{"id":26192,"date":"2025-09-08T15:31:22","date_gmt":"2025-09-08T18:31:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26192"},"modified":"2025-09-08T15:31:23","modified_gmt":"2025-09-08T18:31:23","slug":"3o-seminario-nacional-da-mulher-economista-e-diversidade-carta-de-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=26192","title":{"rendered":"3\u00ba Semin\u00e1rio Nacional da Mulher Economista e Diversidade: Carta de Salvador"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Documento aprovado no evento ressalta import\u00e2ncia do combate \u00e0 viol\u00eancia e desigualdade de g\u00eanero, bem como da valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho de cuidado e da participa\u00e7\u00e3o feminina em espa\u00e7os de lideran\u00e7a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Salvador, 04 de setembro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Reunidas e reunidos no 3\u00ba Semin\u00e1rio da Mulher Economista &amp; Diversidade, promovido pelo Sistema Cofecon\/Corecons, tendo como anfitri\u00e3o o Corecon-BA, n\u00f3s economistas, pesquisadoras, representantes de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, privadas e da sociedade civil \u2014 tornamos p\u00fablica esta Carta de Salvador, resultado de reflex\u00f5es coletivas sobre a urg\u00eancia de enfrentar a viol\u00eancia de g\u00eanero e as desigualdades estruturais como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O 3\u00b0 Semin\u00e1rio Nacional da Mulher Economista e Diversidade trouxe \u00e0 tona a discuss\u00e3o sobre como a viol\u00eancia de g\u00eanero afeta diretamente a economia e a vida das mulheres no Brasil.&nbsp;O semin\u00e1rio contou com debates sobre os impactos da viol\u00eancia de g\u00eanero no PIB, no mercado de trabalho e na vida acad\u00eamica, al\u00e9m de propostas para enfrentamento e supera\u00e7\u00e3o por meio da empregabilidade e do empreendedorismo. Tamb\u00e9m destacou o painel sobre o movimento das mulheres economistas no Brasil, com um balan\u00e7o de avan\u00e7os e desafios enfrentados ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 um fen\u00f4meno estrutural, que vai al\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es interpessoais e se insere nas bases da organiza\u00e7\u00e3o social (Saffioti, 2001).&nbsp; &nbsp;Entre 2013 e 2023, 47.463 mulheres foram assassinadas no Brasil, dos quais 3.603 somente em 2023 (taxa de 3,5 por 100 mil). O risco de homic\u00eddio \u00e9 70% maior para mulheres negras (Atlas da Viol\u00eancia, IPEA\/FBSP, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>A Pesquisa de Vitimiza\u00e7\u00e3o (2025) revelou que 37,5% das mulheres sofreram algum tipo de viol\u00eancia nos \u00faltimos 12 meses, sendo a viol\u00eancia psicol\u00f3gica a mais recorrente. A pobreza tamb\u00e9m tem g\u00eanero, 32% das mulheres brasileiras vivem em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, percentual que sobe para 45% entre mulheres negras, contra 21% entre mulheres brancas (CEPAL, 2023). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 feminiza\u00e7\u00e3o da pobreza observa-se que se manifesta em m\u00faltiplas dimens\u00f5es: pobreza de tempo, sobrecarga de cuidados, monoparentalidade feminina, menor acesso a cr\u00e9dito ou cr\u00e9dito mais caro, tecnologia e educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da inser\u00e7\u00e3o em empregos informais e prec\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No Mercado de Trabalho a viol\u00eancia contra a mulher gera absente\u00edsmo, queda de produtividade e dificuldade de ascens\u00e3o, com impactos de curto e longo prazo sobre o capital humano e a renda (Carvalho &amp; Oliveira, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Assumimos como refer\u00eancia a Economia Feminista que articula ra\u00e7a, classe e g\u00eanero, valoriza epistemologias e prop\u00f5e uma abordagem interdisciplinar para compreender a viol\u00eancia em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es \u2014 dom\u00e9stica, laboral, institucional, pol\u00edtica, digital e social. Para superar esta desigualdade exige-se reconhecer a centralidade da economia do cuidado, ainda invis\u00edvel nas contas nacionais, e enfrentar as barreiras impostas \u00e0s mulheres em carreiras em ci\u00eancia, tecnologia, engenharia, matem\u00e1tica (STEM), economia, lideran\u00e7a e empreendedorismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A carga desigual de tempo de trabalho entre homens e mulheres \u00e9 expressiva. As mulheres dedicam at\u00e9 23h em m\u00e9dia de horas semanais a cuidados e afazeres dom\u00e9sticos, contra 11 horas dos homens. Essa sobrecarga limita a participa\u00e7\u00e3o plena das mulheres no mercado de trabalho e na vida pol\u00edtica. Desta forma, observamos os resultados dos efeitos macroecon\u00f4micos de longo prazo: a viol\u00eancia e a desigualdade de g\u00eanero implicam em perda de talentos, retra\u00e7\u00e3o do consumo, redu\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o fiscal e menor investimento p\u00fablico produtivo, dado o redirecionamento de recursos para sa\u00fade, assist\u00eancia e justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio equidade tamb\u00e9m no trabalho dom\u00e9stico e de cuidado, com amplia\u00e7\u00e3o, por exemplo, da licen\u00e7a paternidade e participa\u00e7\u00e3o nas atividades dom\u00e9sticas e de responsabilidade familiar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diante desse quadro, reafirmamos nosso compromisso em:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>a) Reconhecer a viol\u00eancia de g\u00eanero como entrave ao desenvolvimento, ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e \u00e0 democracia efetiva;<\/p>\n\n\n\n<p>b) Defender pol\u00edticas de cuidado com or\u00e7amento adequado, como o Plano Nacional de Cuidados e a Lei da Igualdade Salarial e Laboral;<\/p>\n\n\n\n<p>c) Garantir cr\u00e9dito justo e inclusivo \u00e0s mulheres empreendedoras, eliminando discrimina\u00e7\u00f5es que resultam em juros mais altos;<\/p>\n\n\n\n<p>d) Valorizar e contabilizar o trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado na economia brasileira;<\/p>\n\n\n\n<p>e) Promover a participa\u00e7\u00e3o feminina em espa\u00e7os de decis\u00e3o pol\u00edtica, acad\u00eamica e econ\u00f4mica, com paridade efetiva;<\/p>\n\n\n\n<p>f) Fortalecer as Comiss\u00f5es de Mulheres Economistas no Sistema Cofecon\/Corecons, ampliando redes de apoio e articula\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o exposto, a Carta de Salvador reafirma que n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento econ\u00f4mico poss\u00edvel enquanto a viol\u00eancia e a desigualdade de g\u00eanero persistirem. Cada mulher silenciada representa injusti\u00e7a social e perda econ\u00f4mica. Logo, n\u00e3o somente as mulheres devem participar dessa jornada rumo \u00e0 liberdade e equidade: faz-se necess\u00e1ria tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o ativa dos homens e todos os g\u00eaneros, juntamente com o setor p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente transformar a indigna\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas, o diagn\u00f3stico em a\u00e7\u00e3o e os custos da viol\u00eancia em investimento e igualdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento aprovado no evento ressalta import\u00e2ncia do combate \u00e0 viol\u00eancia e desigualdade de g\u00eanero, bem como da valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho de cuidado e da participa\u00e7\u00e3o feminina em espa\u00e7os de lideran\u00e7a Salvador, 04 de setembro de 2025. 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