{"id":26693,"date":"2025-11-07T14:28:20","date_gmt":"2025-11-07T17:28:20","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26693"},"modified":"2025-11-07T14:30:01","modified_gmt":"2025-11-07T17:30:01","slug":"economia-circular-bioeconomia-e-mineracao-como-crescer-sem-destruir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26693","title":{"rendered":"Economia circular, bioeconomia e minera\u00e7\u00e3o: como crescer sem destruir?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u00c0s v\u00e9speras da COP30, Podcast Economistas debate a import\u00e2ncia destas \u00e1reas para um novo modelo de desenvolvimento que proporcione uma transi\u00e7\u00e3o justa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas! O tema desta semana \u00e9 economia circular, bioeconomia e minera\u00e7\u00e3o dentro de um cen\u00e1rio de sustentabilidade e o assunto \u00e9 discutido pelo l\u00edder ind\u00edgena Anast\u00e1cio Peralta; pelos economistas Lucas Lima e Ricardo Ruiz; e pelo engenheiro qu\u00edmico Renato Ciminelli. O podcast pode ser ouvido no seu agregador favorito ou no player abaixo.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/profile\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/170---Economia-circular--bioeconomia-e-minerao-como-crescer-sem-destruir-e3albjr\/a-ac8ncmq\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Falar de economia circular \u00e9 repensar os fluxos de produ\u00e7\u00e3o e de consumo, buscando reduzir desperd\u00edcios e reaproveitar recursos. A bioeconomia, por sua vez, prop\u00f5e um modelo baseado na valoriza\u00e7\u00e3o da biodiversidade e dos saberes que dela surgem. J\u00e1 a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tem tido na minera\u00e7\u00e3o um dos seus pilares para produzir equipamentos que permitam produzir energia de forma limpa, mas a atividade tamb\u00e9m tem sido relacionada \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Conciliar a extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais com a regenera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e a justi\u00e7a social nos territ\u00f3rios mineradores \u00e9 um dos dilemas mais complexos da atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bioeconomia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A bioeconomia parte do reconhecimento de que a biodiversidade e os saberes associados a ela s\u00e3o ativos estrat\u00e9gicos para a inova\u00e7\u00e3o e a justi\u00e7a ambiental. Entre estes saberes est\u00e3o os conhecimentos tradicionais acumulados ao longo de s\u00e9culos pelos povos ind\u00edgenas, comunidades ribeirinhas, extrativistas e agricultores familiares. Estes saberes s\u00e3o parte do patrim\u00f4nio imaterial do Brasil e dialogam com a ci\u00eancia moderna, gerando inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s, ind\u00edgenas, principalmente os kaiow\u00e1s, temos o pensamento de preservar a natureza porque n\u00f3s somos a natureza. Temos amor \u00e0 natureza, principalmente \u00e0 terra, que \u00e9 nossa m\u00e3e. Ela nos amamenta, nos d\u00e1 vida, \u00e9 um ser divino e cuida de n\u00f3s\u201d, expressa o l\u00edder ind\u00edgena guarani kaiow\u00e1 Anast\u00e1cio Peralta. \u201cCom a chegada da coloniza\u00e7\u00e3o, aconteceu o contr\u00e1rio: ela passou a servir apenas para ser destru\u00edda e dar lucro. A coloniza\u00e7\u00e3o destr\u00f3i tudo para caber no bolso deles \u2013 \u00e9 um pensamento diferente de n\u00f3s, guaranis, kaiow\u00e1s e outros povos do Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o kaiow\u00e1, cuidar da terra \u00e9 preservar a pr\u00f3pria vida. \u201cA vida sustent\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 apenas comer, temos que estar num ambiente importante, ter terra, \u00e1gua, mata e clima bom para plantar e colher. Isso n\u00e3o est\u00e1 existindo mais para n\u00f3s, principalmente aqui no Mato Grosso do Sul\u201d, lamentou o l\u00edder ind\u00edgena. \u201cNo outro ano fez 46 graus de calor. N\u00f3s, kaiow\u00e1s, falamos que a terra est\u00e1 com febre. Ela estando doente, n\u00f3s ficamos doentes, porque quem cuida de n\u00f3s \u00e9 a m\u00e3e terra. Com sintomas de febre, ela n\u00e3o vai produzir nada. N\u00f3s nos alimentamos e vivemos de sementes, e a semente que foi plantada com 46 graus cozinhou debaixo da terra e n\u00e3o nasceu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Peralta faz um contraponto \u00e0 ideia do progresso medido pela acumula\u00e7\u00e3o material. Dentro da cultura dos povos origin\u00e1rios, a prosperidade se encontra na harmonia entre os seres e no cuidado com a terra. Sob este ponto de vista, o mundo natural n\u00e3o \u00e9 um estoque de recursos, mas uma extens\u00e3o viva do corpo humano. O contraste entre esta cultura e a l\u00f3gica do lucro e da explora\u00e7\u00e3o se torna uma cr\u00edtica ao uso predat\u00f3rio dos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ci\u00eancia que vem de fora n\u00e3o pensa no futuro, mas em dinheiro. Ganhar dinheiro vendendo veneno e arma \u00e9 morte. Futuro \u00e9 quando a gente se entende com a natureza, cuida do espa\u00e7o, constr\u00f3i um espa\u00e7o de descanso, felicidade, amor e fam\u00edlia. E a natureza \u00e9 uma fam\u00edlia. A \u00e1gua que corre em cima da terra \u00e9 a mesma que h\u00e1 no nosso corpo. A pedra que h\u00e1 em cima da terra, no conceito kaiow\u00e1 guarani, s\u00e3o os ossos da terra\u201d, explica Peralta. \u201cAgora vamos ter a COP30 no Brasil e estamos sendo muito procurados. Mas queremos colaborar para que a sociedade do mundo pense em valorizar a natureza e am\u00e1-la como a si pr\u00f3prio. O mundo n\u00e3o acaba se n\u00f3s cuidarmos dele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Economia circular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro conceito que vem ganhando for\u00e7a nos \u00faltimos anos \u00e9 o de economia circular, que prop\u00f5e um contraponto ao que vem sendo chamado de modelo linear. Este modelo linear funciona dentro de uma l\u00f3gica baseada em extrair, produzir, consumir e descartar \u2013 o que, al\u00e9m de gerar uma grande quantidade de res\u00edduos, tamb\u00e9m compromete o futuro e a capacidade do planeta de produzir alimentos e outros recursos. A economia circular considera que a natureza \u00e9 mais do que uma mera fornecedora de insumos e busca reintroduzir os res\u00edduos no ciclo produtivo, reduzindo perdas e promovendo o reaproveitamento de materiais e de energia. \u00c9 uma l\u00f3gica que alia efici\u00eancia econ\u00f4mica e responsabilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso processo de extra\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, consumo e descarte \u00e9 linear. Depois do descarte, voltamos ao in\u00edcio, extraindo mais, produzindo mais, consumindo mais e descartando mais\u201d, argumentou o economista Lucas Lima. \u201cAqui entra o conceito da economia circular. Temos um processo entr\u00f3pico que gera males e precisamos transform\u00e1-lo em uma economia subordinada \u00e0s leis biof\u00edsicas do planeta. Qual \u00e9 o limite da produ\u00e7\u00e3o de soja? Podemos produzir de forma intensiva, sem dar descanso para o solo? O que \u00e9 que faremos com o empobrecimento do solo?\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas Lima tamb\u00e9m comentou que a economia ecol\u00f3gica defende tr\u00eas etapas de a\u00e7\u00e3o. A primeira delas \u00e9 pensar nos limites planet\u00e1rios. A segunda diz respeito \u00e0 justi\u00e7a ambiental e acesso aos recursos e a terceira \u00e9 o desenho de instrumentos econ\u00f4micos e ecol\u00f3gicos para solucionar o problema. \u201cOs ec\u00f3logos e bi\u00f3logos nos ajudam a tentar definir qual \u00e9 o limite do nosso \u00edmpeto de crescimento. Apresentaram indicadores como as nove fronteiras planet\u00e1rias (Johan Rockstr\u00f6m), temos outros modelos de pegada ecol\u00f3gica e podemos mensurar quanto n\u00f3s, indiv\u00edduos, temos impactado o meio ambiente\u201d, comenta o economista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas precisam ter acesso aos recursos como \u00e1gua e alimentos saud\u00e1veis, precisam ter condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia. Se isso n\u00e3o chega a boa parte da popula\u00e7\u00e3o, temos que refazer o modelo\u201d, aponta Lima. \u201cA justi\u00e7a ambiental entra neste modelo, nessa ideia de trazer recursos a quem necessita. E de outro lado, o papel das COPs, das ag\u00eancias internacionais, dos grandes f\u00f3runs, \u00e9 pensar na justi\u00e7a clim\u00e1tica em termos de responsabilidade de a\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor \u00faltimo, precisamos desenhar instrumentos econ\u00f4mico-ecol\u00f3gicos para resolver. Aqui entram as propostas de bioeconomia, que \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de renda para produtos da sociobiodiversidade\u201d, comenta o economista. \u201cPodemos transformar um produto da sociobiodiversidade brasileira em algo que tenha mercado externo, internacional, pensando primeiro na escala e depois na distribui\u00e7\u00e3o justa. N\u00e3o podemos criar uma cadeia produtiva sem pensar em como este retorno chegar\u00e1 \u00e0s comunidades envolvidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios para regular e fiscalizar a minera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A atividade de minera\u00e7\u00e3o tem um papel estrat\u00e9gico na economia brasileira, mas tamb\u00e9m carrega um hist\u00f3rico marcado por conflitos territoriais, degrada\u00e7\u00e3o ambiental e trag\u00e9dias humanas evit\u00e1veis \u2013 como as ocorridas em Mariana, no ano de 2015, e Brumadinho, em janeiro de 2019. Estes desastres trouxeram a discuss\u00e3o sobre a responsabilidade socioambiental e os mecanismos de repara\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio encontrar alternativas econ\u00f4micas sustent\u00e1veis para os territ\u00f3rios minerados.<\/p>\n\n\n\n<p>A minera\u00e7\u00e3o pode ser dividida, basicamente, em dois tipos de atividade. Existe a chamada grande minera\u00e7\u00e3o, que possui plantas industriais bastante mecanizadas, integradas a sistemas de transporte e que ocupam um trecho grande e localizado de territ\u00f3rio. \u00c9 o caso, por exemplo, da minera\u00e7\u00e3o de ferro, que \u00e9 feita por grandes empresas que respondem \u00e0 demanda internacional e disp\u00f5em de capacidade t\u00e9cnica e de uma quantidade de engenheiros. J\u00e1 a pequena minera\u00e7\u00e3o, que se refere a produtos como cascalho, areia, brita, granito e pedras de constru\u00e7\u00e3o, emprega mais trabalhadores, tem menor complexidade t\u00e9cnica e, em sua grande parte, n\u00e3o \u00e9 exportadora. Al\u00e9m disso, ela est\u00e1 mais dispersa no territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA grande minera\u00e7\u00e3o produz cat\u00e1strofes e destrui\u00e7\u00f5es e elas s\u00e3o vis\u00edveis. A pequena faz o mesmo, mas ela \u00e9 difusa. A pequena minera\u00e7\u00e3o de ouro, por exemplo, \u00e9 muito criticada por quest\u00f5es \u00f3bvias de danos \u00e0 sa\u00fade \u2013 mas ela produz danos nos rios que s\u00e3o gigantescos. E muitas vezes esta minera\u00e7\u00e3o est\u00e1 intencionalmente escondida\u201d, aponta o economista Ricardo Ruiz. \u201cTemos estes dois mundos, eles n\u00e3o t\u00eam muita conex\u00e3o um com o outro porque s\u00e3o produtos diferentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ruiz explica um pouco sobre esta diferen\u00e7a dando um exemplo de uma mina de ferro. \u201cS\u00e3o algumas dezenas de bilh\u00f5es de reais em investimento para iniciar uma mina do zero e ela est\u00e1 muito articulada a um sistema urbano, produtivo e de vida local\u201d, explica. \u201cNa pequena minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o se observa isso, ent\u00e3o \u00e9 preciso tratar as duas com alguma distin\u00e7\u00e3o, particularmente no que se refere \u00e0 quest\u00e3o ambiental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo fato de a grande minera\u00e7\u00e3o ser concentrada, ela pode ser bastante monitorada. Al\u00e9m da observa\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lite, existem sensores que podem monitorar fatores que v\u00e3o desde a qualidade do ar at\u00e9 a vibra\u00e7\u00e3o no solo e a quantidade de poeira. Al\u00e9m disso, por ser mais localizada, ela \u00e9 mais facilmente alcan\u00e7\u00e1vel pela fiscaliza\u00e7\u00e3o in loco. Por dispor de recursos financeiros, humanos e tecnol\u00f3gicos, ela pode responder positivamente a uma regula\u00e7\u00e3o que determine a redu\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais, como aconteceu depois da ruptura da barragem de mariana, que completou 10 anos no dia 5 de novembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA barragem a montante foi proibida em Minas Gerais logo ap\u00f3s a ruptura da Samarco (em 2015). Aquela t\u00e9cnica de estocar rejeitos era a tecnologia mais barata e eficiente em termos econ\u00f4micas, o custo era baixo\u201d, explicou. \u201cO que aconteceu imediatamente ap\u00f3s? As empresas notaram que esta tecnologia estava condenada imediatamente e come\u00e7aram a desenvolver, identificar e utilizar t\u00e9cnicas de minera\u00e7\u00e3o a seco. Em 2018 as grandes empresas j\u00e1 estavam mudando sua base tecnol\u00f3gica por causa de uma regula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 estava mais ou menos anunciada e que, de fato, ocorreu nos anos seguintes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pequena minera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil de fiscalizar. Ela esbarra em fatores que abrangem a dispers\u00e3o geogr\u00e1fica, a informalidade e a falta de estrutura em \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, entre outros. \u201cNo caso do merc\u00fario para eventualmente extrair ouro, como \u00e9 que voc\u00ea pro\u00edbe o uso deste tipo de insumo? Como vai observar? Onde estar\u00e3o os fiscais? A pequena minera\u00e7\u00e3o ocorre numa escala municipal, num territ\u00f3rio muito pequeno, produzindo efeitos ambientais localizados que, de algum modo, v\u00e3o se acumulando no tempo\u201d, observa Ruiz. \u201cH\u00e1 uma dificuldade maior de desenhar pol\u00edticas e regula\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque a pequena minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem a capacidade tecnol\u00f3gica da grande minera\u00e7\u00e3o para desenvolver t\u00e9cnicas produtivas menos danosas ao ambiente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um novo pacto socioambiental para a minera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um novo pacto socioambiental para a minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas de novas leis ou acordos institucionais. Ela requer um processo profundo de di\u00e1logo e articula\u00e7\u00e3o entre os diversos atores que vivem e atuam nos territ\u00f3rios \u2013 entre eles, empresas, governos locais, comunidades e lideran\u00e7as sociais. A transi\u00e7\u00e3o para uma minera\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel e com compromisso ecol\u00f3gico passa pela qualifica\u00e7\u00e3o desses atores e pela cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de governan\u00e7a que permitam decis\u00f5es compartilhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro qu\u00edmico Renato Ciminelli aponta que as lideran\u00e7as sociais e as comunidades diretamente afetadas pela minera\u00e7\u00e3o ainda t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o muito reativa e n\u00e3o propositiva nestas quest\u00f5es, e que a falta de capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e de poder de decis\u00e3o faz com que elas acabem ficando \u00e0 margem dos processos de governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs lideran\u00e7as territoriais diversas s\u00e3o reativas a um novo pacto que vem sendo proposto. As comunidades vizinhas, como elas est\u00e3o posicionadas em rela\u00e7\u00e3o a este assunto que tanto afeta elas em termos de seguran\u00e7a ambiental, seguran\u00e7a no fornecimento de \u00e1gua e de outros insumos?\u201d, questionou Ciminelli. \u201cA minera\u00e7\u00e3o gera demanda de empregos, mas tamb\u00e9m interfere nos empregos locais. Como ficam os governos municipais, como eles se posicionam? Eles est\u00e3o alinhados ou conflitando com os interesses das comunidades principais?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de encerrar uma opera\u00e7\u00e3o mineral, seja pelo esgotamento das minas ou pelo risco ambiental que oferecem, vai muito al\u00e9m de desativar os equipamentos e restaurar a paisagem. Ela tamb\u00e9m significa repensar o destino de comunidades inteiras que dependiam da minera\u00e7\u00e3o como principal fonte de emprego e renda. A reconstru\u00e7\u00e3o dessas economias locais exige planejamento e investimento em pessoas para que elas possam empreender e diversificar as atividades produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Rento Ciminelli destaca que esta transi\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 justa se oferecer novas oportunidades de trabalho e autonomia econ\u00f4mica para as popula\u00e7\u00f5es afetadas e que a qualifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um instrumento central para garantir que um territ\u00f3rio minerador possa se reinventar e construir um futuro sustent\u00e1vel e inclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando olhamos o desenvolvimento de novas economias p\u00f3s-minera\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o profissional e para novos neg\u00f3cios \u00e9 essencial para dar alternativas. Temos qualificar essas popula\u00e7\u00f5es que v\u00e3o receber um territ\u00f3rio que n\u00e3o tem mais minera\u00e7\u00e3o\u201d, comentou Ciminelli. \u201c\u00c9 o caso de Brumadinho, ela est\u00e1 sendo substitu\u00edda por atividades diversas, que t\u00eam um porte muito menor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os participantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Anast\u00e1cio Peralta Ava Kwarahy Rendyju, lideran\u00e7a ind\u00edgena no Mato Grosso do Sul, \u00e9 de origem guarani da etnia kaiow\u00e1, nasceu na aldeia de Te\u2019\u00fdikue, no munic\u00edpio de Caarap\u00f3, Mato Grosso do Sul. Sua trajet\u00f3ria \u00e9 marcada pela lideran\u00e7a na Terra Ind\u00edgena Panambizinho, no munic\u00edpio de Dourados\/MS.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas Ferreira Lima, graduado em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia, com mestrado e doutorado em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). \u00c9 pesquisador colaborador no Instituto de Economia da Unicamp e est\u00e1 associado a dois projetos financiados pela FAPESP, al\u00e9m de integrar a diretoria executiva da Sociedade Brasileira de Economia Ecol\u00f3gica (ECOECO).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Machado Ruiz \u00e9 professor da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (FACE) e do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR), ambos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Economista graduado pela Unicamp, mestre pela mesma institui\u00e7\u00e3o e PhD em Economia pela The New School for Social Research. \u00c9 pesquisador colaborador do China Institute for Service Trade da Beijing International Studies University e membro colaborador da Comiss\u00e3o de Direito da Concorr\u00eancia da OAB\/MG. Foi conselheiro do CADE e vice-presidente e diretor de Desenvolvimento de Neg\u00f3cios na Invest Minas.<\/p>\n\n\n\n<p>Renato Ciminelli \u00e9 engenheiro qu\u00edmico, com mestrado pela Pennsylvania State University e MBA executivo pela USP. \u00c9 diretor da Consultoria Mercado Mineral, membro da Rede de Desenvolvimento de Solu\u00e7\u00f5es Sustent\u00e1veis (SDSN) e do Conselho de Engenheiros para a Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (CEET), ambos da ONU, e coordenador da rede colaborativa Made in Brasil Integrado (MiBi), grupo de trabalho mineral articulado com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Di\u00e1logos Econ\u00f4micos \u00e0 Luz da COP30<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Anast\u00e1cio Peralta, Lucas Lima, Ricardo Ruiz e Renato Ciminelli participaram de dois debates promovidos pelo Cofecon no m\u00eas de julho, na s\u00e9rie Di\u00e1logos Econ\u00f4micos \u00e0 Luz da COP30. Anast\u00e1cio Peralta e Lucas Lima falaram sobre economia circular e bioeconomia, enquanto Ricardo Ruiz e Renato Ciminelli. Os debates podem ser assistidos nos players abaixo.<br><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5ZYUbFul4M0\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5ZYUbFul4M0<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"6 - O papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos contempor\u00e2neos: Minera\u00e7\u00e3o\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9xYpZwgr2lo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras da COP30, Podcast Economistas debate a import\u00e2ncia destas \u00e1reas para um novo modelo de desenvolvimento que proporcione uma transi\u00e7\u00e3o justa Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas! O tema desta semana \u00e9 economia circular, bioeconomia e<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26693\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":26662,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"class_list":["post-26693","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26693"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26693"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26695,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26693\/revisions\/26695"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/26662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}