{"id":27436,"date":"2026-03-06T16:56:49","date_gmt":"2026-03-06T19:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27436"},"modified":"2026-03-06T16:58:01","modified_gmt":"2026-03-06T19:58:01","slug":"podcast-economistas-os-desafios-da-revolucao-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27436","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Os Desafios da Revolu\u00e7\u00e3o Digital\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Economista Ladislau Dowbor analisa como plataformas, algoritmos e grandes corpora\u00e7\u00f5es est\u00e3o transformando o poder econ\u00f4mico no mundo<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do&nbsp;podcast Economistas! A revolu\u00e7\u00e3o digital est\u00e1 transformando profundamente a forma como a economia funciona. O professor Ladislau Dowbor, autor do livro Os Desafios da Revolu\u00e7\u00e3o Digital (primeiro colocado no Pr\u00eamio Brasil de Economia de 2025), aborda como o poder econ\u00f4mico deixou de estar concentrado nas f\u00e1bricas e passou a se organizar em torno de plataformas, algoritmos, sistemas financeiros e grandes corpora\u00e7\u00f5es globais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7a o podcast na sua plataforma favorita ou no player abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe data-testid=\"embed-iframe\" style=\"border-radius:12px\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/0aJQ2MeWw9Rf00WrF6va5x?utm_source=generator\" width=\"100%\" height=\"352\" frameBorder=\"0\" allowfullscreen=\"\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Durante o s\u00e9culo 18, com a chegada da m\u00e1quina a vapor e das manufaturas, algumas pessoas poderiam pensar que o feudalismo estava se modernizando. Na verdade, estava nascendo um outro modelo, que era o capitalismo industrial. Trazendo para os dias de hoje, Dowbor aponta que desde a segunda metade do s\u00e9culo 20 tamb\u00e9m est\u00e1 nascendo uma nova realidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando falamos de revolu\u00e7\u00e3o digital, n\u00e3o \u00e9 o capitalismo que est\u00e1 se informatizando, \u00e9 muito mais do que isso. Demis&nbsp;Hassabis&nbsp;diz que estamos vivendo uma revolu\u00e7\u00e3o digital pelo menos dez vezes mais profunda do que foi a revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d, argumenta Dowbor. \u201cO primeiro pilar \u00e9 a inform\u00e1tica. Em vez de escrever no papel, publicar livros ou coisas do g\u00eanero, voc\u00ea pode ancorar a totalidade do conhecimento humano apenas em zeros e uns, bits e bytes, desmaterializando a base de conhecimento da humanidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cita o exemplo de um v\u00eddeo que publicou no YouTube com mais de um milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es em um ano. \u201cO custo foi quase zero para mim, tive o trabalho de prepara\u00e7\u00e3o. Mas, depois disso, houve n\u00e3o s\u00f3 a desmaterializa\u00e7\u00e3o do conhecimento, mas tamb\u00e9m a conectividade\u201d, aponta. \u201cHoje grande parte das pessoas t\u00eam um celular no bolso ou um computador na mesa, e os que faltam ser\u00e3o incorporados. N\u00e3o tenho nenhum problema para conseguir em segundos um artigo de um colega em Kyoto, no Jap\u00e3o, que eu possa repassar aos meus alunos\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o conhecimento se torna o principal fator de produ\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 mais a m\u00e1quina, s\u00e3o sistemas inteligentes que manejam e programam as&nbsp;m\u00e1quinas e toda a robotiza\u00e7\u00e3o\u201d, observa o economista. \u201cO pr\u00f3prio dinheiro, que era algo impresso pelos governos, hoje \u00e9 apenas um sinal magn\u00e9tico, uma informa\u00e7\u00e3o que navega no planeta de maneira descontrolada. Mas o conhecimento se tornou o principal fator de produ\u00e7\u00e3o e podemos faz\u00ea-lo chegar sem custos adicionais, atrav\u00e9s da conectividade e da desmaterializa\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Poder econ\u00f4mico nas m\u00e3os das plataformas e corpora\u00e7\u00f5es<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O livro aponta que hoje \u00e9 poss\u00edvel caracterizar outro modo de produ\u00e7\u00e3o baseado na revolu\u00e7\u00e3o digital e que essa mudan\u00e7a de base tecnol\u00f3gica tem impactos na organiza\u00e7\u00e3o. Se no capitalismo industrial o poder econ\u00f4mico estava nas m\u00e3os do propriet\u00e1rio da f\u00e1brica, hoje a centralidade se desloca para quem&nbsp;domina&nbsp;as infraestruturas digitais e as grandes corpora\u00e7\u00f5es do sistema financeiro, que controlam&nbsp;os fluxos globais de informa\u00e7\u00e3o por meio de algoritmos. Neste novo arranjo, o funcionamento dos mercados tamb\u00e9m se transforma: as rela\u00e7\u00f5es diretas entre produtores e consumidores cedem espa\u00e7o a plataformas&nbsp;digitais&nbsp;que passam a intermediar estas rela\u00e7\u00f5es e organizar o acesso \u00e0 demanda.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo tempo do Henry Ford, ele era dono de uma f\u00e1brica que produzia autom\u00f3veis, pagava sal\u00e1rios e explorava as pessoas por meio do sal\u00e1rio. Hoje as ind\u00fastrias ainda existem, a agricultura continua, mas quem controla s\u00e3o as plataformas financeiras, os bancos, o sistema de juros e dividendos\u201d, afirma Dowbor. \u201cO burgu\u00eas ainda existe, mas quem manda s\u00e3o as plataformas, porque o sistema online permite ampliar radicalmente a esfera de controle de cada corpora\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema tamb\u00e9m muda o processo de organiza\u00e7\u00e3o dos mercados. \u201cUma coisa \u00e9 a pessoa levar tomates ao mercado, ou levar as bicicletas a uma loja. Ela tem que produzir uma bicicleta melhor para que o concorrente n\u00e3o ganhe espa\u00e7o.&nbsp;Hoje s\u00e3o os algoritmos que programam a maximiza\u00e7\u00e3o de controle corporativo.\u201d, explica o autor. \u201cHoje 147 grupos controlam 40% do sistema corporativo no mundo, e tr\u00eas quartos deles s\u00e3o bancos. N\u00e3o \u00e9 mais mercado, na realidade. Todo o neg\u00f3cio est\u00e1 fixado atrav\u00e9s de algoritmos que buscam maximizar os retornos, qualquer que seja o custo ambiental ou social\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o digital e rentismo<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem toma as decis\u00f5es n\u00e3o \u00e9 mais o propriet\u00e1rio da f\u00e1brica, mas os acionistas \u2013 e grande parte das empresas s\u00e3o controladas por grandes conglomerados financeiros em busca de obter o maior retorno poss\u00edvel. \u00c9 um sistema diferente do capitalismo industrial, no qual o propriet\u00e1rio, para ter lucro, precisaria gerar empregos, produzir produtos \u00fateis e vend\u00ea-los.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no sistema descrito no livro Os Desafios da Revolu\u00e7\u00e3o Digital, o lucro dos grandes grupos financeiros e de acionistas n\u00e3o vem dos processos produtivos, mas do endividamento das empresas, fam\u00edlias e governos, e do pagamento de&nbsp;dividendos aos acionistas, caracterizados como propriet\u00e1rios ausentes de uma empresa (absent&nbsp;owners). Essa revolu\u00e7\u00e3o digital, por sua vez, tem impacto sobre a desigualdade no mundo, porque os grandes grupos se apropriam dos recursos por meio do rentismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cViver de rendas \u00e9 viver do trabalho dos outros, e o rentismo se generaliza justamente com a revolu\u00e7\u00e3o digital\u201d, observa Dowbor. \u201cTemos uma taxa Selic surrealista no Brasil. Um bilion\u00e1rio que aplica na Selic ganha 150 milh\u00f5es com as m\u00e3os no bolso, sem precisar produzir nada, 400 mil reais por dia. Isso \u00e9 rentismo, uma forma de apropria\u00e7\u00e3o da riqueza que voc\u00ea pode encontrar de maneiras variadas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCalculo&nbsp;que o rentismo no Brasil esteriliza pelo menos 25% do PIB. Trava a capacidade de investimento do Estado por meio da taxa Selic, o poder de compra das fam\u00edlias por meio dos juros para pessoa f\u00edsica e a possibilidade de investimento das empresas por meio dos juros sobre pessoa jur\u00eddica\u201d, prossegue Dowbor. \u201cS\u00f3 para dar um exemplo, a Selic no Jap\u00e3o \u00e9 0,5%, n\u00e3o 15%. A taxa de juros para pessoa f\u00edsica na Europa \u00e9 de 4% a 6%, n\u00e3o 55% como no Brasil. E a m\u00e9dia para pessoa jur\u00eddica \u00e9 de 2% a 3%, enquanto no Brasil \u00e9 25%\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalho sem v\u00ednculo e redu\u00e7\u00e3o de direitos<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;economista&nbsp;argumenta que&nbsp;este novo sistema trazido pela revolu\u00e7\u00e3o digital tem ampliado as desigualdades. Ele precisa de m\u00e3o de obra especializada para manejar seus sistemas inform\u00e1ticos, enquanto cria um modelo de trabalho que vem sendo chamado de uberiza\u00e7\u00e3o, no qual&nbsp;os trabalhadores executam tarefas para uma empresa, mas sem um v\u00ednculo trabalhista que lhes garanta direitos e prote\u00e7\u00e3o social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Uber ganha rios de dinheiro e n\u00e3o precisa comprar carro nem contratar pessoas. Ela simplesmente d\u00e1 direito a ter acesso a uma parte daquilo que o cliente paga. \u00c9 o trabalhador que tem que comprar seu carro\u201d, aponta Dowbor. \u201cMais de 30% do que o usu\u00e1rio paga em S\u00e3o Paulo vai para os Estados Unidos, custeando o qu\u00ea? Apenas computadores e algoritmos que registram uma s\u00e9rie de condicionamentos, inclusive a satisfa\u00e7\u00e3o do cliente\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrecisamos inverter o racioc\u00ednio. Araraquara criou uma plataforma local que \u00e9 barata e os motoristas recebem 95% daquilo que o cliente paga. A reapropria\u00e7\u00e3o de toda essa revolu\u00e7\u00e3o digital pela base da sociedade \u00e9 uma estrat\u00e9gia central para resgatar o controle geral dessas transforma\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta o professor. \u201cEm grande parte, o trabalho se fragmentou e perdeu sua capacidade de press\u00e3o, de exig\u00eancia de direitos, sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de trabalho. H\u00e1 o trabalho por tarefas, o empregado n\u00e3o precisa estar dentro da empresa. Ele tem um celular no&nbsp;bolso, est\u00e1 na lista dos volunt\u00e1rios poss\u00edveis, recebe um pedido e n\u00e3o tem v\u00ednculo trabalhista,&nbsp;aposentadoria,&nbsp;etc\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele&nbsp;tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o bem-estar do trabalhador n\u00e3o depende apenas do sal\u00e1rio que ele recebe. Depende tamb\u00e9m dos servi\u00e7os p\u00fablicos aos quais ele tem acesso.&nbsp;\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 renda b\u00e1sica, mas tamb\u00e9m o conjunto das atividades de consumo coletivo: os parques do bairro, pol\u00edticas culturais, rios limpos, acesso&nbsp;a&nbsp;educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a como pol\u00edticas p\u00fablicas gratuitas. \u00c9 orientar a economia para as necessidades mais efetivas da popula\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Dowbor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que produzimos de bens e servi\u00e7os no Brasil d\u00e1, mais ou menos, 20 mil reais por m\u00eas por fam\u00edlia de quatro pessoas. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para n\u00e3o assegurar a todos o b\u00e1sico, porque tornar\u00e1 a sociedade muito mais produtiva\u201d, argumenta. \u201cMais dinheiro na base da sociedade gera demanda. A demanda gera atividades empresariais e de produ\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, geram empregos. O consumo e a atividade empresarial geram impostos e permitem que este dinheiro retorne\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Import\u00e2ncia dos dados<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na economia da revolu\u00e7\u00e3o digital, um dos elementos mais importantes s\u00e3o os dados. Eles se tornaram um insumo estrat\u00e9gico que sustenta modelos de neg\u00f3cios e organiza o funcionamento de plataformas digitais em escala global. A partir da coleta massiva de informa\u00e7\u00f5es sobre comportamentos e prefer\u00eancias, grandes empresas de tecnologia passaram a concentrar poder econ\u00f4mico e capacidade de influ\u00eancia in\u00e9ditos. Neste contexto, surge um debate central para os pa\u00edses: a soberania de dados. Trata-se da capacidade de uma na\u00e7\u00e3o garantir que a coleta, o armazenamento, o uso e a circula\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es produzidas por sua sociedade possam servir ao desenvolvimento econ\u00f4mico e \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Facebook atinge mais de 3 bilh\u00f5es de pessoas no mundo. Empurram qualquer porcaria e t\u00eam acesso \u00e0s nossas informa\u00e7\u00f5es privadas sem pagar nada. O que eu estou gravando neste momento tamb\u00e9m \u00e9 apropriado e registrado por diversas plataformas de comunica\u00e7\u00e3o que utilizar\u00e3o isso&nbsp;sem pedir autoriza\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, pedem: se n\u00e3o autorizar os cookies, eu simplesmente n\u00e3o consigo navegar neste sistema. \u00c9 uma apropria\u00e7\u00e3o gigantesca\u201d, argumenta. \u201cGoogle, Apple, Facebook,&nbsp;Amazon&nbsp;e Microsoft praticamente dominam este processo no mundo. \u00c9 diferente da China, com um grupo de tr\u00eas gigantes. Mas o essencial \u00e9 que temos que resgatar a soberania digital, ou seja, o Brasil poder organizar as regras do jogo, os data centers, a inclus\u00e3o digital da popula\u00e7\u00e3o e o sistema de conhecimento das universidades, assegurando que todos tenham acesso ao conhecimento gerado pela sociedade\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados tamb\u00e9m se tornaram o insumo central da chamada economia da aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 a partir deles que os algoritmos identificam interesses, direcionam conte\u00fados, personalizam a publicidade e disputam o tempo e o foco das pessoas. Cada clique, busca ou intera\u00e7\u00e3o alimenta sistemas capazes de prever comportamentos e orientar estrat\u00e9gias comerciais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs dados s\u00e3o algo muito amplo. V\u00e3o desde conhecimento generalizado at\u00e9 a informa\u00e7\u00e3o detalhada sobre cada pessoa, que permite empurrar para ela as coisas que v\u00e3o lhe chamar a aten\u00e7\u00e3o\u201d, menciona. \u201cN\u00e3o consigo trabalhar sem que me apare\u00e7am pedidos de cookies, atendo liga\u00e7\u00f5es com propostas de banco e coisas do g\u00eanero. A invas\u00e3o da nossa privacidade se tornou um grande neg\u00f3cio. O tempo da nossa vida \u00e9 apropriado por esses grandes grupos. Antigamente havia um vendedor tocando a campainha, hoje eles est\u00e3o dentro do seu computador ou do celular. O controle do conhecimento adquiriu uma centralidade absolutamente radical e, atrav\u00e9s disso, o controle do nosso tempo\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o traz efeitos colaterais. \u201cAs mensagens de \u00f3dio s\u00e3o privilegiadas nessa m\u00eddia social, porque mobilizam mais a aten\u00e7\u00e3o das pessoas e permitem empurrar mais publicidade. Em muitas regi\u00f5es, 40% das crian\u00e7as est\u00e3o acessando pornografia, mas os algoritmos n\u00e3o ligam para isso. \u00c9 a maximiza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria da aten\u00e7\u00e3o\u201d, critica o economista. \u201cEste \u00e9 um desafio imenso. Volto a este ponto: temos que resgatar a soberania digital e o controle e regula\u00e7\u00e3o p\u00fablica das imensas oportunidades que se abrem com essas novas tecnologias\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Monop\u00f3lio da demanda<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da economia digital, outro fen\u00f4meno importante \u00e9 o monop\u00f3lio da demanda. Diferentemente dos modelos tradicionais de competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, as grandes plataformas passam a concentrar o acesso aos pr\u00f3prios usu\u00e1rios. Isso porque quando uma plataforma se torna dominante, todos passam a utiliz\u00e1-la porque as demais pessoas tamb\u00e9m est\u00e3o ali. O resultado \u00e9 um poderoso efeito de rede que refor\u00e7a continuamente o poder das empresas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO gigantismo das plataformas digitais est\u00e1 ligado ao monop\u00f3lio da demanda. Outro dia coloquei um v\u00eddeo do Paulo Freire no meu Facebook e tive quatro milh\u00f5es de acessos. Mas por que eu coloco l\u00e1? Porque preciso estar na plataforma que os outros usam\u201d, explica Dowbor. \u201cQuando um grupo se torna dominante, todos s\u00e3o obrigados a correr para ele. Voc\u00ea tem que utilizar o que os outros utilizam. Isso d\u00e1 poder de monop\u00f3lio ou de oligop\u00f3lio neste processo. O Facebook chega a quase 4 bilh\u00f5es de pessoas. \u00c9 um grau de controle absolutamente surrealista. S\u00e3o for\u00e7as globais e as pol\u00edticas nacionais n\u00e3o t\u00eam capacidade efetiva de enfrentamento\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ladislau Dowbor<\/strong>&nbsp;<br>Ladislau Dowbor \u00e9 economista e professor titular de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo. Foi consultor de diversas ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de governos e munic\u00edpios, al\u00e9m de organiza\u00e7\u00f5es do Sistema S. \u00c9 autor ou coautor de mais de 40 livros \u2013 entre eles, \u201cOs Desafios da Revolu\u00e7\u00e3o Digital: libertar o conhecimento para o bem comum\u201d, publicado pela editora Elefante. Sua produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente no portal www.dowbor.org.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista Ladislau Dowbor analisa como plataformas, algoritmos e grandes corpora\u00e7\u00f5es est\u00e3o transformando o poder econ\u00f4mico no mundo&nbsp; Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do&nbsp;podcast Economistas! A revolu\u00e7\u00e3o digital est\u00e1 transformando profundamente a forma como a economia funciona. 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