisa. Na verdade, o <em>survey<\/em> reflete a maturidade de uma longa reflex\u00e3o pr\u00e9via de pesquisa no IPEA sobre o uso de evid\u00eancias em pol\u00edticas p\u00fablicas em geral, e sobre pol\u00edticas macroecon\u00f4micas em particular.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">6. Refer\u00eancias<\/h1>\n\n\n\n<p>CONSELHO NACIONAL DE SA\u00daDE (CONEP). <strong>Resolu\u00e7\u00e3o n. 510, de 7 de abril de 2016<\/strong>. Estabelece normas \u00e9ticas para pesquisas em Ci\u00eancias Humanas e Sociais, visando proteger os direitos dos participantes e garantir a integridade das pesquisas. Dispon\u00edvel em &lt; <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conselho-nacional-de-saude\/pt-br\/acesso-a-informacao\/atos-normativos\/resolucoes\/2016\/resolucao-no-510.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resolucao-no-510.pdf<\/a>&gt; (Acesso em 03 de fevereiro de 2026).<\/p>\n\n\n\n<p>DILLMAN, D. A.; SMYTH, J. D.; CHRISTIAN, L. M. <strong>Internet, phone, mail, and mixed-mode surveys: the tailored design method<\/strong>. Hoboken: Wiley, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>FIANI, R. Pol\u00edticas macroecon\u00f4micas baseadas em evid\u00eancias s\u00e3o poss\u00edveis? A dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o da macroeconomia com as evid\u00eancias emp\u00edricas. In KOGA, N., MELLO, J., PALOTTI, P. &amp; PINHEIRO, M. (Org.). <strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas e usos de evid\u00eancias no Brasil: conceitos, m\u00e9todos, contextos e pr\u00e1ticas<\/strong>. Bras\u00edlia: IPEA, p. 697-723, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>KOGA, N. M.; PALOTTI, P. L. de M.; MELLO, J.; et al (Orgs.). <strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas e usos de evid\u00eancias no Brasil: conceitos, m\u00e9todos, contextos e pr\u00e1ticas<\/strong>. [s.l.]: Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>PINHEIRO, M. M. S.; RECH, L. T. &amp; POMPEU, J. C. B. <strong>O uso de evid\u00eancias em macroeconomia: notas hist\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: Ipea (Texto para Discuss\u00e3o; n. 3089), 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>PINHEIRO, M. M. S.; OCK\u00c9-REIS, C. O.; POMPEU, J. C. B.; BERTOGNA, J. P. S. &amp; RECH, L. T. <strong>Decis\u00f5es de pol\u00edtica macroecon\u00f4mica e uso de evid\u00eancias no Brasil<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: Ipea (Texto para Discuss\u00e3o), no prelo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>*Maur\u00edcio Mota Saboya Pinheiro<sup>1<\/sup> \u00e9 Economista registrado no Corecon-DF sob n\u00famero 5261; ocupa o cargo de T\u00e9cnico de Planejamento e Pesquisa na Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas do Estado, das Institui\u00e7\u00f5es e da Democracia (Diest) do Ipea; pesquisador colaborador pleno, junto ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da Universidade de Bras\u00edlia (PPGFIL\/UnB); e doutor em filosofia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). E-mail: mauricio.saboya@ipea.gov.br. Telefone celular: (61) 98272-9514. Endere\u00e7o profissional: Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada \u2013 IPEA. SEPS \u2013 Setor de Edif\u00edcios P\u00fablicos Sul 702\/902, Bloco C, Centro Empresarial Bras\u00edlia 50 \u2013 Torre B \u2013 5\u00ba andar, p\u00e9tala A \u2013 CEP: 70390-025 \u2013 Asa Sul \u2013 Bras\u00edlia-DF.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>*Joscimar Souza Silva<sup>2<\/sup> Professor no Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UnB. Doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela UFMG. Comp\u00f5e a diretoria da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL). Coordena a Rede de Pesquisas em Comunica\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica e Opini\u00e3o P\u00fablica da Associa\u00e7\u00e3o Latino-americana de Ci\u00eancia Pol\u00edtica (ALACIP). E-mail: joscimar.silva@unb.br. Telefone celular: (77) 9997-6615. Endere\u00e7o profissional: IPOL UnB. Campus Universit\u00e1rio Darcy Ribeiro, s\/n. Asa Norte. Bras\u00edlia-DF. CEP: 70910-900. <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF). Acesse <a href=\"https:\/\/corecondf.org.br\/usos-de-evidencias-por-economistas-no-brasil-relato-de-uma-pesquisa-em-andamento\/?doing_wp_cron=1790336876.2145330905914306640625\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/corecondf.org.br\/usos-de-evidencias-por-economistas-no-brasil-relato-de-uma-pesquisa-em-andamento\/?doing_wp_cron=1790336876.2145330905914306640625\">AQUI<\/a>.\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Maur\u00edcio Mota Saboya Pinheiro 1 Corecon-DF n\u00ba 5261Joscimar Souza Silva 2 1. 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