{"id":26466,"date":"2025-10-11T15:48:03","date_gmt":"2025-10-11T18:48:03","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26466"},"modified":"2025-10-13T15:20:18","modified_gmt":"2025-10-13T18:20:18","slug":"xxvi-cbe-por-que-economia-solidaria-e-para-que-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26466","title":{"rendered":"XXVI CBE: Por que economia solid\u00e1ria? E para que economistas?"},"content":{"rendered":"\n<p>Painel com participa\u00e7\u00e3o de Tania Cristina Teixeira, Marcio Pochmann e Renato Dagnino destaca economia solid\u00e1ria como resposta estrutural \u00e0 desigualdade, ao desemprego e \u00e0 crise ambiental<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo dia de debates do XXVI Congresso Brasileiro de Economia foi batizado de CBE Student Day, pela maior participa\u00e7\u00e3o de estudantes no evento, e o primeiro painel do dia teve como tema a economia solid\u00e1ria: ela deixou de ser um tema perif\u00e9rico para ocupar espa\u00e7o estrat\u00e9gico no debate p\u00fablico brasileiro. Os debatedores foram a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira; o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), Marcio Pochmann; e o professor Renato Dagnino, da Universidade Estadual de Campinas. Eles analisaram o avan\u00e7o das experi\u00eancias solid\u00e1rias no pa\u00eds e defenderam sua constru\u00e7\u00e3o como um novo paradigma econ\u00f4mico, capaz de integrar justi\u00e7a social, trabalho digno, sustentabilidade e democracia econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidenta do Cofecon destacou que a economia solid\u00e1ria emerge como resposta aos limites do modelo econ\u00f4mico dominante. Para ela, trata-se de um novo modo de organizar a economia com as pessoas no centro. \u201cQuando perguntamos por que economia solid\u00e1ria, estamos perguntando por que um novo paradigma econ\u00f4mico se faz necess\u00e1rio. O modelo centrado no lucro, na competi\u00e7\u00e3o e na financeiriza\u00e7\u00e3o tem produzido fome, desigualdade, exclus\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o ambiental. \u00c9 preciso construir alternativas vi\u00e1veis e humanas\u201d, afirmou. Tania lembrou ainda que a economia solid\u00e1ria floresceu historicamente nos espa\u00e7os de marginaliza\u00e7\u00e3o criados pelo capitalismo. \u201cEla valoriza coopera\u00e7\u00e3o, autogest\u00e3o, saber local e cuidado com pessoas e territ\u00f3rios. Ela devolve o trabalho ao seu sentido de dignidade e criatividade \u2014 n\u00e3o como aliena\u00e7\u00e3o ou mera busca por renda, mas como espa\u00e7o de autonomia e bem viver\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tania tamb\u00e9m refor\u00e7ou o compromisso do Cofecon com o tema. \u201cTemos a responsabilidade de fortalecer esse campo de atua\u00e7\u00e3o profissional. A Comiss\u00e3o de Responsabilidade Social e Economia Solid\u00e1ria tem avan\u00e7ado, e o Pr\u00eamio Paul Singer, que chega \u00e0 sua quarta edi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um marco nacional de reconhecimento a experi\u00eancias transformadoras. Meu convite \u00e9 que economistas se comprometam com a constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds mais justo. Que transformemos conhecimento em a\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o em mudan\u00e7a real\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o, Marcio Pochmann destacou que a ascens\u00e3o da economia solid\u00e1ria est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho e ao esgotamento do capitalismo como projeto civilizat\u00f3rio. \u201cDesde a d\u00e9cada de 1980 vivemos uma crise permanente do emprego. Hoje, menos da metade da popula\u00e7\u00e3o ocupada est\u00e1 em atividades tipicamente capitalistas. Entre 70 e 80 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o sobrando ao projeto econ\u00f4mico atual \u2014 uma massa de trabalhadores empurrada para a sobreviv\u00eancia, sem direitos e sem perspectivas\u201d, afirmou. Para ele, o pa\u00eds vive uma ruptura hist\u00f3rica: \u201cO projeto de sociedade salarial, que estruturou o Brasil industrial, se esgotou. O que est\u00e1 emergindo \u00e9 outra realidade \u2014 fragmentada, desigual e perigosa, dominada pelo avan\u00e7o do rentismo, do crime organizado e do fanatismo religioso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Pochmann, a economia solid\u00e1ria oferece um caminho estrat\u00e9gico para reconstruir um projeto nacional. \u201cEla n\u00e3o pode ser tratada como pol\u00edtica compensat\u00f3ria. \u00c9 um ensaio real de futuro. Trabalha com cr\u00e9dito social, novas formas de moeda, coopera\u00e7\u00e3o produtiva e tecnologias sociais. Enquanto as institui\u00e7\u00f5es atuais operam sobre as consequ\u00eancias, a economia solid\u00e1ria atua sobre as causas\u201d. Ele concluiu com uma provoca\u00e7\u00e3o: \u201cPrecisamos de pol\u00edticas p\u00fablicas preditivas e um novo sistema estat\u00edstico que enxergue a realidade do trabalho popular. Sem isso, vamos continuar tentando medir o futuro com instrumentos do passado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Renato Dagnino trouxe uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o papel da economia solid\u00e1ria no contexto de colapso socioambiental. \u201cO capitalismo tenta resolver sua crise hist\u00f3rica com guerras e concentra\u00e7\u00e3o de renda, mas n\u00e3o sabe enfrentar a crise ambiental. Suas alternativas s\u00e3o ineficazes e perigosas para a sobreviv\u00eancia humana\u201d, afirmou. Ele defendeu a centralidade da propriedade coletiva e da autogest\u00e3o. \u201cN\u00e3o existe solidariedade sem confian\u00e7a e n\u00e3o existe confian\u00e7a sem democratizar o poder econ\u00f4mico. A economia solid\u00e1ria n\u00e3o se op\u00f5e apenas \u00e0 desigualdade; ela enfrenta a l\u00f3gica da tecnoci\u00eancia capitalista que transforma pessoas em meios de produ\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dagnino tamb\u00e9m criticou a baixa prioridade dada \u00e0 economia solid\u00e1ria no or\u00e7amento p\u00fablico. \u201cA classe propriet\u00e1ria recebe 8% do PIB em juros da d\u00edvida, 5% em ren\u00fancia fiscal e 15% via compras governamentais. As redes solid\u00e1rias recebem apenas 0,02% em compras p\u00fablicas \u2014 justamente a pol\u00edtica mais eficiente para desenvolver esse setor.\u201d Para ele, os economistas devem ter protagonismo no tema: \u201cPara que servem os economistas, afinal? Para ampliar a compreens\u00e3o do futuro e ajudar a construir um novo projeto de pa\u00eds. A economia solid\u00e1ria \u00e9 hoje a \u00fanica alternativa capaz de sustentar a vida com justi\u00e7a social e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>XXVI Congresso Brasileiro de Economia<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Congresso Brasileiro de Economia ocorreu de 06 a 10 de outubro no Plaza S\u00e3o Rafael Hotel, em Porto Alegre, com o tema \u201cDesenvolvimento Sustent\u00e1vel: Reconstru\u00e7\u00e3o, Desafios e Oportunidades\u201d. O evento reuniu cerca de 50 especialistas e 500 participantes (online e presencial) em torno de grandes temas que impactam o futuro do pa\u00eds, como reforma tribut\u00e1ria, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com\u00e9rcio internacional, agroneg\u00f3cio, desigualdades regionais, inova\u00e7\u00e3o, economia comportamental, educa\u00e7\u00e3o financeira e o papel do Estado na neoindustrializa\u00e7\u00e3o. A promo\u00e7\u00e3o foi do Cofecon, em parceria com o Corecon\/RS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O evento contou com o patroc\u00ednio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Vero\/Banrisul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Monte Bravo Investimentos, Conselhos Regionais de Economia de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paran\u00e1 e Rio de Janeiro.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Painel com participa\u00e7\u00e3o de Tania Cristina Teixeira, Marcio Pochmann e Renato Dagnino destaca economia solid\u00e1ria como resposta estrutural \u00e0 desigualdade, ao desemprego e \u00e0 crise ambiental O \u00faltimo dia de debates do XXVI Congresso Brasileiro de Economia foi batizado de<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26466\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":26502,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-26466","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26466"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26466"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26467,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26466\/revisions\/26467"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/26502"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}