{"id":28281,"date":"2026-08-15T10:56:49","date_gmt":"2026-08-15T13:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28281"},"modified":"2026-08-15T11:57:46","modified_gmt":"2026-08-15T14:57:46","slug":"discurso-da-presidenta-do-cofecon-econ-tania-cristina-teixeira-por-ocasiao-do-dia-do-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28281","title":{"rendered":"Discurso da presidenta do Cofecon, Econ. Tania Cristina Teixeira, por ocasi\u00e3o do Dia do Economista"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em discurso na solenidade dos 75 anos, Tania Cristina Teixeira destaca a evolu\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o e o papel dos economistas na constru\u00e7\u00e3o do desenvolvimento brasileiro. Leia na \u00edntegra a fala da presidenta do Cofecon<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Boa tarde a todas e todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, 13 de agosto, \u00e9 uma data muito especial para n\u00f3s, economistas. \u00c9 o dia em que celebramos a regulamenta\u00e7\u00e3o da nossa profiss\u00e3o no Brasil. Neste ano, a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior: estamos completando 75 anos desde a san\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 1.411, no dia 13 de agosto de 1951.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, o Brasil vivia um processo acelerado de transforma\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds se industrializava, se urbanizava e buscava construir as condi\u00e7\u00f5es para sustentar seu desenvolvimento. Havia grandes desafios relacionados \u00e0 desigualdade e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de uma economia que crescia e se tornava cada vez mais complexa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda metade da d\u00e9cada de 1940, o ent\u00e3o deputado estadual Fernando Ferrari defendeu que, enquanto a profiss\u00e3o do economista n\u00e3o fosse regulamentada, \u201cnada poderemos fazer em proveito da economia nacional, porque um t\u00e9cnico, dentro do Estado moderno, n\u00e3o se improvisa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela afirma\u00e7\u00e3o, feita h\u00e1 quase oito d\u00e9cadas, continua nos dizendo algo importante: <strong>compreender a economia e planejar o desenvolvimento de um pa\u00eds exigem conhecimento, forma\u00e7\u00e3o e responsabilidade.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho dos economistas foi fundamental para transformar o pa\u00eds. Nos anos posteriores \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o, os economistas foram fundamentais para a compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil e para o planejamento estatal, criando instrumentos de financiamento do desenvolvimento e de enfrentamento das desigualdades regionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Setenta e cinco anos depois, o Brasil \u00e9 muito diferente daquele pa\u00eds de 1951. Nossa economia se diversificou, a ind\u00fastria se desenvolveu, o agroneg\u00f3cio ganhou novas dimens\u00f5es e os servi\u00e7os passaram a ocupar uma parcela cada vez maior da atividade econ\u00f4mica. O Brasil tamb\u00e9m ampliou sua participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional. Tivemos per\u00edodos de crescimento e de crise, enfrentamos infla\u00e7\u00e3o elevada, constru\u00edmos estabilidade monet\u00e1ria e incorporamos tecnologias que modificam profundamente a forma como produzimos, trabalhamos, consumimos e nos relacionamos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E, se a economia mudou, a profiss\u00e3o de economista tamb\u00e9m mudou com ela.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O campo de atua\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o se expandiu. Muitos profissionais lidam hoje com quest\u00f5es que n\u00e3o estavam no centro da agenda econ\u00f4mica algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Estamos diante da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da transforma\u00e7\u00e3o digital, da intelig\u00eancia artificial, das novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, da economia dos dados e da reconfigura\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas globais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o Brasil ainda enfrenta problemas hist\u00f3ricos como a desigualdade, a pobreza, a concentra\u00e7\u00e3o de renda, as diferen\u00e7as regionais, a dificuldade de ampliar a produtividade e a necessidade de construir um processo de desenvolvimento que gere oportunidades e melhore as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O economista do nosso tempo, portanto, precisa saber olhar para o novo sem deixar de compreender aquilo que o Brasil ainda n\u00e3o conseguiu superar.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, gostaria de mencionar que a campanha institucional de valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o realizada pelo Cofecon neste ano tem como tema <strong>\u201c75 anos, 75 contribui\u00e7\u00f5es\u201d<\/strong>, justamente com a finalidade de mostrar a amplitude do trabalho dos economistas. A campanha teve in\u00edcio neste m\u00eas de agosto, com publica\u00e7\u00f5es em redes sociais que, nos pr\u00f3ximos meses, continuar\u00e3o mostrando diferentes contribui\u00e7\u00f5es para a sociedade dadas pela ci\u00eancia econ\u00f4mica e pelos economistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E essa \u00e9 uma mensagem que precisamos levar \u00e0 sociedade: a economia n\u00e3o existe apenas nos indicadores, nas planilhas ou nas decis\u00f5es dos mercados. <strong>A economia est\u00e1 presente na vida concreta das pessoas.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa amplitude de atua\u00e7\u00e3o exige do economista n\u00e3o apenas dom\u00ednio t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m capacidade de compreender as institui\u00e7\u00f5es, os territ\u00f3rios, as rela\u00e7\u00f5es sociais e os efeitos concretos das decis\u00f5es econ\u00f4micas. Essa combina\u00e7\u00e3o entre conhecimento t\u00e9cnico e compreens\u00e3o da realidade \u00e9 uma das grandes for\u00e7as da nossa profiss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s recebemos um legado constru\u00eddo por gera\u00e7\u00f5es de economistas, muitas delas anteriores \u00e0 pr\u00f3pria regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o em 1951. Agora, temos a responsabilidade de mant\u00ea-lo vivo e, ao mesmo tempo, de renov\u00e1-lo, preparando a profiss\u00e3o para as quest\u00f5es do presente e do futuro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil precisa continuar buscando crescimento econ\u00f4mico, mas precisa tamb\u00e9m discutir qual crescimento queremos e a quem ele deve servir. Precisamos aumentar a produtividade, mas tamb\u00e9m distribuir melhor os frutos do desenvolvimento. Precisamos avan\u00e7ar na inova\u00e7\u00e3o e na transforma\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, sem deixar para tr\u00e1s trabalhadores e regi\u00f5es, e fazer da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica uma oportunidade de desenvolvimento, gera\u00e7\u00e3o de emprego, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e afirma\u00e7\u00e3o da soberania nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Porque desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 apenas fazer a economia crescer. \u00c9 decidir como crescer, para quem crescer e que pa\u00eds queremos construir a partir desse crescimento.<\/strong> E esse \u00e9 um debate no qual os economistas t\u00eam muito a contribuir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a tantos desafios, precisamos falar sobre um deles, que \u00e9 o tema do nosso debate de hoje: as novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos contra as exporta\u00e7\u00f5es de alguns produtos brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos elementos centrais desse debate \u00e9 o Pix. O sistema brasileiro de pagamentos instant\u00e2neos foi mencionado pelo governo dos Estados Unidos entre os fatores que motivaram a abertura de uma investiga\u00e7\u00e3o comercial, alegando que ele criaria condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis para a concorr\u00eancia de empresas americanas do setor de pagamentos eletr\u00f4nicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista Gustavo Pessoa vai falar com mais detalhes daqui a pouco, mas eu gostaria de dizer que <strong>precisamos defender aquilo que \u00e9 nosso<\/strong>, <strong>e que a soberania brasileira n\u00e3o pode ser ref\u00e9m da vontade pol\u00edtica e dos impulsos de governantes de outros pa\u00edses.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Finalizo com uma convic\u00e7\u00e3o: ao completarmos 75 anos de regulamenta\u00e7\u00e3o da nossa profiss\u00e3o, n\u00e3o celebramos apenas uma data. <strong>Celebramos uma profiss\u00e3o que aprendeu, ao longo de sua hist\u00f3ria, a olhar para uma realidade complexa, formular perguntas e construir caminhos poss\u00edveis para o desenvolvimento do Brasil.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ser economista \u00e9, tamb\u00e9m, reconhecer que n\u00e3o existem respostas prontas para uma realidade que est\u00e1 sempre em transforma\u00e7\u00e3o. Por isso, estudamos, questionamos, comparamos alternativas e buscamos compreender as consequ\u00eancias das escolhas que fazemos como sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje celebramos o legado daqueles que constru\u00edram a nossa profiss\u00e3o, reconhecemos a contribui\u00e7\u00e3o dos economistas para o pa\u00eds e, sobretudo, reafirmamos nossa responsabilidade com o Brasil que ainda temos a construir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parab\u00e9ns a todas as economistas e a todos os economistas pelos 75 anos da nossa profiss\u00e3o.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muito obrigada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Econ. Tania Cristina Teixeira&nbsp;<br>Presidenta do Cofecon &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em discurso na solenidade dos 75 anos, Tania Cristina Teixeira destaca a evolu\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o e o papel dos economistas na constru\u00e7\u00e3o do desenvolvimento brasileiro. 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