{"id":27650,"date":"2026-04-10T15:26:17","date_gmt":"2026-04-10T18:26:17","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27650"},"modified":"2026-04-10T17:43:09","modified_gmt":"2026-04-10T20:43:09","slug":"podcast-economistas-economia-solidaria-no-centro-do-futuro-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27650","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Economia solid\u00e1ria no centro do futuro sustent\u00e1vel\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Economistas apontam como coopera\u00e7\u00e3o e respeito aos limites ecol\u00f3gicos podem redefinir os caminhos do desenvolvimento do Brasil. Tema ser\u00e1 discutido em semin\u00e1rio nos dias 21 e 22 de maio<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do&nbsp;podcast Economistas! A Comiss\u00e3o Sustentabilidade Econ\u00f4mica e Ambiental do Cofecon escolheu o tema da economia solid\u00e1ria como eixo do trabalho a ser realizado no ano de 2026. Em que pontos a economia ecol\u00f3gica e a solid\u00e1ria convergem? A conselheira federal Elis Braga&nbsp;Licks, o professor Lucas Ferreira Lima e a economista Mara Rubia Domingues falam sobre o assunto no podcast, que pode ser ouvido em sua plataforma favorita ou no player abaixo. E se voc\u00ea quiser se aprofundar mais, nos dias 21 e 22 de maio ser\u00e1 realizado, em S\u00e3o Paulo, o semin\u00e1rio \u201cEconomia solid\u00e1ria: caminho para o equil\u00edbrio socioambiental\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe data-testid=\"embed-iframe\" style=\"border-radius:12px\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/220g4uDhEG49kqj3iebWt6?utm_source=generator\" width=\"100%\" height=\"352\" frameBorder=\"0\" allowfullscreen=\"\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Vivemos um tempo em que as contradi\u00e7\u00f5es do modelo econ\u00f4mico contempor\u00e2neo se tornam cada vez mais vis\u00edveis. De um lado, a intensifica\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica e a press\u00e3o crescente sobre os recursos naturais do planeta causam uma s\u00e9rie de consequ\u00eancias, como a perda acelerada da biodiversidade. Por outro lado, fatores como o agravamento das desigualdades sociais e a persist\u00eancia de padr\u00f5es produtivos que concentram renda ampliam as vulnerabilidades e desafiam a pr\u00f3pria sustentabilidade da vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 poss\u00edvel construir um modelo de desenvolvimento que possa conciliar gera\u00e7\u00e3o de renda, justi\u00e7a social e equil\u00edbrio ambiental? Foi a partir desta pergunta que a Comiss\u00e3o Sustentabilidade Econ\u00f4mica e Ambiental do Cofecon, coordenada pela conselheira Elis Braga&nbsp;Licks, escolheu a economia solid\u00e1ria como tema central de suas reflex\u00f5es para o ano de 2026.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVemos hoje a converg\u00eancia de tr\u00eas grandes processos: o avan\u00e7o da crise clim\u00e1tica, a perda acelerada da biodiversidade e o agravamento das desigualdades sociais. Estes fen\u00f4menos n\u00e3o s\u00e3o isolados: revelam limites do modelo econ\u00f4mico contempor\u00e2neo, baseado na expans\u00e3o ilimitada sobre uma base ecol\u00f3gica que \u00e9 finita\u201d, observa Elis.&nbsp;\u201cN\u00e3o basta apenas uma transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ou produtiva. \u00c9 preciso uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica que seja tamb\u00e9m socialmente justa, e \u00e9 neste ponto que a economia solid\u00e1ria ganha centralidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A economia solid\u00e1ria era definida por Paul Singer como uma \u201ceconomia do n\u00f3s\u201d, ou seja, das pessoas. \u201cEla prop\u00f5e uma reorganiza\u00e7\u00e3o da forma&nbsp;de produzir, consumir e distribuir riqueza, colocando a vida no centro da economia\u201d, prossegue a conselheira federal.&nbsp;\u201cEla se baseia em princ\u00edpios como coopera\u00e7\u00e3o, autogest\u00e3o, democracia econ\u00f4mica e valoriza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios. Ela dialoga com a economia ecol\u00f3gica \u2013 uma abordagem que defende que a economia \u00e9 um subsistema da&nbsp;natureza e, portanto, deve respeitar seus limites biof\u00edsicos. A economia solid\u00e1ria funciona como uma ponte entre essa base te\u00f3rica e a pr\u00e1tica concreta\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cooperativas, finan\u00e7as solid\u00e1rias, agroecologia e reciclagem s\u00e3o formas de organiza\u00e7\u00e3o produtiva que colocam o bem comum e a coopera\u00e7\u00e3o no centro das decis\u00f5es econ\u00f4micas. \u201cA economia solid\u00e1ria j\u00e1 existe nos territ\u00f3rios e aponta caminhos reais para uma economia de baixo impacto ambiental e maior inclus\u00e3o social. Ela tamb\u00e9m contribui para revalorizar o trabalho e as comunidades, fortalecer v\u00ednculos sociais e promover inclus\u00e3o produtiva e o respeito aos limites ecol\u00f3gicos, por meio de pr\u00e1ticas como reaproveitamento de res\u00edduos, produ\u00e7\u00e3o local e uso respons\u00e1vel dos recursos naturais\u201d, comenta Elis. \u201cRedes como a Justa Trama na produ\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil sustent\u00e1vel, ou iniciativas como o Banco Mumbuca, em Maric\u00e1, demonstram que \u00e9 poss\u00edvel articular&nbsp;a gera\u00e7\u00e3o de renda, inclus\u00e3o social e sustentabilidade ambiental em escala territorial. A economia solid\u00e1ria \u00e9 o reconhecimento de que j\u00e1 existem alternativas em constru\u00e7\u00e3o e que o papel das pol\u00edticas p\u00fablicas, das institui\u00e7\u00f5es&nbsp;de da&nbsp;pr\u00f3pria economia \u00e9 fortalecer essas iniciativas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cr\u00edtica ao sistema vigente<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A economia ecol\u00f3gica parte de uma cr\u00edtica ao sistema econ\u00f4mico vigente. De acordo com o economista Lucas Ferreira Lima, o modelo econ\u00f4mico tradicional tem dificuldade para lidar com crises ambientais e sociais porque desconsidera essas vari\u00e1veis. Ele explica que o modelo est\u00e1 firmado em tr\u00eas premissas: o \u201cceteris&nbsp;paribus\u201d (express\u00e3o latina que significa \u201ctudo o mais constante\u201d), a neutralidade da economia e a plena substitutibilidade dos fatores de produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTudo o mais constante, n\u00e3o haver\u00e1 fome, pobreza, mis\u00e9ria, impactos ambientais. O crescimento econ\u00f4mico infinito \u00e9 o objetivo central da teoria neocl\u00e1ssica. Nela, todo crescimento \u00e9 ben\u00e9fico\u201d, aponta Lucas. \u201cEnt\u00e3o, se estamos numa sociedade que tem pouco trabalho, vamos intensificar o fator produtivo capital, investir em m\u00e1quinas e equipamentos, aumentar a produtividade do capital. E se acabarem os recursos naturais, se acabar a madeira, as mesas ser\u00e3o feitas de outro recurso, como pl\u00e1stico\u201d, ironiza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fazer esta cr\u00edtica ao modelo vigente por desconsiderar fatores ecol\u00f3gicos e sociais,&nbsp;Lima&nbsp;aponta que a&nbsp;diferen\u00e7a da&nbsp;economia ecol\u00f3gica \u00e9&nbsp;ter&nbsp;como ponto de partida o fato de a economia ser um subsistema do ecossistema global, regido por leis biof\u00edsicas&nbsp;(leis da termodin\u00e2mica). \u201cEm ess\u00eancia, neste modelo, a economia n\u00e3o \u00e9 neutra. Quando optamos por ampliar capital, temos que ter consci\u00eancia de que estamos reduzindo o estoque de recursos naturais\u201d, observa o economista. \u201cHerman Daly traz essa diferencia\u00e7\u00e3o entre a economia ecol\u00f3gica e a neocl\u00e1ssica com uma vis\u00e3o de estoque e fluxo. Como economistas ecol\u00f3gicos, devemos pensar os recursos naturais nessas duas dimens\u00f5es\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das quest\u00f5es importantes no debate sobre sustentabilidade \u00e9 entender at\u00e9 que ponto o mercado j\u00e1 incorporou mudan\u00e7as estruturais em suas pr\u00e1ticas ou se&nbsp;predomina a l\u00f3gica orientada pelo curto prazo.&nbsp;&nbsp;O avan\u00e7o da agenda ambiental, social e de governan\u00e7a (ESG) trouxe novos par\u00e2metros e ampliou o olhar sobre os riscos e impactos, mas ainda h\u00e1 d\u00favidas sobre a profundidade destas transforma\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO ESG ajudou a trazer para o centro do debate temas&nbsp;importantes, o que \u00e9 um avan\u00e7o, mas esta mudan\u00e7a ainda n\u00e3o mexeu no centro das decis\u00f5es econ\u00f4micas. Os custos ambientais ainda s\u00e3o mal incorporados e a distribui\u00e7\u00e3o de valor nas cadeias produtivas continua muito desigual\u201d, pontua a economista Mara&nbsp;Rubia&nbsp;Domingues. \u201cExiste mudan\u00e7a, mas ela ainda esbarra em limites estruturais.&nbsp;A sustentabilidade s\u00f3 se torna transforma\u00e7\u00e3o de fato quando passa a orientar investimento, compras, governan\u00e7a, cadeia produtiva e estrat\u00e9gia de longo prazo. A economia solid\u00e1ria amplia essa discuss\u00e3o: ela recoloca no centro n\u00e3o s\u00f3 o que se produz, mas tamb\u00e9m como se produz, para quem e com que efeitos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coopera\u00e7\u00e3o no centro do pensamento econ\u00f4mico<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trazer a coopera\u00e7\u00e3o e a solidariedade para o centro do pensamento econ\u00f4mico \u00e9 uma mudan\u00e7a importante. \u201cFortalecer a coopera\u00e7\u00e3o exige, antes de tudo, reconhecer que a economia \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social e, portanto, pode ser reorganizada a partir de outros valores e princ\u00edpios. Mas n\u00e3o \u00e9 um desafio simples\u201d, observa Elis. \u201cMuitos profissionais ainda tratam este tema como algo secund\u00e1rio ou confundem com assistencialismo, o que \u00e9 um equ\u00edvoco. Economia solid\u00e1ria \u00e9 produ\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de renda, organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e desenvolvimento econ\u00f4mico. A diferen\u00e7a \u00e9 que ela se estrutura a partir da coopera\u00e7\u00e3o, autogest\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o mais justa dos resultados\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da economista, superar esta vis\u00e3o passa necessariamente pela forma\u00e7\u00e3o dos economistas. \u201cAl\u00e9m disso, fortalecer a coopera\u00e7\u00e3o na economia depende de pol\u00edticas p\u00fablicas que reconhe\u00e7am e apoiem as iniciativas de economia solid\u00e1ria, permitindo que elas ganhem escala e deixem de ocupar um espa\u00e7o marginal\u201d, aponta. \u201cTamb\u00e9m passa pelo fortalecimento de pr\u00e1ticas concretas nos territ\u00f3rios (cooperativas, redes locais, iniciativas de reciclagem, agricultura familiar) que mostram, na pr\u00e1tica, que \u00e9 poss\u00edvel produzir e gerar renda de forma mais justa e sustent\u00e1vel. Coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade n\u00e3o s\u00e3o opostas \u00e0 efici\u00eancia econ\u00f4mica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A economia ecol\u00f3gica tamb\u00e9m questiona a ideia de que a competi\u00e7\u00e3o leva automaticamente ao equil\u00edbrio e ao bem-estar geral. \u201cTodos os dados e informa\u00e7\u00f5es das autoridades clim\u00e1ticas mostram que os impactos do atual modelo econ\u00f4mico est\u00e3o em n\u00edveis muito elevados. A economia ecol\u00f3gica defende uma vis\u00e3o oposta \u00e0 concorr\u00eancia perfeita neocl\u00e1ssica: uma vis\u00e3o de consci\u00eancia ecol\u00f3gica&nbsp;intra&nbsp;e intergeracional\u201d, comenta Lucas Lima. \u201cTemos que pensar na nossa gera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m nas gera\u00e7\u00f5es futuras. Este \u00e9 o princ\u00edpio b\u00e1sico do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Se a degrada\u00e7\u00e3o ambiental no presente for muito elevada e superar a capacidade de resili\u00eancia do sistema, as gera\u00e7\u00f5es futuras viver\u00e3o num planeta com qualidade ambiental muito inferior\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns exemplos de qualidade ambiental inferior incluem falta de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, baixa qualidade da \u00e1gua, eventos clim\u00e1ticos extremos e monotonia agroalimentar, sendo que este \u00faltimo elemento tamb\u00e9m traz um consumo cada vez maior de alimentos ultraprocessados. \u201cPrecisamos, enquanto economistas, ampliar esta consci\u00eancia ecol\u00f3gica, propondo instrumentos econ\u00f4mico-ecol\u00f3gicos que&nbsp;prezem por uma economia que concilie gera\u00e7\u00e3o de renda e oportunidades com erradica\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria e fome, dentro dos limites biof\u00edsicos e termodin\u00e2micos do planeta\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Visibilidade da economia solid\u00e1ria<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de apresentar resultados concretos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de renda e \u00e0 inclus\u00e3o produtiva, a economia solid\u00e1ria ainda enfrenta resist\u00eancia e \u00e9 vista como algo secund\u00e1rio numa estrat\u00e9gia de desenvolvimento. \u201cEm geral, o mercado trabalha com uma vis\u00e3o muito estreita do que reconhece como efici\u00eancia e valor. O que pesa mais \u00e9 escala, competitividade e retorno imediato. Iniciativas comunit\u00e1rias e formas de gest\u00e3o coletiva ficam em segundo plano, mesmo quando geram resultados econ\u00f4micos relevantes\u201d, questiona Mara&nbsp;Rubia. \u201cEsta vis\u00e3o subestima resultados centrais, como gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda, inclus\u00e3o produtiva, fortalecimento das economias locais, resili\u00eancia territorial e redu\u00e7\u00e3o dos impactos socioambientais\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas iniciativas de economia solid\u00e1ria ainda t\u00eam dificuldade para acessar financiamento, ganhar visibilidade e ocupar espa\u00e7o em mercados estruturados. \u201cPara mudar essa percep\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso ampliar as pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio e dar visibilidade \u00e0s experi\u00eancias que j\u00e1 funcionam\u201d, prossegue a economista. \u201cTamb\u00e9m \u00e9 importante aproximar este debate da forma\u00e7\u00e3o dos economistas e das estrat\u00e9gias empresariais. A economia solid\u00e1ria n\u00e3o deve ser vista como algo complementar; precisa ser reconhecida como parte da solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para um desenvolvimento mais inclusivo e sustent\u00e1vel\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como integrar este modelo \u00e0s din\u00e2micas do mercado?&nbsp;\u201cEsta conex\u00e3o acontece quando a sustentabilidade deixa de ser um discurso paralelo e passa a orientar a l\u00f3gica do neg\u00f3cio.&nbsp;Ela traz elementos que s\u00e3o centrais: coopera\u00e7\u00e3o, v\u00ednculo com o territ\u00f3rio e inclus\u00e3o produtiva, participa\u00e7\u00e3o e compromisso com o bem comum\u201d, comenta Mara&nbsp;Rubia. \u201cNa pr\u00e1tica, a conex\u00e3o pode acontecer por meio de compras respons\u00e1veis, da integra\u00e7\u00e3o de cooperativas e redes locais \u00e0s cadeias produtivas e de estrat\u00e9gias de economia circular. Isso aparece de forma concreta em iniciativas como reciclagem, reaproveitamento de materiais, log\u00edstica reversa, finan\u00e7as solid\u00e1rias e modelos de governan\u00e7a mais participativos\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A economista argumenta que n\u00e3o se trata de opor mercado e economia solid\u00e1ria, mas de construir arranjos produtivos mais eficientes. \u201cA quest\u00e3o central n\u00e3o \u00e9 saber se \u00e9 poss\u00edvel. J\u00e1 existem experi\u00eancias concretas que mostram que funciona. O desafio \u00e9 ampliar escala, financiamento, reconhecimento institucional e espa\u00e7o econ\u00f4mico, para que estas iniciativas deixem de ser exce\u00e7\u00e3o e passem a&nbsp;influenciar o desenvolvimento que queremos construir no Pa\u00eds\u201d, pontua Mara&nbsp;Rubia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o economista Lucas Lima, a economia ecol\u00f3gica e a economia solid\u00e1ria, embora tenham origens distintas, compartilham princ\u00edpios que permitem pensar um novo padr\u00e3o de desenvolvimento baseado em limites ambientais, justi\u00e7a social e novas formas de organiza\u00e7\u00e3o produtiva.&nbsp;\u201cElas&nbsp;t\u00eam muita proximidade em seus pressupostos. N\u00f3s, economistas, temos a possibilidade de integrar autogest\u00e3o, solidariedade, igualdade e justi\u00e7a social aos limites termodin\u00e2micos do planeta\u201d, observa&nbsp;Lima. \u201cNa economia ecol\u00f3gica, essa integra\u00e7\u00e3o pode se dar a partir da defini\u00e7\u00e3o da escala de uso sustent\u00e1vel dos recursos, da distribui\u00e7\u00e3o justa e inclusiva e, por fim, das pol\u00edticas de aloca\u00e7\u00e3o eficiente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias tentativas t\u00eam sido feitas para definir o uso sustent\u00e1vel dos recursos \u2013 entre elas, os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a&nbsp;tentativa de manter a temperatura terrestre dentro do limite de&nbsp;at\u00e9 1,5 grau acima da era pr\u00e9-industrial e&nbsp;os conceitos de pegada de carbono e limite planet\u00e1rio. J\u00e1 a discuss\u00e3o sobre distribui\u00e7\u00e3o justa e inclusiva dos recursos&nbsp;inclui&nbsp;a garantia de alimentos e \u00e1gua com qualidade a toda a popula\u00e7\u00e3o, a responsabilidade pela conserva\u00e7\u00e3o e o tratamento de res\u00edduos. A aloca\u00e7\u00e3o eficiente de recursos traz debates como o pagamento por servi\u00e7os ambientais e as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o, saneamento e sa\u00fade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Semin\u00e1rio&nbsp;nacional<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da necessidade de repensar os caminhos do desenvolvimento, iniciativas que ampliam o debate econ\u00f4mico e que conectam teoria e pr\u00e1tica ganham ainda mais relev\u00e2ncia. Nos dias 21 e 22 de maio de 2026 o Cofecon e o&nbsp;Corecon-SP realizar\u00e3o um semin\u00e1rio nacional com o tema \u201cEconomia solid\u00e1ria: caminho para o equil\u00edbrio socioambiental\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO tema parte do reconhecimento de que os desafios que enfrentamos hoje, como a crise clim\u00e1tica, a perda da biodiversidade e o aumento das desigualdades, n\u00e3o podem ser tratados de forma separada. Eles exigem uma nova forma de pensar a economia que integre as dimens\u00f5es social, ambiental e produtiva\u201d, explica a coordenadora da Comiss\u00e3o Sustentabilidade Econ\u00f4mica e Ambiental do Cofecon, Elis&nbsp;Licks. \u201cAo longo de dois dias reuniremos profissionais e especialistas de destaque que j\u00e1 v\u00eam discutindo essas novas formas de produ\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nas quais a sustentabilidade n\u00e3o \u00e9 um complemento, mas um elemento estruturante\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O evento se apresenta como um espa\u00e7o estrat\u00e9gico de reflex\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o coletiva sobre caminhos concretos para um futuro socialmente justo e ambientalmente sustent\u00e1vel.&nbsp;\u201cO semin\u00e1rio busca provocar um deslocamento no debate econ\u00f4mico tradicional e mostrar que a economia solid\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 perif\u00e9rica, mas um caminho concreto para construir esse equil\u00edbrio socioambiental. As experi\u00eancias demonstram que j\u00e1 existem alternativas em constru\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Elis. \u201cQueremos provocar uma mudan\u00e7a de perspectiva, colocando em evid\u00eancia que o&nbsp;equil\u00edbrio entre economia, sociedade e meio ambiente n\u00e3o \u00e9 apenas desej\u00e1vel, mas essencial para o futuro do desenvolvimento do Brasil\u201d, finaliza a economista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Participantes<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elis Braga&nbsp;Licks&nbsp;\u00e9 doutora em Economia Aplicada pela Universidade de S\u00e3o Paulo.&nbsp;Atua com pol\u00edticas p\u00fablicas voltada ao meio ambiente, desastres socioambientais e ensino superior.&nbsp;\u00c9 coordenadora da Comiss\u00e3o Sustentabilidade Econ\u00f4mica e Ambiental do Cofecon.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas Ferreira Lima \u00e9 graduado pela&nbsp;Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia,&nbsp;mestre e&nbsp;doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pela&nbsp;Universidade Estadual de Campinas.&nbsp;\u00c9&nbsp;pesquisador&nbsp;colaborador no Instituto de Economia da Unicamp e est\u00e1 associado a dois projetos financiados pela FAPESP.&nbsp;\u00c9&nbsp;membro da Diretoria Executiva da Sociedade Brasileira de Economia Ecol\u00f3gica (ECOECO).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mara Rubia Domingues \u00e9 graduada pela Universidade S\u00e3o Francisco, com MBA em Gest\u00e3o Empresarial pela funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e em ESG pelo&nbsp;Ibmec. Atuou por 16 anos nos bancos Santander e Ita\u00fa. \u00c9 especialista em ESG na empresa&nbsp;Canopus&nbsp;Tech &amp; ESG.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economistas apontam como coopera\u00e7\u00e3o e respeito aos limites ecol\u00f3gicos podem redefinir os caminhos do desenvolvimento do Brasil. Tema ser\u00e1 discutido em semin\u00e1rio nos dias 21 e 22 de maio&nbsp; Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do&nbsp;podcast Economistas! A Comiss\u00e3o Sustentabilidade<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27650\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27590,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"class_list":["post-27650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27650"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27650"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27650\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27666,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27650\/revisions\/27666"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}