{"id":27019,"date":"2025-12-15T15:27:40","date_gmt":"2025-12-15T18:27:40","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27019"},"modified":"2025-12-15T15:27:42","modified_gmt":"2025-12-15T18:27:42","slug":"podcast-economistas-o-mercado-de-trabalho-do-economista-profissional-liberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27019","title":{"rendered":"Podcast Economistas: O mercado de trabalho do economista profissional liberal"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o desta semana conta com o conselheiro federal Pedro Afonso Gomes, que escreveu uma s\u00e9rie de oito artigos sobre o assunto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas e o tema desta semana \u00e9 o mercado de trabalho e a import\u00e2ncia da profiss\u00e3o. O Brasil vive uma expans\u00e3o na demanda por profissionais de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas em atividades como regula\u00e7\u00e3o, arbitragem, governan\u00e7a corporativa e reorganiza\u00e7\u00e3o empresarial e o conselheiro federal Pedro Afonso Gomes aborda v\u00e1rias destas \u00e1reas. Ou\u00e7a o podcast Economistas na sua plataforma favorita ou no player abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: #174- Podcast Economistas: O mercado de trabalho do economista profissional liberal\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6Kg6uI3DouB9LG5Qzz2jSS?si=6dee2211b28d4ab6&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O epis\u00f3dio desta semana foi gravado no est\u00fadio Economistas, em Bras\u00edlia. A entrevista foi conduzida pela conselheira federal Fab\u00edola Andr\u00e9a Leite de Paula e a apresenta\u00e7\u00e3o foi da coordenadora de Comunica\u00e7\u00e3o do Cofecon, Renata Reis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A chancela do economista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gomes escreveu uma s\u00e9rie de oito artigos intitulada \u201cMercado de Trabalho para o Economista Profissional Liberal\u201d (acesse <a href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Mercado-de-Trabalho-do-Economista-Pedro-Afonso-Gomes.pdf\">AQUI<\/a>) e o primeiro texto da s\u00e9rie foi \u201cA Chancela do Economista, no qual destaca a import\u00e2ncia de que os documentos t\u00e9cnicos sejam assinados por profissionais devidamente registrados nos Conselhos Regionais de Economia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu era presidente do Corecon-SP em 2010 e falava para os conselheiros sobre a import\u00e2ncia de n\u00f3s valorizarmos a legisla\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos sobre os economistas. E o conselheiro mais antigo, que j\u00e1 tinha 70 anos de idade e 50 (ou quase isso) de profiss\u00e3o respondeu que n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos as mesmas prerrogativas e favores legais que outras profiss\u00f5es\u201d, conta Gomes. \u201cEu sempre carregava nas reuni\u00f5es plen\u00e1rias o regimento interno e a lei dos economistas. Abri o Decreto 31.794\/1952 e li para ele o artigo terceiro, com as atribui\u00e7\u00f5es dos economistas; o quarto, que diz que aquelas atribui\u00e7\u00f5es s\u00f3 t\u00eam validade jur\u00eddica se assinadas por economistas; e o s\u00e9timo, que diz que, ao assinar estes documentos, ele tem que mencionar o n\u00famero de registro no Corecon. A partir da\u00ed o conselheiro falou: publica um artigo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O assunto ficou dando voltas na cabe\u00e7a de Gomes. \u201cFiquei pensando: se um conselheiro, um economista com tanto tempo de atua\u00e7\u00e3o, professor muitos anos, n\u00e3o sabe das prerrogativas profissionais dos economistas, quem dir\u00e1 os estudantes\u201d, questionou. \u201cPor isso a import\u00e2ncia do economista: para mostrar que temos atribui\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o em vigor e que n\u00f3s devemos valorizar. Al\u00e9m de estudar no curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, precisamos saber quais s\u00e3o as nossas prerrogativas legais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1970 os economistas buscam uma atualiza\u00e7\u00e3o da Lei 1.411\/1951. \u201cEst\u00e1vamos sob a presid\u00eancia do economista Jamil Zantut, ele encaminhou um projeto para a C\u00e2mara dos Deputados e relacionava todas as atividades que, na \u00e9poca, eram exercidas por economistas e que n\u00e3o est\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o de 1951\u201d, mencionou Gomes. E abriu um par\u00eantese: \u201cA legisla\u00e7\u00e3o de 1951 daria assunto para outro podcast, de como o processo foi apertado para que a nossa profiss\u00e3o n\u00e3o tivesse a amplitude que tem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O PL em quest\u00e3o passou por tr\u00eas comiss\u00f5es. \u201cNa terceira, o relator era o deputado Tancredo Neves e um representante de outra categoria profissional, deputado e l\u00edder do partido pol\u00edtico em vigor, acabou conseguindo o arquivamento\u201d, conta o conselheiro federal. \u201cEste projeto teria uma atualidade muito forte, seria mais amplo, mas foi engavetado. Por isso, continuamos buscando esta atualiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente tramita na C\u00e2mara dos Deputados o Projeto de Lei 3.178\/2024, de autoria dos deputados federais Reginaldo Lopes (PT\/MG) e Mauro Benevides Filho (PDT\/CE). No dia 03 de dezembro de 2025 o Projeto foi relatado pelo deputado Andr\u00e9 Figueiredo (PDT\/CE) e aprovado pela Comiss\u00e3o de Trabalho. Atualmente tramita na Comiss\u00e3o de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o e tem como relator o deputado Luiz Carlos Hauly (PODE\/PR).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa primeira reda\u00e7\u00e3o, o PL 3.178\/2024 criou uma s\u00e9rie de problemas com outras profiss\u00f5es. Hoje temos uma reda\u00e7\u00e3o mais enxuta, mas que vai criar menos dificuldades\u201d, avalia Gomes. \u201cO n\u00facleo duro da nossa profiss\u00e3o est\u00e1 na Lei 1.411\/1951, que diz que os campos de atua\u00e7\u00e3o do economista s\u00e3o a economia e as finan\u00e7as. Mas este \u00e9 um campo muito largo, em que tamb\u00e9m h\u00e1 atua\u00e7\u00e3o de contadores, administradores e possivelmente de advogados e engenheiros. Em conversa com os parlamentares, estamos tentando garantir nosso espa\u00e7o, as prerrogativas dos economistas e dos Conselhos de Economia. Penso que vamos conseguir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o de empresas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro artigo da s\u00e9rie aborda avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de empresas, ativos tang\u00edveis e intang\u00edveis e passivos ocultos. \u201cSempre ouvimos que os empres\u00e1rios buscam lucro, mas eles n\u00e3o buscam s\u00f3 o lucro, buscam a valoriza\u00e7\u00e3o da sua empresa. N\u00f3s mostramos quanto vale a empresa deles, porque \u00e0s vezes eles n\u00e3o t\u00eam ideia\u201d, explica o economista. \u201cNuma discuss\u00e3o familiar ou com os s\u00f3cios eles ficam perdidos, porque avaliam o patrim\u00f4nio f\u00edsico (tang\u00edveis), mas se esquecem que a empresa criou uma marca e que este conceito, por vezes, tem mais valor que os itens materiais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele cita o exemplo das cinco maiores empresas do mundo. \u201cA Amazon tem muito pouco patrim\u00f4nio. Tem alguns sistemas, mas isso \u00e9 pouco perto do que ela vale: o conceito Amazon, o bom desempenho naquilo que faz, este \u00e9 o valor da empresa\u201d, argumenta Gomes. \u201cA internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia faz com que haja investidores fora do Pa\u00eds investindo em empresas nacionais. A entrada de recursos para um investimento produtivo vem sendo grande h\u00e1 alguns anos. Eles querem comprar empresas que d\u00e3o resultado. Empresas que t\u00eam valor. E \u00e9 a\u00ed que n\u00f3s, economistas, fazemos a valora\u00e7\u00e3o da empresa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o de empresas tamb\u00e9m \u00e9 uma tarefa importante nas sucess\u00f5es e disputas judiciais. \u201cAquele que sai tem o direito de receber sua parte na empresa. E que parte \u00e9 esta? Tem que ser definido tecnicamente. Os herdeiros t\u00eam que distribuir as cotas do pai que faleceu. Quem faz esta conta? Numa fus\u00e3o, aquisi\u00e7\u00e3o ou incorpora\u00e7\u00e3o de empresas, quem \u00e9 que diz quanto cada empresa vale? O economista. Este \u00e9 um campo de trabalho muito grande para quem tiver condi\u00e7\u00f5es e estudar para isso\u201d, comenta Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Per\u00edcia econ\u00f4mico-financeira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um campo de atua\u00e7\u00e3o que vem ganhando espa\u00e7o junto ao Poder Judici\u00e1rio \u00e9 a per\u00edcia econ\u00f4mico-financeira. \u201cEsta \u00e9 a minha principal atividade, estou neste campo h\u00e1 28 anos. A per\u00edcia \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o de um profissional especializado no fato concreto\u201d, explica o economista. \u201cO que \u00e9 uma demanda judicial? Uma disputa entre duas partes que tem d\u00favida sobre duas coisas: o fato econ\u00f4mico e o direito aplic\u00e1vel \u00e0quele fato econ\u00f4mico. O perito economista vai analisar os fatos e expor ao juiz, aos advogados \u2013 que n\u00e3o s\u00e3o especialistas em economia e finan\u00e7as \u2013 quais s\u00e3o as quest\u00f5es envolvidas naquele caso, de modo que as partes fa\u00e7am um acordo ou que haja uma senten\u00e7a do juiz a respeito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Gomes explicou a necessidade de o perito se especializar em algumas \u00e1reas (por exemplo, contratos banc\u00e1rios e comerciais, dissolu\u00e7\u00e3o de sociedade, avalia\u00e7\u00e3o de empresas, indeniza\u00e7\u00e3o, entre outras) para poder dar respostas. E contou um trabalho recente que realizou. \u201cFiz a avalia\u00e7\u00e3o de um estacionamento dentro de um grande edif\u00edcio, quase um shopping, e ningu\u00e9m sabia como avaliar. Por qu\u00ea? Porque quem detinha a administra\u00e7\u00e3o do estacionamento precisava pagar ao condom\u00ednio um valor de aluguel\u201d, contou. \u201cO engenheiro trouxe suas medi\u00e7\u00f5es e eu, como assistente t\u00e9cnico de uma das partes do condom\u00ednio, propus que fosse analisado o potencial econ\u00f4mico do estacionamento, porque quem administra n\u00e3o vai ficar olhando metros quadrados, vai verificar o ingresso de receitas, as despesas e quanto sobra para ele. E o juiz entendeu que o crit\u00e9rio era efetivamente econ\u00f4mico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara isso, eu preciso estudar muito, porque cada caso \u00e9 um caso\u201d, prossegue Gomes. \u201cFiz uma lista h\u00e1 algum tempo com cerca de 80 tipos de per\u00edcia, e em cada um deles \u00e9 preciso estudar. No Sindicato dos Economistas de S\u00e3o Paulo n\u00f3s temos, h\u00e1 15 anos, um plant\u00e3o de per\u00edcias toda ter\u00e7a-feira: atendemos at\u00e9 quatro pessoas para ajudar os economistas, sejam jovens ou mais antigos, a fazer melhor seu trabalho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Corecons, na vis\u00e3o do conselheiro federal, s\u00e3o a ponte para aproximar o profissional perito e o Poder Judici\u00e1rio. \u201cTenho uma estimativa de que hoje h\u00e1 10 mil economistas atuando como peritos. Em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o quase 40% do total de economistas. E onde ela acontece? N\u00e3o \u00e9 nos tribunais superiores, \u00e9 na base \u2013 e a base \u00e9 o territ\u00f3rio dos Corecons. Eles devem dar suporte para que seus economistas se tornem peritos, seja do ju\u00edzo, seja como assistentes t\u00e9cnicos. Sempre preferi ser assistente, mas muitos colegas s\u00e3o peritos do juiz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o a partir do c\u00f3digo civil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Civil Brasileiro n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de normas jur\u00eddicas. \u00c9 tamb\u00e9m um arcabou\u00e7o regulat\u00f3rio fundamental para o funcionamento da economia de mercado. A Parte Geral cria os fundamentos da personalidade, direitos patrimoniais e atos jur\u00eddicos, enquanto a Parte Especial regula as rela\u00e7\u00f5es obrigacionais, empresariais, patrimoniais, familiares e sucess\u00f3rias, sempre com impactos econ\u00f4micos e financeiros profundos. E o economista tem um papel importante para reduzir custos de lit\u00edgios e aumentar a efici\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es privadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 algum tempo trabalhei para uma dissolu\u00e7\u00e3o de sociedade em que um dos s\u00f3cios havia falecido e outros tr\u00eas estavam vivos. Trabalhei para os tr\u00eas, contra os herdeiros do falecido. Eram tr\u00eas enormes restaurantes em S\u00e3o Paulo, muito bem-conceituados, mas n\u00e3o davam resultado\u201d, relata Gomes. \u201cFiz eles compreenderem que era melhor acabar com este lit\u00edgio, desde que todos entendessem o que estava acontecendo naqueles restaurantes, que todos estavam deficit\u00e1rios, e que a proposta n\u00e3o seria fazer uma per\u00edcia para dizer o que cada um tem, mas melhorar o desempenho econ\u00f4mico-financeiro do restaurante. E foi o que fiz. Falei: vamos pagar os impostos e as d\u00edvidas atrasadas e chegar a um ponto em que saberemos quanto valem os restaurantes, e a\u00ed dividimos. Se a divis\u00e3o ocorrer agora, todos ficar\u00e3o respons\u00e1veis por d\u00edvidas. Ent\u00e3o ajudei eles desde um ponto de vista da gest\u00e3o econ\u00f4mica da empresa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Consultoria e planejamento estrat\u00e9gico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A demanda por consultores econ\u00f4micos tem crescido no Brasil. A atividade, anteriormente, era cara e acess\u00edvel somente para empresas de certo porte. \u201cComecei exatamente h\u00e1 25 anos com uma experi\u00eancia diferente: vender horas de consultoria. Em vez de vender um projeto, eu vendia horas de conversa com o cliente \u2013 e praticamente sempre resolvia o problema dele, porque \u00e0s vezes as coisas n\u00e3o eram t\u00e3o grandes assim\u201d, conta o economista. \u201cHoje isso \u00e9 chamado de mentoria. Voc\u00ea pode fazer a consultoria montando projetos, mas pode tamb\u00e9m orientar. E os recursos tecnol\u00f3gicos existentes permitem que cheguemos a qualquer lugar. Uma empresa do Acre pode ter o mesmo consultor que uma de S\u00e3o Paulo. Mas voc\u00ea precisa ter um conhecimento ou uma experi\u00eancia que ajude o cliente. N\u00e3o adianta falar de consultoria se voc\u00ea n\u00e3o ajudar o cliente a crescer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO campo do planejamento estrat\u00e9gico \u00e9 um dos melhores para os economistas, mas menos valorizados pelas empresas, ent\u00e3o muita gente abandona\u201d, prossegue Gomes. \u201cPlanejamento estrat\u00e9gico \u00e9 partir das condi\u00e7\u00f5es estabelecidas pelo mercado e fazer algo que planeje a vida da empresa durante um certo tempo e corrigindo dia a dia. Mas se ela n\u00e3o tiver nenhum rumo, nenhum planejamento, sempre vai andar em c\u00edrculos sem sair do lugar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm ex-vice-presidente do Cofecon, a quem sempre admirei, Kanitar Aymor\u00e9 Saboia Cordeiro, dizia que o economista enxerga a flores para depois enxergar a \u00e1rvore. O economista tem condi\u00e7\u00f5es de ver todas as \u00e1reas\u201d, recordou. \u201cO melhor livro de administra\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o industrial que conhe\u00e7o n\u00e3o \u00e9 de um engenheiro, \u00e9 de um economista. Ele ensina como se administra a produ\u00e7\u00e3o, que teoricamente seria uma quest\u00e3o da engenharia, mas ele o faz sob a \u00f3tica econ\u00f4mica. A log\u00edstica, a parte comercial, o marketing, tudo tem a ver com aquilo que o economista faz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESG<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pauta ESG (que articula responsabilidade ambiental, social e de governan\u00e7a) ampliou significativamente o papel do economista em organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Cada vez mais, as an\u00e1lises econ\u00f4micas precisam considerar os impactos ambientais e a efici\u00eancia no uso de recursos e na mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm 2010 eu convidei um economista para ser entrevistado na revista. Ele era gerente ambiental de uma grande empresa fabricante de pneus. E ele respondeu: olha, do meu departamento depende toda a empresa, porque os clientes perguntam o que \u00e9 feito da borracha que sobra depois que consumimos o pneu, os res\u00edduos que podem prejudicar o ambiente. Veja, estamos falando de 2010, n\u00e3o de hoje\u201d, ressalta Gomes. \u201cEssa preocupa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 muito maior. O economista n\u00e3o pode nunca deixar de ajudar a refletir, do ponto de vista econ\u00f4mico, sobre os danos ambientais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEscrevi um artigo em 2019 falando sobre Brumadinho e as indeniza\u00e7\u00f5es, e digo, n\u00f3s temos tudo a ver com a quest\u00e3o ambiental, com o planejamento, e com a quest\u00e3o social, que \u00e9 a outra letra do ESG. O Artigo 3\u00ba do Decreto 31.794 termina mencionando todas as demais atividades que promovam o aumento da riqueza e da renda e a sua distribui\u00e7\u00e3o\u201d, pontua Gomes. \u201cVemos uma sociedade extremamente desigual e o economista tem que pensar assim: eu tenho a responsabilidade de tentar fazer com que ela diminua e que as pessoas sejam consideradas iguais, do ponto de vista da dignidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dos maiores economistas vivos hoje, Amartya Sen, que ganhou o pr\u00eamio Nobel, tem v\u00e1rios livros e, num deles, fala a respeito do conceito de pobre. O que \u00e9 ser pobre? O conceito dele vai da economia e diz que ser pobre \u00e9 n\u00e3o conseguir desenvolver todas as suas potencialidades, porque a pobreza n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 material, mas tudo aquilo que faz com que voc\u00ea n\u00e3o se desenvolva\u201d, conta o conselheiro federal. \u201cO fato de ter vivido uma vida muito pobre faz com que uma pessoa n\u00e3o consiga mais ter um desenvolvimento intelectual, e isso faz com que ele continue pobre, e isso vem da inf\u00e2ncia. Ent\u00e3o precisamos nos centrar muito nestes tr\u00eas conceitos: social, ambiental e planejamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A conselheira Fab\u00edola de Paula, que conduzia a entrevista, tamb\u00e9m acrescentou sua experi\u00eancia a respeito. \u201cSempre trabalhei com pol\u00edticas p\u00fablicas e era questionada, sugerindo que seria necess\u00e1rio um assistente social ou uma profissional de sa\u00fade, ou uma psic\u00f3loga. Sempre debati com eles que eu poderia desempenhar essa fun\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o se faz pol\u00edtica p\u00fablica sem or\u00e7amento\u201d, argumentou Fab\u00edola. \u201cOutro termo que tamb\u00e9m se usa \u00e9 a heran\u00e7a da pobreza. Esse pobre tem um filho ou uma filha que n\u00e3o tem acesso a educa\u00e7\u00e3o, cultura e sa\u00fade e vai herdar a situa\u00e7\u00e3o de pobreza do pai, porque n\u00e3o foi garantido a ele o desenvolvimento das suas potencialidades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reestrutura\u00e7\u00e3o empresarial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro campo com muito espa\u00e7o para a atua\u00e7\u00e3o de economistas \u00e9 a reestrutura\u00e7\u00e3o empresarial \u2013 algo que vai muito al\u00e9m do corte de custos. \u201cTenho essa experi\u00eancia desde quando estava no Banco do Brasil. O Banco \u00e0s vezes era nomeado s\u00edndico de massa falida ou comiss\u00e1rio de concordata de processos judiciais de empresas em dificuldades e eu era nomeado auxiliar do comiss\u00e1rio. Comecei a virar especialista nisso e acho que j\u00e1 trabalhei na recupera\u00e7\u00e3o ou reestrutura\u00e7\u00e3o de 250 empresas\u201d, comenta o economista. \u201cA empresa n\u00e3o \u00e9 um hobby. Ser empres\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 para qualquer um. \u00c0s vezes o profissional \u00e9 um \u00f3timo vendedor, \u00f3timo t\u00e9cnico de produ\u00e7\u00e3o ou administrador financeira, mas ao se ver diante das dificuldades que todas as empresas passam, ele tem problemas e, muitas vezes, se fecha em seu conhecimento, sem buscar pessoas que tenham alternativas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao falar da sua atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, trouxe novamente a fun\u00e7\u00e3o social do economista. \u201cSabe por que eu aceitei ser gestor de empresas em recupera\u00e7\u00e3o? Principalmente pelas pessoas que ficariam desempregadas. Certa vez, em Ferraz de Vasconcelos, perto de S\u00e3o Paulo, fui chamado pelo dono e ele falou: quero que feche minha empresa, e me pediu para cuidar disso. Eu respondi: sim, mas eu n\u00e3o posso estudar um pouco e ver se n\u00e3o tem recupera\u00e7\u00e3o? Em tr\u00eas ou quatro dias, falando com pessoas, pegando uns mapas, vi que havia erros na produ\u00e7\u00e3o, log\u00edstica e comercializa\u00e7\u00e3o que, se corrigidos, fariam a empresa dar lucro\u201d, conta o economista. \u201cEm menos de dois meses ela come\u00e7ou a dar resultado. Mas nos primeiros dias tive que mandar algumas pessoas embora. Peguei a folha de pagamento, vi quem custava mais, eram chefes e questionei se precisava de tudo isso. Onde tinha um encarregado e dois mec\u00e2nicos, cortei o chefe e deixei os dois mec\u00e2nicos. Percebi que algumas pessoas n\u00e3o faziam absolutamente nada, cortei. Cortei vendedores. Quando cheguei, havia ali 60 funcion\u00e1rios. Um ano e um m\u00eas depois, quando deixei a empresa, deixei com 120 funcion\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExistia no final daquela rua um aglomerado de barracos que eram de pessoas que vieram de outros estados trabalhar nas f\u00e1bricas daquela rua e adjac\u00eancias. Anos antes, quando visitei aquela rua como gerente do Banco do Brasil, havia 12 f\u00e1bricas. Quando voltei, s\u00f3 havia duas \u2013 aquela que fui administrar e mais uma. As pessoas do aglomerado n\u00e3o tinham mais emprego. Eu fiz crescer a empresa e as pessoas passaram a ter emprego\u201d, conta o economista. \u201cAt\u00e9 hoje eu trabalho para isso: manter empregos. O pobre s\u00f3 tem a for\u00e7a de trabalho dele, mais nada. Prefiro recuperar uma empresa a inventar outras que nem emprego d\u00e3o. Eu ganho dinheiro com as empresas que assessoro, mas tamb\u00e9m tenho um trabalho social por tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedro Afonso Gomes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Afonso Gomes \u00e9 economista com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Mercado de Capitais, Direito Empresarial e Estrat\u00e9gia Empresarial. Atuou no Banco do Brasil por 15 anos. Foi presidente do Conselho Regional de Economia de S\u00e3o Paulo e coordenador do 2\u00ba Encontro Brasileiro de Per\u00edcia, Avalia\u00e7\u00e3o e Auditoria Econ\u00f4mico-Financeira. Atua como perito, avaliador, auditor, consultor, gestor e negociador e ministra cursos de forma\u00e7\u00e3o para peritos.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie de oito artigos sobre o mercado de trabalho do economista pode ser acessada clicando <a href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Mercado-de-Trabalho-do-Economista-Pedro-Afonso-Gomes.pdf\">AQUI<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edi\u00e7\u00e3o desta semana conta com o conselheiro federal Pedro Afonso Gomes, que escreveu uma s\u00e9rie de oito artigos sobre o assunto Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas e o tema desta semana \u00e9 o mercado de trabalho<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=27019\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":27042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-27019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27019"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27019"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27043,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27019\/revisions\/27043"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/27042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}