{"id":26268,"date":"2025-09-19T17:38:31","date_gmt":"2025-09-19T20:38:31","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26268"},"modified":"2025-09-19T17:38:32","modified_gmt":"2025-09-19T20:38:32","slug":"podcast-economistas-o-que-significa-a-selic-a-15","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26268","title":{"rendered":"Podcast Economistas: O que significa a Selic a 15%?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tania Cristina Teixeira, Gustavo Casseb Pessoti, Ana Cl\u00e1udia Arruda e Odilon Guedes comentam as consequ\u00eancias da manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros em 15% pelo Banco Central<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas e o tema desta semana \u00e9 a taxa b\u00e1sica de juros. Nos dias 16 e 17 de setembro o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central (Copom) esteve reunido em Bras\u00edlia e decidiu manter os juros em um patamar de 15% ao ano. O podcast pode ser ouvido na sua plataforma favorita ou no player abaixo.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/profile\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/164---O-que-significa-a-Selic-a-15-e38f7mo\/a-ac5rnvr\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Uma das fun\u00e7\u00f5es do banco central do brasil \u00e9 garantir a estabilidade do poder de compra da moeda. Para medir este objetivo existe a meta de infla\u00e7\u00e3o, que atualmente \u00e9 de 3% ao ano, com margem de um ponto percentual e meio para mais ou para menos. Atualmente a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para calibrar a infla\u00e7\u00e3o tem sido a taxa de juros. A cada 45 dias o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central (Copom), se re\u00fane e toma uma decis\u00e3o a respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma taxa de juros a 15% ao ano, representando um juro real que se aproxima de 10%, foge daquilo que concebemos como um patamar ideal ou mesmo civilizado\u201d, comenta a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira. \u201cUma taxa de juros alta promove um encarecimento do cr\u00e9dito para o consumidor e as empresas, estimulando, inclusive, a sa\u00edda do investimento da atividade produtiva para a poupan\u00e7a financeira, resultando em dificuldade de gera\u00e7\u00e3o de mais emprego e renda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSabemos que quem se beneficia com este cen\u00e1rio \u00e9 uma parcela muito pequena da popula\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os que det\u00eam t\u00edtulos p\u00fablicos. O combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode se ancorar no rentismo\u201d, prosseguiu Tania. \u201cPrecisamos de uma estrat\u00e9gia que combine responsabilidade monet\u00e1ria com o est\u00edmulo ao crescimento e ao desenvolvimento, que favore\u00e7a a inova\u00e7\u00e3o e a reindustrializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 sinais de eleva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No comunicado divulgado \u00e0 imprensa depois da reuni\u00e3o, o Copom caracterizou o cen\u00e1rio econ\u00f4mico como marcado por expectativas desancoradas, proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o elevadas, resili\u00eancia na atividade econ\u00f4mica e press\u00f5es no mercado de trabalho. Para levar a infla\u00e7\u00e3o \u00e0 meta, o Banco Central v\u00ea a necessidade de uma manuten\u00e7\u00e3o dos juros altos por um per\u00edodo prolongado \u2013 algo que o conselheiro federal Gustavo Casseb Pessoti considera um erro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Banco Central erra na decis\u00e3o de manter a Selic em 15%. Apesar da argumenta\u00e7\u00e3o de uma certa resili\u00eancia na atividade econ\u00f4mica e no mercado de trabalho, e apesar de compreender que o BC entenda que o momento atual deva ser de cautela, n\u00e3o temos percebido sinais de eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os no curto e no m\u00e9dio prazo\u201d, pontuou Pessoti. \u201cEm hip\u00f3tese nenhuma essa condi\u00e7\u00e3o deveria ser afirmada para manter a taxa de juros num patamar t\u00e3o abusivo como o que estamos vendo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O conselheiro federal apontou algumas consequ\u00eancias negativas que podem vir sobre a economia brasileira a partir do \u00faltimo trimestre do ano de 2025, para o qual \u00e9 esperada uma desacelera\u00e7\u00e3o na atividade econ\u00f4mica. \u201cEssa taxa em 15% \u00e9 contraproducente, desestimula a atividade econ\u00f4mica, desincentiva a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo e estimula os investidores a correrem para o mercado financeiro, com uma lucratividade mais alta do que a realiza\u00e7\u00e3o de investimentos produtivos, que s\u00e3o os respons\u00e1veis, em primeira inst\u00e2ncia, pela demanda agregada\u201d, comentou o economista. \u201cNo segundo semestre teremos um crescimento aqu\u00e9m das possibilidades. N\u00e3o h\u00e1 resili\u00eancia econ\u00f4mica que sobreviva a uma Selic de 15%, que inclusive reorienta outras decis\u00f5es banc\u00e1rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Juros altos s\u00e3o vetor de aumento da d\u00edvida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m destas consequ\u00eancias negativas mencionadas, a taxa de juros elevada tamb\u00e9m aumenta o montante pago em juros. O economista Odilon Guedes, presidente do Conselho Regional de Economia de S\u00e3o Paulo (Corecon-SP) e ex-vereador da capital paulista, destaca que este tem sido o principal fator de crescimento da d\u00edvida p\u00fablica no brasil e que cada ponto percentual de aumento da taxa b\u00e1sica de juros custa, em m\u00e9dia, 54 bilh\u00f5es de reais por ano aos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs aplicadores do mercado financeiro, compradores de t\u00edtulos p\u00fablicos, ficam receosos com o aumento da d\u00edvida p\u00fablica e querem juros mais altos \u2013 mas o principal vetor de aumento da d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 o aumento dos juros. Aumentando os juros, aumenta a d\u00edvida \u2013 e isso \u00e9 um ciclo vicioso que precisa ser rompido em benef\u00edcio da sociedade brasileira\u201d, observou Guedes. \u201cA d\u00edvida p\u00fablica brasileira, que est\u00e1 em cerca de 9 trilh\u00f5es de reais, \u00e9 diretamente afetada pelos juros. A manuten\u00e7\u00e3o da Selic pelo Copom em 15% \u00e9 a principal respons\u00e1vel por esse aumento. Neste ano o governo deve gastar um trilh\u00e3o de reais com o pagamento de juros, cerca de 8,5% do PIB. N\u00e3o h\u00e1 economia que resista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Juros altos valorizam o real frente ao d\u00f3lar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m na quarta-feira (17), o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciou uma redu\u00e7\u00e3o de 0,25 ponto percentual na taxa de juros praticada no pa\u00eds. No curto prazo, este movimento traz um fluxo de capitais para o Brasil em busca de um diferencial nas taxas de juros, fazendo com que diminua a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. A conselheira federal Ana Cl\u00e1udia Arruda alerta para o fato de que estes capitais s\u00e3o de curto prazo e de natureza especulativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA valoriza\u00e7\u00e3o do real frente ao d\u00f3lar se deve fundamentalmente aos fluxos internacionais de capital que se movimentam em fun\u00e7\u00e3o dos diferenciais de taxas de juros\u201d, analisa a conselheira federal Ana Cl\u00e1udia Arruda. \u201cNos Estados Unidos, o mercado projeta cortes sucessivos nas taxas de juros que podem chegar a at\u00e9 tr\u00eas redu\u00e7\u00f5es em 2025. Os investidores buscam alocar seus ativos onde h\u00e1 uma maior rentabilidade e um maior diferencial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s taxas aplicadas pelo Banco Central norte-americano. E o Brasil se torna um para\u00edso, com taxas em 15% ao ano, e h\u00e1 uma sinaliza\u00e7\u00e3o do Banco Central de manuten\u00e7\u00e3o deste patamar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEste movimento traz uma aprecia\u00e7\u00e3o cambial, ou seja, o real passa a ser mais valorizado em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar. Mas \u00e9 bom destacar que se trata de um capital vol\u00e1til, de curto prazo\u201d, refor\u00e7a Ana Cl\u00e1udia. \u201cAlguns desses capitais at\u00e9 se transformam em investimento direto, mas grande parte s\u00e3o capitais especulativos e que, dependendo da conjuntura internacional, v\u00e3o para outros mercados buscando outros diferenciais de juros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Meta de infla\u00e7\u00e3o baixa induz juros altos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A meta de infla\u00e7\u00e3o praticada no Brasil \u00e9 de 3% ao ano, com margem de um ponto percentual e meio para mais ou para menos. Mas nem sempre foi assim. Durante o per\u00edodo de 2004 a 2018, a meta era de 4,5% ao ano. A partir de 2019, ela foi reduzida em 0,25 ponto percentual at\u00e9 chegar a 3% no ano passado. Esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque a infla\u00e7\u00e3o de 12 meses medida pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) encontra-se em 5,13%. Este patamar est\u00e1 acima da meta de infla\u00e7\u00e3o atual (4,5%), o que faz com que o Banco Central utilize juros altos para reduzi-la; mas, ao mesmo tempo, ela estaria dentro da meta praticada at\u00e9 o ano de 2019. Esta situa\u00e7\u00e3o leva a um questionamento: ser\u00e1 que a meta de infla\u00e7\u00e3o atualmente praticada induz os juros altos?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSer\u00e1 que estamos tentando dar uma resposta com uma ferramenta que, na verdade, \u00e9 um indutor de juros altos?\u201d, questionou a presidenta do Cofecon. \u201cA meta de 4,5% era compat\u00edvel com os desafios de um pa\u00eds em desenvolvimento, com margem de manobra para uma pol\u00edtica monet\u00e1ria que compreendesse a din\u00e2mica de um pa\u00eds com uma economia emergente. Desde 2019 ela foi reduzida pouco a pouco at\u00e9 chegar ao patamar de 3% ao ano. Essa meta baixa acaba fazendo com que a pol\u00edtica monet\u00e1ria se torne um fim em si mesmo\u201d, concluiu Tania.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tania Cristina Teixeira, Gustavo Casseb Pessoti, Ana Cl\u00e1udia Arruda e Odilon Guedes comentam as consequ\u00eancias da manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros em 15% pelo Banco Central Est\u00e1 no ar mais um epis\u00f3dio do podcast Economistas e o tema desta<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26268\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25818,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"class_list":["post-26268","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26268"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26268"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26269,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26268\/revisions\/26269"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}