{"id":27069,"date":"2025-12-16T13:46:06","date_gmt":"2025-12-16T16:46:06","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27069"},"modified":"2025-12-16T13:46:07","modified_gmt":"2025-12-16T16:46:07","slug":"a-nova-corrida-do-ouro-verde-litio-terras-raras-e-o-valor-sustentavel-do-subsolo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27069","title":{"rendered":"A nova corrida do ouro verde: l\u00edtio, terras raras e o valor sustent\u00e1vel do subsolo brasileiro\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Tania Cristina Teixeira<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova corrida por riquezas movimenta o mundo. Desta vez, o tesouro n\u00e3o est\u00e1 no petr\u00f3leo nem no ouro: os novos protagonistas da economia global s\u00e3o os minerais cr\u00edticos, como o l\u00edtio e o cobre, ao lado das chamadas terras raras (grupo de 17 elementos qu\u00edmicos essenciais para a tecnologia). Impulsionada pela transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e pela busca por tecnologias de baixo carbono, essa corrida recoloca o Brasil no centro das aten\u00e7\u00f5es internacionais&nbsp;e tamb\u00e9m&nbsp;diante de dilemas que v\u00e3o muito al\u00e9m do valor de mercado&nbsp;do subsolo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pauta mineral ganhou contornos ainda mais estrat\u00e9gicos com o acordo entre Estados Unidos e China, que suspendeu tarifas e restri\u00e7\u00f5es sobre as exporta\u00e7\u00f5es de minerais de terras raras. O entendimento busca reduzir tens\u00f5es comerciais e estabilizar o fornecimento global desses insumos, essenciais \u00e0 ind\u00fastria de alta tecnologia, e sinaliza que a disputa por minerais estrat\u00e9gicos n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mica, mas geopol\u00edtica. Isso refor\u00e7a a urg\u00eancia de o Brasil posicionar-se de forma soberana nesse novo tabuleiro global.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o pa\u00eds desponta como uma das maiores promessas do mercado global de recursos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. De acordo com estudo da UBS Global&nbsp;Wealth&nbsp;Management, tr\u00eas grandes projetos de minera\u00e7\u00e3o em andamento no Brasil, dois em Po\u00e7os de Caldas (MG) e um em Mina\u00e7u (GO), devem receber mais de R$ 3 bilh\u00f5es em investimentos. S\u00e3o iniciativas que simbolizam o in\u00edcio de uma nova etapa: o momento em que as reservas brasileiras deixam de ser apenas um potencial e passam, de fato, a integrar o mapa da&nbsp;economia verde mundial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse crescente j\u00e1 come\u00e7a a se refletir no valor das propriedades com aptid\u00e3o mineral. Segundo o \u00cdndice&nbsp;Ch\u00e3oz\u00e3o&nbsp;Valor do Hectare (ICVH), o pre\u00e7o m\u00e9dio do hectare nessas \u00e1reas alcan\u00e7a R$ 11.885,40, revelando a valoriza\u00e7\u00e3o de terras antes vistas apenas como produtivas para o agroneg\u00f3cio. Hoje, elas s\u00e3o tamb\u00e9m o alvo de investidores que enxergam, sob o solo, a pr\u00f3xima fronteira de prosperidade sustent\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, \u00e9 fundamental destacar que n\u00e3o h\u00e1 sustentabilidade se a minera\u00e7\u00e3o \u201cverde\u201d repetir a l\u00f3gica predat\u00f3ria do passado. O Brasil enfrenta o desafio de transformar seu potencial mineral em vantagem competitiva sem comprometer o patrim\u00f4nio socioambiental e a sua reputa\u00e7\u00e3o. Com cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, segundo o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, o Pa\u00eds aparece como protagonista potencial da nova geopol\u00edtica mineral (embora a produ\u00e7\u00e3o real ainda seja inferior a 1% do fornecimento mundial). Ao mesmo tempo, temos a s\u00e9tima maior jazida de l\u00edtio do planeta (390 mil toneladas m\u00e9tricas), com previs\u00e3o de multiplicar produ\u00e7\u00e3o cinco vezes at\u00e9 2028.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Vale do L\u00edtio, em Minas Gerais, \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico dessa nova fronteira. A montadora chinesa BYD adquiriu recentemente 852 hectares em Coronel Murta, ampliando sua presen\u00e7a na regi\u00e3o e atraindo novos olhares para o potencial brasileiro. A opera\u00e7\u00e3o traz capital e inova\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m levanta alertas sobre soberania mineral e controle das cadeias de valor, em um momento em que o pa\u00eds precisa decidir se ser\u00e1 fornecedor de mat\u00e9ria-prima ou protagonista na agrega\u00e7\u00e3o de valor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa discuss\u00e3o \u00e9 essencial porque a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9, em si, uma contradi\u00e7\u00e3o: mineramos para descarbonizar. A extra\u00e7\u00e3o dos insumos que viabilizam carros el\u00e9tricos, pain\u00e9is solares e turbinas e\u00f3licas ainda depende de processos intensivos em energia, \u00e1gua e produtos qu\u00edmicos. Em outras palavras, o caminho para uma economia limpa passa por uma minera\u00e7\u00e3o que precisa, ela pr\u00f3pria, se reinventar para ser ambientalmente vi\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a governan\u00e7a e a sustentabilidade empresarial deixam de ser diferenciais e passam a ser pr\u00e9-requisitos. Investidores e consumidores exigem transpar\u00eancia e mitiga\u00e7\u00e3o de danos ambientais como condi\u00e7\u00e3o para apoiar empresas do setor. Essa \u00e9 a nova fronteira competitiva, onde n\u00e3o basta explorar, mas faz\u00ea-lo de forma respons\u00e1vel, com compromisso social e respeito aos limites do planeta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que o Brasil re\u00fane todas as condi\u00e7\u00f5es para liderar essa transforma\u00e7\u00e3o. Com uma matriz el\u00e9trica majoritariamente renov\u00e1vel e um hist\u00f3rico de regula\u00e7\u00e3o ambiental reconhecido, o pa\u00eds pode tornar-se um fornecedor global de minerais sustent\u00e1veis, desde que invista em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e parcerias internacionais de longo prazo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No curto prazo, o aquecimento do mercado j\u00e1 se traduz em valoriza\u00e7\u00e3o das terras. No m\u00e9dio e longo prazo, por\u00e9m, o verdadeiro desafio ser\u00e1 converter riqueza mineral em desenvolvimento sustent\u00e1vel, e n\u00e3o apenas em cifras. Afinal, a pergunta que se imp\u00f5e n\u00e3o \u00e9 apenas quanto vale um hectare com potencial mineral, mas quanto valer\u00e1 o Brasil se souber equilibrar minera\u00e7\u00e3o, meio ambiente e futuro energ\u00e9tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Clique em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/litio-terras-raras-e-o-valor-sustentavel-do-subsolo-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/opiniao\/artigos\/litio-terras-raras-e-o-valor-sustentavel-do-subsolo-brasileiro\/<\/a>&nbsp;para acessar a publica\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>* Tania Cristina Teixeira \u00e9 presidenta do Conselho Federal de Economia (Cofecon). Graduada em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela PUC Minas, com doutorado em Economia Aplicada pela Universidade de Val\u00eancia (Espanha). Coordena a \u00e1rea de Extens\u00e3o da PUC Minas e atua como pesquisadora em desenvolvimento sustent\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tania Cristina Teixeira&nbsp; Uma nova corrida por riquezas movimenta o mundo. Desta vez, o tesouro n\u00e3o est\u00e1 no petr\u00f3leo nem no ouro: os novos protagonistas da economia global s\u00e3o os minerais cr\u00edticos, como o l\u00edtio e o cobre, ao<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27069\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27070,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-27069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27069"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27071,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27069\/revisions\/27071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}