{"id":26499,"date":"2025-10-13T13:02:03","date_gmt":"2025-10-13T16:02:03","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26499"},"modified":"2025-10-13T15:20:34","modified_gmt":"2025-10-13T18:20:34","slug":"xxvi-cbe-brasil-precisa-transformar-potencial-maritimo-em-desenvolvimento-sustentavel-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26499","title":{"rendered":"XXVI CBE: Brasil precisa transformar potencial mar\u00edtimo em desenvolvimento sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Painel de debates destaca como o litoral brasileiro pode se tornar um vetor de inova\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O oceano cobre mais de 70% da superf\u00edcie da Terra e \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de metade do oxig\u00eanio que respiramos, al\u00e9m de regular o clima e garantir o sustento de milh\u00f5es de pessoas. Ainda assim, continua sendo uma das fronteiras mais negligenciadas da economia mundial. No XXVI Congresso Brasileiro de Economia (CBE), realizado em Porto Alegre, o painel \u201cEconomia Mar\u00edtima\u201d chamou a aten\u00e7\u00e3o ao destacar como o Brasil pode transformar seu vasto patrim\u00f4nio mar\u00edtimo em vetor de desenvolvimento sustent\u00e1vel e inova\u00e7\u00e3o. O debate foi mediado pelo economista, professor da UCS (RS), Mosar Leandro Ness.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O oceano como protagonista da nova economia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A economista Andr\u00e9a Carvalho, professora e pesquisadora da FURG RS, abriu o painel lembrando que a economia azul \u2014 conceito que integra sustentabilidade e uso racional dos recursos marinhos \u2014 \u00e9 uma das chaves para o futuro econ\u00f4mico global. \u201cO oceano \u00e9 vida, \u00e9 emprego, \u00e9 alimento, \u00e9 transporte, \u00e9 energia. E, no caso do Brasil, \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade imensa de desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas que unam crescimento e preserva\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Andr\u00e9a, o pa\u00eds ainda explora de forma t\u00edmida o potencial de sua costa de mais de 8 mil quil\u00f4metros. \u201cA economia do mar n\u00e3o se limita \u00e0 pesca ou ao turismo. Envolve log\u00edstica portu\u00e1ria, biotecnologia marinha, energias renov\u00e1veis, transporte, educa\u00e7\u00e3o e pesquisa. \u00c9 um ecossistema de atividades que, se integrado de forma estrat\u00e9gica, pode gerar riqueza com responsabilidade\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela destacou tamb\u00e9m o papel do Planejamento Espacial Marinho, uma metodologia usada por pa\u00edses que buscam conciliar o uso econ\u00f4mico e a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas oce\u00e2nicos. \u201cO Brasil precisa organizar o seu territ\u00f3rio mar\u00edtimo como organiza o terrestre. \u00c9 um espa\u00e7o de disputa por recursos e de constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas. Sem planejamento, corremos o risco de repetir os erros de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria que marcaram outros setores\u201d, alertou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios ambientais e sociais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O economista Gustavo In\u00e1cio de Moraes, professor da PUCRS, complementou o debate refor\u00e7ando a interdepend\u00eancia entre a economia e a sa\u00fade dos oceanos. \u201cOs mares s\u00e3o grandes reguladores clim\u00e1ticos. Qualquer desequil\u00edbrio \u2014 polui\u00e7\u00e3o, pesca excessiva, aquecimento das \u00e1guas \u2014 impacta diretamente a produtividade agr\u00edcola, o abastecimento de \u00e1gua e o bem-estar das popula\u00e7\u00f5es costeiras\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Gustavo lembrou que a economia do oceano \u00e9, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um alerta. \u201cTemos a chance de desenvolver cadeias produtivas sustent\u00e1veis e inovadoras, mas tamb\u00e9m o dever de evitar a degrada\u00e7\u00e3o. A polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica, por exemplo, \u00e9 um problema global que exige regula\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e educa\u00e7\u00e3o ambiental. Sem isso, os custos sociais e econ\u00f4micos ser\u00e3o cada vez maiores\u201d, pontuou.<\/p>\n\n\n\n<p>O economista tamb\u00e9m ressaltou que a pauta da economia azul precisa dialogar com a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. \u201cAs comunidades litor\u00e2neas, em especial as que vivem da pesca artesanal, precisam ser inclu\u00eddas no debate. N\u00e3o h\u00e1 economia sustent\u00e1vel se ela n\u00e3o for tamb\u00e9m inclusiva. \u00c9 preciso garantir renda, capacita\u00e7\u00e3o e acesso a tecnologias para essas popula\u00e7\u00f5es\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Agenda de oportunidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o debate, Andr\u00e9a apresentou experi\u00eancias internacionais bem-sucedidas que podem inspirar o Brasil, como a cria\u00e7\u00e3o de clusters de economia azul em pa\u00edses como Portugal, Noruega e Chile, que integraram universidades, empresas e governos locais em torno de objetivos comuns. \u201cPrecisamos reconhecer o mar como parte da nossa identidade produtiva e cient\u00edfica. O investimento em pesquisa e inova\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho para transformar o potencial mar\u00edtimo brasileiro em desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Gustavo acrescentou que o pa\u00eds j\u00e1 possui base t\u00e9cnica e cient\u00edfica para avan\u00e7ar nessa dire\u00e7\u00e3o, mas precisa transformar conhecimento em a\u00e7\u00e3o. \u201cO Brasil tem centros de pesquisa de ponta e uma das maiores zonas econ\u00f4micas exclusivas do planeta. O que falta \u00e9 traduzir isso em pol\u00edticas p\u00fablicas, investimentos e marcos regulat\u00f3rios que incentivem a inova\u00e7\u00e3o verde e a economia circular\u201d, defendeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Encerrando o painel, os economistas convergiram em uma mensagem de urg\u00eancia e esperan\u00e7a. Para Andr\u00e9a, \u201co oceano n\u00e3o \u00e9 apenas um espa\u00e7o geogr\u00e1fico \u2014 \u00e9 um ativo estrat\u00e9gico que precisa ser visto como parte essencial do planejamento econ\u00f4mico do pa\u00eds\u201d. Gustavo refor\u00e7ou que o desenvolvimento sustent\u00e1vel depende de decis\u00f5es tomadas agora. \u201cO futuro da economia est\u00e1 no equil\u00edbrio entre crescimento e preserva\u00e7\u00e3o. E o oceano \u00e9 o maior s\u00edmbolo desse equil\u00edbrio que precisamos aprender a respeitar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>XXVI Congresso Brasileiro de Economia<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Congresso Brasileiro de Economia ocorreu de 06 a 10 de outubro no Plaza S\u00e3o Rafael Hotel, em Porto Alegre, com o tema \u201cDesenvolvimento Sustent\u00e1vel: Reconstru\u00e7\u00e3o, Desafios e Oportunidades\u201d. O evento reuniu cerca de 50 especialistas e 500 participantes (online e presencial) em torno de grandes temas que impactam o futuro do pa\u00eds, como reforma tribut\u00e1ria, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com\u00e9rcio internacional, agroneg\u00f3cio, desigualdades regionais, inova\u00e7\u00e3o, economia comportamental, educa\u00e7\u00e3o financeira e o papel do Estado na neoindustrializa\u00e7\u00e3o. A promo\u00e7\u00e3o foi do Cofecon, em parceria com o Corecon\/RS.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento contou com o patroc\u00ednio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Vero\/Banrisul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Monte Bravo Investimentos, Conselhos Regionais de Economia de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paran\u00e1 e Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Painel de debates destaca como o litoral brasileiro pode se tornar um vetor de inova\u00e7\u00e3o O oceano cobre mais de 70% da superf\u00edcie da Terra e \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de metade do oxig\u00eanio que respiramos, al\u00e9m de regular o<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26499\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":26514,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-26499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26499"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26499"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26500,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26499\/revisions\/26500"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/26514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}