{"id":27033,"date":"2025-12-15T11:07:50","date_gmt":"2025-12-15T14:07:50","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27033"},"modified":"2025-12-15T11:07:51","modified_gmt":"2025-12-15T14:07:51","slug":"nota-oficial-do-cofecon-pela-reducao-da-taxa-basica-de-juros-selic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27033","title":{"rendered":"Nota Oficial do Cofecon &#8211; Pela redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic)\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) decidiu manter a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 15% ao ano, em sua reuni\u00e3o de 9\/12\/2025. Para justificar as elevadas taxas de juros no Brasil, parte dos economistas e da m\u00eddia afirmam que a infla\u00e7\u00e3o, em torno de 4,5% ao ano, est\u00e1 muito elevada, fora de controle. No entanto, o povo brasileiro sabe muito bem o que \u00e9 uma taxa de infla\u00e7\u00e3o elevada e suas consequ\u00eancias para seu poder de compra e para a economia nacional, tendo j\u00e1 convivido com infla\u00e7\u00e3o de incr\u00edveis 2.477% em 1993. Entre 1951 e 1994, a infla\u00e7\u00e3o no Brasil foi quase sempre elevada, sendo que em 41 desses 44 anos, a taxa anual de infla\u00e7\u00e3o ficou acima de 20% e nunca abaixo de 9% ao ano.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a partir de 1995, e notadamente a partir de 2005, a taxa de infla\u00e7\u00e3o brasileira vergou acentuadamente para baixo. Nos 21 anos entre 2005 e 2025, exceto em 2015 (forte crise econ\u00f4mica) e 2021 (ano mais cr\u00edtico da pandemia da Covid 19), nunca excedeu a 6,5%.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se sustentam, no entanto, os argumentos de que a infla\u00e7\u00e3o no Brasil se d\u00e1 por press\u00e3o da demanda e que deve ser combatida pelo aumento da taxa de juros. A infla\u00e7\u00e3o brasileira tem causas estruturais, como as caracter\u00edsticas do mercado, significativamente oligopolizado, a extremada concentra\u00e7\u00e3o de renda, a indexa\u00e7\u00e3o ou reajuste autom\u00e1tico de pre\u00e7os e contratos e a influ\u00eancia da volatilidade cambial, como os demais pa\u00edses de moedas n\u00e3o convers\u00edveis. E s\u00e3o mais do que conhecidas as consequ\u00eancias de uma Selic t\u00e3o elevada: aumento dos gastos com juros da d\u00edvida p\u00fablica para R$ 1 trilh\u00e3o\/ano, encarecimento do cr\u00e9dito (\u00e0s empresas e \u00e0s fam\u00edlias), queda do consumo, da gera\u00e7\u00e3o de empregos e do PIB. O ritmo de crescimento do PIB perde velocidade: de 4,1% no 3\u00ba trimestre de 2024, ante o mesmo per\u00edodo do ano anterior, 3,6% no 4\u00ba trimestre\/2024; 3,1%no primeiro tri 2025; 2,4% no 2\u00ba tri e 1,8% no 3\u00ba trimestre.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos 14 anos entre 2005 e 2018, com a meta de infla\u00e7\u00e3o fixada em 4,5% (e banda superior de 6,0% ou 6,5%), apenas na crise econ\u00f4mica de 2015 o teto da meta foi \u201csuperado\u201d. Entretanto, a partir de 2021, com a meta sendo gradativamente reduzida at\u00e9 chegar aos atuais 3,0%, com teto em 4,5%, e mesmo com infla\u00e7\u00e3o baixa (entre 4,31% e 5,79%, em quatro dos cinco anos, j\u00e1 considerando a proje\u00e7\u00e3o de 4,4% para 2025) o teto da meta foi ultrapassado. Se tivesse sido mantida a meta de 4,5% e a banda superior de 6,0%, n\u00e3o teria havido estouro da meta em nenhum dos anos, exceto em 2021, o que ocorreu em quase todos os pa\u00edses em raz\u00e3o da pandemia de Covid.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algum tempo o Cofecon vem apontando como injustific\u00e1vel a meta de infla\u00e7\u00e3o de 3% ao ano (com teto de toler\u00e2ncia de 4,5%) estabelecida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), cujo n\u00e3o atingimento tem sido o argumento utilizado pelo Banco Central (BC) para a manuten\u00e7\u00e3o de uma taxa de juro b\u00e1sica (Selic) em patamar excessivamente elevado (15%). Em 2024 o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 4,83%, p\u00edfios 0,33 p.p. acima do teto da meta. Em 2025, o IPCA acumulado de 12 meses, at\u00e9 novembro, est\u00e1 em 4,46%, j\u00e1 abaixo, portanto, do teto da meta. Trata-se de uma taxa de infla\u00e7\u00e3o absolutamente condizente com as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais do pa\u00eds e em linha com a verificada nos pa\u00edses com estrutura econ\u00f4mica similar \u00e0 nossa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao promover uma injustific\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o da meta de infla\u00e7\u00e3o para 3,0% a.a. &#8211; t\u00e3o irreal para o caso brasileiro pelos fatores j\u00e1 apontados, o CMN deu ao mercado financeiro o pretexto para que o BC mantenha uma taxa de juros elevada. E \u00e9 o que o BC tem feito desde setembro de 2024, tendo elevado a Selic de 10,5% para os atuais 15,0%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Argumenta-se que a infla\u00e7\u00e3o no Brasil estaria muito acima da registrada nos demais pa\u00edses, algo que n\u00e3o se confirma na pr\u00e1tica. Considerando os pa\u00edses emergentes do G-20 e do BRICS, que respondem por cerca de 50% do PIB global, a taxa m\u00e9dia de infla\u00e7\u00e3o em 2024 foi de 8,1%, 68% acima da ocorrida no Brasil. Em diversos pa\u00edses, ela foi muito acima: Turquia (44,4%), Egito (33,3%), Nig\u00e9ria (32,5%), Ir\u00e3 (31,7%) e Paquist\u00e3o (23,4%), sem falar na Argentina (116,6%). Em outros casos, foi um pouco acima ou id\u00eantica \u00e0 verificada no Brasil: R\u00fassia (9,3%), Col\u00f4mbia (6,7%), \u00cdndia (6,0%), M\u00e9xico (4,7%) e \u00c1frica do Sul (4,7%).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de infla\u00e7\u00e3o no Brasil situa-se bem abaixo da que historicamente registramos e absolutamente condizente com pa\u00edses com economias similares \u00e0s nossas. No entanto, nenhum desses pa\u00edses adota taxas de juros elevadas para combater a infla\u00e7\u00e3o. Com a Selic em 15% ao ano, o Brasil tem, junto com a Turquia, a maior taxa de juro real do planeta (10,0%), muito acima da \u00c1frica do Sul (5,3%), R\u00fassia (4,8%), M\u00e9xico (4,5%), Col\u00f4mbia (4,4%), Indon\u00e9sia (3,7%) e \u00cdndia (3,4%).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao perseguir uma meta de infla\u00e7\u00e3o excessivamente apertada (3,0% ao ano), o BC adota uma taxa de juros muito elevada uma vez que recebe o mandato de atingi-la. Lembrando que a meta \u00e9 estabelecida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), integrado pelo presidente do BC e os ministros da Fazenda e o Planejamento e Or\u00e7amento. O IPCA dever\u00e1 fechar 2025 em 4,4%, segundo proje\u00e7\u00f5es do mercado financeiro (Boletim Focus). O Conselho Federal de Economia (Cofecon) sustenta que n\u00e3o h\u00e1 qualquer risco de descontrole inflacion\u00e1rio no Brasil e defende a redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros e o retorno do centro da meta de infla\u00e7\u00e3o para 4,5% ao ano&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conselho Federal de Economia\u00a0\u00a0<\/strong><br><em>15 de dezembro de 2025\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) decidiu manter a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 15% ao ano, em sua reuni\u00e3o de 9\/12\/2025. 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