{"id":25850,"date":"2025-07-25T17:20:56","date_gmt":"2025-07-25T20:20:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25850"},"modified":"2025-07-25T17:20:57","modified_gmt":"2025-07-25T20:20:57","slug":"podcast-economistas-desindustrializacao-e-reindustrializacao-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25850","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Desindustrializa\u00e7\u00e3o e reindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Economista Silvio C\u00e1rio, professor da UFSC, fala sobre como o Brasil pretende reverter o quadro de industrializa\u00e7\u00e3o precoce apostando na sustentabilidade e no papel estrat\u00e9gico do Estado<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil vive h\u00e1 algumas d\u00e9cadas um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas industriais aplicadas desde os anos 2000 n\u00e3o puderam reverter este quadro. No ano passado, o Governo Federal apresentou uma nova pol\u00edtica industrial, o programa Nova Ind\u00fastria Brasil. Este \u00e9 o tema do podcast Economistas desta semana, que conta com a participa\u00e7\u00e3o do economista Silvio Antonio Ferraz C\u00e1rio e pode ser ouvido no player abaixo ou na sua plataforma favorita.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/profile\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/157---Desindustrializao-e-reindustrializao-do-Brasil-e3617nb\/a-ac2oa10\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>Papel da ind\u00fastria<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria desempenha um papel estrat\u00e9gico no desenvolvimento econ\u00f4mico de um pa\u00eds. Ela \u00e9 um dos principais motores de crescimento econ\u00f4mico, al\u00e9m de ser um item importante na gera\u00e7\u00e3o de divisas. Al\u00e9m disso, produtos industriais t\u00eam alto valor agregado e geram empregos de maior qualifica\u00e7\u00e3o. Uma base industrial s\u00f3lida \u00e9 muito importante para que o pa\u00eds avance na gera\u00e7\u00e3o de riqueza e no fortalecimento tecnol\u00f3gico.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ind\u00fastria \u00e9 fundamental para o crescimento do produto, da riqueza de um pa\u00eds. Quanto maior o crescimento da ind\u00fastria, maior ser\u00e1 o crescimento da riqueza nacional. O crescimento das exporta\u00e7\u00f5es conta com muita participa\u00e7\u00e3o do crescimento industrial\u201d, aponta o economista. \u201cEla tamb\u00e9m tem um papel importante no balan\u00e7o de pagamentos, gerando divisas e reservas cambiais\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desindustrializa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1990 o Brasil enfrenta um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o considerado precoce. Isso significa que a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no produto interno bruto (PIB) vem caindo de forma acelerada antes que o pa\u00eds pudesse ter alcan\u00e7ado n\u00edveis mais altos de renda per capita. Este processo tem consequ\u00eancias para a economia: com a redu\u00e7\u00e3o da base industrial, o Pa\u00eds perde a capacidade de inovar, gerar empregos qualificados e agregar valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, torna-se mais dependente da exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios, cujos pre\u00e7os s\u00e3o vol\u00e1teis e pouco estimulam o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Por este motivo, o processo vivido pelo brasil tamb\u00e9m \u00e9 chamado de reprimariza\u00e7\u00e3o da economia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso vem desde a d\u00e9cada de 1980, com a profunda crise econ\u00f4mica, com o pa\u00eds voltando-se para o pagamento da d\u00edvida externa e gerar divisas, e o Estado foi perdendo sua condi\u00e7\u00e3o de investir. Na d\u00e9cada de 1990, a abertura econ\u00f4mica e os processos de privatiza\u00e7\u00e3o foram norteadores da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, adotaram-se \u00e2ncoras monet\u00e1rias e cambiais para buscar a estabiliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os\u201d, analisa C\u00e1rio. \u201cNos anos 2000 a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica se sobrep\u00f4s \u00e0 industrial, a estabilidade era mais importante do que os projetos de longo prazo. O c\u00e2mbio continuou valorizado. A taxa de juros elevada conduziu as empresas e a pr\u00f3pria sociedade para o investimento financeiro e as estrat\u00e9gias empresariais foram muito mais defensivas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o vivido no final dos anos 80 e in\u00edcio dos anos 90 tem sido uma parte indissoci\u00e1vel do processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil. Com a estabilidade monet\u00e1ria alcan\u00e7ada com o plano real, a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica vem tendo como principal objetivo o controle da infla\u00e7\u00e3o, mas este cen\u00e1rio trouxe elementos que contribuem para inviabilizar a ind\u00fastria \u2013 como \u00e9 o caso dos juros altos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuem viveu os anos 80 sabe, chegamos a ter 1.000% de infla\u00e7\u00e3o num ano, 70% de infla\u00e7\u00e3o num m\u00eas. Agora temos 5% ao ano. E todo o processo de primazia da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica foi, em certo sentido, esmagando, cerceando e limitando a pol\u00edtica industrial\u201d, relata C\u00e1rio. \u201cMuito do que n\u00e3o se conseguiu se deveu \u00e0 supremacia da pol\u00edtica macroecon\u00f4mica inviabilizando grande parte do desenho da pol\u00edtica industrial. Hoje mesmo, com 15% de taxa de juros, qual \u00e9 o empreendimento produtivo que possibilita um retorno superior a isso?\u201d, questiona.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inova\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria ocupa um papel central em processos de inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento econ\u00f4mico e a partir dela surgem avan\u00e7os que se espalham por outros setores. Mas para estimular este setor, apenas o bom ambiente de neg\u00f3cios n\u00e3o \u00e9 suficiente. O Pa\u00eds precisa de uma pol\u00edtica industrial que leve em conta diversas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como o contexto hist\u00f3rico, a conjuntura internacional e as transforma\u00e7\u00f5es recentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ind\u00fastria \u00e9 o locus da inova\u00e7\u00e3o. A partir do seu desenvolvimento, a inova\u00e7\u00e3o se estende para outros setores, como servi\u00e7os, agricultura e com\u00e9rcio\u201d, pontua o professor. \u201cNa medida em que ela perde participa\u00e7\u00e3o, as consequ\u00eancias positivas deixam de existir. Ent\u00e3o, o Estado tem um papel importante na constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica industrial. China, Jap\u00e3o e Coreia do Sul tiveram o Estado como elemento condutor da dire\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e1rio tamb\u00e9m argumenta que a pol\u00edtica industrial precisa considerar o tempo hist\u00f3rico, a conjuntura internacional e as transforma\u00e7\u00f5es colocadas na organiza\u00e7\u00e3o produtiva mundial. \u201cTodos n\u00f3s sabemos que hoje existem as cadeias globais de valor. Qualquer produto tem componentes importados e a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais digital. Estamos vivendo um novo momento de organiza\u00e7\u00e3o tecnoprodutiva\u201d, comenta o economista. \u201cTudo isso tem que ser levado em conta por quem elabora a pol\u00edtica industrial. E ela tem que ser considerada junto com a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica, as pol\u00edticas de com\u00e9rcio, de financiamento, de promo\u00e7\u00e3o\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ressurgimento da pol\u00edtica industrial<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a pol\u00edtica industrial voltou a ganhar destaque no cen\u00e1rio internacional. Ap\u00f3s a crise de 2008, v\u00e1rios pa\u00edses come\u00e7aram a buscar solu\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas para fortalecer seus setores produtivos. Mais recentemente, a pandemia de Covid 19 e as tens\u00f5es geopol\u00edticas intensificaram ainda mais a necessidade de rever as estrat\u00e9gias de desenvolvimento industrial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, diversas na\u00e7\u00f5es t\u00eam promovido pol\u00edticas industriais ativas, com foco na reindustrializa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas. O acirramento da disputa entre china e estados unidos e o crescente protecionismo em algumas economias centrais v\u00eam acelerando o processo de mudan\u00e7as na localiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Neste sentido, o Brasil tamb\u00e9m busca retomar sua pol\u00edtica industrial, adaptando-a \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pol\u00edtica industrial est\u00e1 sendo retomada de forma significativa no mundo todo, sobretudo a partir de 2008, quando houve o auge e a crise do liberalismo. Os Estados come\u00e7aram a se voltar para dentro, fazendo pol\u00edtica industrial\u201d, afirma Silvio C\u00e1rio. \u201cCom o acirramento da concorr\u00eancia entre China e Estados Unidos e a desestrutura\u00e7\u00e3o das cadeias globais com a Covid 19, as cadeias produtivas come\u00e7aram a ser objeto de aproxima\u00e7\u00e3o dentro dos pr\u00f3prios pa\u00edses e cada um deles est\u00e1 fazendo sua pol\u00edtica industrial\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nova Ind\u00fastria Brasil<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024 o Governo Federal lan\u00e7ou o plano Nova Ind\u00fastria Brasil, uma estrat\u00e9gia de reindustrializa\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da estrutura produtiva nacional. Ele \u00e9 coordenado pelo minist\u00e9rio do desenvolvimento, ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os e foi elaborado com ampla participa\u00e7\u00e3o da sociedade, por meio do conselho nacional de desenvolvimento industrial. O plano estabelece diretrizes para uma pol\u00edtica industrial voltada \u00e0 sustentabilidade, inova\u00e7\u00e3o e competitividade. A proposta veio com um conjunto articulado de miss\u00f5es, com v\u00e1rios fatores conjugados para buscar diminuir a tend\u00eancia de desindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil e estimular o progresso t\u00e9cnico, desenvolvendo processos inovativos, gerando empregos e reposicionando o pa\u00eds no com\u00e9rcio internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o seis miss\u00f5es: cadeias agroindustriais sustent\u00e1veis, complexo econ\u00f4mico e industrial da sa\u00fade, infraestrutura (saneamento, moradia e mobilidade), transforma\u00e7\u00e3o digital da ind\u00fastria, bioeconomia\/transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e defesa nacional. Para viabilizar as metas que est\u00e3o estabelecidas, o Estado brasileiro disp\u00f5e de v\u00e1rias ferramentas. Entre elas, podemos citar o uso do Banco Nacional de Desenvolvimento econ\u00f4mico e Social, as subven\u00e7\u00f5es, o investimento p\u00fablico e os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios. O uso destas ferramentas, na vis\u00e3o do professor Silvio C\u00e1rio, j\u00e1 come\u00e7a a dar resultados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNeste primeiro ano houve um crescimento pr\u00f3ximo de 4% na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Os resultados come\u00e7am a aparecer\u201d, comenta o professor. \u201cOs investimentos exigem um tempo de matura\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 simplesmente colocar uma mat\u00e9ria-prima numa linha de produ\u00e7\u00e3o e sair produtos imediatamente na sequ\u00eancia. S\u00e3o investimentos com volumes enormes de recursos, o que exige planejamento, estrat\u00e9gias, composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, decis\u00e3o do Estado e exposi\u00e7\u00e3o empresarial. \u00c9 um processo que est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o e, pela leitura que se tem, se expressa no crescimento da ind\u00fastria j\u00e1 no ano passado\u201d.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista Silvio C\u00e1rio, professor da UFSC, fala sobre como o Brasil pretende reverter o quadro de industrializa\u00e7\u00e3o precoce apostando na sustentabilidade e no papel estrat\u00e9gico do Estado&nbsp; O Brasil vive h\u00e1 algumas d\u00e9cadas um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25850\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25818,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25850","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25850"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25850"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25858,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25850\/revisions\/25858"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}