{"id":27902,"date":"2026-05-22T17:54:00","date_gmt":"2026-05-22T20:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27902"},"modified":"2026-05-22T17:54:02","modified_gmt":"2026-05-22T20:54:02","slug":"carta-de-sao-paulo-pela-economia-solidaria-justica-climatica-e-transicao-socioambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27902","title":{"rendered":"Carta de S\u00e3o Paulo pela Economia Solid\u00e1ria, justi\u00e7a clim\u00e1tica e transi\u00e7\u00e3o socioambiental\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Documento aprovado no semin\u00e1rio \u201cEconomia Solid\u00e1ria: Caminho para um Equil\u00edbrio Socioambiental\u201d, promovido pelo Cofecon e&nbsp;Corecon-SP nos dias 21 e 22 de maio<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado dos debates realizados durante o semin\u00e1rio \u201cEconomia Solid\u00e1ria: Caminho para um Equil\u00edbrio Socioambiental\u201d, promovido pelo&nbsp;Cofecon e pelo&nbsp;Corecon-SP&nbsp;nos dias 21 e 22 de maio, em S\u00e3o Paulo, os participantes aprovaram a \u201cCarta de S\u00e3o Paulo pela Economia Solid\u00e1ria, Justi\u00e7a Clim\u00e1tica e Transi\u00e7\u00e3o Socioambiental\u201d. O documento expressa o entendimento de que os desafios contempor\u00e2neos exigem novas formas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, fundamentadas na coopera\u00e7\u00e3o, na sustentabilidade e na participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Leia a \u00edntegra da carta:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carta de S\u00e3o Paulo pela Economia Solid\u00e1ria, justi\u00e7a clim\u00e1tica e transi\u00e7\u00e3o socioambiental<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, participantes do Semin\u00e1rio Nacional de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Economia Solid\u00e1ria, realizado pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon) e pelo Conselho Regional de Economia de S\u00e3o Paulo (Corecon-SP), nos dias 21 e 22 de maio de 2026, reunidos em torno do compromisso com a justi\u00e7a social, a sustentabilidade ambiental e a democracia econ\u00f4mica, afirmamos a necessidade urgente de construir novos caminhos para o desenvolvimento brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O semin\u00e1rio partiu do reconhecimento de que os desafios contempor\u00e2neos \u2014 crise clim\u00e1tica, aprofundamento das desigualdades sociais, inseguran\u00e7a alimentar, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, perda da biodiversidade e exaust\u00e3o dos recursos naturais \u2014 n\u00e3o podem ser enfrentados de forma fragmentada. Exigem uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural da forma como produzimos, consumimos, distribu\u00edmos riquezas e organizamos a vida em sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As discuss\u00f5es realizadas nas mesas \u201cTerrit\u00f3rios que sustentam a vida\u201d, \u201cProduzir, circular e consumir sem destruir\u201d e \u201cTrabalho digno, renda e meios de vida\u201d demonstraram que j\u00e1 existem alternativas concretas em constru\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios brasileiros. Experi\u00eancias de economia solid\u00e1ria, cooperativismo, agroecologia, finan\u00e7as solid\u00e1rias, tecnologias sociais, autogest\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o popular e pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias revelam que outro modelo econ\u00f4mico \u00e9 poss\u00edvel: um modelo centrado na vida, e n\u00e3o apenas na acumula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este semin\u00e1rio ocorre em um momento especialmente relevante para o pa\u00eds, ap\u00f3s a institui\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Economia Solid\u00e1ria pela Lei n\u00ba 15.068\/2024, que reconhece a autogest\u00e3o, a coopera\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio justo, a gest\u00e3o democr\u00e1tica, o desenvolvimento territorial sustent\u00e1vel e a preserva\u00e7\u00e3o ambiental como princ\u00edpios estruturantes da economia solid\u00e1ria. Esse marco legal amplia a responsabilidade das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, dos conselhos profissionais, das universidades e da sociedade civil na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas comprometidas com inclus\u00e3o produtiva, sustentabilidade e democracia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecemos que a economia solid\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 perif\u00e9rica nem complementar ao desenvolvimento. Ela representa uma estrat\u00e9gia estruturante para a transi\u00e7\u00e3o socioambiental brasileira. Sua pr\u00e1tica fortalece redes locais, amplia a inclus\u00e3o produtiva, promove trabalho digno, valoriza saberes populares e contribui para economias mais resilientes diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e das crises econ\u00f4micas globais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa, capaz de conciliar preserva\u00e7\u00e3o ambiental, soberania alimentar, redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda. Essa transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode reproduzir assimetrias hist\u00f3ricas nem aprofundar processos de financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza. Deve garantir participa\u00e7\u00e3o social, justi\u00e7a territorial e respeito aos povos ind\u00edgenas, quilombolas, comunidades tradicionais e popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, reconhecendo seus conhecimentos e modos de vida como fundamentais para o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e para a sustentabilidade das futuras gera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, propomos:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>1. O fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas de economia solid\u00e1ria, com amplia\u00e7\u00e3o de financiamento, assist\u00eancia t\u00e9cnica, incubadoras, compras p\u00fablicas e apoio institucional \u00e0s iniciativas populares, cooperativas e comunit\u00e1rias;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>2. A incorpora\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a clim\u00e1tica como eixo estruturante das pol\u00edticas econ\u00f4micas nacionais, reconhecendo que os impactos ambientais atingem de forma desigual os territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es vulnerabilizadas;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>3. O incentivo \u00e0 agroecologia, \u00e0s cadeias curtas de produ\u00e7\u00e3o e consumo, \u00e0 soberania alimentar e \u00e0s pr\u00e1ticas produtivas regenerativas;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>4. A valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho digno, da prote\u00e7\u00e3o social e da economia do cuidado em um contexto de transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, automa\u00e7\u00e3o e reconfigura\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>5. O fortalecimento das finan\u00e7as solid\u00e1rias, bancos comunit\u00e1rios, moedas sociais e mecanismos econ\u00f4micos voltados ao desenvolvimento territorial sustent\u00e1vel;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>6. A constru\u00e7\u00e3o de indicadores econ\u00f4mico-ecol\u00f3gicos que superem a centralidade exclusiva do crescimento do PIB e incorporem as dimens\u00f5es sociais, ambientais,&nbsp;culturais e de bem-viver;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>7. A promo\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica cr\u00edtica, popular e emancipadora, consciente dos limites biof\u00edsicos do planeta e comprometida com a sustentabilidade, a democracia e os direitos humanos;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>8. O reconhecimento da \u00e1gua, da biodiversidade e dos bens comuns como patrim\u00f4nios ecol\u00f3gicos indispens\u00e1veis \u00e0 vida, cuja gest\u00e3o deve priorizar o interesse coletivo e a justi\u00e7a&nbsp;intra&nbsp;e intergeracional;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>9. O fortalecimento da participa\u00e7\u00e3o social na formula\u00e7\u00e3o, monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais, econ\u00f4micas e territoriais;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>10. A constru\u00e7\u00e3o de uma agenda nacional de transi\u00e7\u00e3o socioambiental articulada aos compromissos clim\u00e1ticos internacionais e aos debates consolidados na COP30, reafirmando o papel do Brasil na formula\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es globais comprometidas com a vida, os territ\u00f3rios e a justi\u00e7a clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta Carta de S\u00e3o Paulo reafirma a necessidade de aproximar a economia dos limites ecol\u00f3gicos do planeta e das necessidades reais da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o haver\u00e1 sustentabilidade sem justi\u00e7a social, assim como n\u00e3o haver\u00e1 desenvolvimento duradouro sem preserva\u00e7\u00e3o ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seguiremos articulando institui\u00e7\u00f5es, movimentos sociais, universidades, economistas, trabalhadores, povos e comunidades tradicionais na constru\u00e7\u00e3o de uma economia comprometida com o bem-viver, a coopera\u00e7\u00e3o, a democracia econ\u00f4mica e a preserva\u00e7\u00e3o da vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo, 22 de maio de 2026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento aprovado no semin\u00e1rio \u201cEconomia Solid\u00e1ria: Caminho para um Equil\u00edbrio Socioambiental\u201d, promovido pelo Cofecon e&nbsp;Corecon-SP nos dias 21 e 22 de maio&nbsp; Como resultado dos debates realizados durante o semin\u00e1rio \u201cEconomia Solid\u00e1ria: Caminho para um Equil\u00edbrio Socioambiental\u201d, promovido pelo&nbsp;Cofecon e<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27902\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27903,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,1],"tags":[],"class_list":["post-27902","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27902"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27902"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27902\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27905,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27902\/revisions\/27905"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}