{"id":28302,"date":"2026-08-19T15:19:53","date_gmt":"2026-08-19T18:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28302"},"modified":"2026-08-19T16:24:24","modified_gmt":"2026-08-19T19:24:24","slug":"as-contradicoes-do-presente-e-os-caminhos-do-futuro-reflexoes-sobre-a-economia-baiana-na-transicao-para-2050","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28302","title":{"rendered":"As contradi\u00e7\u00f5es do presente e os caminhos do futuro: reflex\u00f5es sobre a economia baiana na transi\u00e7\u00e3o para 2050"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em artigo de opini\u00e3o, economistas Gustavo Casseb Pessoti* e Reinaldo Dantas Sampaio* apontam transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, inova\u00e7\u00e3o, infraestrutura e conhecimento como vetores para o futuro da Bahia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria econ\u00f4mica em que os indicadores deixam de contar toda a hist\u00f3ria. A Bahia parece viver exatamente um desses momentos. Se algu\u00e9m observasse apenas os resultados recentes do Produto Interno Bruto, poderia concluir que o estado finalmente reencontrou uma trajet\u00f3ria de crescimento depois das dificuldades enfrentadas ao longo da d\u00e9cada passada. A conclus\u00e3o, entretanto, seria apressada. Da mesma forma, seria igualmente equivocado afirmar que a economia baiana permanece aprisionada ao quadro de estagna\u00e7\u00e3o que marcou grande parte dos anos compreendidos entre 2011 e 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade \u00e9 mais complexa. A economia baiana encontra-se, hoje, entre dois recentes tempos hist\u00f3ricos. O primeiro ainda projeta os efeitos de uma d\u00e9cada caracterizada pela perda de dinamismo, pela redu\u00e7\u00e3o da competitividade relativa, pelo enfraquecimento de setores tradicionais da ind\u00fastria e pela dificuldade de constituir novos motores de crescimento. O segundo come\u00e7a a revelar oportunidades in\u00e9ditas decorrentes das profundas transforma\u00e7\u00f5es em curso na economia mundial: a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o dos minerais estrat\u00e9gicos, o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial, a digitaliza\u00e7\u00e3o da economia, a crescente preocupa\u00e7\u00e3o ambiental e a redefini\u00e7\u00e3o da geopol\u00edtica internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucas vezes a Bahia reuniu, simultaneamente, tantos ativos econ\u00f4micos capazes de impulsionar seu desenvolvimento. Tamb\u00e9m poucas vezes foi t\u00e3o evidente que possuir ativos n\u00e3o significa, necessariamente, produzir desenvolvimento. \u00c9 justamente nessa tens\u00e3o entre potencial e realidade que reside a principal contradi\u00e7\u00e3o da economia baiana contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa contradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o nasceu recentemente. Ela foi constru\u00edda ao longo dos s\u00e9culos XIX, XX e durante as tr\u00eas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI. Mas, em particular para os prop\u00f3sitos desta curta an\u00e1lise, o per\u00edodo compreendido entre 2011 e 2020 representou uma inflex\u00e3o na trajet\u00f3ria econ\u00f4mica recente do estado, com um quadro de taxas acumuladamente negativas do PIB e com perda de participa\u00e7\u00e3o da Bahia no PIB da regi\u00e3o Nordeste e do Brasil. Depois de d\u00e9cadas marcadas por importantes ciclos de industrializa\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da infraestrutura, a economia baiana experimentou um per\u00edodo de decrescimento econ\u00f4mico, perda de competitividade e enfraquecimento de sua capacidade de gerar valor agregado. N\u00e3o se tratou apenas dos efeitos da recess\u00e3o nacional iniciada em 2015 ou da pandemia da Covid-19. Esses acontecimentos agravaram um processo que j\u00e1 vinha sendo desenhado por transforma\u00e7\u00f5es estruturais da economia estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>A perda gradual de participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o de riqueza, a dificuldade de renova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica de segmentos industriais tradicionais, a expans\u00e3o de servi\u00e7os pouco intensivos em produtividade e a crescente depend\u00eancia de atividades vinculadas ao setor p\u00fablico em grande parte dos munic\u00edpios revelaram limita\u00e7\u00f5es importantes do modelo de crescimento que predominou nas d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante muito tempo, a Bahia construiu sua din\u00e2mica econ\u00f4mica apoiada na implanta\u00e7\u00e3o de grandes complexos industriais, especialmente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX. Esse processo alterou a estrutura produtiva estadual, consolidou uma base industrial moderna para os padr\u00f5es brasileiros da \u00e9poca e permitiu importantes ganhos de renda e urbaniza\u00e7\u00e3o no estado. Entretanto, as mudan\u00e7as ocorridas na economia mundial ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas reduziram parte das vantagens competitivas desse modelo, exigindo novos mecanismos de diversifica\u00e7\u00e3o produtiva, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e inser\u00e7\u00e3o em cadeias globais de maior valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, outras economias estaduais passaram a disputar investimentos, ampliar sua competitividade e diversificar suas estruturas produtivas. A Bahia permaneceu atraindo importantes projetos de investimento, mas esses empreendimentos, embora relevantes, n\u00e3o foram suficientes para alterar significativamente a trajet\u00f3ria do crescimento econ\u00f4mico. A economia continuou crescendo abaixo de seu potencial, perdendo participa\u00e7\u00e3o relativa no contexto nordestino, permanecendo estagnada em m\u00e9dia em 4,0% do PIB nacional durante todo o per\u00edodo do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a maior contradi\u00e7\u00e3o do per\u00edodo 2011-2020 tenha sido justamente essa: um estado reconhecido historicamente por sua capacidade de planejamento terminou a d\u00e9cada convivendo com indicadores que revelavam perda de dinamismo econ\u00f4mico. Os projetos existiam. As potencialidades permaneciam presentes. Mas a economia encontrava dificuldades para transformar essas potencialidades em crescimento sustentado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros anos da d\u00e9cada de 2020 trouxeram sinais mais favor\u00e1veis. A recupera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica ap\u00f3s a pandemia, o bom desempenho de parte da agropecu\u00e1ria, a expans\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis e a retomada gradual dos investimentos p\u00fablicos e privados produziram um ambiente econ\u00f4mico mais otimista. Entre 2021 e 2024, a Bahia voltou a registrar crescimento econ\u00f4mico positivo, recuperando parte das perdas acumuladas durante o per\u00edodo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, interpretar essa recupera\u00e7\u00e3o como evid\u00eancia de um novo ciclo de desenvolvimento seria precipitado. Crescer ap\u00f3s uma <em>\u201cd\u00e9cada perdida\u201d<\/em> \u00e9 diferente de inaugurar um novo padr\u00e3o de crescimento. Em boa medida, a expans\u00e3o observada nos \u00faltimos anos representa uma recomposi\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica, mas ainda n\u00e3o configura, por si s\u00f3, uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural da economia baiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Crescimento econ\u00f4mico \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o desenvolvimento, mas nunca foi condi\u00e7\u00e3o suficiente. O verdadeiro desafio permanece sendo ampliar a distribui\u00e7\u00e3o de renda, aumentar a agrega\u00e7\u00e3o de valor da produ\u00e7\u00e3o e a especializa\u00e7\u00e3o do trabalho, fortalecer os encadeamentos produtivos e construir uma economia territorialmente mais integrada, tecnologicamente mais sofisticada e socialmente mais justa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nesse ponto que a discuss\u00e3o sobre o futuro da Bahia ganha relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo que emerge na segunda metade da d\u00e9cada de 2020 \u00e9 profundamente diferente daquele que existia quando o Plano de Desenvolvimento Integrado Bahia 2035 foi concebido. As transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas aceleraram-se em velocidade in\u00e9dita. A intelig\u00eancia artificial passa a alterar processos produtivos, cadeias log\u00edsticas e modelos de neg\u00f3cios. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tornou-se prioridade global. A preocupa\u00e7\u00e3o com a descarboniza\u00e7\u00e3o da economia deixou de ser apenas uma agenda ambiental para transformar-se em estrat\u00e9gia econ\u00f4mica. As cadeias internacionais de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo reorganizadas. Novos minerais estrat\u00e9gicos ganham import\u00e2ncia crescente. A economia digital redefine formas de produzir, comercializar e inovar.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas mudan\u00e7as alteram profundamente o conjunto de oportunidades dispon\u00edveis para a Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos estados brasileiros possuem condi\u00e7\u00f5es naturais t\u00e3o favor\u00e1veis para inserir-se nesse novo contexto internacional. A lideran\u00e7a nacional na produ\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica e solar, o potencial para produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde, a riqueza mineral, a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica estrat\u00e9gica, os investimentos em infraestrutura log\u00edstica, a presen\u00e7a de universidades p\u00fablicas e centros de pesquisa e a diversidade territorial constituem um patrim\u00f4nio econ\u00f4mico raro.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio passa a ser transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia internacional demonstra que recursos naturais, isoladamente, n\u00e3o produzem desenvolvimento. O que diferencia economias bem-sucedidas \u00e9 sua capacidade de transformar esses recursos em conhecimento, tecnologia, inova\u00e7\u00e3o e cadeias produtivas capazes de gerar elevado valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa talvez seja a principal mudan\u00e7a de paradigma colocada para a Bahia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante boa parte do s\u00e9culo XX, o desenvolvimento estadual esteve associado \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o pesada e \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de grandes projetos estruturantes. Hoje, embora esses investimentos continuem importantes, eles j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes. O crescimento econ\u00f4mico passa a depender cada vez mais da capacidade de integrar diferentes setores produtivos, estimular a inova\u00e7\u00e3o, fortalecer a pesquisa cient\u00edfica, ampliar a qualifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e construir ecossistemas de desenvolvimento regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o agroneg\u00f3cio deixa de ser apenas um segmento exportador para tornar-se potencial indutor da agroindustrializa\u00e7\u00e3o, da biotecnologia, da bioeconomia e da agrega\u00e7\u00e3o de valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A minera\u00e7\u00e3o deixa de representar exclusivamente a extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais para assumir papel estrat\u00e9gico na nova economia mundial, impulsionada pela demanda por minerais cr\u00edticos utilizados na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e na ind\u00fastria de alta tecnologia. As energias renov\u00e1veis deixam de ser apenas uma vantagem ambiental para converter-se em elemento central da competitividade industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, grandes investimentos em infraestrutura, como a Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o Oeste-Leste, o Porto Sul e a Ponte Salvador-Itaparica, quando conclu\u00eddos, transcender\u00e3o sua condi\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas. Seu verdadeiro significado econ\u00f4mico reside na capacidade de reorganizar fluxos produtivos, reduzir custos log\u00edsticos, ampliar mercados consumidores e estimular novos investimentos privados em diferentes territ\u00f3rios do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, talvez o maior diferencial competitivo da Bahia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas n\u00e3o esteja apenas nesses ativos f\u00edsicos. Estar\u00e1, sobretudo, na capacidade de produzir conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>As universidades p\u00fablicas baianas, os institutos de pesquisa, os centros tecnol\u00f3gicos e os ambientes de inova\u00e7\u00e3o podem desempenhar papel decisivo na constru\u00e7\u00e3o de uma economia mais intensiva em tecnologia. Em um cen\u00e1rio internacional marcado pela intelig\u00eancia artificial, pela digitaliza\u00e7\u00e3o e pela crescente sofistica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da produ\u00e7\u00e3o, conhecimento deixa de ser um fator complementar para tornar-se um dos principais ativos econ\u00f4micos de qualquer territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 exatamente nesse ambiente de transforma\u00e7\u00f5es que surge o Plano de Desenvolvimento Integrado Bahia 2050.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma atualiza\u00e7\u00e3o temporal do antigo PDI 2035, o novo plano representa uma mudan\u00e7a importante na forma de pensar o desenvolvimento estadual. Seu maior m\u00e9rito talvez n\u00e3o esteja na defini\u00e7\u00e3o de metas ou projetos espec\u00edficos, mas na incorpora\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o prospectiva capaz de reconhecer que o futuro ser\u00e1 marcado por incertezas crescentes e mudan\u00e7as estruturais profundas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao incorporar temas como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, intelig\u00eancia artificial, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, transforma\u00e7\u00e3o digital, demografia e reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias globais de valor, o PDI 2050 aproxima o planejamento baiano das principais experi\u00eancias internacionais de prospectiva estrat\u00e9gica. Planejar deixa de significar apenas definir objetivos futuros e passa a representar a capacidade de preparar o territ\u00f3rio para diferentes cen\u00e1rios poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a merece ser destacada. Durante d\u00e9cadas, o planejamento p\u00fablico brasileiro esteve excessivamente condicionado aos ciclos pol\u00edticos de curto prazo. Pensar a Bahia em horizonte de vinte e cinco anos representa um importante avan\u00e7o institucional. Evidentemente, nenhum plano produz desenvolvimento por si s\u00f3. O crescimento econ\u00f4mico continuar\u00e1 dependendo da capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o de investimentos, da qualidade das institui\u00e7\u00f5es, da estabilidade das pol\u00edticas p\u00fablicas e do dinamismo do setor produtivo. Mas bons planos reduzem incertezas, organizam prioridades e constroem converg\u00eancia entre diferentes atores sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja exatamente disso que a Bahia necessite neste momento hist\u00f3rico: menos iniciativas isoladas e mais capacidade de articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande quest\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o consiste em descobrir novos vetores de crescimento. Eles j\u00e1 existem e s\u00e3o amplamente conhecidos. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, a agroindustrializa\u00e7\u00e3o, a minera\u00e7\u00e3o de maior valor agregado, a economia do mar, a infraestrutura log\u00edstica, a economia criativa, a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a economia do conhecimento desenham um horizonte de possibilidades bastante promissor.<\/p>\n\n\n\n<p>O verdadeiro desafio passa a ser conectar esses vetores em uma estrat\u00e9gia integrada de desenvolvimento. Uma estrat\u00e9gia capaz de ampliar os encadeamentos produtivos, fortalecer os territ\u00f3rios do interior, reduzir desigualdades regionais, aumentar a produtividade e transformar crescimento econ\u00f4mico em desenvolvimento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa talvez seja a principal encruzilhada da economia baiana.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00e9cada de 2010 encerrou um ciclo hist\u00f3rico sem que outro estivesse plenamente consolidado. A recupera\u00e7\u00e3o observada nos primeiros anos da d\u00e9cada seguinte demonstra que a estagna\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui um destino inevit\u00e1vel. Ao mesmo tempo, evidencia que a simples retomada do crescimento n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para alterar, de forma duradoura, a posi\u00e7\u00e3o da Bahia na economia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>As pr\u00f3ximas d\u00e9cadas provavelmente n\u00e3o perguntar\u00e3o se a Bahia possui potencial para crescer. Essa resposta j\u00e1 est\u00e1 dada pela combina\u00e7\u00e3o de seus recursos naturais, sua localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, sua infraestrutura em expans\u00e3o e sua capacidade cient\u00edfica instalada.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdadeira pergunta ser\u00e1 outra.<\/p>\n\n\n\n<p>O estado conseguir\u00e1 transformar esse extraordin\u00e1rio conjunto de potencialidades em um projeto consistente de desenvolvimento?<\/p>\n\n\n\n<p>Responder positivamente a essa quest\u00e3o exigir\u00e1 muito mais do que investimentos ou bons indicadores conjunturais. Exigir\u00e1 vis\u00e3o estrat\u00e9gica, continuidade institucional, inova\u00e7\u00e3o permanente e capacidade de integrar conhecimento, infraestrutura, sustentabilidade, tecnologia e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa trajet\u00f3ria exige ainda que se fa\u00e7am presentes os fatores estruturantes de produ\u00e7\u00e3o, cuja insufici\u00eancia tem sido uma das principais causas do atraso relativo do estado. Evidencia-se a baixa capacidade financeira end\u00f3gena, p\u00fablica e privada, para dotar a Bahia das infraestruturas e institucionalidades necess\u00e1rias, cuja magnitude exige a a\u00e7\u00e3o do governo central para garantir a sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria econ\u00f4mica da Bahia demonstra que suas grandes transforma\u00e7\u00f5es nunca ocorreram apenas porque novos recursos surgiram ou porque grandes investimentos foram anunciados. Elas aconteceram quando esses investimentos alteraram a estrutura produtiva, criaram novos encadeamentos econ\u00f4micos e redefiniram a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de riqueza dos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o importante, que n\u00e3o poderia passar despercebida nesse breve ponto de vista, refere-se ao fato de que as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas ao longo de todo o decurso do s\u00e9culo XXI, ainda que significativas, n\u00e3o foram capazes de superar o elevado grau de desigualdades sociais da Bahia, refletido no significativo n\u00famero de fam\u00edlias no Programa Bolsa Fam\u00edlia (2,3 milh\u00f5es, segundo dados do MDS, 2026) e na renda \u201cper capita\u201d, invariavelmente em torno de 50% da renda nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja exatamente essa a oportunidade que se apresenta agora. A Bahia chega \u00e0 segunda metade da d\u00e9cada de 2020 carregando, simultaneamente, o peso de uma d\u00e9cada de baixo dinamismo e a possibilidade concreta de inaugurar um novo ciclo de crescimento com possibilidades de interioriza\u00e7\u00e3o e desconcentra\u00e7\u00e3o de renda. Essa \u00e9 sua maior contradi\u00e7\u00e3o. Mas pode ser, tamb\u00e9m, sua maior oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro da economia baiana depender\u00e1 menos da exist\u00eancia isolada de novos vetores econ\u00f4micos &#8211; eles j\u00e1 est\u00e3o postos &#8211; e muito mais da capacidade de articul\u00e1-los em um projeto de desenvolvimento capaz de transformar potencial em competitividade, crescimento em desenvolvimento, inova\u00e7\u00e3o em riqueza e expans\u00e3o econ\u00f4mica em melhoria efetiva da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 nessa passagem entre um modelo que se esgota e outro que come\u00e7a a se desenhar que reside, provavelmente, a quest\u00e3o econ\u00f4mica mais importante da Bahia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Gustavo Casseb Pessoti \u00e9 Economista (UFBA) e Mestre em Desenvolvimento Regional (UNIFACS). \u00c9 professor universit\u00e1rio e funcion\u00e1rio p\u00fablico da carreira de Especialista em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o Governamental (EPPGG), atualmente respondendo como Coordenador de Avali\u00e7\u00e3o Institucional da UESB. Foi presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia por cinco mandatos (2014, 2015, 2017, 2022 e 2023) e atualmente \u00e9 conselheiro federal de economia do COFECON, respondendo como vice coordenador da Comiss\u00e3o de Desenvolvimento Regional. \u00c9 tamb\u00e9m vogal da Junta Comercial do Estado da Bahia (JUCEB).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>*<em>Reinaldo Dantas Sampaio<\/em> \u00e9 Empres\u00e1rio, Economista, com especializa\u00e7\u00e3o em economia mineral, Presidente Executivo da ABIROCHAS \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Rochas Ornamentais. \u00c9 membro do Conselho Tem\u00e1tico Permanente de Pol\u00edtica Industrial e Desenvolvimento Tecnol\u00f3gico da CNI-Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria; membro do Conselho Tem\u00e1tico de Minera\u00e7\u00e3o da CNI e do F\u00f3rum Nacional da Ind\u00fastria \u2013 Conselho Consultivo da CNI, membro do Conselho de Representantes e do Comit\u00ea de Comercio Exterior da FIEB \u2013 Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado da Bahia e Conselheiro do Conselho Regional de Economia da Bahia \u2013 CORECON e atual Presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Polit\u00e9cnico da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>As ideias, opini\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es contidas neste artigo s\u00e3o de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es), n\u00e3o refletindo, necessariamente, o posicionamento institucional do Conselho Federal de Economia, nem devendo ser interpretadas como manifesta\u00e7\u00e3o oficial da entidade.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo de opini\u00e3o, economistas Gustavo Casseb Pessoti* e Reinaldo Dantas Sampaio* apontam transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, inova\u00e7\u00e3o, infraestrutura e conhecimento como vetores para o futuro da Bahia H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria econ\u00f4mica em que os indicadores deixam de contar toda a<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28302\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":28333,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,65],"tags":[],"class_list":["post-28302","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-artigo-de-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28302"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28302"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28324,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28302\/revisions\/28324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/28333"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}