{"id":26690,"date":"2025-11-07T12:18:01","date_gmt":"2025-11-07T15:18:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26690"},"modified":"2025-11-07T12:18:02","modified_gmt":"2025-11-07T15:18:02","slug":"bioeconomia-sustentabilidade-e-estrategias-para-o-desenvolvimento-a-luz-dos-principios-do-g20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26690","title":{"rendered":"Bioeconomia, Sustentabilidade e Estrat\u00e9gias para o Desenvolvimento \u00e0 Luz dos Princ\u00edpios do G20\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u00a0Confira o artigo de opini\u00e3o dos economistas Cristina Reis, atual secret\u00e1ria Extraordin\u00e1ria de Mercado de Carbono no Minist\u00e9rio da Fazenda, e Rodolfo Aguiar, pesquisador em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A crescente gravidade e r\u00e1pida progress\u00e3o da crise clim\u00e1tica e ambiental exigem&nbsp;um chamado intensificado para iniciativas cooperativas amplas. Nesse contexto, a bioeconomia se destaca como estrat\u00e9gia fundamental, embora seja um conceito controverso, com diversas defini\u00e7\u00f5es sendo adotadas por diferentes pa\u00edses&nbsp;(Nobre et al., 2023), mas que podem encontrar caminhos conciliat\u00f3rios&nbsp;de coopera\u00e7\u00e3o&nbsp;e florescimento da sustentabilidade.&nbsp;Reconhecendo essa possibilidade, a presid\u00eancia brasileira do G20 lan\u00e7ou&nbsp;a&nbsp;Iniciativa do G20 sobre Bioeconomia (GIB)&nbsp;e logrou o acordo de&nbsp;10&nbsp;Princ\u00edpios de&nbsp;Alto&nbsp;N\u00edvel.&nbsp;As estrat\u00e9gias de bioeconomia concebidas por pa\u00edses e organiza\u00e7\u00f5es internacionais, em geral, t\u00eam sido fundamentadas em vis\u00f5es de sustentabilidade fraca. Esse diagn\u00f3stico evidencia a import\u00e2ncia de avan\u00e7ar uma agenda baseada em perspectivas do Sul Global para aprimorar solu\u00e7\u00f5es alternativas no campo das pol\u00edticas de bioeconomia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;principal diferen\u00e7a entre a sustentabilidade fraca e a sustentabilidade forte deriva das hip\u00f3teses contrastantes sobre a substitutibilidade do capital natural.&nbsp;A&nbsp;sustentabilidade fraca&nbsp;assume o \u201cparadigma da substitutibilidade\u201d das diferentes formas de capital,&nbsp;onde uma economia \u00e9 \u201cn\u00e3o sustent\u00e1vel\u201d quando a poupan\u00e7a total \u00e9 menor que a deprecia\u00e7\u00e3o dos ativos produzidos e naturais, e assume uma extens\u00e3o da&nbsp;\u201cregra de&nbsp;Hartwick\u201d&nbsp;considerando que&nbsp;o investimento deve compensar as perdas de ativos para as futuras gera\u00e7\u00f5es&nbsp;(Romeiro, 2012).&nbsp;A sustentabilidade forte&nbsp;v\u00ea um limite para tal substitui\u00e7\u00e3o,&nbsp;considerando o problema do crescimento associado ao aumento da escassez relativa do capital natural&nbsp;(Mueller, 2005)&nbsp;\u2013 resultando degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 e que n\u00e3o h\u00e1 garantias de que a hip\u00f3tese da substitui\u00e7\u00e3o seja uma estrat\u00e9gia vantajosa para as gera\u00e7\u00f5es futuras,&nbsp;pois&nbsp;ela \u00e9 limitada por caracter\u00edsticas ambientais como irreversibilidade, incerteza e componentes &#8220;cr\u00edticos&#8221; para o bem-estar e a possibilidade de vida na Terra&nbsp;(Godin et al., 2022).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil&nbsp;o modelo da bioeconomia da sociobiodiversidade \u00e9 representado por propostas que buscam concretizar a vis\u00e3o bioecol\u00f3gica,&nbsp;baseada&nbsp;na utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da biodiversidade para apoiar e desenvolver uma economia enraizada nas comunidades locais.&nbsp;&nbsp;Neste artigo discute-se&nbsp;que&nbsp;este&nbsp;conceito&nbsp;foi o da&nbsp;proposta da presid\u00eancia brasileira&nbsp;no G20, partilhando&nbsp;do entendimento de que \u00e9&nbsp;preciso dar um passo al\u00e9m do sentindo convencional de sustentabilidade ambiental em dire\u00e7\u00e3o a um mais amplo&nbsp;e diverso,&nbsp;coerente com sustentabilidade forte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vis\u00f5es&nbsp;Sobre&nbsp;e&nbsp;a&nbsp;Bioeconomia, com a contribui\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O sentido convencional do conceito de bioeconomia est\u00e1 associado \u00e0 chamada economia verde&nbsp;(Trigo et al., 2013), concebida como um tipo de economia que visa aumentar a renda e melhorar o bem-estar humano, ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecol\u00f3gica&nbsp;(UNEP, 2011).&nbsp;Essa&nbsp;constru\u00e7\u00e3o da bioeconomia reflete a predomin\u00e2ncia de duas das tr\u00eas vis\u00f5es identificadas na literatura&nbsp;(Bugge et al., 2016), ambas consideradas abordagens de sustentabilidade fraca: (i) a vis\u00e3o biotecnol\u00f3gica, que enfatiza a import\u00e2ncia da pesquisa, aplica\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o da biotecnologia em diferentes setores da economia; e (ii) a vis\u00e3o dos&nbsp;biorrecursos, que foca no papel da pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) relacionados a mat\u00e9rias-primas biol\u00f3gicas em setores como agricultura, marinha, florestal e bioenergia, bem como no estabelecimento de novas cadeias de valor e na \u00eanfase no potencial de valoriza\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o de mat\u00e9rias-primas biol\u00f3gicas; e (iii) a vis\u00e3o bioecol\u00f3gica, que destaca a import\u00e2ncia de processos ecol\u00f3gicos que otimizam o uso de energia e nutrientes, promovem a biodiversidade e evitam monoculturas e degrada\u00e7\u00e3o do solo, baseia-se nos fundamentos da economia ecol\u00f3gica e \u00e9 vista como uma abordagem de sustentabilidade forte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias nacionais dedicadas \u00e0 bioeconomia tem sido relativamente lenta na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, apesar do desenvolvimento de diversas pol\u00edticas relacionadas ao tema. Pa\u00edses como Argentina, Brasil, Col\u00f4mbia, Equador, Guatemala, Porto Rico e Uruguai v\u00eam trabalhando na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para a bioeconomia, mas, at\u00e9 o momento, a Costa Rica \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que publicou uma estrat\u00e9gia nacional espec\u00edfica para a bioeconomia, lan\u00e7ada em 2020&nbsp;(Dietz et al., 2024).&nbsp;A defini\u00e7\u00e3o de bioeconomia assumida nessas estrat\u00e9gias determina sua escala, seu escopo e o valor atribu\u00eddo por diferentes atores&nbsp;(Meyer, 2017). A regi\u00e3o apresenta diferentes quest\u00f5es socioecon\u00f4micas que precisam ser consideradas em seu contexto, como&nbsp;a quest\u00e3o agr\u00e1ria, que&nbsp;possui uma dimens\u00e3o pr\u00f3pria&nbsp;(Siegel et al., 2022).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As discuss\u00f5es brasileiras sobre bioeconomia t\u00eam se concentrado predominantemente em&nbsp;biorrecursos, especialmente vinculados a ind\u00fastrias de grande escala, como a produ\u00e7\u00e3o de bioetanol\u202f(Scheiterle et al., 2018). Entretanto, uma mudan\u00e7a recente trouxe aten\u00e7\u00e3o para uma bioeconomia baseada em produtos florestais na Amaz\u00f4nia brasileira, com foco tanto em produtos madeireiros quanto n\u00e3o madeireiros&nbsp;(Teitelbaum et al., 2020).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem \u00e9 vista como tendo grande apelo empresarial, com vasto potencial econ\u00f4mico na manufatura de produtos da Floresta Amaz\u00f4nica. No entanto, dados do mercado de cr\u00e9dito para a&nbsp;Regi\u00e3o Norte do Brasil \u2013 onde se concentra a maior parte da Amaz\u00f4nia brasileira \u2013 em geral, mostram volume e penetra\u00e7\u00e3o inferiores \u00e0 m\u00e9dia nacional, bem como uma participa\u00e7\u00e3o menor do que a representatividade da regi\u00e3o no PIB, embora tenha havido crescimento significativo nos \u00faltimos anos&nbsp;(Pamplona et al., 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tal contraste fica evidente quando do exame do estado da pesquisa em bioeconomia no Brasil&nbsp;(CGEE, 2021).&nbsp;A maioria dos estudos sobre bioeconomia concentra-se no setor energ\u00e9tico, especialmente em biocombust\u00edveis e t\u00e9cnicas agr\u00edcolas do setor sucroalcooleiro, com destaque tamb\u00e9m para o reaproveitamento de res\u00edduos, predominando pesquisas de institui\u00e7\u00f5es do Sudeste.&nbsp;Contudo, a presen\u00e7a de um n\u00facleo de pesquisa sobre a Amaz\u00f4nia e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos evidencia um foco crescente na bioeconomia da biodiversidade, que come\u00e7a a ser estendido tamb\u00e9m aos outros biomas brasileiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para aproveitar plenamente&nbsp;o&nbsp;potencial&nbsp;da bioeconomia, \u00e9 fundamental desenvolver produtos e servi\u00e7os financeiros adaptados \u00e0s necessidades de cada perfil institucional e de cada etapa das cadeias de valor, assegurando que a popula\u00e7\u00e3o local possa reter uma parcela maior do valor agregado. Atualmente,&nbsp;no Brasil e em outros pa\u00edses do Sul Global,&nbsp;muitas comunidades&nbsp;dos biomas&nbsp;operam em sistemas nos quais as mat\u00e9rias-primas s\u00e3o vendidas e o valor \u00e9 majoritariamente agregado em outras regi\u00f5es&nbsp;(Pamplona et al., 2021).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m o&nbsp;financiamento da bioeconomia enfrenta&nbsp;problemas&nbsp;como o baixo interesse de investidores privados devido \u00e0 escala limitada, restri\u00e7\u00f5es sobre conhecimentos tradicionais e condi\u00e7\u00f5es de mercado desfavor\u00e1veis agravadas por subs\u00eddios a combust\u00edveis f\u00f3sseis. As desigualdades econ\u00f4micas e pol\u00edticas desempenham papel cr\u00edtico nesse processo, pois muitos atores carecem de recursos e oportunidades para influenciar as vis\u00f5es sobre a bioeconomia&nbsp;(Siegel et al., 2022).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, a&nbsp;bioeconomia representa uma fronteira promissora de inova\u00e7\u00e3o, com oportunidades significativas de colabora\u00e7\u00e3o entre academia e setor empresarial.&nbsp;H\u00e1 de se enfrentar o desafio de&nbsp;definir m\u00e9tricas e padr\u00f5es para monitorar a transi\u00e7\u00e3o para a bioeconomia, avaliar seus impactos e garantir que os benef\u00edcios da inova\u00e7\u00e3o&nbsp;sejam difundidos&nbsp;localmente.&nbsp;Dessa maneira, a bioeconomia pode se tornar&nbsp;fundamental&nbsp;para o desenvolvimento do Brasil&nbsp;e do Sul Global, aliando conserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o final: Sustentabilidade forte e os Princ\u00edpios de Alto N\u00edvel do G20<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;GIB&nbsp;veio para&nbsp;fomentar o di\u00e1logo e a coopera\u00e7\u00e3o internacional, com foco em tr\u00eas \u00e1reas tem\u00e1ticas: pesquisa e inova\u00e7\u00e3o, uso sustent\u00e1vel da biodiversidade e o papel da bioeconomia no desenvolvimento sustent\u00e1vel&nbsp;(GIB, 2024a).&nbsp;Assim, a GIB&nbsp;p\u00f4de&nbsp;delinear&nbsp;um arcabou\u00e7o estrat\u00e9gico e prioridades-chave&nbsp;para promover a bioeconomia no \u00e2mbito do G20, reconhecendo-a como caminho crucial para enfrentar desafios globais como mudan\u00e7a clim\u00e1tica, pobreza e escassez de recursos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tabela&nbsp;<\/strong><strong>1<\/strong><strong>:<\/strong><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong>Princ\u00edpios de Alto N\u00edvel do G20 sobre Bioeconomia&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><em>1. Integrar e promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel em suas dimens\u00f5es econ\u00f4mica, social e ambiental, contribuindo para erradicar a fome e a pobreza, melhorar a sa\u00fade e o bem-estar, assegurando a seguran\u00e7a alimentar global.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>2. Ser inclusivo e equitativo, garantir os direitos de todas as pessoas, incluindo&nbsp;povos&nbsp;ind\u00edgenas e membros de comunidades locais, promover a igualdade de g\u00eanero e a participa\u00e7\u00e3o de todas as partes interessadas.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>3. Avan\u00e7ar nos esfor\u00e7os de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, em conformidade com acordos multilaterais aplic\u00e1veis.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>4<\/em>&nbsp;<em>Contribuir para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, uso sustent\u00e1vel de seus componentes e reparti\u00e7\u00e3o justa dos benef\u00edcios de recursos gen\u00e9ticos e conhecimentos tradicionais, conforme as legisla\u00e7\u00f5es nacionais e acordos internacionais aplic\u00e1veis.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>5. Promover o consumo e a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1veis e circulares, bem como o uso eficiente dos recursos biol\u00f3gicos, promovendo a restaura\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas e ecossistemas degradados.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>6. Ser desenvolvida&nbsp;por meio do uso seguro, respons\u00e1vel e \u00e9tico da ci\u00eancia, tecnologia, inova\u00e7\u00e3o e conhecimento tradicional, com&nbsp;potenciais&nbsp;benef\u00edcios, riscos e impactos avaliados cientificamente.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>7. Beneficiar-se de estruturas pol\u00edticas robustas e coerentes que favore\u00e7am&nbsp;\u00e0 bioeconomia&nbsp;o com\u00e9rcio de produtos e servi\u00e7os, condi\u00e7\u00f5es de mercado, modelos de neg\u00f3cios sustent\u00e1veis, empregos decentes, cria\u00e7\u00e3o de valor local e participa\u00e7\u00e3o do setor privado e da sociedade civil.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>8. Utilizar crit\u00e9rios transparentes, compar\u00e1veis, mensur\u00e1veis, inclusivos, baseados&nbsp;na&nbsp;ci\u00eancia e espec\u00edficos para o contexto,&nbsp;a fim de&nbsp;avaliar a sustentabilidade das cadeias de valor&nbsp;bioecon\u00f4micas.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>9. \u202fFomento atrav\u00e9s da&nbsp;colabora\u00e7\u00e3o e&nbsp;da&nbsp;coopera\u00e7\u00e3o internacional que aborde desafios globais, aproveite for\u00e7as complementares, inova\u00e7\u00e3o, empreendedorismo, financiamento e partilha de melhores pr\u00e1ticas.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><em>10. Ser baseada&nbsp;em abordagens espec\u00edficas para cada pa\u00eds e implementada&nbsp;de acordo com as prioridades nacionais e circunst\u00e2ncias regionais e locais.<\/em>&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Na GIB definiu-se&nbsp;Bioeconomia&nbsp;como \u201cum sistema econ\u00f4mico que utiliza recursos biol\u00f3gicos renov\u00e1veis para produzir bens, servi\u00e7os e energia de forma sustent\u00e1vel e eficiente. Representa uma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia tradicional, linear, baseada em combust\u00edveis f\u00f3sseis e mat\u00e9rias-primas finitas\u201d&nbsp;(GIB, 2024b).&nbsp;Com a assun\u00e7\u00e3o dos Princ\u00edpios de Alto N\u00edvel definidos pela GIB do G20&nbsp;(<strong>tabela&nbsp;<\/strong>1), abriu-se uma grande oportunidade para a agenda internacional da bioeconomia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os princ\u00edpios permitem novos passos para alcan\u00e7ar a sustentabilidade forte ao elencar o problema da conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, uso sustent\u00e1vel de seus componentes, crucialidade dos saberes tradicionais e da biotecnologia, reparti\u00e7\u00e3o justa dos benef\u00edcios dos recursos relacionados e soberania sobre as escolhas estrat\u00e9gicas de bioeconomia em cada pa\u00eds, aliando-as \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de dificuldades estruturais como a fome e a pobreza.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tais princ\u00edpios, que ao nosso ver est\u00e3o orientados por dimens\u00f5es de sustentabilidade forte, podem auxiliar na elabora\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias de pol\u00edticas de bioeconomia, atrav\u00e9s da defini\u00e7\u00e3o de objetivos claros e de resultados esperados. Logo, apontam para novas trajet\u00f3rias de desenvolvimento sustent\u00e1vel, que ensejam oportunidades \u00fanicas para os pa\u00edses do Sul Global estabelecerem novos nichos de&nbsp;mercado e de inser\u00e7\u00e3o em cadeias de valor, garantindo o fortalecimento de suas estruturas produtivas e redu\u00e7\u00e3o de desigualdades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bugge, M.M., Hansen, T., Klitkou, A., 2016.&nbsp;What is the bioeconomy? A review of the literature. Sustain.&nbsp;8. https:\/\/doi.org\/10.3390\/su8070691&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CGEE, 2021. Bioeconomia no Brasil e no Mundo: Panorama da Produ\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dietz, T., Bogdanski, A., Boldt, C., B\u00f6rner, J., von Braun, J., N\u00ed Choncubhair, \u00d3., Durham, B., Ecuru, J., Lang, C., Li, Y., Lund, M., MacRae, E., Maxon, M., Chavarr\u00eda Miranda, H., Mizunashi, W., Mungeyi, P., Pittaluga Fonseca, L., Popov, V., Reg\u00fanaga, M., Rodr\u00edguez, A., Teitelbaum, L., Barcelos Vargas, D., 2024.&nbsp;Bioeconomy globalization: Recent trends and drivers of national programs and policies A report by the International Advisory Council on Global Bioeconomy (IACGB) April 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>GIB, 2024a. G20 Initiative on Bioeconomy (GIB): Issue Note.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>GIB, 2024b. Sherpa Track: Initiative on Bioeconomy [WWW Document].&nbsp;G20 Bras. 2024. URL https:\/\/www.g20.org\/en\/tracks\/sherpa-track\/bioeconomy-initiative&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Godin, A., David, A., Lecuyer, O., Leyronas, S., 2022. A strong sustainability approach to development trajectories. Agence Fran\u00e7aise d\u00e9veloppement.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Meyer, R., 2017. Bioeconomy strategies: Contexts, visions, guiding implementation principles and resulting debates.&nbsp;Sustain. 9. https:\/\/doi.org\/10.3390\/su9061031&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mueller, C.C., 2005. O debate dos economistas sobre a sustentabilidade: uma avalia\u00e7\u00e3o sob a \u00f3tica da an\u00e1lise do processo produtivo de Georgescu-Roegen. Estud. Econ\u00f4micos (S\u00e3o Paulo) 35, 687\u2013713. https:\/\/doi.org\/10.1590\/s0101-41612005000400004&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nobre, C.A., Feltran-Barbieri, R., de Assis Costa, F., Haddad, E.A., Schaeffer, R., Domingues, E.P., Genin, C., Szklo, A., Lucena, A.F.P., Fernandes, D.A., Silva, H., Ventura, R., Folhes, R.T., Fiorini, A.C.O., Rocha, A.M., Santos, A.J.L., da Rocha Klautau Junior, A.B., Magalh\u00e3es, A.S., Vinhoza, A., Vianna, A.L.M., Bassi, A.M., Abel\u00e9m, A.J.G., Baniwa, B., Felin, B., Callegari, C.L., Blener, C., da Costa Oliveira, C.H., Branco, D.C., Castro, E.C.C., Pantoja, E., Vasquez-Arroyo, E., Perobelli, F.S., Apurin\u00e3, F., Pisa Folhes, G., da Silva, G.N., Savian, G., Pallaske, G., Angelkorte, G.B., Branco, G.C., Martins, H., Wei, H.K., Vicente, I., Ara\u00fajo, I.F., Santos, I.T., Cardoso, J., Ferreira, J.F., Pereira, J.P., S\u00e1, J.D.M., Buzati, J., Sass, K.S., de Souza, K.B., Barbosa, L., Garrido, L., de Souza, L.M.M., Soares, L.R., Ferraz, L.P., Carvalho, L.S., Lanaro, L., Alves, L., Baptista, L.B., Guzzetti, M., Enriquez, M.A., Mury, M.E.S., Imp\u00e9rio, M., Oliveira, M., Lopes, M.P.C., Lobato, M.G.S., Salomon, M., Rampini, P.F.C., Rochedo, P.R.R., Guerra, R., Reis, R.R.S., Barreiros, R.M.M., Morais, T.N., do Prado Tanure, T.M., Carvalho, T.S., Simonato, T.C., Barbosa, V., 2023.&nbsp;New Economy for the Brazilian Amazon. World Resour. Inst. https:\/\/doi.org\/10.46830\/wrirpt.22.00034en&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pamplona, L., Slarini, J., Kadri, N., 2021. Potential of bioeconomy for the sustainable development of the Amazon and acting possibilities for the BNDES.&nbsp;Rev. do BNDES 28, 55\u201385.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Romeiro, A.R., 2012. Desenvolvimento sustent\u00e1vel: uma perspectiva econ\u00f4mico-ecol\u00f3gica.&nbsp;Estud. Avan\u00e7ados 26, 65\u201392. https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0103-40142012000100006&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Scheiterle, L., Ulmer, A., Birner, R., Pyka, A., 2018. From commodity-based value chains to biomass-based value webs: The case of sugarcane in Brazil\u2019s bioeconomy.&nbsp;J. Clean. Prod. 172,&nbsp;3851\u20133863. https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jclepro.2017.05.150&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Siegel, K.M., Deciancio, M., Kefeli, D., de Queiroz-Stein, G., Dietz, T., 2022.&nbsp;Fostering Transitions Towards Sustainability? The Politics of Bioeconomy Development in Argentina, Uruguay, and Brazil. Bull. Lat. Am. Res. https:\/\/doi.org\/10.1111\/blar.13353&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Teitelbaum, L., Boldt, C., Patermann, C., 2020. Global Bioeconomy Policy Report (IV): A Decade of Bioeconomy Policy Development Around the World. GBS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trigo, E.J., Henry, G., Sanders, J., Schurr, U., Ingelbrecht, I., Revel, C., Santana, C., Rocha, P., 2013. Towards bioeconomy development in Latin America and the Caribbean (No. 1).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>UNEP, 2011. Towards a Green Economy: pathways to Sustainable Development and Poverty Erradication.&nbsp;United Nations Environment Programme, Nairobi.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Confira o artigo de opini\u00e3o dos economistas Cristina Reis, atual secret\u00e1ria Extraordin\u00e1ria de Mercado de Carbono no Minist\u00e9rio da Fazenda, e Rodolfo Aguiar, pesquisador em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel A crescente gravidade e r\u00e1pida progress\u00e3o da crise clim\u00e1tica e ambiental exigem&nbsp;um chamado<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26690\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":26691,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-26690","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26690"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26690"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26692,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26690\/revisions\/26692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/26691"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}