{"id":26745,"date":"2025-11-14T17:03:40","date_gmt":"2025-11-14T20:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26745"},"modified":"2025-11-14T17:07:22","modified_gmt":"2025-11-14T20:07:22","slug":"podcast-economistas-justica-climatica-e-financas-sustentaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26745","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Justi\u00e7a clim\u00e1tica e finan\u00e7as sustent\u00e1veis"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas! Os temas desta semana s\u00e3o justi\u00e7a clim\u00e1tica e finan\u00e7as sustent\u00e1veis, dois assuntos bastante ligados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e ao combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O podcast pode ser ouvido na sua plataforma favorita ou no player abaixo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 1992, por ocasi\u00e3o da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas conhecida como Eco 92 (ou Rio 92), foi estabelecida a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima. O documento teve a ades\u00e3o de todos os pa\u00edses e tinha como objetivo a estabiliza\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de gases do efeito estufa na atmosfera em n\u00edveis que evitem uma interfer\u00eancia perigosa do ser humano no sistema clim\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<iframe data-testid=\"embed-iframe\" style=\"border-radius:12px\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/5fX5ETmktIQWdHcL3KzUy5?utm_source=generator\" width=\"100%\" height=\"352\" frameBorder=\"0\" allowfullscreen=\"\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, o mundo busca construir uma governan\u00e7a global capaz de conter o avan\u00e7o das emiss\u00f5es de gases causadores de efeito estufa. Foi neste contexto que surgiram as Confer\u00eancias das Partes (COPs) &#8211; como a que se realiza em Bel\u00e9m nos dias 10 a 21 de novembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO mecanismo de governan\u00e7a desta Conven\u00e7\u00e3o \u00e9, a cada ano, reunir todos os pa\u00edses que fazem parte para discutir a mudan\u00e7a do clima. As reuni\u00f5es evolu\u00edram muito desde a primeira delas, em 1995\u201d, comenta F\u00e1bio Feldman, ex-deputado federal com participa\u00e7\u00e3o em COPs. \u201cA reuni\u00e3o de 1995 foi muito interessante. Eles disseram: a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro \u00e9 \u00f3tima, mas n\u00e3o tem metas nem calend\u00e1rio para cumprimento de metas. Depois, em 1997, surgiu o Protocolo de Kyoto, que n\u00e3o foi um sucesso de p\u00fablico e de cr\u00edtica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, o avan\u00e7o das crises ambientais e a lentid\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono t\u00eam impulsionado uma nova frente de a\u00e7\u00e3o: a litig\u00e2ncia clim\u00e1tica estrat\u00e9gica &#8211; assunto que, inclusive, foi mencionado pela ministra Marina Silva nesta quinta-feira (13), na COP. Trata-se do uso do sistema de justi\u00e7a para responsabilizar grandes corpora\u00e7\u00f5es e estados pelos danos ambientais e sociais decorrentes da crise clim\u00e1tica. Cada vez mais, tribunais nacionais e internacionais t\u00eam sido acionados para exigir que empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis, em especial as do setor de petr\u00f3leo, reconhe\u00e7am sua contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para o aquecimento global e assumam a\u00e7\u00f5es concretas de repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos discutindo o caso das ind\u00fastrias de petr\u00f3leo. O principal ativo delas \u00e9 ter grandes reservas para explorar. E n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a ind\u00fastria de petr\u00f3leo, no Brasil e no mundo, vai explorar at\u00e9 a \u00faltima gota\u201d, pontuou Feldman. \u201cQuando isso ocorrer, eles n\u00e3o ter\u00e3o como responder pelos danos causados pela mudan\u00e7a do clima e sua contribui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o existe uma discuss\u00e3o sobre como obrigar as empresas a n\u00e3o apenas diminuir o uso do petr\u00f3leo, como reservar uma parte dos seus lucros para fazer frente aos danos que elas est\u00e3o causando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crise causada pela a\u00e7\u00e3o humana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O desafio de enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica traz a necessidade de uma mudan\u00e7a profunda no modelo de desenvolvimento. A pr\u00f3pria base energ\u00e9tica que sustentou o progresso e a moderniza\u00e7\u00e3o do mundo se tornou tamb\u00e9m a principal causa do desequil\u00edbrio clim\u00e1tico. O m\u00e9dico e ambientalista Gilberto Natalini, ex-vereador de S\u00e3o Paulo e tamb\u00e9m participante de COPs, lembra que, ao contr\u00e1rio de outros desafios enfrentados pela humanidade, a mudan\u00e7a do clima \u00e9 causada pela a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenho visto v\u00e1rios climatologistas e ambientalistas que respeito muito dizerem que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o, talvez, o maior desafio que a humanidade j\u00e1 enfrentou em sua exist\u00eancia \u2013 e olha que ela j\u00e1 enfrentou desafios imensos que amea\u00e7aram a sobreviv\u00eancia humana no planeta\u201d, observa Natalini. \u201cMas este \u00e9 produzido fundamentalmente pela a\u00e7\u00e3o humana na busca de produ\u00e7\u00e3o de energia. Demos um salto tecnol\u00f3gico descobrindo o combust\u00edvel f\u00f3ssil e ele mesmo, no decorrer do tempo, acabou causando essa situa\u00e7\u00e3o de aquecimento do planeta e de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise clim\u00e1tica afeta de forma diferente os pa\u00edses, e a mesma situa\u00e7\u00e3o acontece nos planos locais. As cat\u00e1strofes, como enchentes, deslizamentos, estiagens e ondas de calor, n\u00e3o atingem todas as pessoas da mesma maneira. Os impactos recaem com mais for\u00e7a sobre aqueles que vivem em \u00e1reas prec\u00e1rias, sem infraestrutura urbana adequada e sem acesso regular aos servi\u00e7os p\u00fablicos. Nessas regi\u00f5es em que a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 enfrenta desigualdades hist\u00f3ricas, cada evento clim\u00e1tico extremo exp\u00f5e as vulnerabilidades sanit\u00e1rias e econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto que o conceito de justi\u00e7a clim\u00e1tica ganha mais for\u00e7a, reconhecendo que os custos da crise s\u00e3o distribu\u00eddos de forma desigual e que cabe \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas proteger de forma priorit\u00e1ria as parcelas da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e3o mais expostas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVi a ocupa\u00e7\u00e3o do Jardim Pantanal em S\u00e3o Paulo. Ao contr\u00e1rio do que alguns diziam, aquilo n\u00e3o aconteceu porque as pessoas queriam terra de gra\u00e7a \u2013 era um grupo de gente que n\u00e3o tinha onde morar, que estavam sendo expulsos dos alugu\u00e9is e foram morar numa regi\u00e3o que fica abaixo do leito do rio Tiet\u00ea, em S\u00e3o Miguel Paulista\u201d, explicou Natalini. \u201cToda vez que o rio fica bravo, joga \u00e1gua em cima deles. E o que eu observo \u00e9 que a cada ano a quantidade de \u00e1gua que o rio joga no bairro, que hoje deve ter cerca de 30 mil pessoas, \u00e9 maior. A vaz\u00e3o dessa \u00e1gua \u00e9 mais demorada a cada ano e o preju\u00edzo econ\u00f4mico \u00e9 maior. Junto com o preju\u00edzo material v\u00eam a leptospirose, as viroses, a hepatite A, todo aquele card\u00e1pio que envolve as trag\u00e9dias clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNas estiagens, onde \u00e9 que tem rod\u00edzio de \u00e1gua em S\u00e3o Paulo? Nos bairros pobres, como Guaianases, Itaquera, Cidade Ademar. Os bairros ricos s\u00e3o os \u00faltimos a fechar as torneiras\u201d, critica o ex-vereador. \u201cQuando falamos de justi\u00e7a clim\u00e1tica, temos que entender que as pol\u00edticas p\u00fablicas devem proteger os mais expostos, os que t\u00eam maior risco\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Finan\u00e7as sustent\u00e1veis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do enfrentamento \u00e0 crise clim\u00e1tica, as finan\u00e7as sustent\u00e1veis ocupam uma posi\u00e7\u00e3o muito importante. O setor financeiro, respons\u00e1vel por direcionar os fluxos de investimentos, \u00e9 chamado a redefinir crit\u00e9rios de risco e retorno considerando as emerg\u00eancias ambientais. Na teoria, isso significa reduzir a exposi\u00e7\u00e3o a atividades de alto impacto nas emiss\u00f5es de carbono e ampliar o apoio a empreendimentos de menor impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, entretanto, o movimento \u00e9 mais lento do que o esperado, mesmo com os compromissos p\u00fablicos de descarboniza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o sistema financeiro tamb\u00e9m enfrenta a press\u00e3o de garantir que o cr\u00e9dito concedido n\u00e3o alimente pr\u00e1ticas ilegais ou degradantes, especialmente em setores sens\u00edveis como o agroneg\u00f3cio e a minera\u00e7\u00e3o. Para avan\u00e7ar nesta \u00e1rea, \u00e9 preciso fortalecer os mecanismos de transpar\u00eancia e os crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o verde, al\u00e9m de atualizar os modelos de avalia\u00e7\u00e3o de risco clim\u00e1tico, a fim de que o desempenho ambiental e social das empresas influencie diretamente sua capacidade de acesso ao cr\u00e9dito e o custo dos seus financiamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maior discuss\u00e3o sobre o financiamento clim\u00e1tico \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o do investimento em \u00f3leo e g\u00e1s \u2013 mas a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo no mundo est\u00e1 crescendo e tem algu\u00e9m financiando isso\u201d, questiona o economista Ronaldo Ser\u00f4a da Motta. \u201cAlgumas carteiras dizem que v\u00e3o diminuir sua exposi\u00e7\u00e3o, mas enquanto houver muita produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, vai ser dif\u00edcil que o setor financeiro desembarque desta atividade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutra quest\u00e3o diz respeito \u00e0 concess\u00e3o de cr\u00e9dito para algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 ambientalmente regularizado. Se o tomador de cr\u00e9dito tem um perfil com v\u00e1rias pend\u00eancias ambientais, isso vai dificultar sua situa\u00e7\u00e3o em algumas bancas p\u00fablicas, pelo menos para essas que t\u00eam um protocolo verde\u201d, comenta Motta. \u201cOutro ponto s\u00e3o as empresas de rating: quanto elas est\u00e3o conseguindo introduzir um vetor ambiental? Como incluir o fator ambiental nos ratings das empresas?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Precifica\u00e7\u00e3o de carbono<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos instrumentos mais importantes na agenda global de combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 a precifica\u00e7\u00e3o do carbono, mecanismo que busca atribuir um valor monet\u00e1rio \u00e0s emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa. A ideia central \u00e9 simples: quem polui deve pagar pelo impacto ambiental que causa. No Brasil, este debate avan\u00e7ou significativamente com a lei n\u00famero quinze mil e quarenta e dois, que criou o sistema brasileiro de com\u00e9rcio de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa \u2013 um marco regulat\u00f3rio que insere o Pa\u00eds no conjunto de na\u00e7\u00f5es que reconhecem a polui\u00e7\u00e3o como uma externalidade econ\u00f4mica e que deve ser internalizada por meio de instrumentos de mercado, como tributos ou cotas de emiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAno passado foi promulgada a Lei 15.402, que cria mecanismos de precifica\u00e7\u00e3o de carbono. A polui\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada uma externalidade e \u00e9 preciso internaliz\u00e1-la. Algumas atividades industriais, daqui a alguns anos, ser\u00e3o obrigadas a comprar direitos de emiss\u00e3o, que funciona mais ou menos como um tributo\u201d, pontua Motta. \u201cVai gerar um sobrecusto. J\u00e1 que a empresa vai ter que pagar pela emiss\u00e3o, ela vai fazer a conta se \u00e9 melhor comprar o direito de emiss\u00e3o ou deixar de emitir. E ser\u00e1 algo mandat\u00f3rio. Vamos ter uma taxonomia, ser\u00e1 mais f\u00e1cil monitorar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Financiamento para solu\u00e7\u00f5es com base na biodiversidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de ser o centro das discuss\u00f5es sobre clima e biodiversidade, \u00e9 tamb\u00e9m um laborat\u00f3rio vivo de inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade. Universidades, institutos e comunidades locais t\u00eam se unido para criar ecossistemas de pesquisa e empreendedorismo, capazes de transformar os recursos da floresta em novas oportunidades econ\u00f4micas. Em Bel\u00e9m, projetos de aproveitamento dos res\u00edduos do a\u00e7a\u00ed mostram como a bioeconomia pode gerar renda, reduzir impactos ambientais e fortalecer a economia regional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo Par\u00e1 as pessoas consomem bastante a\u00e7a\u00ed, mas o caro\u00e7o era jogado nas ruas, sem uma destina\u00e7\u00e3o nas pequenas cidades. Conheci projetos que desidratam o a\u00e7a\u00ed para transformar em combust\u00edvel, fabricar papel, visitei universidades e institutos federais e eles est\u00e3o criando estas solu\u00e7\u00f5es com alunos de mestrado e doutorado\u201d, comenta a professora Tereza Cristina Carvalho. \u201cIsso gera um ecossistema no qual startups s\u00e3o criadas junto \u00e0s comunidades locais. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 criando solu\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tereza v\u00ea uma situa\u00e7\u00e3o semelhante na cadeia do cacau, conciliando preserva\u00e7\u00e3o ambiental e gera\u00e7\u00e3o de renda a partir da pr\u00f3pria biodiversidade amaz\u00f4nica. Ela menciona a import\u00e2ncia do financiamento para a constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de chocolates no estado de Roraima, com recursos de pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste um projeto chamado Amaz\u00f4nia 4.0, no qual criaram um laborat\u00f3rio que se movimenta pelo estado do Par\u00e1. Eles fizeram o ensaio de uma f\u00e1brica de chocolate, porque os nativos perceberam que o cacau, que \u00e9 uma planta nativa da biodiversidade, pode trazer renda para eles e, assim, v\u00e3o trabalhar contra o desmatamento\u201d, conta a professora. \u201cAs cadeias do cacau e do cupua\u00e7u t\u00eam muitos produtos intermedi\u00e1rios. O chocolate \u00e9 algo pequeno, h\u00e1 muita coisa que sobra no meio do caminho. Eles j\u00e1 est\u00e3o fazendo ch\u00e1 da casca de cacau, mel de cacau e v\u00e1rios produtos dentro da economia circular\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma f\u00e1brica da cadeia produtiva do cacau ser\u00e1 constru\u00edda em Roraima com recursos da ind\u00fastria privada, empresas de pa\u00edses europeus que usar\u00e3o o Fundo da Amaz\u00f4nia para investir neste tipo de atividade\u201d, prossegue a professora. \u201cQuando se concilia algo que \u00e9 nativo com a economia circular, o projeto fica forte do ponto de vista do resultado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Papel dos bancos p\u00fablicos nas finan\u00e7as sustent\u00e1veis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nas finan\u00e7as sustent\u00e1veis, os bancos p\u00fablicos desempenham um papel muito importante. Eles asseguram o fluxo de cr\u00e9dito em momentos de instabilidade e direcionam investimentos para setores estrat\u00e9gicos na transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono. O Brasil construiu, ao longo de sua hist\u00f3ria, uma arquitetura financeira s\u00f3lida, com destaque para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social, que re\u00fane expertise t\u00e9cnica e capacidade de suporte a investimentos de longo prazo. Al\u00e9m disso, os bancos p\u00fablicos desempenham um papel antic\u00edclico e apoiam projetos de impacto socioambiental positivo, bem como de setores estrat\u00e9gicos que demandam retornos mais longos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa experi\u00eancia na gest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas sempre contou com bancos p\u00fablicos como parte desse arcabou\u00e7o de pol\u00edtica. \u00c9 algo nosso\u201d, observa a professora Carmem Feijo. \u201cO BNDES tem uma expertise muito grande acumulada na gest\u00e3o de projetos e, por terem um compromisso com o longo prazo, desempenham um papel importante para direcionar interesses de financiadores do processo de transforma\u00e7\u00e3o produtiva com vistas a uma economia de baixo carbono\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs bancos p\u00fablicos t\u00eam um papel antic\u00edclico, isso ficou claro a partir de 2008. Eles podem sustentar o cr\u00e9dito mesmo em momentos quando a prefer\u00eancia pela liquidez \u00e9 elevada, atuando como um bra\u00e7o de pol\u00edtica econ\u00f4mica para sustentar a atividade num momento de choque\u201d, aponta Feijo. \u201cEles t\u00eam essa fun\u00e7\u00e3o de olhar para o longo prazo, sustentar as atividades com horizonte mais longo de retorno, que \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio da iniciativa privada, principalmente na nossa economia, que \u00e9 muito financeirizada, com retornos alt\u00edssimos de curto prazo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os participantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1bio Feldmann \u00e9 administrador de empresas graduado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e advogado graduado pela Universidade de S\u00e3o Paulo. Foi deputado federal por tr\u00eas mandatos e tamb\u00e9m atuou como secret\u00e1rio estadual de Meio Ambiente em S\u00e3o Paulo. Entre 1997 e 2002 foi membro oficial da delega\u00e7\u00e3o brasileira nas Confer\u00eancias das Partes \u2013 entre elas, a de 1997, que deu origem ao Protocolo de Kyoto. Participou de diversas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e foi fundador das organiza\u00e7\u00f5es SOS Mata Atl\u00e2ntica, Instituto GEA \u2013 \u00c9tica e Meio Ambiente e Funda\u00e7\u00e3o Onda Azul. Tamb\u00e9m foi consultor especial sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilberto Natalini \u00e9 m\u00e9dico graduado pela Escola Paulista de Medicina. Foi secret\u00e1rio municipal de Sa\u00fade em Diadema (SP) e S\u00e3o Louren\u00e7o da Serra (SP) e presidiu o Conselho Nacional de Secret\u00e1rios Municipais de Sa\u00fade. Foi eleito vereador de S\u00e3o Paulo por cinco mandatos e atuou em 2017 como secret\u00e1rio do Verde e do Meio Ambiente. Participou da COP15, em Copenhague, e da COP21, na qual foi assinado o Acordo de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Tereza Cristina Carvalho \u00e9 professora associada da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (EPUSP) e professora visitante na Universit\u00e9 Paris 1 Panth\u00e9on-Sorbonne. \u00c9 fundadora e coordenadora geral do Laborat\u00f3rio de Sustentabilidade (LASSU) e do Centro de Descarte e Reuso de Res\u00edduos de Inform\u00e1tica (CEDIR-USP). Recebeu diversos pr\u00eamios na \u00e1rea de tecnologia e sustentabilidade. Coordena diversos projetos de pesquisa e desenvolvimento nas \u00e1reas de computa\u00e7\u00e3o verde, efici\u00eancia energ\u00e9tica em tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, economia circular aplicada em res\u00edduos de equipamentos eletroeletr\u00f4nicos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ronaldo Ser\u00f4a da Motta \u00e9 doutor em Economia pela University College London e professor titular de Economia do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Foi coordenador de Estudos de Regula\u00e7\u00e3o e de Meio Ambiente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) e diretor da Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil para as \u00e1reas de Pesquisa e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais. Foi tamb\u00e9m diretor de Pol\u00edticas Ambientais do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Carmem Feijo \u00e9 graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre pela mesma institui\u00e7\u00e3o e doutora em Economia pela University College London. Foi secret\u00e1ria executiva da Associa\u00e7\u00e3o nacional dos Centros de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia (Anpec) e coordenadora-adjunta da \u00e1rea de Economia da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES). \u00c9 professora da Universidade Federal Fluminense e foi pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Di\u00e1logos Econ\u00f4micos \u00e0 Luz da COP30<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o Sustentabilidade Econ\u00f4mica e Ambiental do Cofecon realizou a s\u00e9rie de semin\u00e1rios Di\u00e1logos Econ\u00f4micos \u00e0 Luz da COP30, debatendo diversos temas relacionados ao meio ambiente. F\u00e1bio Feldman e Gilberto Natalini participaram no dia 25 de junho de um debate sobre justi\u00e7a clim\u00e1tica. Ronaldo Ser\u00f4a da Motta, Tereza Cristina Carvalho e Carmem Feijo discutiram finan\u00e7as sustent\u00e1veis no dia 24 de setembro. Os debates podem ser assistidos na \u00edntegra no canal do Cofecon no Youtube ou nos players abaixo:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"4 - O papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos contempor\u00e2neos: justi\u00e7a clim\u00e1tica\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w1kUAahEXg8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"O papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos: Finan\u00e7as sustent\u00e1veis e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g2zinmHUXj0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas! Os temas desta semana s\u00e3o justi\u00e7a clim\u00e1tica e finan\u00e7as sustent\u00e1veis, dois assuntos bastante ligados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e ao combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O podcast pode ser ouvido na sua plataforma<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26745\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":26746,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-26745","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26745"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26745"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26751,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26745\/revisions\/26751"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/26746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}