{"id":26361,"date":"2025-10-10T13:30:45","date_gmt":"2025-10-10T16:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26361"},"modified":"2025-10-10T13:30:46","modified_gmt":"2025-10-10T16:30:46","slug":"xxvi-cbe-entre-as-contradicoes-estruturais-e-a-qualidade-do-gasto-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26361","title":{"rendered":"XXVI CBE: Entre as contradi\u00e7\u00f5es estruturais e a qualidade do gasto p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p>Na mesa sobre crescimento econ\u00f4mico, os economistas Luiz Eduardo de Souza e Erick Figueiredo analisaram diferentes dimens\u00f5es do desenvolvimento brasileiro<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento econ\u00f4mico brasileiro foi tema de uma mesa de debates realizada durante o XXVI Congresso Brasileiro de Economia. O professor Luiz Eduardo de Souza, da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA), e o economista Erick Figueiredo, diretor-executivo do Instituto Mauro Borges, apresentaram perspectivas complementares: enquanto Souza abordou o papel da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e as contradi\u00e7\u00f5es estruturais da economia nacional desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, Figueiredo destacou a import\u00e2ncia de repensar o gasto p\u00fablico e a gest\u00e3o da d\u00edvida para garantir um desenvolvimento sustent\u00e1vel e eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO historiador econ\u00f4mico \u00e9 um otimista no longo prazo\u201d, afirmou Luiz Eduardo de Souza ao iniciar sua fala. O professor situou a an\u00e1lise a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que, segundo ele, inaugura a chamada sexta rep\u00fablica brasileira. O artigo 170 da Carta, na vis\u00e3o do professor, foi uma tentativa de conciliar capital e trabalho ao fundar a ordem econ\u00f4mica firmada na valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho e na livre iniciativa. \u201cNessa tentativa de concilia\u00e7\u00e3o existem contradi\u00e7\u00f5es que permanecem e nos ajudam a compreender as tens\u00f5es atuais entre crescimento, estabilidade e inclus\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Souza ainda divide a chamada sexta rep\u00fablica em fases: as d\u00e9cadas perdidas de 1980 e 1990, marcadas pela busca da estabiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria; o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, com o avan\u00e7o do neodesenvolvimentismo; e o per\u00edodo de crise entre 2014 e 2022. \u201cNosso PIB come\u00e7a a se estabilizar novamente entre 2% e 4% ao ano a partir de 2022\u201d, observou. \u201cSe olharmos para a m\u00e9dia hist\u00f3rica, desde 1822 o crescimento brasileiro \u00e9 de 1,5% ao ano \u2014 um padr\u00e3o que reflete tanto nossas limita\u00e7\u00f5es estruturais quanto nossa resili\u00eancia\u201d, argumentou. Ele tamb\u00e9m mostrou um gr\u00e1fico comparando o desempenho econ\u00f4mico do Brasil com outros pa\u00edses emergentes. \u201cN\u00e3o chegamos t\u00e3o alto nos picos, nem t\u00e3o baixo nos vales\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o economista Erick Figueiredo apresentou uma leitura cr\u00edtica da trajet\u00f3ria fiscal do pa\u00eds. \u201cComparar a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB entre pa\u00edses \u00e9 inadequado\u201d, afirmou, lembrando o exemplo dos Estados Unidos e do Jap\u00e3o, que t\u00eam d\u00edvidas proporcionalmente maiores, mas custos de servi\u00e7o muito menores. \u201cNo Brasil, gastamos cerca de 8% do PIB apenas com o servi\u00e7o da d\u00edvida, o que mostra que o problema n\u00e3o \u00e9 o tamanho da d\u00edvida, mas o custo de carreg\u00e1-la.\u201d Figueiredo provocou o p\u00fablico com uma an\u00e1lise direta: \u201cEm 2023 e 2024, nossa d\u00edvida cresceu 1,6 bilh\u00e3o de reais por dia, enquanto o PIB cresceu 1,1 bilh\u00e3o. Se o gasto p\u00fablico \u00e9 para impulsionar o PIB, est\u00e1 faltando alguma coisa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m comentou que o Brasil tem um estoque pequeno de infraestrutura (cerca de 30% do PIB) na compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses \u2013 a China, por exemplo, tem 86%. \u201cN\u00e3o basta investir para crescer, \u00e9 preciso ver a qualidade do gasto. Nosso custo-Brasil n\u00e3o \u00e9 apenas o imposto, \u00e9 o custo burocr\u00e1tico, \u00e9 pagar por inefici\u00eancia\u201d, observou. Para ele, um novo ciclo de crescimento depende de maior transpar\u00eancia fiscal e de uma gest\u00e3o p\u00fablica mais racional. \u201cO brasileiro precisa entender o gasto p\u00fablico \u2014 e isso come\u00e7a com um gasto de melhor qualidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>XXVI Congresso Brasileiro de Economia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Congresso Brasileiro de Economia ocorreu de 06 a 10 de outubro no Plaza S\u00e3o Rafael Hotel, em Porto Alegre, com o tema \u201cDesenvolvimento Sustent\u00e1vel: Reconstru\u00e7\u00e3o, Desafios e Oportunidades\u201d. O evento reuniu cerca de 50 especialistas e 500 participantes (online e presencial) em torno de grandes temas que impactam o futuro do pa\u00eds, como reforma tribut\u00e1ria, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com\u00e9rcio internacional, agroneg\u00f3cio, desigualdades regionais, inova\u00e7\u00e3o, economia comportamental, educa\u00e7\u00e3o financeira e o papel do Estado na neoindustrializa\u00e7\u00e3o. A promo\u00e7\u00e3o foi do Cofecon, em parceria com o Corecon\/RS.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento contou com o patroc\u00ednio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Vero\/Banrisul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Monte Bravo Investimentos, Conselhos Regionais de Economia de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paran\u00e1 e\u00a0Rio\u00a0de\u00a0Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na mesa sobre crescimento econ\u00f4mico, os economistas Luiz Eduardo de Souza e Erick Figueiredo analisaram diferentes dimens\u00f5es do desenvolvimento brasileiro O crescimento econ\u00f4mico brasileiro foi tema de uma mesa de debates realizada durante o XXVI Congresso Brasileiro de Economia. 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