{"id":25593,"date":"2025-06-10T10:05:23","date_gmt":"2025-06-10T13:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25593"},"modified":"2025-06-13T17:14:50","modified_gmt":"2025-06-13T20:14:50","slug":"a-atualizacao-da-legislacao-profissional-do-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25593","title":{"rendered":"A atualiza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o profissional do economista"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Artigo de opini\u00e3o de Pedro Afonso Gomes*, conselheiro federal<\/em>. <em>Segundo texto integrante da s\u00e9rie intitulada Mercado de Trabalho para o Economista Profissional Liberal.<\/em> <em>Confira o primeiro artigo clicando <a href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25427\">AQUI<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Antes do PL 3.178\/2024 \u2013 Em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sabido que a Lei 1.411, regulamentadora da profiss\u00e3o do Economista, foi publicada em 13\/08\/1951, portanto h\u00e1 pouco mais de 73 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o t\u00e3o conhecida \u00e9 a luta travada pelos economistas de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve enorme resist\u00eancia de outras corpora\u00e7\u00f5es profissionais, mas os pioneiros da nossa categoria conseguiram a tramita\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de tr\u00eas projetos de lei, a fim de que ao menos um deles fosse aprovado:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Em 21\/08\/1947, o deputado Pedroso Junior (PTB-SP) apresentou o PL 618\/1947, que, ao final, restou arquivado.<\/li>\n\n\n\n<li>Em 08\/10\/1947, o deputado Berto Conde (PTB-SP) apresentou o PL 802\/1947, igualmente arquivado.<\/li>\n\n\n\n<li>Em 25\/05\/1948, o deputado Pedroso Junior (PTB-SP) apresentou o PL 367\/1948, que, finalmente, foi convertido na Lei 1.411\/1951.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>No livro \u201cHist\u00f3ria do Conselho Regional de Economia da 2\u00aa. Regi\u00e3o \u2013 S\u00e3o Paulo\u201d, republicado agora, em 3\u00aa. edi\u00e7\u00e3o, constam relatos preciosos do primeiro presidente daquele CORECON, Ubirajara Dib Zogaib, em sua posse, em 1953, sobre as pedras que foram colocadas no caminho desses projetos de lei, muito inteligentemente superadas com a elei\u00e7\u00e3o do deputado federal Fernando Ferrari (PTB-RS), economista, que levou adiante a causa, at\u00e9 conseguir a san\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o objeto central deste artigo \u00e9 o Projeto de Lei 2.367\/1970, apresentado em 27\/11\/1970 pelo deputado Santilli Sobrinho (MDB-SP), que pretendia especificar, com mais detalhes, o campo de atua\u00e7\u00e3o do economista.<\/p>\n\n\n\n<p>Note-se que, ao sancionar a lei, o presidente Get\u00falio Vargas havia vetado integralmente a reda\u00e7\u00e3o dada ao art. 2\u00ba., que permitiria outorgar o t\u00edtulo de economista a todos aqueles que j\u00e1 estivessem exercendo a profiss\u00e3o, qualquer que fosse a sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitando a dupla lacuna na lei, o deputado Santilli Sobrinho sugeriu incluir na Lei 1.411\/1951 os seguintes dispositivos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPassa a vigorar com a seguinte reda\u00e7\u00e3o o art. 2\u00ba. da Lei n<sup>o. <\/sup>1.411, de 13 de agosto de 1951:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2\u00ba. \u2013 A atividade profissional de Economista ser\u00e1 exercida, como profiss\u00e3o liberal ou n\u00e3o, mediante:<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 an\u00e1lise econ\u00f4mico-financeira para registro de sociedade por a\u00e7\u00f5es em Bolsas de Valores e para registro de sociedade de capital aberto no Banco Central do Brasil;<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 an\u00e1lise de viabilidade econ\u00f4mico-financeira em projetos de implanta\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o de empresa que requeiram concess\u00e3o de cr\u00e9ditos, recursos ou financiamentos por parte de entidades de incentivos fiscais, bancos ou institui\u00e7\u00f5es financeiras sob controle governamental;<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 lados de peritagem ou relat\u00f3rio de feitos judiciais, quando o valor da causa seja igual ou superior a duzentas vezes o sal\u00e1rio-m\u00ednimo da regi\u00e3o, que envolvam aspectos referentes a:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>c\u00e1lculo do capital ou patrim\u00f4nio de pessoas jur\u00eddicas e aspectos correlatos de avalia\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es o quotas de capital, reavalia\u00e7\u00f5es, valoriza\u00e7\u00f5es e deprecia\u00e7\u00f5es ou amortiza\u00e7\u00f5es patrimoniais;<\/li>\n\n\n\n<li>fundo de com\u00e9rcio e resultados societ\u00e1rios;<\/li>\n\n\n\n<li>arbitramento econ\u00f4mico de alugu\u00e9is e rendas;<\/li>\n\n\n\n<li>arbitramento ou fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de custo e de venda e de tarifas;<\/li>\n\n\n\n<li>pedidos de concordatas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>IV \u2013 an\u00e1lise e pesquisa de mercado interno, abrangendo:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>estudo da renda nacional e regional e sua influ\u00eancia no consumo;<\/li>\n\n\n\n<li>classifica\u00e7\u00e3o dos consumidores;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise do poder de compra;<\/li>\n\n\n\n<li>localiza\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas e dos transportes;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise da m\u00e3o-de-obra e do mercado de trabalho, exceto os aspectos ligados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do pessoal;<\/li>\n\n\n\n<li>estudo de mercados setoriais, agr\u00edcolas, industriais, comerciais, de transportes e de servi\u00e7os.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>V \u2013 an\u00e1lise e pesquisa do mercado internacional, abrangendo:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>an\u00e1lise das oportunidades de exporta\u00e7\u00e3o e das conveni\u00eancias de importa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>estudo de mercados regionais ou setoriais internacionais;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise da possibilidade de exportar tecnologia e servi\u00e7os brasileiros;<\/li>\n\n\n\n<li>c\u00e2mbio e com\u00e9rcio internacional.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>VI \u2013 an\u00e1lise de produ\u00e7\u00e3o, exceto os aspectos ligados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de pessoal e de material, abrangendo:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>an\u00e1lise de produtividade, substitui\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o de fatores e aproveitamento da capacidade ociosa;<\/li>\n\n\n\n<li>sistemas de trabalho e fixa\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>estudos de tempos e movimentos, controle do trabalho e da t\u00e9cnica de automatiza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>controle econ\u00f4mico dos estoques, lotes econ\u00f4micos de compras e de produ\u00e7\u00e3o, estoques de produ\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o das reposi\u00e7\u00f5es;<\/li>\n\n\n\n<li>programa\u00e7\u00e3o de rede de distribui\u00e7\u00e3o e armazenamento de produtos e mercadorias.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>VII \u2013 cr\u00e9dito e investimentos:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>programa\u00e7\u00e3o de investimentos, de sua rentabilidade e de sua revers\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>programa\u00e7\u00e3o de capta\u00e7\u00e3o de recursos e custos destes;<\/li>\n\n\n\n<li>organiza\u00e7\u00e3o e controle das vendas a cr\u00e9dito, exceto os aspectos ligados \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise do mercado de capitais.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>VIII \u2013 an\u00e1lise de custos, abrangendo:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>an\u00e1lise dos custos operacionais e setoriais;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise do ponto de equil\u00edbrio dos custos;<\/li>\n\n\n\n<li>programa\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o dos custos;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise das varia\u00e7\u00f5es de custos e de suas influ\u00eancias internas e externas;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise da pol\u00edtica de fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e organiza\u00e7\u00e3o de tarifas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>IX \u2013 an\u00e1lise econ\u00f4mico-financeira, abrangendo:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>programa\u00e7\u00e3o e controle or\u00e7ament\u00e1rios, exceto os aspectos ligados \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>controle da gest\u00e3o empresarial, incluindo an\u00e1lises sobre estrutura patrimonial, resultados operacionais, remunera\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o de capitais pr\u00f3prios e alheios;<\/li>\n\n\n\n<li>crescimento econ\u00f4mico da empresa e din\u00e2mica da situa\u00e7\u00e3o financeira;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise do comportamento do mercado cong\u00eanere.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>X \u2013 an\u00e1lise e estudos econ\u00f4micos da tributa\u00e7\u00e3o, abrangendo:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>efeitos s\u00f3cio-econ\u00f5micos resultantes da tributa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise comparativa dos \u00f4nus fiscais;<\/li>\n\n\n\n<li>an\u00e1lise das op\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria fiscal.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>XI \u2013 an\u00e1lise macroecon\u00f4mica, abrangendo:<\/p>\n\n\n\n<ol style=\"list-style-type:lower-alpha\" class=\"wp-block-list\">\n<li>an\u00e1lise dos reflexos da conjuntura econ\u00f4mica sobre a empresa;<\/li>\n\n\n\n<li>apura\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise dos \u00edndices da conjuntura econ\u00f4mica e dos \u00edndices de custo de vida;<\/li>\n\n\n\n<li>estudos para desenvolvimento ou programa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nacional, regional ou setorial.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Tal projeto, portanto, ampliava e especificava o campo profissional do economista, que fora fixado no regulamento anexo ao Decreto 31.794\/1952, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cArt. 3\u00ba A atividade profissional privativa do economista exercita-se, liberalmente ou n\u00e3o por estudos, pesquisas, an\u00e1lises. relat\u00f3rios, pareceres, per\u00edcias, arbitragens, laudos, esquemas ou certificados sobre os assuntos compreendidos no seu campo profissional, inclusive por meio de planejamento, implanta\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o, supervis\u00e3o ou assist\u00eancia dos trabalhos relativos As atividades econ\u00f4micas ou financeiras, em empreendimentos p\u00fablicos privados ou mistos. ou por quaisquer outros meios que objetivem, t\u00e9cnica ou cientificamente, o aumento ou a conserva\u00e7\u00e3o do rendimento econ\u00f4mico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Caso tal PL fosse aprovado, deixariam de existir d\u00favidas sobre a habilita\u00e7\u00e3o legal de o economista proceder a todo tipo de an\u00e1lise econ\u00f4mico-financeira, nos \u00e2mbitos pessoal, empresarial, setorial, regional, nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A valora\u00e7\u00e3o de bens imateriais (cotas sociais, fundo de com\u00e9rcio, clientela, processos de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o, por exemplo), para fins de valora\u00e7\u00e3o para o mercado ou em disputas judiciais \u2013 n\u00e3o se falava, ainda, em arbitragem e media\u00e7\u00e3o &#8211; do mesmo modo, de forma inquestion\u00e1vel, seria dos economistas, inclu\u00edda per\u00edcia e avalia\u00e7\u00e3o de natureza econ\u00f4mico-financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas que quisessem captar recursos no mercado (bolsa de valores) ou administrassem recursos de terceiros (bancos) ou mesmo desejassem financiamento ou benef\u00edcios p\u00fablicos (incentivos fiscais, cr\u00e9dito, etc) deveriam contar com esudo de viabilidade econ\u00f4mico-financeira feita por economista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas empresas, o estudo de produ\u00e7\u00e3o, custos, pre\u00e7os, mercado e or\u00e7amento igualmente teria que contar com a participa\u00e7\u00e3o destacada de economista.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito p\u00fablico, al\u00e9m do aspecto or\u00e7ament\u00e1rio, contribuiria o economista com a an\u00e1lise da tributa\u00e7\u00e3o, seus aspectos sociais e econ\u00f4micos e as alternativas menos custosas e mais eficazes.<\/p>\n\n\n\n<p>E outras \u00e1reas, hoje muito importantes, tamb\u00e9m contariam com o trabalho do economista, como contam, embora ainda haja um debate sobre a habilita\u00e7\u00e3o legal, em alguns pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ocorrera com o Projeto de Lei 367\/1948, tamb\u00e9m o PL 2.367\/1970 sofreu o combate de dois conselhos profissionais, alegando que o que dispunha iria afetar as prerrogativas dos profissionais que a eles eram ligados.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, no \u00e2mbito da C\u00e2mara dos Deputados, a tramita\u00e7\u00e3o foi de todo favor\u00e1vel aos anseios dos economistas e das suas entidades representativas. As Comiss\u00f5es de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a, de Trabalho e Legisla\u00e7\u00e3o Social e de Economia foram un\u00e2nimes em aprovar o projeto, sendo que, na \u00faltima, o relator foi o ent\u00e3o deputado Tancredo Neves (MDB-MG), cujo voto foi referendado em 27\/06\/1974.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em 11\/10\/1974, o ent\u00e3o presidente do COFECON, Jamil Zantut, enviou ao presidente da C\u00e2mara dos Deputados, deputado Fl\u00e1vio Marc\u00edlio (ARENA-CE), o oficio 1.313\/74, em que pedia urg\u00eancia na aprova\u00e7\u00e3o do PL 2.367\/1970, para que houvesse <em>\u201cmelhores condi\u00e7\u00f5es \u00e0s atividades dos profissionais da economia que, exercendo papel preponderante nos interesses da coletividade brasileira, pugnam pela continuidade do desenvolvimento do Brasil\u201d<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter passado pelo crivo das tr\u00eas comiss\u00f5es tem\u00e1ticas, a proposta foi rejeitada pelo Plen\u00e1rio, mediante simples pedido de um deputado e arquivado em 19\/03\/1975. E, diga-se, numa \u00e9poca em que economistas de nomeada ocupavam cargo de enorme relevo nos governos federal, estaduais e municipais. Acreditando ou n\u00e3o em for\u00e7as ocultas, vale ponderar o dito popular espanhol: \u201cNo creo en brujas, mas que las hay, las hay\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com certeza, o detalhamento das atividades profissionais do economista, naquela \u00e9poca, teria mudado o enfoque n\u00e3o apenas da categoria, como dos curr\u00edculos dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e, mais importante porque objetivo final, a condu\u00e7\u00e3o das atividades empresariais e governamentais, em benef\u00edcio da sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal n\u00e3o ocorreu e houve algumas tentativas do Sistema COFECON\/CORECON de obter o mesmo almejado no PL. 2.367\/1970, com as adapta\u00e7\u00f5es que o tempo atual exige, a \u00faltima delas do PLS 0658\/2007, que, ap\u00f3s 11 anos de tramita\u00e7\u00e3o e muitos bloqueios de entidades outras, restou arquivado definitivamente no Senado Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma contenda que se iniciou h\u00e1 94 anos, exatamente no dia 30\/06\/1931, quando publicado o Decreto 20.158, criando o curso superior que concedia ao concluinte o diploma de Bacharel em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira turma de Bachar\u00e9is em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas em solo bandeirante, formada pela Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas de S\u00e3o Paulo (hoje FECAP) em 1934, criou o Sindicato dos Economistas no Estado de S\u00e3o Paulo, em 11\/01\/1935, ainda com o nome de Ordem dos Economistas de S\u00e3o Paulo, alterado quatro meses ap\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 pelo Decreto-Lei 7.988, de 22\/09\/1945, com a cria\u00e7\u00e3o do grau de Bacharel em Ci\u00eancias Cont\u00e1beis e Atuarias, a profiss\u00e3o de Contador passou a ser de n\u00edvel superior, como j\u00e1 o era a do Economista.<\/p>\n\n\n\n<p>As li\u00e7\u00f5es do passado servem para o presente e o futuro da profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqueles que dependem ou depender\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o profissional devem colocar-se a postos, como se fez, segundo o relato do deputado Fernando Ferrari, ap\u00f3s arquivamento de um anteprojeto, em 1945, nos escaninhos dos minist\u00e9rios do Trabalho:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFace o sil\u00eancio do Poder P\u00fablico, os estudantes de Economia e Finan\u00e7as, em todas as escolas superiores do pa\u00eds, e os bachar\u00e9is, reiniciaram a campanha com redobrado ardor. Todas as tribunas universit\u00e1rias da P\u00e1tria repetiram o brado de luta. Era inconceb\u00edvel que se pudesse mandar para as faculdades centenas e centenas de acad\u00eamicos sem que estes soubessem, pelo menos, o que fariam depois de formados\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se o Economista deixa-se acomodar com o que tem, em termos de mercado de trabalho, e n\u00e3o percebe o quanto poderia, com sua compet\u00eancia, contribuir para a vida econ\u00f4mica &#8211; em especial no que se refere \u00e0 atividade produtiva que leva ao desenvolvimento \u2013 n\u00e3o ser\u00e3o outros que pedir\u00e3o em seu favor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 guisa de conclus\u00e3o, embora sempre estejamos em caminho, trecho do discurso de Ubirajara Dib Zogaib, em sua posse como presidente do CORECON-SP, em 16\/11\/1953:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe agora em diante, ningu\u00e9m poder\u00e1 intitular-se economista sem que esteja devidamente registrado e, portanto, sujeito \u00e0s penalidades previstas na lei, por dolo, m\u00e1 f\u00e9, fraude ou incompet\u00eancia profissional. De agora em diante, estar\u00e1 a classe preparada para a sua grande miss\u00e3o, humana e generosa, de lutar com afinco e com efici\u00eancia pela eleva\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o de vida dos brasileiros. Estar\u00e3o unidos os economistas numa luta nova, de liberta\u00e7\u00e3o do povo da mis\u00e9ria, caminhando da atual predominante economia de escassez para uma aspirada e poss\u00edvel economia de abund\u00e2ncia, em que os homens, despreocupados das necessidades materiais, poder\u00e3o al\u00e7ar-se \u00e0s elevadas cogita\u00e7\u00f5es espirituais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>*<em>Conselheiro efetivo do Conselho Federal de Economia (Cofecon), ex-presidente do Conselho Regional de Economia da 2\u00aa Regi\u00e3o (Corecon-SP) e ex-presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de S\u00e3o Paulo (Sindecon-SP)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de opini\u00e3o de Pedro Afonso Gomes*, conselheiro federal. Segundo texto integrante da s\u00e9rie intitulada Mercado de Trabalho para o Economista Profissional Liberal. Confira o primeiro artigo clicando AQUI. Antes do PL 3.178\/2024 \u2013 Em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional \u00c9<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25593\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25596,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-25593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25593"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25593"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25608,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25593\/revisions\/25608"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}