{"id":28150,"date":"2026-07-14T17:02:59","date_gmt":"2026-07-14T20:02:59","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28150"},"modified":"2026-07-14T17:03:01","modified_gmt":"2026-07-14T20:03:01","slug":"muito-alem-das-contas-a-educacao-financeira-como-instrumento-de-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28150","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m das contas: a educa\u00e7\u00e3o financeira como instrumento de cidadania"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma pesquisa divulgada recentemente pela SERASA revelou que as dificuldades financeiras figuram entre os principais fatores associados ao estresse, \u00e0 ansiedade e a outros problemas de sa\u00fade mental. O resultado confirma algo que n\u00f3s, Economistas, observamos h\u00e1 muito tempo: falar de educa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 falar de qualidade de vida, de planejamento e, sobretudo, de cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando uma fam\u00edlia convive diariamente com a preocupa\u00e7\u00e3o de pagar contas, reorganizar o or\u00e7amento ou lidar com d\u00edvidas, os efeitos ultrapassam a esfera econ\u00f4mica. Eles alcan\u00e7am as rela\u00e7\u00f5es familiares, a produtividade no trabalho, a sa\u00fade emocional e a capacidade de construir projetos para o futuro. O dinheiro, nesse contexto, deixa de ser apenas um meio de troca e passa a influenciar diretamente o bem-estar das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, temos vivenciado essa realidade de forma muito pr\u00f3xima por meio do projeto Corecon-ES nas Escolas, desenvolvido pelo Conselho Regional de Economia do Esp\u00edrito Santo desde 2016. Durante esse per\u00edodo, estivemos em contato com milhares de estudantes do ensino m\u00e9dio, de escolas p\u00fablicas e privadas, levando conhecimentos sobre planejamento financeiro, consumo consciente, or\u00e7amento familiar, cr\u00e9dito e organiza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa experi\u00eancia demonstra que a educa\u00e7\u00e3o financeira produz efeitos que v\u00e3o muito al\u00e9m da sala de aula. \u00c9 comum observarmos estudantes compartilhando esse aprendizado com suas fam\u00edlias, discutindo formas de organizar as finan\u00e7as pessoais, refletindo sobre h\u00e1bitos de consumo e compreendendo que decis\u00f5es financeiras tomadas hoje repercutem por muitos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, essas atividades aproximam os jovens da profiss\u00e3o de Economista. Muitos ainda desconhecem o amplo campo de atua\u00e7\u00e3o da Economia e descobrem que nosso trabalho vai muito al\u00e9m de c\u00e1lculos e indicadores. O Economista procura compreender como as pessoas, as empresas e o Estado tomam decis\u00f5es diante da escassez de recursos, contribuindo para a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es que promovam maior efici\u00eancia econ\u00f4mica e bem-estar social.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante reconhecer, entretanto, que a educa\u00e7\u00e3o financeira, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve todos os problemas enfrentados pelas fam\u00edlias brasileiras. As escolhas individuais s\u00e3o importantes, mas elas acontecem dentro de uma realidade econ\u00f4mica muitas vezes bastante desafiadora. A renda m\u00e9dia do trabalhador brasileiro permanece relativamente baixa para atender \u00e0s diversas<\/p>\n\n\n\n<p>necessidades das fam\u00edlias, enquanto o cr\u00e9dito continua sendo um dos mais caros do mundo, reflexo, entre outros fatores, das elevadas taxas de juros praticadas na economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, infla\u00e7\u00e3o, desemprego, informalidade, desigualdade de renda e oscila\u00e7\u00f5es da atividade econ\u00f4mica tamb\u00e9m condicionam o comportamento financeiro das fam\u00edlias. Por isso, n\u00e3o seria correto atribuir o elevado endividamento exclusivamente \u00e0 falta de planejamento individual. Trata-se de um fen\u00f4meno complexo, influenciado tanto pelas decis\u00f5es das pessoas quanto pelo ambiente econ\u00f4mico em que elas est\u00e3o inseridas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nesse cen\u00e1rio que a educa\u00e7\u00e3o financeira ganha ainda mais relev\u00e2ncia. Ela n\u00e3o elimina essas dificuldades estruturais, mas oferece instrumentos para que as pessoas compreendam melhor sua realidade, utilizem o cr\u00e9dito de forma mais consciente, organizem suas finan\u00e7as e tomem decis\u00f5es mais consistentes diante das limita\u00e7\u00f5es impostas pelo contexto econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos, por isso, que esse conhecimento ocupe um espa\u00e7o cada vez maior nas escolas. Ensinar educa\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o significa apenas ensinar algu\u00e9m a poupar. Significa desenvolver senso cr\u00edtico sobre consumo, planejamento, cr\u00e9dito, investimentos e responsabilidade financeira. Significa formar cidad\u00e3os mais preparados para compreender o funcionamento da economia e participar de forma mais consciente das decis\u00f5es que afetam suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa que relaciona dificuldades financeiras aos problemas de sa\u00fade mental refor\u00e7a uma convic\u00e7\u00e3o que constru\u00edmos ao longo de anos de atua\u00e7\u00e3o no Corecon-ES nas Escolas: investir em educa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 investir nas pessoas. E, talvez, poucos investimentos produzam retornos sociais t\u00e3o duradouros quanto oferecer conhecimento capaz de transformar decis\u00f5es, ampliar oportunidades e melhorar a qualidade de vida das fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Paix\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Presidente do Conselho Regional de Economia do Esp\u00edrito Santo (Corecon-ES) e palestrante e idealizador do projeto Corecon-ES nas escolas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa divulgada recentemente pela SERASA revelou que as dificuldades financeiras figuram entre os principais fatores associados ao estresse, \u00e0 ansiedade e a outros problemas de sa\u00fade mental. 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