{"id":25915,"date":"2025-08-01T15:01:00","date_gmt":"2025-08-01T18:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25915"},"modified":"2025-08-01T16:29:01","modified_gmt":"2025-08-01T19:29:01","slug":"lacerda-comenta-tarifas-de-trump-globalizacao-e-papel-do-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25915","title":{"rendered":"Lacerda comenta tarifas de Trump, globaliza\u00e7\u00e3o e papel do BRICS\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Conselheiro federal falou ao programa Fechamento, da CartaCapital, e analisou as motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s das tarifas, bem como seus impactos no com\u00e9rcio internacional, no papel do d\u00f3lar e no PIB brasileiro<\/em>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima quarta-feira (30) o presidente norte-americano Donald Trump assinou a ordem executiva impondo tarifas de 50% sobre a importa\u00e7\u00e3o de produtos brasileiros a partir de 06 de agosto \u2013 mas com quase 700 exce\u00e7\u00f5es em itens como celulose, produtos de energia e avia\u00e7\u00e3o civil, entre outros. O conselheiro federal Antonio Corr\u00eaa de Lacerda discutiu o assunto em entrevista ao programa Fechamento, da CartaCapital, que pode ser assistido clicando <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/H7Gpn-UP2fc\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Motiva\u00e7\u00f5es<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExistem v\u00e1rias motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s da postura de Trump: uma de ordem mais pol\u00edtica, porque ele quer mudar os rumos da condu\u00e7\u00e3o da economia brasileira e influenciar a elei\u00e7\u00e3o de 2026 para algu\u00e9m mais amig\u00e1vel aos interesses norte-americanos\u201d, apontou Lacerda. \u201cUma segunda motiva\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada aos interesses das big techs. A regula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em curso fere o desejo de \u2018liberdade total\u2019 que eles gostariam de ter. H\u00e1 tamb\u00e9m a articula\u00e7\u00e3o dos BRICS, que incomoda os EUA, n\u00e3o s\u00f3 pelo poder que o bloco representa em termos econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m pela proposta de alternativa ao d\u00f3lar como moeda de transa\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre este \u00faltimo item, o economista sugeriu que os pa\u00edses podem negociar em uma moeda comum de um dos pa\u00edses ou criar uma moeda fiduci\u00e1ria de refer\u00eancia para respaldar as transa\u00e7\u00f5es, sem depender do d\u00f3lar. \u201cH\u00e1 mais de 20 anos a Uni\u00e3o Europeia uma moeda alternativa ao d\u00f3lar\u201d, observou. \u201cE um quarto item, n\u00e3o menos importante, est\u00e1 associada ao pix. Ele incomoda porque \u00e9 uma alternativa aos meios de pagamentos tradicionais, que s\u00e3o dominados por empresas norte-americanas. \u00c9 um instrumento de baix\u00edssimo custo e n\u00e3o gera receitas para estas empresas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Press\u00f5es internas<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas semanas o governo Trump tem negociado com v\u00e1rios pa\u00edses e conseguido alguns acordos \u2013 o que, mesmo sendo uma vit\u00f3ria pol\u00edtica, pode n\u00e3o ser necessariamente bom para os cidad\u00e3os norte-americanos. \u201cO fato de tarifar empresas e produtos que negociam com os Estados Unidos tem um custo, que vai refletir na competitividade das empresas de l\u00e1 e tende a encarecer o custo de vida para o consumidor\u201d, argumentou Lacerda. \u201cNa crise de 1929, a resposta foi o aumento das tarifas \u2013uma trag\u00e9dia que levou o mundo a uma recess\u00e3o. Isso mostra que se aprende pouco com a hist\u00f3ria\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ilus\u00e3o de que se resolver\u00e1 o problema dom\u00e9stico com uma eleva\u00e7\u00e3o de tarifas \u00e9 um tiro no p\u00e9, que traz muito mais consequ\u00eancias negativas do que ganhos de longo prazo\u201d, prosseguiu o economista. \u201cTrump est\u00e1 sofrendo press\u00e3o de v\u00e1rios setores dom\u00e9sticos que t\u00eam seus empregos afetados, a infla\u00e7\u00e3o que passa a aumentar o custo de vida do consumidor, e esta \u00e9 uma vari\u00e1vel que ser\u00e1 levada em conta nas defini\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3ximos desdobramentos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cadeias produtivas e globaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O conselheiro federal tamb\u00e9m acredita que as cadeias produtivas internacionais mudar\u00e3o, com desdobramentos dif\u00edceis de prever. \u201cA l\u00f3gica da globaliza\u00e7\u00e3o era a do menor custo de produ\u00e7\u00e3o, com a terceiriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o buscando m\u00e3o de obra mais barata e leis ambientais mais amenas. Hoje o aquecimento global e a crise clim\u00e1tica afetam o mundo todo, tornando mais dif\u00edcil o abastecimento\u201d, analisou. \u201cA pandemia desnudou a inseguran\u00e7a de fornecimento de muitos pa\u00edses, n\u00e3o s\u00f3 no que se refere \u00e0s hifas (componentes para fabrica\u00e7\u00e3o de vacina), mas tamb\u00e9m equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual e respiradores. O Brasil pagou por equipamentos com anteced\u00eancia e n\u00e3o recebeu, porque a produ\u00e7\u00e3o foi deslocada para outros mercados. Os conflitos geopol\u00edticos tamb\u00e9m afetam as cadeias log\u00edsticas internacionais e a capacidade de fornecimento de insumos\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Consultado se este movimento seria a morte da globaliza\u00e7\u00e3o, o economista se mostrou cauteloso. \u201cEla est\u00e1 sendo fortemente questionada e isso tem precedentes hist\u00f3ricos. J\u00e1 tivemos momentos de contra\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o, seguidos de processos de expans\u00e3o. Estamos tendo claramente um momento de contra\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o significa que daqui a alguns anos o quadro n\u00e3o possa ser revertido\u201d, observou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Efeitos sobre a economia brasileira<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras estimativas quanto ao impacto das tarifas sobre a economia brasileira davam conta de uma queda de 0,4 ponto percentual no crescimento do PIB. \u201cBasicamente 40% das exporta\u00e7\u00f5es ficaram fora da tarifa. Podemos remodelar para 0,2 ponto percentual. Al\u00e9m disso, muita coisa pode mudar at\u00e9 o dia 06 de agosto e nas semanas seguintes\u201d, analisou. \u201cEspera-se algum tipo de restri\u00e7\u00e3o \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de avi\u00f5es, enquanto outras \u00e1reas podem ter melhores tarifas com uma negocia\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO impacto inflacion\u00e1rio tende a ser positivo, ou seja, deflacion\u00e1rio. V\u00e1rios itens de alimenta\u00e7\u00e3o podem ter maior oferta no mercado dom\u00e9stico, com um efeito inclusive sobre a taxa de juros e o crescimento da economia\u201d, comentou o conselheiro federal. \u201cE esta queda de pre\u00e7os n\u00e3o \u00e9 nenhum drama para o produtor: eles tiveram um ganho expressivo ao longo dos \u00faltimos anos com os pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o sendo transmitidos para o mercado dom\u00e9stico e h\u00e1 uma margem significativa de altera\u00e7\u00e3o para baixo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00edvio aos setores mais afetados<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Lacerda, alguns dos instrumentos de al\u00edvio aos setores mais afetados est\u00e3o dados pelos programas estruturantes Nova Ind\u00fastria Brasil, Plano de Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica e novo Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento, por meio do uso de cr\u00e9dito direcionado. \u201cCr\u00e9dito, financiamento e capital de giro s\u00e3o muito importantes. Al\u00e9m disso, a reprograma\u00e7\u00e3o do recolhimento dos impostos \u00e9 algo que pode dar f\u00f4lego \u00e0s empresas; e tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel conceder benef\u00edcios fiscais associados a desempenho, mantendo sal\u00e1rios e trabalhadores\u201d, vislumbra o economista. \u201cApesar das restri\u00e7\u00f5es fiscais, que s\u00e3o reais e presentes, s\u00e3o mecanismos que podem ser usados pontualmente em setores onde o impacto \u00e9 mais negativo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao uso de recursos fiscais, o conselheiro federal argumenta que n\u00e3o fazer nada pode ser mais caro. \u201cAssim como a trag\u00e9dia do Rio Grande do Sul e os impactos da Covid foram tratados de forma espacial, o tarifa\u00e7o e suas consequ\u00eancias tamb\u00e9m t\u00eam que ter um tratamento diferenciado. A ina\u00e7\u00e3o custa muito mais caro do que uma a\u00e7\u00e3o que envolva recursos fiscais\u201d, pontuou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lei de Reciprocidade Tarif\u00e1ria<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de Reciprocidade Tarif\u00e1ria pode ser uma ferramenta importante \u2013 mas n\u00e3o como resposta id\u00eantica \u00e0s tarifas. \u201c\u00c9 como um seguro de carro: voc\u00ea tem e s\u00f3 usa quando \u00e9 estritamente necess\u00e1rio\u201d, comparou Lacerda. \u201cUma reciprocidade direta seria um tiro no p\u00e9 e prejudicaria mais do que resolveria. Mas a reciprocidade n\u00e3o precisa ser com o mesmo instrumento, mas com outros, afetando determinados interesses em servi\u00e7os que voc\u00ea pode regular\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ele v\u00ea um cen\u00e1rio favor\u00e1vel para o Brasil, com empresas estrangeiras como aliadas na negocia\u00e7\u00e3o de tarifas. \u201cTemos uma boa condi\u00e7\u00e3o de sa\u00edda, do ponto de vista da estrutura de com\u00e9rcio interno. O fato de termos muitas empresas norte-americanas, europeias e asi\u00e1ticas no Brasil joga a favor\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BRICS<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia dos BRICS e a amea\u00e7a ao papel do d\u00f3lar na economia mundial tamb\u00e9m foram discutidas durante o programa Fechamento. \u201cEm termos de peso econ\u00f4mico, eles t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o no mercado mundial como a Uni\u00e3o Europeia. H\u00e1 25 anos ela substituiu o d\u00f3lar pelo euro\u201d, comentou Lacerda. \u201cEssa diminui\u00e7\u00e3o do poder do d\u00f3lar j\u00e1 vem ocorrendo. Mas temos que ser realistas: o d\u00f3lar representa a maioria das transa\u00e7\u00f5es internacionais e tem uma posi\u00e7\u00e3o significativa nas reservas cambiais dos pa\u00edses\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentando dados, no final da d\u00e9cada de 1990 as reservas cambiais somavam cerca de US$ 1 trilh\u00e3o e cerca de 80% delas (US$ 800 bilh\u00f5es) estavam definidas em d\u00f3lares; atualmente, s\u00e3o cerca de US$ 20 trilh\u00f5es em reservas, com algo entre 55% e 60% (US$ 11 a 12 trilh\u00f5es) dadas em d\u00f3lares. \u201cEle tem perdido import\u00e2ncia relativa, mas continua preponderante\u201d, constata Lacerda. \u201cN\u00e3o h\u00e1 mercados t\u00e3o substantivos quanto o da d\u00edvida norte-americana que possam substituir, no curto prazo, o d\u00f3lar. Ele perde espa\u00e7o como moeda preferencial de transa\u00e7\u00f5es, mas o processo \u00e9 mais lento como moeda preferencial de divisas\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs BRICS fazem parte de um processo de vis\u00e3o do chamado Sul Global de reordenamento para uma economia multipolar, que n\u00e3o mais aquela definida no p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, que denotava uma configura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica que prevaleceu ao longo da segunda metade do S\u00e9culo XX\u201d, prosseguiu Lacerda. \u201cHoje h\u00e1 uma nova configura\u00e7\u00e3o, com novos pa\u00edses. O BRICS \u00e9 parte deste processo, com os \u00f4nus e b\u00f4nus decorrentes, e acredito que s\u00e3o muito mais b\u00f4nus do que \u00f4nus. N\u00e3o faz sentido, dentro da estrat\u00e9gia brasileira, enfraquecer o BRICS. Temos que intensificar as rela\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, de investimentos e monet\u00e1rias\u201d.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conselheiro federal falou ao programa Fechamento, da CartaCapital, e analisou as motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s das tarifas, bem como seus impactos no com\u00e9rcio internacional, no papel do d\u00f3lar e no PIB brasileiro\u00a0 Na \u00faltima quarta-feira (30) o presidente norte-americano Donald Trump<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25915\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":25916,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,2],"tags":[],"class_list":["post-25915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cofecon-na-midia","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25915"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25917,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25915\/revisions\/25917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}