{"id":26292,"date":"2025-09-26T17:40:17","date_gmt":"2025-09-26T20:40:17","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26292"},"modified":"2025-09-26T18:00:38","modified_gmt":"2025-09-26T21:00:38","slug":"tarifas-papel-do-estado-reindustrializacao-lacerda-analisa-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26292","title":{"rendered":"Tarifas, papel do Estado, reindustrializa\u00e7\u00e3o: Lacerda analisa economia brasileira\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Falando ao Boa Noite 247, economista comentou as san\u00e7\u00f5es dos EUA, a reindustrializa\u00e7\u00e3o e o projeto de isen\u00e7\u00e3o do IR para quem recebe at\u00e9 R$ 5 mil, entre outros temas&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O conselheiro federal Antonio Corr\u00eaa de Lacerda concedeu na \u00faltima segunda-feira (22) uma entrevista ao programa Boa Noite 247, que vai ao ar pelo YouTube. Entre os temas abordados pelo economista est\u00e3o as tarifas impostas pelos Estados Unidos, o papel do Estado, a reindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil, a corre\u00e7\u00e3o da tabela do imposto de renda e o valor econ\u00f4mico do regime democr\u00e1tico. A conversa teve uma hora de dura\u00e7\u00e3o e pode ser assistida clicando <a href=\"https:\/\/youtu.be\/rCR03X_b9KY?t=10871\">AQUI<\/a>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tarifa\u00e7o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos \u00e0s importa\u00e7\u00f5es de produtos brasileiros foram o primeiro tema da entrevista. \u201cSe voc\u00ea fosse procurar elementos econ\u00f4micos que justificassem qualquer tipo de san\u00e7\u00e3o \u00e0 economia brasileira, n\u00e3o encontraria. O Brasil tem d\u00e9ficit com a economia norte-americana e a balan\u00e7a de servi\u00e7os tamb\u00e9m \u00e9 hiper deficit\u00e1ria\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora parte dos produtos n\u00e3o exportados para os Estados Unidos possam ser direcionados a outros mercados (em agosto as exporta\u00e7\u00f5es para China e Argentina cresceram), isso n\u00e3o acontece com todos. H\u00e1 setores que sofrem grandes preju\u00edzos. \u201c\u00c9 o caso de bens de capital, como m\u00e1quinas, equipamentos el\u00e9tricos. Se nas commodities e produtos industriais de baixa complexidade voc\u00ea consegue transferir no m\u00e9dio prazo para outros mercados, em alguns produtos fica mais dif\u00edcil porque \u00e9 preciso desenvolver estes mercados, o que leva tempo\u201d, observou Lacerda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil tem uma tradi\u00e7\u00e3o de contar com filiais de grandes empresas globais e tem uma economia bastante internacionalizada. Nossos executivos s\u00e3o bem cotados internacionalmente porque convivem numa das maiores economias do mundo e que enfrentou v\u00e1rias turbul\u00eancias ao longo do tempo\u201d, comentou o conselheiro federal. \u201cAo contr\u00e1rio do que diz o senso comum, as empresas no Brasil t\u00eam uma excelente produtividade e boa competitividade, mas existem fatores internos desfavor\u00e1veis. Alguns est\u00e3o em franca corre\u00e7\u00e3o, como a estrutura tribut\u00e1ria\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Papel do Estado<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lacerda mencionou que uma mudan\u00e7a importante vista no governo Lula 3 foi a retomada do papel do Estado como indutor e coordenador da economia. \u201cN\u00e3o s\u00f3 o do Estado, como das empresas estatais, dos bancos p\u00fablicos e agentes de fomento. \u00c9 muito importante que isso n\u00e3o ocorra em contraposi\u00e7\u00e3o ao setor privado, mas em conjunto, como denotam as boas pr\u00e1ticas internacionais\u201d, pontuou. \u201cO setor p\u00fablico e o privado precisam caminhar juntos, mas a atua\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 imprescind\u00edvel. Se ele n\u00e3o fizer sua parte, n\u00e3o h\u00e1 indu\u00e7\u00e3o para que o setor privado atue. Neste sentido, o plano Nova Ind\u00fastria Brasil (NIB) j\u00e1 vem dando frutos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para responder aos efeitos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, o governo federal apresentou o Plano Brasil Soberano, com R$ 40 bilh\u00f5es em cr\u00e9dito. \u201cEm fun\u00e7\u00e3o das necessidades, \u00e9 um plano adequado. Como tudo em economia, depender\u00e1 da extens\u00e3o, da dura\u00e7\u00e3o e da profundidade do problema. As empresas est\u00e3o se qualificando para receber este recurso e a contrapartida \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o dos empregos\u201d, analisou Lacerda. \u201cA postura do governo e do BNDES ser\u00e1 de ter flexibilidade e agilidade para agir mediante as necessidades. Tivemos um exemplo muito interessante desta prontid\u00e3o no ano passado, quando rapidamente houve socorro ao estado do Rio Grande do Sul e \u00e0s pessoas afetadas pelas enchentes. A economia se recuperou rapidamente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA vis\u00e3o do papel do Estado e dos bancos p\u00fablicos \u00e9 fundamental e eles n\u00e3o se contrap\u00f5em \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do setor privado. Os dados das associa\u00e7\u00f5es empresariais t\u00eam mostrado que temos o maior investimento dos \u00faltimos anos, com parcela maior do setor privado\u201d, prosseguiu Lacerda. \u201cO Estado tem seu papel indutor, motivador, de efeito demonstra\u00e7\u00e3o. Ele induz estes investimentos oferecendo financiamento e adotando pol\u00edticas industriais e de competitividade que favore\u00e7am este desempenho do setor privado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 que, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o crescimento econ\u00f4mico supera em muito as expectativas existentes no in\u00edcio do ano. Este resultado positivo traz uma melhora no emprego, na renda e na arrecada\u00e7\u00e3o. \u201cA estrutura fiscal \u00e9 importante, mas um ajuste a qualquer pre\u00e7o n\u00e3o se sustenta. A austeridade acaba gerando uma interrup\u00e7\u00e3o do desenvolvimento, impactando a arrecada\u00e7\u00e3o e gerando novo desequil\u00edbrio fiscal, com graves consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais\u201d, explicou o economista. \u201cPor isso \u00e9 importante combinar esta estabilidade com o crescimento econ\u00f4mico. Hoje temos uma saud\u00e1vel combina\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o relativamente controlada e uma situa\u00e7\u00e3o fiscal muito melhor do que aquela presente nos debates que chegam \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reindustrializa\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de passar por um processo importante de desindustrializa\u00e7\u00e3o, o Brasil busca o caminho contr\u00e1rio com o aux\u00edlio do plano Nova Ind\u00fastria Brasil (NIB). Nosso pa\u00eds tem importantes vantagens neste sentido: al\u00e9m de contar com um dos maiores mercados consumidores do mundo, possui uma tradi\u00e7\u00e3o industrial, deixando de ser uma economia monoexportadora e passando a ser uma das maiores economias agroindustriais a partir da d\u00e9cada de 1970. \u201cCom esta estrutura, somada \u00e0 autonomia h\u00eddrica, energia el\u00e9trica abundante e sendo uma pot\u00eancia agropecu\u00e1ria, temos vantagens competitivas que permitem combinar um desenvolvimento dom\u00e9stico sem abrir m\u00e3o da inser\u00e7\u00e3o internacional de forma soberana do ponto de vista do com\u00e9rcio e investimentos\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lacerda identifica a necessidade de atuar em duas frentes: primeiro, superando a concentra\u00e7\u00e3o de renda, a fim de que a melhora na distribui\u00e7\u00e3o traga mais for\u00e7a ao mercado dom\u00e9stico; e segundo, os investimentos externos, privados e estatais podem, da mesma forma que no s\u00e9culo passado, trazer um desenvolvimento contempor\u00e2neo constru\u00eddo sobre novas bases. \u201cEle exige uma transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, energ\u00e9tica e ambiental. Mas isso, mais do que um desafio, \u00e9 uma oportunidade para a economia brasileira\u201d, avalia o economista.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Corre\u00e7\u00e3o do IRPF<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema abordado na entrevista foi o projeto de lei (previsto para ser votado na C\u00e2mara na pr\u00f3xima semana) que isenta de imposto de renda quem recebe at\u00e9 R$ 5 mil mensais \u2013 algo que tem um impacto positivo na economia porque as pessoas de renda mais baixa possuem maior propens\u00e3o ao consumo. \u201cCada vez que a renda de quem ganha menos \u00e9 incrementada, ela vai comer melhor, se vestir melhor, atender as necessidades mais imediatas e isso impulsiona a economia como um todo\u201d, aponta Lacerda. \u201cA corre\u00e7\u00e3o do IR enfrenta uma distor\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que temos na estrutura tribut\u00e1ria, onde quem recebe menos paga proporcionalmente mais, na contram\u00e3o da m\u00e9dia dos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). Nossa estrutura \u00e9 mais calcada em impostos indiretos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Democracia<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao discutir os caminhos para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social do Brasil, Lacerda pontuou que o regime democr\u00e1tico n\u00e3o se restringe apenas ao campo da pol\u00edtica. Ele exerce um papel direto sobre a economia, criando condi\u00e7\u00f5es mais est\u00e1veis e inclusivas para o crescimento. \u201cEst\u00e1 cada vez mais claro que a democracia representa, sim, um valor econ\u00f4mico, al\u00e9m do valor pol\u00edtico, de cidadania e de liberdade. Ela \u00e9 um elemento importante de expans\u00e3o das atividades das pessoas, das empresas e dos cidad\u00e3os, o que torna o ambiente mais favor\u00e1vel do ponto de vista da liberdade de express\u00e3o, de c\u00e1tedra e de imprensa\u201d, argumentou o conselheiro federal. \u201cEstes valores democr\u00e1ticos consolidam um processo econ\u00f4mico, combinando com a diminui\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de renda, o que garante a perenidade e a sustentabilidade democr\u00e1tica\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falando ao Boa Noite 247, economista comentou as san\u00e7\u00f5es dos EUA, a reindustrializa\u00e7\u00e3o e o projeto de isen\u00e7\u00e3o do IR para quem recebe at\u00e9 R$ 5 mil, entre outros temas&nbsp; O conselheiro federal Antonio Corr\u00eaa de Lacerda concedeu na \u00faltima<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26292\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":26297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,2],"tags":[],"class_list":["post-26292","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cofecon-na-midia","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26292"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26301,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26292\/revisions\/26301"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/26297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}