{"id":26219,"date":"2025-09-12T18:21:27","date_gmt":"2025-09-12T21:21:27","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26219"},"modified":"2025-09-12T18:21:28","modified_gmt":"2025-09-12T21:21:28","slug":"podcast-economistas-carlos-gadelha-aborda-a-soberania-na-area-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26219","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Carlos Gadelha aborda a soberania na \u00e1rea da sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Segundo epis\u00f3dio da s\u00e9rie fala como a falta de equipamentos e a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es prejudicam grandemente a popula\u00e7\u00e3o brasileira <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais um podcast Economistas e o epis\u00f3dio desta semana \u00e9 o segundo da s\u00e9rie sobre o complexo econ\u00f4mico e industrial da sa\u00fade. A pandemia da Covid-19 escancarou uma fragilidade do Brasil: a depend\u00eancia externa para garantir insumos e equipamentos essenciais \u00e0 sa\u00fade. Respiradores, vacinas e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual tornaram-se s\u00edmbolos de como a falta de uma base industrial s\u00f3lida compromete n\u00e3o apenas a economia, mas a pr\u00f3pria vida das pessoas. No epis\u00f3dio desta semana, Carlos Augusto Gadelha fala sobre a import\u00e2ncia do complexo econ\u00f4mico e industrial da sa\u00fade frente aos desafios trazidos pela pandemia. Ele pode ser ouvido na sua plataforma favorita ou no player abaixo.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/profile\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/163---Carlos-Gadelha-aborda-a-soberania-na-rea-da-sade-e385dm7\/a-ac5f530\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Clique <a href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25918\">AQUI<\/a> para ouvir o primeiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie, abordando a import\u00e2ncia do complexo econ\u00f4mico e industrial da sa\u00fade para o desenvolvimento brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos problemas trazidos pela pandemia foi a dificuldade em rela\u00e7\u00e3o ao suprimento de equipamentos de sa\u00fade. Mesmo efetuando o pagamento de forma antecipada, n\u00e3o foi poss\u00edvel garantir o fornecimento de equipamentos m\u00e9dicos (como respiradores e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual) para atender a demanda daquele momento. Esse cen\u00e1rio mostra a import\u00e2ncia de o Brasil ter uma base industrial que permita garantir este fornecimento sem depender da disponibilidade no mercado externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, Gadelha faz um alerta: no campo da ind\u00fastria, a sa\u00fade representa uma parte importante do d\u00e9ficit comercial brasileiro. \u201cFicou evidente a vulnerabilidade tecnol\u00f3gica, produtiva e industrial na sa\u00fade. Ela se mostrou decisiva para a pr\u00f3pria garantia do direito \u00e0 vida e de um ambiente m\u00ednimo em que as pessoas pudessem produzir, gerar renda e emprego\u201d, apontou o economista. \u201cNosso d\u00e9ficit comercial, na sa\u00fade, h\u00e1 20 ou 30 anos atr\u00e1s, representava 5% a 6% de todo o d\u00e9ficit comercial brasileiro. Hoje supera 10%. Depois da eletr\u00f4nica, a sa\u00fade \u00e9 a segunda \u00e1rea mais dependente e vulner\u00e1vel \u2013 e se considerarmos a sa\u00fade digital, as importa\u00e7\u00f5es de software e dispositivos microeletr\u00f4nicos relacionados, provavelmente seja a \u00e1rea mais dependente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Celso Furtado revisitado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para falar sobre a import\u00e2ncia de garantir o fornecimento de insumos e equipamentos de sa\u00fade, Gadelha menciona o pensamento de Celso Furtado. Na vis\u00e3o do c\u00e9lebre economista paraibano, o processo de industrializa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o era um fim em si mesmo, mas algo que tem a finalidade de atender as necessidades humanas. V\u00e1rias d\u00e9cadas depois, este pensamento continua bastante atual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle se rejuvenesce e se atualiza na contemporaneidade, no contexto de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e vulnerabilidade da sa\u00fade. A pandemia mostrou de modo muito acachapante o v\u00ednculo entre a dimens\u00e3o econ\u00f4mica e social do desenvolvimento\u201d, argumentou Gadelha. \u201cN\u00e3o ter capacidade tecnol\u00f3gica em ventiladores significava que faltava ar para as pessoas. Vi na Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz ventiladores sendo importados pelo nosso Instituto Nacional de Infectologia e os pa\u00edses desenvolvidos, que t\u00eam poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, tirando os ventiladores dos avi\u00f5es, pagando multa e deixando nossa popula\u00e7\u00e3o sem ar. Vi a vulnerabilidade econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica de perto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo campo das vacinas, pude publicar um artigo, que foi divulgado no boletim da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, mostrando que o Brasil s\u00f3 conseguiu vacinar sua popula\u00e7\u00e3o quando a produ\u00e7\u00e3o nacional da Fiocruz e do Butantan, em parceria com o setor privado (inclusive internacional), superou 70% da necessidade do mercado\u201d, prosseguiu Gadelha. \u201cSomente quando produziu \u00e9 que o Brasil conseguiu vacinar as pessoas. Ent\u00e3o fica evidente essa agenda estruturalista revisitada. Ter ind\u00fastria e inova\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Quem n\u00e3o tem capacidade de inova\u00e7\u00e3o e capacidade tecnol\u00f3gica em sa\u00fade ficou totalmente de joelhos frente \u00e0 economia global\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra li\u00e7\u00e3o trazida pela pandemia \u00e9 que a pol\u00edtica industrial e de inova\u00e7\u00e3o precisa estar conectada \u00e0s demandas da sociedade. Gadelha argumenta que n\u00e3o se pode ter uma pol\u00edtica de inova\u00e7\u00e3o que atenda apenas aos 10% da popula\u00e7\u00e3o que podem pagar por servi\u00e7os de sa\u00fade e que n\u00e3o contemple os demais 90% que dependem do sistema \u00fanico de sa\u00fade. Neste sentido, o complexo econ\u00f4mico e industrial da sa\u00fade se torna necess\u00e1rio para a soberania do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o se pode ter um modelo que seja apenas assistencialista para a sociedade. Precisamos endogenizar no desenvolvimento econ\u00f4mico as dimens\u00f5es social e ambiental. N\u00e3o posso ter o desenvolvimento por parte dos nossos grandes bancos e depois ter pol\u00edticas assistencialistas para o campo social e mitigadoras do dano ambiental\u201d, comenta o economista. \u201c\u00c9 preciso uma pol\u00edtica de investimento, de desenvolvimento, que integre no investimento econ\u00f4mico a dimens\u00e3o social e econ\u00f4mica. Se eu n\u00e3o tenho um investimento em sa\u00fade que dialogue com o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), n\u00e3o cabe ser prioridade do Estado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Depend\u00eancia estrutural<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia e a guerra na Ucr\u00e2nia provocaram transforma\u00e7\u00f5es nas cadeias globais de suprimentos. Antes elas estavam arranjadas a fim de buscar o menor pre\u00e7o no fornecimento de insumos; hoje, passam por uma reconfigura\u00e7\u00e3o que permita garantir tamb\u00e9m a seguran\u00e7a do fornecimento. Neste sentido, alguns conceitos est\u00e3o ganhando import\u00e2ncia, como o <em>nearshoring<\/em>, que \u00e9 a prefer\u00eancia pela compra de insumos produzidos em locais mais pr\u00f3ximos, e o <em>friendshoring<\/em>, que \u00e9 a prefer\u00eancia pela compra de suprimentos de pa\u00edses considerados aliados pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConhecimento tecnol\u00f3gico e produtivo n\u00e3o \u00e9 apenas um papel escrito com uma receita de bolo. \u00c9 preciso saber produzir. Na pandemia, me perguntaram o que o Brasil poderia fazer. E eu respondi: onde j\u00e1 sabe produzir, aumentar a produ\u00e7\u00e3o; onde tem capacidade tecnol\u00f3gica, tentar uma convers\u00e3o industrial; e onde n\u00e3o tem nenhuma, negociar e rezar\u201d, relembra o economista. \u201cS\u00f3 faz reconvers\u00e3o quem tem capacidade tecnol\u00f3gica e produtiva. Por isso s\u00e3o pol\u00edticas estruturantes e de longo prazo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As disputas globais, explica Carlos Gadelha, mostraram que n\u00e3o podemos ser vulner\u00e1veis na sa\u00fade. \u201cDo nosso d\u00e9ficit em sa\u00fade, 90% referem-se a produtos de m\u00e9dia e alta tecnologia. Estamos falando de uma depend\u00eancia estrutural: se os pre\u00e7os relativos mudam, a necessidade de importar n\u00e3o muda, \u00e9 preciso importar a qualquer pre\u00e7o, porque \u00e9 preciso curar quem tem c\u00e2ncer, \u00e9 preciso vacinar a popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cNosso d\u00e9ficit em sa\u00fade \u00e9 estrutural e isso \u00e9 o pr\u00f3prio espelho da economia brasileira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O complexo econ\u00f4mico e industrial da sa\u00fade faz parte do programa Nova Ind\u00fastria Brasil, lan\u00e7ado pelo Governo Federal no ano passado, e a estrat\u00e9gia para o setor cont\u00e9m uma coopera\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade global e uma coopera\u00e7\u00e3o com pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica para a produ\u00e7\u00e3o local e regional. Para Gadelha, esta \u00e9 uma tend\u00eancia para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA agenda geopol\u00edtica atual refor\u00e7a mais do que nunca essa aposta que n\u00f3s estamos fazendo no complexo econ\u00f4mico industrial como como o novo vetor do desenvolvimento. Temos que refor\u00e7ar os la\u00e7os com a Am\u00e9rica Latina e com a \u00c1frica, especialmente, at\u00e9 para podermos comprar juntos e desenvolver junto as tecnologias que precisamos\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carlos Augusto Gadelha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Augusto Gadelha \u00e9 graduado em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestre pela Universidade Estadual de Campinas. Gadelha foi vice-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz e possui uma vasta trajet\u00f3ria como pesquisador e docente e no setor p\u00fablico, tendo atuado como secret\u00e1rio de Desenvolvimento do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior e secret\u00e1rio de Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Complexo Econ\u00f4mico Industrial da Sa\u00fade no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Atualmente, coordena uma rede de pesquisa sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel, ci\u00eancia, tecnologia, inova\u00e7\u00e3o e o complexo econ\u00f4mico industrial da sa\u00fade, com mais de 45 pesquisadores de 10 institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo epis\u00f3dio da s\u00e9rie fala como a falta de equipamentos e a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es prejudicam grandemente a popula\u00e7\u00e3o brasileira Est\u00e1 no ar mais um podcast Economistas e o epis\u00f3dio desta semana \u00e9 o segundo da s\u00e9rie sobre o complexo<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26219\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":25818,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"class_list":["post-26219","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26219"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=26219"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26229,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/26219\/revisions\/26229"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=26219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=26219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=26219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}