{"id":28001,"date":"2026-06-16T17:37:55","date_gmt":"2026-06-16T20:37:55","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28001"},"modified":"2026-06-16T17:37:56","modified_gmt":"2026-06-16T20:37:56","slug":"conexoes-da-fronteira-amazonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28001","title":{"rendered":"Conex\u00f5es da Fronteira Amaz\u00f4nica"},"content":{"rendered":"\n<p>O desafio \u00e9 criar um macrozoneamento econ\u00f4mico que combine a preserva\u00e7\u00e3o da floresta com atividades agr\u00edcolas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por J\u00falio Miragaya*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O dilema entre o desenvolvimento de atividades produtivas e a prote\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o ambiental na Amaz\u00f4nia \u00e9 objeto de permanente e prof\u00edcuo debate no Pa\u00eds. Em que medida a abertura de novas \u00e1reas de ocupa\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o p\u00f5em em risco o bioma Amaz\u00f4nico? Eis uma quest\u00e3o pol\u00eamica. Tal discuss\u00e3o pontuou o 1\u00ba semin\u00e1rio regional \u201cEconomia de Fronteira e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d, realizado em 3 de junho em Rio Branco, Acre, promovido pelo Corecon RO\/AC, do qual tive a satisfa\u00e7\u00e3o de participar e ministrar a palestra \u201cAs conex\u00f5es da Amaz\u00f4nia Brasileira com os pa\u00edses vizinhos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A Amaz\u00f4nia Legal \u00e9 formada por nove estados e tem 5,1 milh\u00f5es de Km\u00b2, 60% do territ\u00f3rio nacional. Cerca de 2,1 milh\u00f5es de Km\u00b2 (40% do territ\u00f3rio) s\u00e3o constitu\u00eddos de \u00e1reas protegidas, sendo 1 milh\u00e3o de Km\u00b2 de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e 1,1 milh\u00e3o de terras ind\u00edgenas. J\u00e1 a \u00e1rea desflorestada, que na d\u00e9cada de 1960 n\u00e3o chegava a 200 mil Km\u00b2, mais que quadruplicou para 850 mil Km\u00b2. A principal causa do desmatamento na Amaz\u00f4nia tem sido a expans\u00e3o da pecu\u00e1ria bovina, pois soja e milho t\u00eam maior impacto indireto, em fun\u00e7\u00e3o da convers\u00e3o das \u00e1reas de pastagens em agr\u00edcolas no Centro-Sul do Pa\u00eds, o que aumenta a press\u00e3o pela abertura de novas \u00e1reas para pastos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do Estado nesse processo de ocupa\u00e7\u00e3o tem sido relevante, desde a \u201cMarcha para o Oeste\u201d de Vargas na d\u00e9cada de 1930 e a cria\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia do Plano de Valoriza\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica da Amaz\u00f4nia (SPVEA), em 1946. Mas se acentuou na ditadura militar, com a amplia\u00e7\u00e3o da malha vi\u00e1ria; a cria\u00e7\u00e3o da Sudan e da Suframa e a concess\u00e3o de incentivos fiscais; e os projetos de coloniza\u00e7\u00e3o privados e do Iincra, em particular ao longo Transamaz\u00f4nica (BR-230), da Cuiab\u00e1-Porto Velho (BR-364) e da Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m (BR-163).<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses amaz\u00f4nicos vizinhos \u2013 Bol\u00edvia, Peru, Col\u00f4mbia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa constituem um expressivo mercado consumidor de 150 milh\u00f5es de pessoas e PIB de US$ 1,2 trilh\u00e3o. O com\u00e9rcio exterior desses pa\u00edses soma US$ 530 bilh\u00f5es, mas apenas 4% com o Brasil. E a quase totalidade desse com\u00e9rcio se d\u00e1 com os estados do Centro-Sul, com os da Amaz\u00f4nia responde por apenas 0,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para incrementar a atividade comercial com os pa\u00edses vizinhos, torna-se necess\u00e1rio ampliar as conex\u00f5es, que compreendem tr\u00eas rotas prec\u00e1rias e incompletas: a Rota 1 (Ilha das Guianas) compreende conex\u00f5es com a Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Venezuela; a Rota 2 (Amaz\u00f4nica) compreende conex\u00f5es fluviais com Peru, Col\u00f4mbia e Equador; e a Rota 3 (Quadrante Rondon), compreende conex\u00f5es com Peru, Bol\u00edvia e Chile a partir de Rond\u00f4nia e Acre. Nesta \u00faltima encontra-se a Rodovia do Pac\u00edfico, que liga Rio Branco (AC) aos portos peruanos de Illo e Mollendo, atravessando a cordilheira dos Andes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda uma conex\u00e3o em implanta\u00e7\u00e3o ligando Porto Velho (RO) a La Paz, com a constru\u00e7\u00e3o da ponte sobre o rio Guapor\u00e9 em Guajar\u00e1-Mirim, e outra, cogitada pelos peruanos \u2013 uma liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria de 250 Km entre Cruzeiro do Sul (AC) e Pucallpa, a 720 Km de Lima por via pavimentada. H\u00e1 tamb\u00e9m o projeto chin\u00eas da Ferrovia do Pac\u00edfico (Bioce\u00e2nica), com 4.800 Km e custo estimado de US$ 60 bilh\u00f5es, que prev\u00ea a liga\u00e7\u00e3o do porto do A\u00e7u (RJ) ao peruano de Bayovar, passando por Lucas do Rio Verde (MT), Vilhena, Porto Velho, Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Pucallpa, que \u00e9 quase uma fic\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais vi\u00e1veis s\u00e3o dois projetos ferrovi\u00e1rios j\u00e1 em curso: a Ferronorte, que liga Rondon\u00f3polis (MT) ao porto de Santos e dever\u00e1 chegar ainda em 2026 a Campo Verde (MT) e tem previs\u00e3o de chegar a Lucas do Rio Verde (MT), 150 Km ao sul de Sinop, na BR-163, at\u00e9 2028; e a Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste (Fico), que ligar\u00e1 Mara Rosa (GO), no entroncamento com a ferrovia Norte-Sul, a Lucas do Rio Verde, at\u00e9 2029, sendo que em 2026 j\u00e1 alcan\u00e7ar\u00e1 \u00c1gua Boa (MT), no percurso da BR-158. Sua prevista extens\u00e3o at\u00e9 Vilhena (RO) n\u00e3o est\u00e1 garantida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fato que a floresta Amaz\u00f4nica deve ser preservada, mas os 25 milh\u00f5es de amaz\u00f4nidas desejam um maior desenvolvimento econ\u00f4mico e social. Somente manter a floresta em p\u00e9 garante isso? A justa bandeira da preserva\u00e7\u00e3o da floresta foi levantada h\u00e1 quatro ou cinco d\u00e9cadas. Mas se tivesse sido levantada h\u00e1 150 anos? Nessa \u00e9poca, todo o planalto paulista era ocupado por vastas extens\u00f5es de Mata Atl\u00e2ntica e foi completamente desmatado para dar lugar \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e pastagens para gado.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma devasta\u00e7\u00e3o se deu nas matas de arauc\u00e1ria do norte paranaense para dar lugar ao caf\u00e9, e posteriormente, \u00e0 soja e milho. H\u00e1 100 anos n\u00e3o existiam Londrina (fundada em 1929) e Maring\u00e1 (1946), aglomera\u00e7\u00f5es, hoje, com, respectivamente, 1 milh\u00e3o e 800 mil habitantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um efetivo macrozoneamento econ\u00f4mico que combine a preserva\u00e7\u00e3o da floresta com o desenvolvimento de atividades agr\u00edcolas, sempre buscando agrega\u00e7\u00e3o de valor a essa produ\u00e7\u00e3o. Eis o desafio posto!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As ideias, opini\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es contidas neste artigo s\u00e3o de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es), n\u00e3o refletindo, necessariamente, o posicionamento institucional do Conselho Federal de Economia, nem devendo ser interpretadas como manifesta\u00e7\u00e3o oficial da entidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desafio \u00e9 criar um macrozoneamento econ\u00f4mico que combine a preserva\u00e7\u00e3o da floresta com atividades agr\u00edcolas Por J\u00falio Miragaya* O dilema entre o desenvolvimento de atividades produtivas e a prote\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o ambiental na Amaz\u00f4nia \u00e9 objeto de permanente e<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=28001\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":28002,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-28001","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo-de-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28001"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28001"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28003,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28001\/revisions\/28003"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/28002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}