{"id":25788,"date":"2025-07-18T10:29:17","date_gmt":"2025-07-18T13:29:17","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25788"},"modified":"2025-07-18T10:35:30","modified_gmt":"2025-07-18T13:35:30","slug":"queda-do-indice-de-miseria-ampliado-indica-bases-mais-solidas-para-os-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25788","title":{"rendered":"Queda do \u00cdndice de Mis\u00e9ria Ampliado indica bases mais s\u00f3lidas para os mais pobres"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Artigo de autoria de Jo\u00e3o Hallak Neto (conselheiro do Corecon-RJ e integrante do Conselho Editorial da Revista Economistas) e Mar\u00edlia Bassetti Marcato, publicado originalmente na Folha de S.Paulo (dispon\u00edvel para assinantes <strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2025\/07\/queda-do-indice-de-miseria-ampliado-indica-bases-mais-solidas-para-os-mais-pobres.shtml?utm_source=sharenativo&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=sharenativo\">AQUI<\/a><\/span><\/strong>). Para saber mais sobre o \u00edndice de mis\u00e9ria, ou\u00e7a o podcast Economistas #61 clicando <strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><a href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=18678\">AQUI<\/a><\/span><\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores econ\u00f4micos do governo Lula 3 t\u00eam sido alvo de ceticismo por parte de cr\u00edticos, que questionam se os n\u00fameros refletem de fato a realidade vivida pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio presidente j\u00e1 manifestou preocupa\u00e7\u00e3o com essa aparente desconex\u00e3o entre estat\u00edsticas favor\u00e1veis e percep\u00e7\u00e3o popular. N\u00e3o \u00e0 toa, esse dilema coloca o governo diante de um desafio: continuar administrando crises ou avan\u00e7ar uma agenda transformadora? A resposta envolve n\u00e3o apenas t\u00e9cnica econ\u00f4mica mas tamb\u00e9m pol\u00edtica \u2014e pode definir os rumos do pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender esse cen\u00e1rio complexo, precisamos ir al\u00e9m dos indicadores tradicionais. O cl\u00e1ssico \u00cdndice de Mis\u00e9ria (soma de infla\u00e7\u00e3o e desemprego), criado por Arthur Okun, tem uma limita\u00e7\u00e3o crucial: \u00e9 simplista demais para capturar a realidade multidimensional da vida dos brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao buscar um retrato mais abrangente da realidade, Saboia e Hallak Neto (2023) desenvolveram o \u00cdndice de Mis\u00e9ria Ampliado (IMA), que sintetiza quatro dimens\u00f5es fundamentais: a infla\u00e7\u00e3o (medida pelo INPC), a subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho (que vai al\u00e9m do desemprego tradicional, incorporando os que trabalham menos horas do que o desejado e a for\u00e7a de trabalho potencial, desalentados ou n\u00e3o), a renda dos 20% mais pobres (RDPC), e o endividamento das fam\u00edlias. O resultado \u00e9 um retrato mais abrangente das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o \u2014especialmente para quem mais sofre com as crises.<\/p>\n\n\n\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o das quatro vari\u00e1veis em um indicador s\u00edntese \u00e9 realizada de forma semelhante \u00e0 feita no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. O IMA varia entre zero e 100, sendo zero a melhor situa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao bem-estar indicado pelas vari\u00e1veis econ\u00f4micas e 100 a pior.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria do IMA nos \u00faltimos 12 anos revela ciclos de avan\u00e7os e retrocessos. Entre 2012 e 2014, o \u00edndice melhorou significativamente, atingindo seu menor n\u00edvel (23 pontos), impulsionado por baixa subutiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra (15,9%), baixa propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias inadimplentes (21,7%) \u2014que atingiram os m\u00ednimos da s\u00e9rie\u2014 e renda acima da m\u00e9dia (R$ 308). Mas o bi\u00eanio 2015-2016 interrompeu essa trajet\u00f3ria, iniciando um per\u00edodo de deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pior momento veio em 2021, no auge da pandemia: com infla\u00e7\u00e3o de 10,2%, subutiliza\u00e7\u00e3o recorde (28,5%), renda em queda livre (R$ 224) e maior percentual de fam\u00edlias endividadas (28,2%), o IMA atingiu 87 pontos \u2014o n\u00edvel mais alto da s\u00e9rie. A decis\u00e3o do governo Bolsonaro de n\u00e3o prorrogar o Aux\u00edlio Emergencial naquele contexto agravou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a tomar forma em 2022, com o retorno do aux\u00edlio (que passou para R$ 600) e o in\u00edcio da melhora no mercado de trabalho. O percentual de pessoas inadimplentes, por\u00e9m, bateu recorde (32,3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023-24, o cen\u00e1rio continuou apresentando melhora: em 2023, a infla\u00e7\u00e3o recuou para 3,7% e, apesar da eleva\u00e7\u00e3o para 4,8% em 2024, permaneceu controlada; a subutiliza\u00e7\u00e3o caiu para 16,2% em 2024 (pr\u00f3ximo ao piso de 2014); a inadimpl\u00eancia tamb\u00e9m recuou (28,8% em 2024); a renda dos mais pobres atingiu R$ 382 em 2024 \u2014o maior valor da s\u00e9rie hist\u00f3rica em termos reais, ou seja, descontada a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de medidas estruturais tem contribu\u00eddo para o comportamento favor\u00e1vel do IMA: o Bolsa Fam\u00edlia fortalecido, o programa Desenrola, o reajuste real do sal\u00e1rio m\u00ednimo, o programa P\u00e9-de-Meia e o novo Cr\u00e9dito do Trabalhador. Em conjunto, s\u00e3o pol\u00edticas que atuam nos quatro pilares do IMA.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, os desafios persistem. A infla\u00e7\u00e3o ainda preocupa, apesar de parecer perder for\u00e7a no segundo semestre de 2025 em meio a eventos clim\u00e1ticos e c\u00e2mbio mais favor\u00e1veis, e o cen\u00e1rio internacional continua incerto. Mas os dados sugerem que, pela primeira vez em uma d\u00e9cada, o pa\u00eds conseguiu n\u00e3o apenas sair da crise como reconstruir bases mais s\u00f3lidas para os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio agora \u00e9 fazer com que essa melhora se estabilize e traga confian\u00e7a no futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de autoria de Jo\u00e3o Hallak Neto (conselheiro do Corecon-RJ e integrante do Conselho Editorial da Revista Economistas) e Mar\u00edlia Bassetti Marcato, publicado originalmente na Folha de S.Paulo (dispon\u00edvel para assinantes AQUI). 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