{"id":27470,"date":"2026-03-12T12:18:43","date_gmt":"2026-03-12T15:18:43","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27470"},"modified":"2026-03-12T12:18:44","modified_gmt":"2026-03-12T15:18:44","slug":"lacerda-analisa-economia-brasileira-e-fala-sobre-austeridade-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27470","title":{"rendered":"Lacerda analisa economia brasileira e fala sobre austeridade fiscal\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Conselheiro federal foi entrevistado no podcast \u201cAonde Vamos?\u201d e abordou ruptura nas cadeias globais, juros elevados e pol\u00edticas para reindustrializa\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O conselheiro federal&nbsp;Antonio&nbsp;Corr\u00eaa de Lacerda concedeu nesta ter\u00e7a-feira (10) uma entrevista ao podcast \u201cAonde Vamos?\u201d, na qual falou sobre a economia brasileira e o contexto internacional.&nbsp;O economista abordou as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas na globaliza\u00e7\u00e3o, o mito da austeridade (t\u00edtulo de um livro publicado por ele e tema usado como chamada para a entrevista), o investimento estrangeiro direto e as emendas parlamentares, entre outros temas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A entrevista pode ser assistida no player abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Ant\u00f4nio Corr\u00eaa de Lacerda - O Mito da Austeridade - Aonde Vamos? Podcast #046\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V10sg35fYVg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Contexto internacional<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A economia mundial vive um per\u00edodo de forte instabilidade marcado&nbsp;pela recente pandemia, conflitos geopol\u00edticos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que alteram as bases da globaliza\u00e7\u00e3o produtiva.&nbsp;Esse cen\u00e1rio recoloca o Estado no centro das estrat\u00e9gias de desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO problema \u00e9 a desarticula\u00e7\u00e3o das cadeias internacionais de suprimento \u2013 algumas s\u00e3o globais, outras regionais e algumas locais. Com os demais fatores sobrepostos, causa um desarranjo na economia. Isso representa uma ruptura na trajet\u00f3ria que se consolidou no final do S\u00e9culo XX, que foi o da globaliza\u00e7\u00e3o produtiva\u201d, avalia Lacerda. \u201cO Brasil se industrializou&nbsp;(1930-1980)&nbsp;com um modelo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, valorizando a produ\u00e7\u00e3o local. Quando veio a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, entramos de cabe\u00e7a. Em 1990, Collor tinha a famosa frase de que iria acabar com as carro\u00e7as\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estes problemas, aponta o conselheiro federal, desnudam&nbsp;a quest\u00e3o&nbsp;da seguran\u00e7a do fornecimento. \u201cNo conceito da globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ideia de n\u00e3o precisar produzir, porque \u00e9 poss\u00edvel comprar mais barato de outro pa\u00eds. A pandemia evidenciou o erro da pior maneira poss\u00edvel e o Brasil foi, proporcionalmente, o pa\u00eds que mais perdeu vidas\u201d, apontou. \u201cHoje o mundo vive a crise dos microprocessadores. H\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o em um \u00fanico pa\u00eds e n\u00e3o houve uma evolu\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva. A primeira consequ\u00eancia \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lacerda&nbsp;tamb\u00e9m mencionou&nbsp;a transforma\u00e7\u00e3o trazida pelos conceitos de nearshoring (fornecimento mais perto) e friendshoring (comprar de pa\u00edses amigos) para a produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;Neste novo paradigma, a seguran\u00e7a do fornecimento torna-se&nbsp;mais importante do que o pre\u00e7o.&nbsp;\u201cIsso exige respostas r\u00e1pidas. E&nbsp;coincide com o governo Lula 3, no qual temos a retomada do papel do Estado na economia. Pol\u00edticas p\u00fablicas como o Nova Ind\u00fastria Brasil, Novo PAC e Plano de Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica s\u00e3o programas estruturantes para fazer frente a esta nova economia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mito da Austeridade<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O livro O Mito da Austeridade, publicado pelo conselheiro federal, tamb\u00e9m fez parte do debate. \u201cEle parte de um questionamento do pressuposto equivocado de que \u00e9 poss\u00edvel fazer um ajuste fiscal por si s\u00f3\u201d, afirmou Lacerda. \u201cPor que n\u00e3o funciona? A economia s\u00e3o vasos comunicantes. Se cortar gastos, perde receita. \u00c9 uma fal\u00e1cia comparar a macroeconomia \u00e0 economia do lar, porque o funcionamento \u00e9 diferente. Primeiro, porque o Estado tem o monop\u00f3lio da emiss\u00e3o de moeda; e segundo, porque n\u00f3s, como entes privados, podemos tomar decis\u00f5es com base em nossa racionalidade, enquanto o Estado tem compromissos definidos pela Constitui\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista tamb\u00e9m argumentou que os pa\u00edses do G20, sem exce\u00e7\u00e3o, s\u00e3o deficit\u00e1rios e endividados, e que o caso do Brasil n\u00e3o \u00e9 diferente.&nbsp;A particularidade est\u00e1 nos juros \u2013 e um estudo do&nbsp;Grupo de Estudos em Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Pol\u00edtica Econ\u00f4mica (DEPE), que&nbsp;ele coordena&nbsp;na PUCSP, avaliou o endividamento e o custo de financiamento.&nbsp;\u201cO Brasil n\u00e3o difere muito em termos de d\u00e9ficit e d\u00edvida. H\u00e1 pa\u00edses mais endividados. O que chama a aten\u00e7\u00e3o no nosso caso \u00e9 o custo de financiamento. Gastamos no ano passado, 2025, quase um trilh\u00e3o de reais em pagamento de juros sobre a d\u00edvida p\u00fablica, porque as taxas de juros s\u00e3o absurdas no Brasil. Isso representa um custo enorme para a sociedade brasileira\u201d, observou.&nbsp;\u201cO governo federal n\u00e3o chegou a investir 70 bilh\u00f5es. Temos menos de um d\u00e9cimo em investimentos em infraestrutura. Precisamos corrigir essa distor\u00e7\u00e3o porque ela \u00e9 concentradora de renda\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem hoje uma taxa real de juros superior a 10%. \u201c\u00c9 uma anomalia que precisa ser corrigida e enfrentada. H\u00e1 muitos mitos associados a isso. Temos uma meta de infla\u00e7\u00e3o irrealista, num pa\u00eds com as desigualdades estruturais e a estrutura concentrada de mercado no Brasil. H\u00e1 a indexa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 quase uma resist\u00eancia \u00e0 baixa infla\u00e7\u00e3o. Usar juros para corrigir isso n\u00e3o \u00e9 eficaz\u201d, pontuou.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista tamb\u00e9m destacou o estado de&nbsp;S\u00e3o Paulo tem um potencial econ\u00f4mico e hist\u00f3rico de atua\u00e7\u00e3o que&nbsp;\u201cpode representar muito no enfrentamento dos desafios brasileiros, como a desindustrializa\u00e7\u00e3o e a quest\u00e3o clim\u00e1tica\u201d.&nbsp;E prosseguiu:&nbsp;\u201cTemos tamb\u00e9m o&nbsp;desafio da digitaliza\u00e7\u00e3o, da intelig\u00eancia artificial, os aspectos correlacionados diretamente \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 quest\u00e3o social de maneira mais ampla. N\u00e3o podemos&nbsp;abrir m\u00e3o&nbsp;de&nbsp;institui\u00e7\u00f5es que s\u00e3o o nosso patrim\u00f4nio, imaterial muitas vezes. H\u00e1 uma desmobiliza\u00e7\u00e3o da revista da Fapesp. \u00c9 um equ\u00edvoco. \u00c9 uma refer\u00eancia importante, que tem um papel muito expressivo na dissemina\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Investimento estrangeiro direto<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro&nbsp;estudo do DEPE apontou que, entre os BRICS, o Brasil \u00e9, proporcionalmente, quem mais recebe investimento estrangeiro direto. \u201cAtrair empresas produtivas \u00e9 algo muito positivo. Temos empresas estrangeiras aqui h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, em diversos setores. O desafio \u00e9 que elas agreguem mais valor dentro do nosso pa\u00eds, gerando empregos e inova\u00e7\u00f5es. Na ind\u00fastria e servi\u00e7os sofisticados est\u00e3o os melhores empregos\u201d, argumentou Lacerda. \u201cH\u00e1 tamb\u00e9m os casos de empresas brasileiras que se internacionalizaram. Algumas t\u00eam f\u00e1bricas mundo afora. O BNDES enfrentou um desafio enorme, durante muito tempo mal compreendido, que \u00e9 o financiamento \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de empresas brasileiras, uma excelente fonte de gera\u00e7\u00e3o de divisas. Este papel do Estado \u00e9 relevante para implementar uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento com inser\u00e7\u00e3o internacional, gerando divisas, empregos e tecnologia. O ajuste fiscal inteligente amplia a capacidade arrecadat\u00f3ria do Estado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista finalizou a entrevista citando Celso Furtado e falando do papel cultural da economia. \u201cEle dizia que o Brasil s\u00f3 ser\u00e1 vi\u00e1vel quando n\u00e3o imitar padr\u00f5es de consumo e produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses ricos. Sempre vale a pena revisitar estes grandes mestres\u201d, concluiu.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conselheiro federal foi entrevistado no podcast \u201cAonde Vamos?\u201d e abordou ruptura nas cadeias globais, juros elevados e pol\u00edticas para reindustrializa\u00e7\u00e3o&nbsp; O conselheiro federal&nbsp;Antonio&nbsp;Corr\u00eaa de Lacerda concedeu nesta ter\u00e7a-feira (10) uma entrevista ao podcast \u201cAonde Vamos?\u201d, na qual falou sobre a<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27470\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27471,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-27470","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27470"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27470"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27473,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27470\/revisions\/27473"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}