{"id":25816,"date":"2025-07-18T16:14:35","date_gmt":"2025-07-18T19:14:35","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25816"},"modified":"2025-07-18T16:16:30","modified_gmt":"2025-07-18T19:16:30","slug":"podcast-economistas-o-papel-estrategico-dos-bancos-publicos-no-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25816","title":{"rendered":"Podcast Economistas: O papel estrat\u00e9gico dos bancos p\u00fablicos no desenvolvimento\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ernani Torres, professor da UFRJ, explica por que eles s\u00e3o fundamentais para realizar pol\u00edticas p\u00fablicas e chegar a um p\u00fablico n\u00e3o alcan\u00e7ado pelos bancos privados, com impacto na infraestrutura, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades<\/em>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais uma edi\u00e7\u00e3o do podcast Economistas! No epis\u00f3dio desta semana, o economista Ernani Torres, professor do Instituto de Economia e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Pol\u00edtica Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fala sobre a import\u00e2ncia dos bancos p\u00fablicos, que desempenham um papel estrat\u00e9gico no desenvolvimento econ\u00f4mico e social de um pa\u00eds. O podcast Economistas pode ser ouvido na sua plataforma favorita ou no player abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/profile\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/156---O-papel-estratgico-dos-bancos-pblicos-no-desenvolvimento-e35ntko\/a-ac2cbmv\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Os bancos p\u00fablicos atendem em \u00e1reas que, muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o alcan\u00e7adas pelo setor privado. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o instrumentos fundamentais na execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e financiam setores essenciais como infraestrutura, habita\u00e7\u00e3o, agricultura familiar, educa\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Por meio deles, o Estado consegue canalizar recursos para regi\u00f5es menos desenvolvidas, estimular cadeias produtivas estrat\u00e9gicas e reduzir disparidades regionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que bancos p\u00fablicos?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das d\u00favidas mais comuns quando se fala sobre bancos p\u00fablicos diz respeito \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o. Afinal de contas, se j\u00e1 existem bancos privados para prestar determinados servi\u00e7os, por que \u00e9 preciso que existam tamb\u00e9m bancos p\u00fablicos? A resposta passa pelo direcionamento de determinadas a\u00e7\u00f5es e pela escala que se pode ganhar, tornando o uso de bancos p\u00fablicos mais eficiente do que o uso de recursos or\u00e7ament\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cr\u00e9dito, em certo sentido, \u00e9 o principal instrumento que o governo tem para gerar ou tornar efetivas as pol\u00edticas que ele acha desej\u00e1veis. Ele n\u00e3o substitui o uso de recursos or\u00e7ament\u00e1rios \u2013 mas, se bem acionado, consegue atingir uma escala, volume de recursos e popula\u00e7\u00e3o muito maior do que os recursos fiscais permitem\u201d, argumenta Torres. \u201cDirecionar o cr\u00e9dito \u00e9 fazer com que o sistema financeiro coloque dinheiro, capital e investimento em setores, popula\u00e7\u00f5es e geografias que o governo acha priorit\u00e1rios \u2013 e os bancos p\u00fablicos s\u00e3o um instrumento poderos\u00edssimo de direcionamento de cr\u00e9dito. Podem concorrer com o setor privado em termos de spread, mas tamb\u00e9m podem ser instrumentos complementares\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de industrializa\u00e7\u00e3o de diversos pa\u00edses contou com o apoio dos bancos p\u00fablicos. Afinal de contas, a industrializa\u00e7\u00e3o precisa de muito mais do que vontade pol\u00edtica ou um bom ambiente de neg\u00f3cios. Um dos elementos fundamentais para que empresas possam investir em m\u00e1quinas, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o \u00e9 o cr\u00e9dito de longo prazo. Neste sentido, os bancos p\u00fablicos s\u00e3o uma pe\u00e7a-chave.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFinanciamento \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade de longo prazo. Um investidor l\u00e1 na ponta compra m\u00e1quinas e equipamentos, tem um gasto muito grande num per\u00edodo relativamente curto e precisar\u00e1 de um prazo mais longo para ter um retorno suficiente que d\u00ea lucratividade e compense o risco\u201d, observa Ernani. \u201cQuando falamos de industrializa\u00e7\u00e3o, falamos de bancos de longo prazo. Eles foram relevantes em quase todas as industrializa\u00e7\u00f5es, com exce\u00e7\u00e3o da Inglaterra e Estados Unidos, que foram processos diferentes dos demais\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Incorpora\u00e7\u00e3o de novas fun\u00e7\u00f5es<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sempre os bancos mais relevantes na industrializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o p\u00fablicos \u2013 em alguns casos, os bancos privados tiveram um papel muito importante. Em outros pa\u00edses, bancos privados foram estatizados durante as d\u00e9cadas de 1930, 1940 e 1950, dada a sua relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica. No Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) teve um papel bastante relevante.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista Ernani Torres explica que, com o avan\u00e7o do processo de industrializa\u00e7\u00e3o, os bancos p\u00fablicos acabam ganhando novas fun\u00e7\u00f5es, mas sem deixar de ter relev\u00e2ncia no financiamento da ind\u00fastria. \u201cO BNDES ocupou este papel durante o per\u00edodo mais heroico da industrializa\u00e7\u00e3o, d\u00e9cadas de 1950, 1960 e 1970. A exemplo do que aconteceu no exterior, quando o investimento industrial perde relev\u00e2ncia e a banca privada e os mercados de capitais se instalam, ele deixa um pouco de lado aquele papel inicial e ocupa posi\u00e7\u00f5es mais relevantes em outros obst\u00e1culos \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, das exporta\u00e7\u00f5es e da economia digital\u201d, aponta Torres. \u201cO Banco de Desenvolvimento da Coreia do Sul, que foi extremamente importante nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, atuou no desenvolvimento do mercado de derivativos para apoiar as exporta\u00e7\u00f5es das empresas coreanas. Mas, a despeito dessas transforma\u00e7\u00f5es, nenhum desses bancos de desenvolvimento de longo prazo deixou de manter uma atua\u00e7\u00e3o relevante no financiamento da infraestrutura e da ind\u00fastria em seus pa\u00edses\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Financiamento a pequenas e m\u00e9dias empresas<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de financiamento podem ser divididas em dois grupos, sendo um deles voltado para as atividades de desenvolvimento propriamente ditas e outro formado por bancos com perfil comercial, em concorr\u00eancia direta com bancos privados. Na Europa, em lugares como a Alemanha e os pa\u00edses n\u00f3rdicos, eles concorrem com os bancos privados em termos de spread, inova\u00e7\u00f5es, novos produtos e atendimento a pequenas e m\u00e9dias empresas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO apoio \u00e0 pequena e m\u00e9dia empresa \u00e9 uma atividade de enorme complexidade. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil em nenhum lugar. Basicamente, h\u00e1 uma popula\u00e7\u00e3o muito interior e heterog\u00eanea do ponto de vista do risco e h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es para que o financiador banc\u00e1rio atinja esta popula\u00e7\u00e3o\u201d, analisa o economista. \u201cEssas empresas, muitas vezes, t\u00eam um problema gerencial grande e misturam as finan\u00e7as familiares e as do empreendimento. A atua\u00e7\u00e3o do banco comercial, nesta \u00e1rea, se tornou mais problem\u00e1tica por causa do caminho seguido pela regula\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, com alavancagens de capital mais restritivas. Assim, o apoio ao financiamento da pequena e m\u00e9dia empresa requer institui\u00e7\u00f5es complementares, quer do ponto de vista gerencial (como o Sebrae), quer do ponto de vista do carregamento de risco\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de serem agentes financeiros, os bancos p\u00fablicos s\u00e3o instrumentos de pol\u00edtica p\u00fablica, capazes de promover o desenvolvimento econ\u00f4mico, reduzir desigualdades regionais e apoiar setores fundamentais como a infraestrutura, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a economia digital. Mesmo com a evolu\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros e a amplia\u00e7\u00e3o do setor privado, o papel dos bancos p\u00fablicos continua tendo grande import\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ernani Torres, professor da UFRJ, explica por que eles s\u00e3o fundamentais para realizar pol\u00edticas p\u00fablicas e chegar a um p\u00fablico n\u00e3o alcan\u00e7ado pelos bancos privados, com impacto na infraestrutura, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades\u00a0 Est\u00e1 no ar mais uma<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25816\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":25818,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12],"tags":[],"class_list":["post-25816","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25816"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25816"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25816\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25820,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25816\/revisions\/25820"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}