{"id":27899,"date":"2026-05-22T17:26:13","date_gmt":"2026-05-22T20:26:13","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27899"},"modified":"2026-05-22T17:26:14","modified_gmt":"2026-05-22T20:26:14","slug":"marcio-pochmann-defende-nova-agenda-estatistica-para-tornar-visiveis-brasileiros-a-margem-da-economia-formal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27899","title":{"rendered":"Marcio Pochmann defende nova agenda estat\u00edstica para tornar vis\u00edveis brasileiros \u00e0 margem da economia formal\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Presidente do IBGE realizou a palestra de abertura do semin\u00e1rio \u201cEconomia Solid\u00e1ria: Caminho para um Equil\u00edbrio Socioambiental\u201d, promovido pelo Sistema Cofecon\/Corecons\u00a0nos dias 21 e 22<\/em>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A economia solid\u00e1ria, a informalidade, a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, os brasileiros que vivem no exterior e milh\u00f5es de trabalhadores que obt\u00eam renda por meio de atividades digitais precisam deixar de ocupar uma posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica nas estat\u00edsticas oficiais e passar a integrar o centro do planejamento p\u00fablico brasileiro. Essa foi uma das principais mensagens do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica&nbsp;(IBGE), Marcio Pochmann,&nbsp;ao realizar,&nbsp;na&nbsp;manh\u00e3 de 21 de maio,&nbsp;a palestra de abertura do semin\u00e1rio Economia Solid\u00e1ria: Caminho para um Equil\u00edbrio Socioambiental, promovido pelo Sistema Cofecon\/Corecons.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;Pochmann, parte significativa dos desafios contempor\u00e2neos decorre da exist\u00eancia de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o que historicamente permaneceu \u00e0 margem das formas tradicionais de inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Para explicar essa realidade, ele recuperou interpreta\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas da forma\u00e7\u00e3o social brasileira. Citando o historiador S\u00e9rgio Buarque de Holanda, lembrou a exist\u00eancia dos chamados \u201cagregados sociais\u201d, grupos que n\u00e3o eram propriet\u00e1rios nem escravizados e que sobreviviam em atividades de subsist\u00eancia. Tamb\u00e9m mencionou as reflex\u00f5es de Caio Prado J\u00fanior sobre a chamada \u201cmassa inorg\u00e2nica\u201d do capitalismo, composta por pessoas que n\u00e3o se encaixavam plenamente na l\u00f3gica da rela\u00e7\u00e3o entre patr\u00e3o e empregado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHavia uma parcela relativamente pequena que era adequada aos requisitos do capitalismo, mas a grande parcela vivia distante disso. Esse era o impasse dessa massa inorg\u00e2nica\u201d, comentou Pochmann. \u201cEssa massa sobrante estava envolvida na atividade de subsist\u00eancia. Uma parte dela estava envolvida em economia solid\u00e1ria, mas subordinada ao fanatismo religioso. Foi o caso de Canudos, por exemplo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX, argumentou, o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, industrializa\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas permitiu incorporar parte dessa popula\u00e7\u00e3o ao mercado formal. \u201cQuando a CLT foi criada, apenas 13% da popula\u00e7\u00e3o ocupada estava em condi\u00e7\u00f5es de ser assalariada. Ainda assim, ela estabeleceu um horizonte de inclus\u00e3o\u201d, observou&nbsp;o economista. Nas d\u00e9cadas seguintes, a expans\u00e3o dos direitos trabalhistas ampliou a cobertura social.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o presidente do IBGE, entretanto, esse processo sofreu uma inflex\u00e3o importante a partir dos anos 1980. Segundo ele, o capitalismo contempor\u00e2neo passou a incorporar proporcionalmente menos pessoas. Atualmente, estimou, apenas 49% da popula\u00e7\u00e3o estaria inserida diretamente na din\u00e2mica capitalista tradicional, enquanto cerca de 40% sobrevivem em atividades de subsist\u00eancia ou em formas de ocupa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seguem plenamente a l\u00f3gica do emprego formal. Nesse contexto, afirmou, consolidou-se uma economia de \u201cdois circuitos\u201d: um superior, mais integrado aos fluxos de capital, tecnologia e informa\u00e7\u00e3o, e outro inferior, marcado pela informalidade, pela instabilidade e pela busca permanente por meios de sobreviv\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dados como instrumento de soberania<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista tamb\u00e9m abordou o papel estrat\u00e9gico da produ\u00e7\u00e3o estat\u00edstica na forma\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.&nbsp;Pochmann lembrou que a cria\u00e7\u00e3o dos organismos oficiais de estat\u00edstica no Brasil esteve associada \u00e0 necessidade de conhecer uma realidade que frequentemente contrariava narrativas consolidadas pelas elites da \u00e9poca. Como exemplo, citou o Censo de 1872, que revelou um pa\u00eds muito diferente da imagem de uma na\u00e7\u00e3o predominantemente branca, alfabetizada e europeizada ent\u00e3o difundida por setores influentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s fazer um hist\u00f3rico da produ\u00e7\u00e3o de dados e da cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do IBGE, Pochmann mencionou que a transforma\u00e7\u00e3o do Brasil, ao deixar de ser majoritariamente rural para tornar-se urbano, exigia outra forma de fazer pesquisa. \u201cA Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios tem in\u00edcio em 1967, e em 1979 o IBGE come\u00e7a a fazer os \u00edndices de pre\u00e7os. At\u00e9 a transi\u00e7\u00e3o da ditadura para a democracia, parte das estat\u00edsticas eram feitas na esfera privada. Os \u00edndices de pre\u00e7os, por exemplo, eram feitos pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas\u201d, pontuou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, avalia, o desafio \u00e9 ainda maior.&nbsp;\u201cVivemos em uma sociedade que n\u00e3o \u00e9 industrial, \u00e9 de servi\u00e7os,&nbsp;hiperconectada, que quer os dados hoje. Temos uma disputa pela soberania de dados com a presen\u00e7a das big&nbsp;techs\u201d, afirmou. \u201cElas&nbsp;realizam uma esp\u00e9cie de censo di\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o por meio das informa\u00e7\u00f5es que fornecemos ao utilizar plataformas digitais. Alimentamos bancos de dados que s\u00e3o processados por algoritmos e os dados viraram neg\u00f3cio. \u00c9 uma quest\u00e3o-chave: quem produz dados governa o futuro\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novas pesquisas para um novo Brasil<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do IBGE tamb\u00e9m falou sobre novas pesquisas que a institui\u00e7\u00e3o produz ou produzir\u00e1. \u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia solid\u00e1ria, precisamos mostrar quem s\u00e3o estes invis\u00edveis\u201d, observou. \u201cTemos que fazer o censo dos brasileiros no exterior. O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores tem um cadastro, mas em 2012 t\u00ednhamos 1,8 milh\u00e3o de brasileiros fora do pa\u00eds, e hoje s\u00e3o mais de 5 milh\u00f5es\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessas transforma\u00e7\u00f5es, o IBGE prepara uma s\u00e9rie de iniciativas destinadas a ampliar o conhecimento sobre segmentos ainda pouco estudados da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Entre elas est\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o do primeiro levantamento nacional sobre a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, al\u00e9m de estudos espec\u00edficos sobre os brasileiros residentes no exterior, cuja quantidade teria saltado de aproximadamente 1,8 milh\u00e3o de pessoas em 2012 para mais de 5 milh\u00f5es atualmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra frente destacada por Pochmann \u00e9 a atualiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es sobre a economia informal urbana. O \u00faltimo levantamento abrangente sobre o tema foi realizado em 2003, antes da expans\u00e3o das plataformas digitais e das novas formas de trabalho mediadas por aplicativos e redes sociais.&nbsp;\u201cTemos 23 milh\u00f5es de brasileiros que apuram renda da internet. \u00c9 uma realidade que n\u00e3o conhecemos bem. Precisamos fazer um esfor\u00e7o emp\u00edrico para produzir estas informa\u00e7\u00f5es. Se o dado n\u00e3o existe, n\u00e3o entra na pol\u00edtica p\u00fablica\u201d, observou. \u201cA Pesquisa de Or\u00e7amento Familiar, feita de 2024 a 2026, tem um ineditismo de trazer v\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es, entre elas o uso do tempo. A partir de 2028, faremos de forma cont\u00ednua\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do IBGE concluiu dizendo que \u201ctemos a expectativa de que o capitalismo resolva os problemas. \u00c9 importante que ele se desenvolva, mas ele n\u00e3o vai incorporar uma parcela da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o economista. \u201cQue tipo de pol\u00edticas podemos ter? Eventos como o de hoje s\u00e3o importantes para refletir neste sentido\u201d, finalizou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fala de Pochmann pode ser assistida no player abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Dia 1 do Semin\u00e1rio de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Economia Solid\u00e1ria\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sF-jcWOPGW4?start=2461&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente do IBGE realizou a palestra de abertura do semin\u00e1rio \u201cEconomia Solid\u00e1ria: Caminho para um Equil\u00edbrio Socioambiental\u201d, promovido pelo Sistema Cofecon\/Corecons\u00a0nos dias 21 e 22\u00a0 A economia solid\u00e1ria, a informalidade, a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, os brasileiros que vivem<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27899\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27900,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-27899","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27899"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27899"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27899\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27901,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27899\/revisions\/27901"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27900"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}