{"id":25556,"date":"2025-05-31T11:06:22","date_gmt":"2025-05-31T14:06:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25556"},"modified":"2025-05-31T11:58:52","modified_gmt":"2025-05-31T14:58:52","slug":"andre-roncaglia-choque-tarifario-impoe-ajuste-fiscal-mais-forte-aos-paises-emergentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25556","title":{"rendered":"Andr\u00e9 Roncaglia: choque tarif\u00e1rio imp\u00f5e ajuste fiscal mais forte aos pa\u00edses emergentes"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Economista falou em evento promovido pelo Cofecon e Corecon-DF, com apoio de universidades do Distrito Federal e analisou a reconfigura\u00e7\u00e3o da economia internacional ap\u00f3s as tarifas de Trump<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Universidade de Bras\u00edlia recebeu nesta quinta-feira (29) um debate promovido pelo Cofecon e pelo Corecon-DF com o economista Andr\u00e9 Roncaglia, diretor-executivo do Fundo Monet\u00e1rio Internacional. O tema foi \u201cNova ordem internacional e o choque tarif\u00e1rio: impactos sobre os pa\u00edses emergentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um momento muito rico, quando reunimos uma mesa com tanta representa\u00e7\u00e3o de universidades. Este debate \u00e9 muito oportuno e importante, afeta nossas vidas e os pa\u00edses em desenvolvimento. Agrade\u00e7o ao professor Roncaglia por vir discutir este tema, para tentarmos encontrar um caminho que seja bom para os pa\u00edses emergentes\u201d, expressou a presidenta do Cofecon, Tania Cristina Teixeira.<\/p>\n\n\n\n<a data-flickr-embed=\"true\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/202978729@N08\/albums\/72177720326522333\" title=\"Evento &quot;Nova ordem internacional e o choque tarif\u00e1rio&quot;, com o Econ. Andr\u00e9 Roncaglia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/live.staticflickr.com\/65535\/54556571989_2632fea04c_z.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" alt=\"Evento &quot;Nova ordem internacional e o choque tarif\u00e1rio&quot;, com o Econ. Andr\u00e9 Roncaglia\"\/><\/a><script async src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A presidenta do Corecon-DF, Luciana Acioly, destacou o momento de mudan\u00e7as vivido pelo mundo: \u201cEstamos vendo a ascens\u00e3o de novos polos de poder e o enfraquecimento do multilateralismo, choques de ofertas globais e outros temas que t\u00eam desafiado a interpreta\u00e7\u00e3o do mundo em que vivemos. A partir de sua posi\u00e7\u00e3o no Fundo Monet\u00e1rio Internacional, Roncaglia tem uma vis\u00e3o privilegiada destas transforma\u00e7\u00f5es\u201d, comentou a economista.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Adriana Amado, da Universidade de Bras\u00edlia, falou sobre o papel da universidade ao sediar o debate. \u201cEventos como este s\u00e3o parte da miss\u00e3o da Universidade e sua intera\u00e7\u00e3o com a sociedade\u201d, pontuou a professora. \u201cDarcy Ribeiro dizia que a Universidade precisa fazer jus \u00e0 miss\u00e3o fundamental de interagir e dar solu\u00e7\u00f5es para problemas reais e concretos do Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contexto do an\u00fancio das tarifas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Roncaglia iniciou sua palestra caracterizando a economia global antes das tarifas anunciadas por Donald Trump. \u201cOs \u00edndices de desemprego estavam voltando aos patamares pr\u00e9-pandemia, a economia global vinha se aquecendo, inclusive no caminho de uma press\u00e3o inflacion\u00e1ria e os bancos centrais, de maneira dessincronizada mundo afora, come\u00e7aram a subir as taxas de juros\u201d, observou. \u201cO problema \u00e9 que as economias estavam com dificuldade de retomar o patamar de renda e crescimento pr\u00e9-pandemia, ent\u00e3o j\u00e1 existia um desgaste nos sistemas econ\u00f4micos que n\u00e3o conseguiam retomar sua produtividade, com exce\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais pot\u00eancias est\u00e3o com dificuldade de sustentar sua produtividade e garantir o emprego e a estabilidade social. \u201cEles come\u00e7am a procurar suspeitos pela sua dificuldade. E, em geral, quem \u00e9 chamado para sustentar a atividade s\u00e3o os governos. A economia mundial vai desacelerando e o papel dos governos vai crescendo\u201d, pontuou. \u00c9 neste contexto que surgem as tarifas de Donald Trump. \u201cVivemos uma economia de baixo crescimento e alto endividamento, com alto custo de rolagem da d\u00edvida e dificuldade para cumprir os pagamentos do servi\u00e7o de juros. \u00c9 a primeira vez que vemos um mundo t\u00e3o pressionado por taxas de juros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Efeitos das tarifas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As tarifas, para o economista, s\u00e3o \u201cbaseadas numa regra questionada, com um princ\u00edpio d\u00fabio e impactos ainda piores de se prever do ponto de vista das redes de com\u00e9rcio. Com tamanha incerteza, todo c\u00e1lculo econ\u00f4mico fica prejudicado, causando dificuldade para a aloca\u00e7\u00e3o de capital no mundo\u201d. Tamb\u00e9m apontou alguns efeitos sobre PIB e infla\u00e7\u00e3o no mundo, sendo dif\u00edcil quantificar. \u201cCom os modelos do FMI, se prev\u00ea uma retra\u00e7\u00e3o da atividade em praticamente todas as regi\u00f5es, com alguns destaques positivos. Pa\u00edses como o Brasil podem at\u00e9 se sair bem por um redirecionamento do com\u00e9rcio, mas \u00e9 dif\u00edcil saber quanto vai durar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do governo norte-americano, a vis\u00e3o dominante \u00e9 que os Estados Unidos sofrem concorr\u00eancia de v\u00e1rios pa\u00edses \u2013 sendo \u201cexplorados\u201d por quem tem superavit comercial. Isso geraria uma press\u00e3o sobre o d\u00f3lar como ativo seguro, tornando as importa\u00e7\u00f5es mais caras, aumentando a d\u00edvida e fazendo com que o governo tenha que gastar mais para sustentar a atividade econ\u00f4mica. Neste sentido, os Estados Unidos buscariam um d\u00f3lar mais fraco. Com as tarifas, para acessar o mercado americano, seria necess\u00e1rio produzir dentro dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara atingir este resultado, \u00e9 preciso reindustrializar os Estados Unidos. N\u00e3o est\u00e1 claro se \u00e9 uma atualiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ou a retomada de uma vis\u00e3o do p\u00f3s-guerra de uma atividade densa em combust\u00edveis f\u00f3sseis, que \u00e9 uma importante base de apoio de Trump\u201d, apontou Roncaglia. Outra ferramenta \u00e9 fazer os acordos de tarifas obrigando os pa\u00edses a comprarem d\u00edvida p\u00fablica americana com uma taxa de juros menor que a de mercado. \u201cN\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio da China porque, neste caso, vem de outro lugar\u201d, brincou o economista. \u201cO efeito significativo das tarifas \u00e9 gerar uma amea\u00e7a sobre os pa\u00edses para eles comprarem um lugar na fila. Na minha primeira entrevista sobre o assunto, falei assim: s\u00e3o mais de 190 pa\u00edses, um presidente e um secret\u00e1rio do Tesouro. Eles n\u00e3o atendem ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Efeitos sobre o Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para um pa\u00eds emergente como o Brasil, h\u00e1 crescimento da d\u00edvida p\u00fablica num prazo curto e redu\u00e7\u00e3o de gasto p\u00fablico (para manter a estabilidade da d\u00edvida). A infla\u00e7\u00e3o cai, depois volta a crescer. A taxa de juros de longo prazo cresce no curto prazo, depois se estabiliza. \u201cAs economias emergentes em desenvolvimento t\u00eam que reduzir mais o gasto para poder equilibrar suas contas. Elas perdem receita no curto prazo e, quando retomam, seu ganho \u00e9 moderado. Esse choque imp\u00f5e aos pa\u00edses um ajuste fiscal mais forte, que vai afetar primeiro o gasto social. Ali\u00e1s, os investimentos p\u00fablicos tendem a cair de maneira persistente, assim como os subs\u00eddios que podem, por exemplo, levar \u00e0 inova\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Roncaglia tamb\u00e9m apontou que a volatilidade financeira \u00e9 negativa para quem exporta commodities. \u201cO Brasil consegue segurar por meio de uma diversifica\u00e7\u00e3o e aumento de volume, mas muitas economias n\u00e3o conseguem\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 Roncaglia \u00e9 graduado e mestre em economia pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo e doutor pela Universidade de S\u00e3o Paulo. Foi professor em diversas universidades \u2013 entre elas, a Universidade de Bras\u00edlia, que sediou o evento \u2013 e \u00e9 autor de v\u00e1rios livros. Em 2024 foi premiado pelo Cofecon com o t\u00edtulo de Personalidade Econ\u00f4mica do Ano. \u00c9 autor e coautor de v\u00e1rios livros, entre eles Bidenomics nos Tr\u00f3picos, Poder e Desigualdade e Brasil, Uma Economia que N\u00e3o Aprende. Este \u00faltimo foi escrito com Paulo Gala e conquistou o primeiro lugar no Pr\u00eamio Brasil de Economia de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rio do mediador<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao fazer seu coment\u00e1rio ap\u00f3s a palestra, o economista e conselheiro federal Antonio Corr\u00eaa de Lacerda, mediador do debate, destacou a import\u00e2ncia econ\u00f4mica do momento atual. \u201cDigo aos estudantes de economia, n\u00f3s estamos assistindo \u00e0 ruptura econ\u00f4mico-financeira de paradigmas que est\u00e3o presentes na economia mundial h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas. A ordem econ\u00f4mica estabelecida foi definida em Bretton Woods. O mundo viveu 30 anos de forte crescimento at\u00e9 que, nos anos 70, houve a ruptura unilateral dos Estados Unidos. A despeito dos problemas, o d\u00f3lar seguiu sendo a moeda de refer\u00eancia internacional\u201d, apontou Lacerda. Ele tamb\u00e9m citou quatro eventos que est\u00e3o alterando a globaliza\u00e7\u00e3o: a pandemia de Covid-19, a crise clim\u00e1tica, os conflitos geopol\u00edticos e a guerra tarif\u00e1ria. \u201cEles est\u00e3o provocando um verdadeiro reordenamento da produ\u00e7\u00e3o industrial. Para os pa\u00edses em desenvolvimento, inclusive o Brasil, isso representa um desafio imenso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Opini\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O professor Riezo Almeida, do IESB, destacou a atualidade do debate. \u201cComo economista de n\u00edvel mundial, o professor Roncaglia trouxe aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas na nossa economia brasileira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jo\u00e3o Gabriel de Ara\u00fajo, do Ibmec, o debate cumpriu com todos os objetivos. \u201cApresentou de forma muito efetiva a realidade dos pa\u00edses emergentes com respeito \u00e0 din\u00e2mica p\u00f3s-pandemia. O evento contribuiu efetivamente para a compreens\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o global que tem ocorrido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Rafael Ferraz, professor da Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia, o debate \u201ctraz uma diversidade de vozes e apresenta aos alunos v\u00e1rias vis\u00f5es sobre os eventos recentes, al\u00e9m de mostrar a import\u00e2ncia do instrumental que se aprende no curso de economia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora acad\u00eamica da UIPS, Ana Luiza Fernandes Mendes, destacou a import\u00e2ncia de apoiar institucionalmente o debate. \u201cA UPIS formou cerca de 2 mil economistas desde a d\u00e9cada de 1990. S\u00e3o profissionais que importam muito para a sociedade, principalmente na concep\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoio institucional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O evento contou com o apoio institucional da Universidade de Bras\u00edlia, da Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia, do Instituto de Ensino Superior de Bras\u00edlia (IESB), do Ibmec, do Centro Universit\u00e1rio UDF, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e da Uni\u00e3o Pioneira de Integra\u00e7\u00e3o social, al\u00e9m do Corecon Acad\u00eamico e da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Estudantes de Economia (Feneco).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economista falou em evento promovido pelo Cofecon e Corecon-DF, com apoio de universidades do Distrito Federal e analisou a reconfigura\u00e7\u00e3o da economia internacional ap\u00f3s as tarifas de Trump A Universidade de Bras\u00edlia recebeu nesta quinta-feira (29) um debate promovido pelo<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25556\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25557,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-25556","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25556"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25556"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25556\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25561,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25556\/revisions\/25561"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25557"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}