{"id":27484,"date":"2026-03-13T17:52:57","date_gmt":"2026-03-13T20:52:57","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27484"},"modified":"2026-03-13T17:54:10","modified_gmt":"2026-03-13T20:54:10","slug":"podcast-economistas-desigualdades-de-genero-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27484","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Desigualdades de g\u00eanero no mercado de trabalho\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tania Cristina Teixeira, Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, Lucia dos Santos Garcia e Janine da Silva Alves&nbsp;Bello&nbsp;abordam temas que v\u00e3o da economia do cuidado \u00e0 diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o, passando pela nova NR-1 e pol\u00edticas p\u00fablicas<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais um&nbsp;podcast Economistas&nbsp;e o tema desta semana s\u00e3o as desigualdades de g\u00eanero no mercado de trabalho. Elas se manifestam de v\u00e1rias formas: desigualdade salarial, sobrecarga com rela\u00e7\u00e3o ao trabalho de cuidado, barreiras vis\u00edveis e invis\u00edveis para chegar a posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e impactos sobre a sa\u00fade mental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;epis\u00f3dio&nbsp;conta com a participa\u00e7\u00e3o da presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, e das conselheiras Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, Lucia dos Santos Garcia e Janine da Silva Alves&nbsp;Bello. O&nbsp;podcast&nbsp;pode ser ouvido na sua plataforma favorita ou no player abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe data-testid=\"embed-iframe\" style=\"border-radius:12px\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6i4hFj8Rj2pPJKC84zjLm5?utm_source=generator\" width=\"100%\" height=\"352\" frameBorder=\"0\" allowfullscreen=\"\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre a desigualdade de g\u00eanero no mundo do trabalho passa pela an\u00e1lise de indicadores econ\u00f4micos e sociais que revelam avan\u00e7os, mas ainda insuficientes para garantir igualdade efetiva. \u201cFalamos sobre n\u00fameros, mas \u00e9 sobre vidas.&nbsp;Se uma mulher \u00e9 atingida pela viol\u00eancia, aquela vida muda. Quando uma mulher \u00e9 morta, uma fam\u00edlia perde uma de suas sustenta\u00e7\u00f5es, filhos ficam \u00f3rf\u00e3os, fam\u00edlias s\u00e3o destru\u00eddas\u201d, observa Janine.&nbsp;\u201cEstamos em 2026 e o mundo ainda \u00e9 muito desigual. Estudo publicado na semana passada mostra que apenas 4% das mulheres no mundo vivem em economias com paridade jur\u00eddica e mesmo assim, ao aplicar a lei, 50% n\u00e3o \u00e9 aplicada. O Banco Mundial diz que ainda demoraremos mais de um s\u00e9culo para conquistar a igualdade\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Indicadores vis\u00edveis e invis\u00edveis<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O debate sobre desigualdade de g\u00eanero muitas vezes se concentra nos indicadores mais vis\u00edveis \u2013 mas h\u00e1, tamb\u00e9m, dimens\u00f5es que operam de maneira silenciosa e profunda na gera\u00e7\u00e3o de desigualdades. \u201cA mulher tem tr\u00eas turnos de trabalho, \u00e0s vezes quatro ou at\u00e9 cinco, porque tamb\u00e9m trabalha de madrugada. Isso nos \u00e9 imposto, n\u00e3o escolhemos\u201d, expressa Teresinha. \u201cA mulher trabalha, tem uma vida profissional, estuda e, quando chega em casa, est\u00e1 realizando afazeres dom\u00e9sticos e tem que cuidar dos filhos. E as mulheres que trabalham fora precisam se capacitar, porque o mundo \u00e9 cruel com as mulheres e, se elas n\u00e3o se capacitarem, fica pior ainda\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Teresinha tamb\u00e9m menciona os casos de mulheres que est\u00e3o fora do mercado de trabalho porque cuidam de integrantes da fam\u00edlia. \u201cIsso \u00e9 muito ruim, coloca ela numa condi\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel. Essa forma como a mulher se insere na economia mostra a desigualdade\u201d, pontuou. \u201cNo sistema capitalista o homem assume o papel de provedor, trabalhador, que vai produzir. A mulher assume o papel dom\u00e9stico, de ficar em casa e cuidar da fam\u00edlia. Isso \u00e9 estrutural. Mesmo sendo capacitadas e tendo a mesma condi\u00e7\u00e3o de trabalho, ainda recebemos 20% menos que os homens\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estat\u00edsticas<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De que maneira o trabalho invis\u00edvel das mulheres e o trabalho de cuidado aparecem \u2013 ou deixam de aparecer \u2013 nas estat\u00edsticas? Este \u00e9 um assunto que&nbsp;vem sendo bastante discutido recentemente. \u201c\u00c9 importante rememorar que o pr\u00f3prio 8 de mar\u00e7o e a luta organizativa das mulheres veio das mulheres oper\u00e1rias, do movimento socialista,&nbsp;para reduzir a jornada e para que pud\u00e9ssemos discutir a divis\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas,&nbsp;e depois as sufragistas se aliaram a este movimento\u201d, observa Lucia.&nbsp;\u201cQuando Alexandra&nbsp;Kollontai&nbsp;e Clara&nbsp;Zetkin&nbsp;estavam discutindo isso, j\u00e1 pautavam os mesmos temas que estamos colocando hoje. Ent\u00e3o precisamos nos perguntar que avan\u00e7o a sociedade teve&nbsp;neste per\u00edodo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2013, informa Lucia,&nbsp;o mundo estat\u00edstico reconhece todas as formas de trabalho: a dos afazeres dom\u00e9sticos, do cuidado, o trabalho volunt\u00e1rio, o trabalho ocupacional que nos d\u00e1 o trabalho e o rendimento, entre outras.&nbsp;E o&nbsp;trabalho de cuidado das mulheres existe tanto no ambiente n\u00e3o pago do trabalho dom\u00e9stico quanto no ambiente pago do mercado de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mulheres, no Brasil, trabalham 10 horas a mais que os homens em afazeres e cuidados. Ent\u00e3o temos um turno a mais do que os homens. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma diferen\u00e7a qualitativa: os homens em trabalho dom\u00e9stico v\u00e3o lavar o carro ou os espetos, cortar a grama, enquanto as mulheres cuidam de crian\u00e7as, idosos, adultos enfermos, cuidados com contas dom\u00e9sticas, supermercado, pensar a gest\u00e3o da casa. \u00c9 uma preocupa\u00e7\u00e3o permanente com a manuten\u00e7\u00e3o do grupo familiar\u201d, explica a economista.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma vez por ano n\u00f3s temos dados do IBGE sobre a economia do cuidado e os lugares que as mulheres ocupam no ambiente ocupacional. Onde vamos encontrar as mulheres? Na sa\u00fade, nos cargos do sop\u00e9 ocupacional; na educa\u00e7\u00e3o, dentro da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica; e no emprego dom\u00e9stico\u201d, menciona Lucia. \u201cS\u00e3o ocupa\u00e7\u00f5es de baixa remunera\u00e7\u00e3o e baixa valia. \u00c9 uma precariza\u00e7\u00e3o permanente, uma reprodu\u00e7\u00e3o das diverg\u00eancias de g\u00eanero na sociedade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sa\u00fade&nbsp;mental e a NR-1<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental no ambiente de trabalho \u00e9 um tema especialmente relevante quando se trata da realidade das mulheres \u2013 inclusive das economistas. Neste contexto, iniciativas institucionais voltadas&nbsp;\u00e1&nbsp;promo\u00e7\u00e3o de ambientes de trabalho mais saud\u00e1veis tornam-se fundamentais. Um avan\u00e7o recente diz respeito \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o da&nbsp;Norma Regulamentadora n\u00ba 1 (NR-1) do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego. A Portaria 1.419\/2024, que atualizou a NR-1, estabelece que&nbsp;o Programa de Gerenciamento de Riscos das empresas deve conter os riscos psicossociais relacionados ao trabalho. A norma entrar\u00e1 em vig\u00eancia no dia 26 de maio de 2026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A conselheira federal trouxe o dado de que o Brasil bateu o recorde de afastamentos do trabalho no ano passado e que 60% dos afastamentos por depress\u00e3o e ansiedade foram de mulheres. \u201cOs padr\u00f5es machistas e arcaicos que se proliferam em casa tamb\u00e9m s\u00e3o reproduzidos no meio organizacional\u201d, constata&nbsp;Janine. \u201cPrecisamos olhar o problema pela \u00f3tica econ\u00f4mica e isso muda tudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise. A Previd\u00eancia gastou mais de 3,5 bilh\u00f5es no ano passado s\u00f3 com o pagamento pelos afastamentos, ent\u00e3o isso passa a ser um problema de pol\u00edtica p\u00fablica e responsabilidade organizacional\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A economista aponta que a NR-1 trar\u00e1 o debate dos riscos psicossociais para dentro da organiza\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que tem custos concretos, como afastamento, redu\u00e7\u00e3o na produtividade, aumento da rotatividade, perda de inova\u00e7\u00e3o.&nbsp;Precisamos identificar estes ambientes t\u00f3xicos. \u00c0s vezes um l\u00edder entrega resultado, mas a que custo emocional?&nbsp;A&nbsp;organiza\u00e7\u00e3o v\u00ea um resultado que \u00e9 apenas metade do potencial que teria caso os colaboradores estivessem em bom estado de sa\u00fade mental\u201d, argumenta Janine.&nbsp;\u201cA NR-1 veio para olhar para o burnout n\u00e3o mais como problema pessoal, olhar para o estresse e ver uma quest\u00e3o econ\u00f4mica. Se trabalharmos de forma preventiva, a sociedade se torna mais produtiva&nbsp;e o talento feminino \u00e9 mais plenamente aproveitado\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira, \u00e9 a primeira mulher a chegar ao cargo m\u00e1ximo da autarquia ao longo de quase 75 anos de hist\u00f3ria. E ela aponta que, para que as mulheres cheguem a posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, \u00e9 preciso ter uma rede de apoio importante. \u201cN\u00e3o sou m\u00e3e, mas sou madrasta. Neste aspecto, minha jornada \u00e9 menor, mas tenho a responsabilidade di\u00e1ria do trabalho de casa, mas com um diferencial: tenho um companheiro que divide as tarefas. Isso faz muita diferen\u00e7a\u201d, comenta a presidenta. \u201cQuando uma mulher tem condi\u00e7\u00e3o de estar nestes lugares de empoderamento ou lideran\u00e7a, precisa contar com uma rede de apoio que n\u00e3o necessariamente \u00e9 p\u00fablica. Muitas de n\u00f3s somos remuneradoras de mulheres\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m mencionou que em pa\u00edses desenvolvidos&nbsp;a jornada dedicada \u00e0 fam\u00edlia \u00e9 compartilhada. \u201cH\u00e1 restaurantes coletivos, locais para lavar roupas&nbsp;coletivos, h\u00e1 um atendimento para deslocar as crian\u00e7as at\u00e9 a escola. E tudo isso \u00e9 de responsabilidade do Estado\u201d, aponta. \u201cA discuss\u00e3o do papel do homem neste processo passa por legisla\u00e7\u00f5es. Eu atuo na Associa\u00e7\u00e3o dos Professores da PUC Minas e s\u00f3 agora conseguimos que o homem pudesse ficar com a mulher e dividir o trabalho no per\u00edodo do nascimento dos filhos. Em pleno S\u00e9culo XXI uma mulher d\u00e1 \u00e0 luz e tem que responder por si depois do parto de forma solit\u00e1ria, porque o homem n\u00e3o est\u00e1 legalmente em condi\u00e7\u00f5es de deixar de trabalhar para exercer a paternidade. H\u00e1 pa\u00edses que avan\u00e7aram muito nesta quest\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mulheres enfrentam uma tripla jornada, com exaust\u00e3o f\u00edsica e mental. E muitas vezes a sa\u00fade mental ainda est\u00e1 relacionada a conter o sentimento, dar conta de tudo e se tornar uma mulher maravilha\u201d, argumenta Tania. \u201cAs mulheres, muitas vezes, precisam provar o tempo todo que s\u00e3o capazes e a press\u00e3o \u00e9 infinita.&nbsp;Quando voc\u00ea chega a uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a, mesmo tendo maior escolaridade, mais compet\u00eancia, com mais cultura,&nbsp;se depara sempre com a possibilidade de ser exclu\u00edda por ser mulher. E este \u00e9 um grande paradoxo: as mulheres liderando mais, mas adoecendo cada vez mais e sofrendo com a press\u00e3o para desistir da lideran\u00e7a\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m aponta para o fato de que muitas mulheres, em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, ganham menos do que os homens. \u201cNo campo da universidade existe uma certa isonomia e equidade, mas pouqu\u00edssimas vezes uma mulher \u00e9 reitora ou pr\u00f3-reitora.&nbsp;O mesmo&nbsp;se d\u00e1 nos campos de atividade do setor p\u00fablico\u201d, observa. \u201cTemos que rever os crit\u00e9rios de promo\u00e7\u00e3o e criar ambientes mais inclusivos e de respeito \u00e0 diversidade nas organiza\u00e7\u00f5es. Isso sim, pode trazer um bem-estar maior \u00e0 mulher quando ela \u00e9 protagonista e est\u00e1 na lideran\u00e7a\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema que fez parte do debate \u00e9 a diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres. Mesmo ocupando as mesmas fun\u00e7\u00f5es, existe uma diferen\u00e7a salarial da ordem de 20,7%. \u201cA lei de igualdade salarial, na verdade, reedita o mesmo artigo da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, que \u00e9 de 1947. Esta igualdade de rendimentos est\u00e1 prevista na CLT desde sempre\u201d, aponta Lucia. \u201cA lei de 2023 acrescentou multas e a necessidade de transpar\u00eancia na informa\u00e7\u00e3o. E temos obst\u00e1culos para cumprir a lei\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o importante, comenta Lucia, s\u00e3o os conceitos de diferen\u00e7a salarial e diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o. \u201cPodemos ter o mesmo sal\u00e1rio dentro de uma universidade, mas o homem chega \u00e0 chefia, ele tem gratifica\u00e7\u00f5es e bonifica\u00e7\u00f5es que esta mulher n\u00e3o tem. E muitas vezes, no setor privado, temos parte da remunera\u00e7\u00e3o atrelada ao alcance de metas\u201d, menciona. \u201cE o alcance de metas \u00e9 diferenciado, porque as mulheres n\u00e3o conseguem se dedicar \u00e0quele ambiente da&nbsp;mesma forma que os homens. S\u00e3o realidades concretas que nos afastam do princ\u00edpio da igualdade salarial\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E como fazer com que a lei funcione? \u201cAs mulheres precisam ter consci\u00eancia e estar informadas acerca da lei, reivindicar acordos e conven\u00e7\u00f5es coletivas em que esta lei seja reafirmada. Precisam ter conhecimento sobre canais de den\u00fancia da irregularidade junto ao Minist\u00e9rio do Trabalho e mobilizar seus sindicatos para que fa\u00e7am as vistorias e autua\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias quando a lei n\u00e3o \u00e9 aplicada\u201d, afirma Lucia. \u201cIsso \u00e9 feito atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o coletiva. Tudo o que n\u00f3s vencemos, como mulheres, \u00e9 porque vencemos juntas. N\u00e3o vamos vencer a diferen\u00e7a salarial acreditando que compet\u00eancia e ganhos de escolaridade s\u00e3o suficientes. N\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 preciso que voc\u00ea esteja em seu sindicato, lutando pela igualdade de rendimentos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que chamamos de mercado de trabalho \u00e9, na verdade, luta de classes. Isso embute diversas diferen\u00e7as e assimetrias de informa\u00e7\u00e3o e poder. \u00c9 importante dizer que n\u00e3o existiria mercado de trabalho sem produ\u00e7\u00e3o de trabalhadores. E quem produz os trabalhadores? As mulheres, com seus corpos. A fun\u00e7\u00e3o reprodutiva das mulheres \u00e9 o que gera trabalhadores para o mercado de trabalho\u201d, comenta&nbsp;Lucia. \u201cPor outro lado, elas reafirmam todos os dias sua fun\u00e7\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, porque cuidam da higiene do domic\u00edlio, da sa\u00fade, do desenvolvimento intelectual e dos valores daqueles que v\u00e3o alimentar o mercado de trabalho. Ent\u00e3o o mercado \u00e9 uma correia de transmiss\u00e3o dos grandes interesses que est\u00e3o envolvidos na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade cuja exist\u00eancia econ\u00f4mica seria imposs\u00edvel sem o trabalho gratuito que as mulheres fazem\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o tratar a mulher de forma igualit\u00e1ria traz um preju\u00edzo gigantesco para o mundo. Se receb\u00eassemos sal\u00e1rios iguais e tiv\u00e9ssemos as mesmas condi\u00e7\u00f5es de ascens\u00e3o profissional, o PIB mundial poderia ser 20% maior\u201d, sustenta Janine. \u201cTemos que frisar que a falta de igualdade \u00e9 um tema econ\u00f4mico e de responsabilidade com o pr\u00f3ximo. Tratar a mulher com igualdade gera valor\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre responsabilidades profissionais, tarefas dom\u00e9sticas e fun\u00e7\u00f5es de cuidado, ainda distribu\u00eddas desigualmente na sociedade, produz impactos significativos sobre as mulheres no mercado de trabalho. Neste contexto, pol\u00edticas p\u00fablicas podem ter uma import\u00e2ncia significativa, tanto fornecendo a rede de prote\u00e7\u00e3o social necess\u00e1ria para reduzir desigualdades quanto para promover ambientes mais saud\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrecisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas que cuidem da mulher e das quest\u00f5es como a jornada tripla, a jornada de cuidadora. A mulher s\u00f3 vai se libertar se tiver esta rede de prote\u00e7\u00e3o.&nbsp;Pol\u00edticas como creches e acesso \u00e0 sa\u00fade s\u00e3o essenciais\u201d, argumenta&nbsp;Teresinha. \u201cIsso a favorecer\u00e1 no exerc\u00edcio do seu papel de mulher no mercado de trabalho. Ela trabalha com cuidados, mas n\u00e3o porque quer, e sim porque o sistema lhe deu este papel. A educa\u00e7\u00e3o far\u00e1 com que ela possa lutar para mudar esta realidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA NR-1 regula as rela\u00e7\u00f5es de trabalho com a sa\u00fade do trabalho. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o das empresas a implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de acompanhamento e gerenciamento. Na \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o, eles trouxeram a quest\u00e3o psicossocial, os impactos emocionais no mundo do trabalho\u201d, mencionou Janine. \u201cO mundo corporativo pode ser cruel, n\u00e3o s\u00f3 com as mulheres, mas com todos os que se posicionem contrariamente aos padr\u00f5es estabelecidos.&nbsp;A partir de 26 de maio as empresas ser\u00e3o obrigadas a fazer o mapeamento da situa\u00e7\u00e3o psicossocial&nbsp;da empresa.&nbsp;Identificar os riscos e tomar provid\u00eancias de forma preventiva\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO per\u00edodo p\u00f3s-pandemia potencializou problemas como depress\u00e3o e ansiedade, e 60% dos dois tipos de afastamento s\u00e3o de mulheres. Existe a sobrecarga de trabalho, mas tamb\u00e9m o ambiente t\u00f3xico\u201d, prossegue Janine. \u201c\u00c9 interessante discutirmos isso. N\u00f3s, economistas, podemos valorar isso, medir o impacto econ\u00f4mico. Hoje vivemos uma situa\u00e7\u00e3o de quase pleno emprego, mas a produtividade do brasileiro, de maneira geral, \u00e9 considerada baixa, e essa press\u00e3o emocional leva a uma queda na produtividade\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa rede de prote\u00e7\u00e3o cria condi\u00e7\u00f5es para que a mulher possa exercer sua fun\u00e7\u00e3o de maneira plena, e gera empregos para outras mulheres, criando um ciclo econ\u00f4mico positivo\u201d, prossegue Janine. \u201cO mercado de trabalho precisa de talentos. Que eles aproveitem nossa fun\u00e7\u00e3o e nossa for\u00e7a de trabalho em 100% da capacidade, e n\u00e3o nos levem a trabalhar apenas 60% ou 70% por falta de suporte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lucia menciona que o Brasil teve uma piora no mercado de trabalho como um todo e caracterizou o per\u00edodo atual como de baixa desocupa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o necessariamente de baixo desemprego. \u201cPor mais que recuperemos o crescimento econ\u00f4mico, ele vem concentrando renda e tirando as condi\u00e7\u00f5es objetivas de reprodu\u00e7\u00e3o da felicidade, da vida, do tempo. Em 2010 o mercado incorporava trabalhadores e distribu\u00eda renda; hoje continua incorporando, mas concentrando renda\u201d, avalia Lucia. \u201cPrecisamos rever os exageros da reforma trabalhista, porque eles recaem sobre os corpos femininos. A generaliza\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o afeta, sobretudo, as mulheres, porque elas preponderam nos setores-meio&nbsp;(de asseio, conserva\u00e7\u00e3o,&nbsp;educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade),&nbsp;que s\u00e3o terceirizados.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Teresinha abordou as atividades que o Cofecon vem realizando por meio da Comiss\u00e3o Mulher Economista e Diversidade. \u201cEla tem a fun\u00e7\u00e3o de olhar para o papel da mulher dentro do Sistema Cofecon\/Corecons e da sociedade. E no m\u00eas de junho realizaremos, em Manaus, nos dias 18 e 19 de junho, o IV Semin\u00e1rio Nacional da Mulher Economista e Diversidade\u201d, anunciou. \u201cO Cofecon est\u00e1&nbsp;preocupado com a condi\u00e7\u00e3o da mulher e estamos fazendo o nosso papel de trabalhar em c\u00e9lulas, de forma a transformar a realidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrecisamos, primeiro, reconhecer e redistribuir o trabalho de cuidado. A desigualdade no mercado de trabalho come\u00e7a muito antes da disputa por cargos de lideran\u00e7a. Come\u00e7a na divis\u00e3o desigual do tempo. Ter tempo para se dedicar a qualquer atividade, do trabalho ou da vida, permite que as mulheres tenham mais condi\u00e7\u00f5es estruturais de exercer sua liberdade, autonomia, conhecimento e autoconhecimento\u201d, afirma a presidenta do Cofecon, lembrando que as mulheres presentes ao debate s\u00e3o mestres e doutoras. \u201cPrecisamos de pol\u00edticas que ampliem as creches p\u00fablicas de qualidade, que estimulem as licen\u00e7as parentais e incentivem arranjos de trabalho mais flex\u00edveis \u2013 mas devemos ficar atentas ao trabalho remoto, porque pesquisa feita entre as pr\u00f3prias economistas aponta que ele pode gerar queda de remunera\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da responsabilidade no trabalho dom\u00e9stico\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEste espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 constru\u00eddo somente pelas mulheres. Precisamos tamb\u00e9m dos homens economistas, e do homem na vida da fam\u00edlia, na empresa. O setor p\u00fablico precisa comprar esta briga conosco\u201d, pontua Tania. \u201cA vida \u00e9 o dom mais incr\u00edvel que temos. Eu me emociono ao falar isso. Viver \u00e9 uma experi\u00eancia \u00edmpar da humanidade. E o bem viver \u00e9 o sentimento mais expressivo que podemos criar\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As participantes<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tania Cristina Teixeira \u00e9 economista, doutora em Economia Aplicada pela Universidade de Val\u00eancia (Espanha) e professora da PUC Minas. \u00c9 conselheira do Cofecon desde 2024 e presidenta da autarquia desde 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Teresinha de Jesus Ferreira da Silva \u00e9 graduada em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela UFPI, com mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 superintendente do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) no Piau\u00ed.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lucia dos Santos Garcia \u00e9 graduada em Ci\u00eancia Econ\u00f4micas (UFRGS), com mestrado em Economia pela mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 t\u00e9cnica do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Janine da Silva Alves Bello \u00e9 economista e doutora em Engenharia e Gest\u00e3o do Conhecimento (UFSC). \u00c9 vice-l\u00edder do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Conhecimento, Aprendizagem e Mem\u00f3ria Organizacional (UFSC) e colunista do portal Making Of.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tania Cristina Teixeira, Teresinha de Jesus Ferreira da Silva, Lucia dos Santos Garcia e Janine da Silva Alves&nbsp;Bello&nbsp;abordam temas que v\u00e3o da economia do cuidado \u00e0 diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o, passando pela nova NR-1 e pol\u00edticas p\u00fablicas&nbsp; Est\u00e1 no ar mais<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27484\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27488,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-27484","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27484"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27484"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27490,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27484\/revisions\/27490"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}