{"id":27572,"date":"2026-03-24T13:55:30","date_gmt":"2026-03-24T16:55:30","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27572"},"modified":"2026-03-24T13:55:31","modified_gmt":"2026-03-24T16:55:31","slug":"recuperacao-extrajudicial-de-empresas-e-o-papel-do-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27572","title":{"rendered":"\u00a0Recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial de empresas e o papel do economista"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o que combina efici\u00eancia econ\u00f4mica, discri\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e flexibilidade negocial, voltada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de empresas vi\u00e1veis. Artigo de opini\u00e3o por Pedro Afonso Gomes, conselheiro do Cofecon, publicado originalmente no portal GGN<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas semanas, foi noticiada a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial&nbsp;de grandes grupos&nbsp;empresariais&nbsp;atuantes no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial de empresas, prevista na Lei n\u00ba 11.101\/2005,&nbsp;aprimorada pela Lei n\u00ba 14.112\/2020, representa um dos mais relevantes instrumentos de reorganiza\u00e7\u00e3o empresarial no Brasil contempor\u00e2neo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente da recupera\u00e7\u00e3o judicial, esse mecanismo privilegia a negocia\u00e7\u00e3o direta entre devedor e credores, com menor interven\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio, maior celeridade e redu\u00e7\u00e3o de custos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma solu\u00e7\u00e3o que combina efici\u00eancia econ\u00f4mica, discri\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e flexibilidade negocial, voltada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de empresas vi\u00e1veis e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade produtiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para compreender a import\u00e2ncia desse instituto hoje, \u00e9 preciso analisar o cen\u00e1rio econ\u00f4mico atual.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento recente de pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial e extrajudicial no Brasil levanta um questionamento inevit\u00e1vel: trata-se de um problema conjuntural ou estrutural?&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade \u00e9 que resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de ambos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No curto prazo, pesam fatores conjunturais como os juros elevados, o cr\u00e9dito mais restrito e o aumento de custos, que dificultam o pagamento e a rolagem de d\u00edvidas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No plano estrutural, destacam-se a baixa produtividade hist\u00f3rica, a forte depend\u00eancia de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, a gest\u00e3o financeira fr\u00e1gil em muitas empresas e o complexo ambiente tribut\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os choques econ\u00f4micos recentes apenas exp\u00f5em e agravam vulnerabilidades j\u00e1 existentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, os juros elevados explicam uma parte substancial do crescimento desses pedidos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eles encarecem o cr\u00e9dito, elevam o custo da d\u00edvida e dificultam&nbsp;severamente&nbsp;a rolagem de financiamentos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas j\u00e1 muito devedoras sentem esse impacto de forma imediata.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nelas, h\u00e1 um fator financeiro crucial: o alto endividamento pr\u00e9vio deve ser pago com lucro, e n\u00e3o tratado como se fosse mais uma despesa operacional.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se a empresa repassar esse custo financeiro para a opera\u00e7\u00e3o, elevar\u00e1 demais o pre\u00e7o de seus produtos ou servi\u00e7os, perdendo competitividade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, os juros atuam como um catalisador que leva as fragilidades pr\u00e9vias ao limite corporativo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a crise vai al\u00e9m do custo do cr\u00e9dito.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios outros fatores contribuem para as dificuldades atuais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O endividamento acumulado em per\u00edodos anteriores, quando o cr\u00e9dito era mais barato, hoje pressiona o caixa e dificulta a renegocia\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Somam-se a isso quest\u00f5es cr\u00edticas de gest\u00e3o \u2014 como planejamento financeiro inadequado, controle de custos limitado e estrat\u00e9gias de expans\u00e3o mal calibradas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, as empresas enfrentam profundas mudan\u00e7as no mercado, incluindo varia\u00e7\u00f5es na demanda impulsionadas por novos gostos e uma nova cultura de consumo, al\u00e9m do aumento da concorr\u00eancia, da digitaliza\u00e7\u00e3o acelerada dos neg\u00f3cios e da alta nos custos operacionais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O agravamento da situa\u00e7\u00e3o resulta, na imensa maioria das vezes, da colis\u00e3o desses elementos com um ambiente econ\u00f4mico muito mais restritivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Observando os casos recentes de grandes companhias em recupera\u00e7\u00e3o, nota-se que eles revelam tanto problemas de setores espec\u00edficos quanto do ambiente de neg\u00f3cios como um todo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, h\u00e1 fragilidades pr\u00f3prias de segmentos como varejo, constru\u00e7\u00e3o, agroind\u00fastria e sa\u00fade, que s\u00e3o mais expostos a ciclos de demanda, varia\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio, pre\u00e7os de insumos ou exigem alta intensidade de capital.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro, a recorr\u00eancia de crises cong\u00eaneres em diferentes segmentos sugere problemas sist\u00eamicos do ambiente de neg\u00f3cios brasileiro \u2014 tais como a elevada alavancagem generalizada, a inseguran\u00e7a econ\u00f4mica e as j\u00e1 citadas defici\u00eancias de gest\u00e3o e complexidade tribut\u00e1ria.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, n\u00e3o se trata apenas de crises setoriais isoladas, mas de um contexto geral&nbsp;que n\u00e3o perdoa a&nbsp;inefici\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse quadro, a tend\u00eancia \u00e9 que os pedidos de recupera\u00e7\u00e3o se mantenham em n\u00edveis elevados ou at\u00e9 aumentem nos pr\u00f3ximos meses.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com eventuais sobressaltos positivos ou ligeiras melhoras macroecon\u00f4micas, os efeitos prolongados do per\u00edodo de juros altos ainda se refletem duramente no caixa das empresas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os sinais da economia que apontam nessa dire\u00e7\u00e3o s\u00e3o claros: alto n\u00edvel de endividamento corporativo, dificuldades cont\u00ednuas na renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, postura muito mais seletiva por parte dos bancos na concess\u00e3o de cr\u00e9dito e a desacelera\u00e7\u00e3o de alguns segmentos vinculados ao consumo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os atrasos de pagamento ao longo das cadeias produtivas e as margens&nbsp;reduzidas&nbsp;por custos altos atestam que uma parcela consider\u00e1vel do setor produtivo segue em situa\u00e7\u00e3o financeira delicada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da complexidade dessa tempestade perfeita, o papel do economista na recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial deixa de ser o de um mero analista de planilhas para se tornar o protagonista da reestrutura\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial \u00e9 essencialmente um acordo privado de reestrutura\u00e7\u00e3o de passivo, e desloca a solu\u00e7\u00e3o da crise do campo litigioso-judicial para o campo negocial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No diagn\u00f3stico econ\u00f4mico-financeiro, cabe ao economista analisar transversalmente a empresa para distinguir o que \u00e9 um problema agudo de liquidez do que \u00e9 uma insolv\u00eancia absoluta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa avalia\u00e7\u00e3o exige correlacionar a estrutura de custos e a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de lucro da opera\u00e7\u00e3o frente \u00e0 montanha de d\u00edvidas, garantindo que o servi\u00e7o da d\u00edvida n\u00e3o asfixie a precifica\u00e7\u00e3o do produto.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico t\u00e9cnico impede que a empresa minta para si mesma com proje\u00e7\u00f5es irreais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na etapa da elabora\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial, a&nbsp;estrat\u00e9gia&nbsp;financeira conduzida pelo economista \u00e9 vital.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ele quem desenha os fluxos de caixa futuros e modela as ferramentas pr\u00e1ticas de reequil\u00edbrio \u2014 seja por meio de alongamento de prazos, redu\u00e7\u00e3o de encargos para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade do caixa, aplica\u00e7\u00e3o de des\u00e1gios, convers\u00f5es de d\u00edvida em capital ou capta\u00e7\u00e3o de&nbsp;recursos&nbsp;(dinheiro novo).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A inclus\u00e3o de um parecer de avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na proposta de recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial n\u00e3o \u00e9 um detalhe t\u00e9cnico \u2014 \u00e9 um elemento estruturante para a credibilidade, a viabilidade e o sucesso do plano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um ambiente de negocia\u00e7\u00e3o, onde credores precisam decidir entre aceitar perdas controladas ou correr o risco de perdas maiores em um cen\u00e1rio de fal\u00eancia, a qualidade da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 determinante.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O parecer econ\u00f4mico funciona como a ponte entre a narrativa da empresa e a confian\u00e7a dos credores.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele demonstra, com base t\u00e9cnica, que o plano n\u00e3o \u00e9 apenas uma inten\u00e7\u00e3o, mas uma solu\u00e7\u00e3o fundamentada na realidade econ\u00f4mica do neg\u00f3cio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse parecer cumpre, inicialmente, a fun\u00e7\u00e3o de evidenciar o valor econ\u00f4mico da empresa em funcionamento, que muitas vezes \u00e9 significativamente superior ao valor de liquida\u00e7\u00e3o dos ativos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial: credores tendem a aderir ao plano quando percebem que a preserva\u00e7\u00e3o da atividade gera maior recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito do que a quebra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a&nbsp;reavalia\u00e7\u00e3o dos ativos tang\u00edveis&nbsp;(materiais)&nbsp;\u2014 como im\u00f3veis, m\u00e1quinas, equipamentos e estoques \u2014 fornece uma base concreta de garantias e de capacidade de gera\u00e7\u00e3o de valor.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esses ativos s\u00e3o mais facilmente mensur\u00e1veis e ajudam a estabelecer um piso de seguran\u00e7a para os credores, al\u00e9m de subsidiar eventuais opera\u00e7\u00f5es como venda de ativos, aliena\u00e7\u00e3o de unidades produtivas isoladas ou reestrutura\u00e7\u00e3o de garantias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, limitar a an\u00e1lise apenas aos ativos materiais seria um erro grave.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos casos, o principal valor da empresa est\u00e1 nos ativos intang\u00edveis.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcas consolidadas, carteira de clientes, contratos recorrentes, know-how, sistemas, canais de distribui\u00e7\u00e3o e, especialmente, o fundo de com\u00e9rcio (goodwill) representam a capacidade futura de gera\u00e7\u00e3o de resultados.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente essa capacidade que sustenta qualquer plano de recupera\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A marca, por exemplo, pode carregar reputa\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a do consumidor e posicionamento de mercado constru\u00eddos ao longo de anos \u2014 ativos que n\u00e3o aparecem de forma evidente no balan\u00e7o, mas que s\u00e3o decisivos para a retomada da receita.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fundo de com\u00e9rcio, por sua vez, sintetiza a aptid\u00e3o da empresa para gerar lucros acima da m\u00e9dia, sendo um indicador direto de viabilidade econ\u00f4mica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ignorar esses elementos pode levar a uma subavalia\u00e7\u00e3o da empresa e, consequentemente, a decis\u00f5es equivocadas por parte dos credores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o parecer econ\u00f4mico bem estruturado reduz a assimetria de informa\u00e7\u00e3o, um dos principais obst\u00e1culos nas negocia\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os credores desconfiam dos n\u00fameros, tendem a rejeitar ou endurecer as condi\u00e7\u00f5es do acordo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, quando h\u00e1 um laudo t\u00e9cnico consistente, elaborado com metodologia clara e premissas realistas, aumenta-se significativamente a probabilidade de ades\u00e3o e de atingimento do qu\u00f3rum legal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto relevante \u00e9 o suporte jur\u00eddico e processual.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial seja centrada na negocia\u00e7\u00e3o privada, a eventual homologa\u00e7\u00e3o judicial exige consist\u00eancia documental.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um parecer econ\u00f4mico robusto fortalece o plano perante o Judici\u00e1rio, especialmente em casos de impugna\u00e7\u00e3o por credores dissidentes, ao demonstrar que n\u00e3o h\u00e1 abuso, simula\u00e7\u00e3o ou tratamento arbitr\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista estrat\u00e9gico, a avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m orienta a pr\u00f3pria empresa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao compreender onde est\u00e1 seu valor \u2014 se nos ativos f\u00edsicos, na marca, na base de clientes ou na opera\u00e7\u00e3o \u2014 a gest\u00e3o consegue tomar decis\u00f5es mais racionais durante a reestrutura\u00e7\u00e3o, como desinvestimentos, foco em unidades mais rent\u00e1veis ou reposicionamento de mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, h\u00e1 um aspecto disciplinador.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o de um parecer econ\u00f4mico s\u00e9rio imp\u00f5e rigor anal\u00edtico, evita proje\u00e7\u00f5es irreais e obriga a empresa a confrontar sua real capacidade de gera\u00e7\u00e3o de caixa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso reduz o risco de planos inexequ\u00edveis, que apenas postergam a crise.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, inserir na proposta de recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial um parecer de avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u2014 abrangendo ativos tang\u00edveis e intang\u00edveis, com destaque para marcas e fundo de com\u00e9rcio \u2014 \u00e9 fundamental para transformar o plano em um instrumento confi\u00e1vel, transparente e tecnicamente defens\u00e1vel.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que isso, \u00e9 o que permite alinhar expectativas, reduzir conflitos e aumentar, de forma concreta, as chances de preserva\u00e7\u00e3o da empresa e de recupera\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na fase de negocia\u00e7\u00e3o, o economista atua no jogo estrat\u00e9gico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial depende de qu\u00f3runs espec\u00edficos (mais da metade dos cr\u00e9ditos de cada esp\u00e9cie para abranger a todos de uma classe ap\u00f3s a homologa\u00e7\u00e3o judicial).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista traduz a transpar\u00eancia dos n\u00fameros em confian\u00e7a.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao demonstrar a racionalidade dos dados, ele mitiga a assimetria de informa\u00e7\u00e3o, ajudando a empresa a obter as concess\u00f5es m\u00fatuas necess\u00e1rias: os credores&nbsp;abrem m\u00e3o de&nbsp;alguma margem financeira e a empresa ajusta sua governan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o cen\u00e1rio atual das empresas brasileiras \u00e9 desafiador, marcado por juros punitivos, mudan\u00e7as abruptas nos padr\u00f5es de consumo e passivos pesados.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em casos&nbsp;em que&nbsp;o neg\u00f3cio ainda possui viabilidade operacional e a crise \u00e9 dominantemente de liquidez, a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial destaca-se como o melhor caminho.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela protege de forma inteligente a cadeia de valor, os empregos e a pr\u00f3pria concorr\u00eancia do mercado.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E para que essa ferramenta atinja todo o seu potencial, a ci\u00eancia econ\u00f4mica, aplicada atrav\u00e9s do rigor anal\u00edtico e da vis\u00e3o sist\u00eamica do economista, n\u00e3o \u00e9 apenas um requisito t\u00e9cnico, mas o pr\u00f3prio motor da preserva\u00e7\u00e3o da empresa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mat\u00e9ria publicada originalmente pelo Jornal GGN, leia <a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/artigos\/recuperacao-extrajudicial-de-empresas-por-pedro-gomes\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/artigos\/recuperacao-extrajudicial-de-empresas-por-pedro-gomes\/\">aqui. <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o que combina efici\u00eancia 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Artigo de opini\u00e3o por Pedro Afonso Gomes, conselheiro do Cofecon, publicado originalmente no portal GGN Nas \u00faltimas semanas, foi noticiada a recupera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27572\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27573,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[65],"tags":[],"class_list":["post-27572","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo-de-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27572"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27572"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27572\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27574,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27572\/revisions\/27574"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}