{"id":25545,"date":"2025-05-30T17:50:04","date_gmt":"2025-05-30T20:50:04","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25545"},"modified":"2025-07-25T16:39:06","modified_gmt":"2025-07-25T19:39:06","slug":"clovis-cavalcanti-estamos-destruindo-a-natureza-de-forma-insustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25545","title":{"rendered":"Podcast Economistas: Clovis Cavalcanti &#8211;  \u201cEstamos destruindo a natureza de forma insustent\u00e1vel\u201d\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Pioneiro da economia ecol\u00f3gica no Brasil abordou o papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos contempor\u00e2neos e da COP30. Fala do economista pode ser ouvida no podcast Economistas ou no canal do Cofecon no YouTube<\/em>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O Conselho Federal de Economia realizou na \u00faltima quarta-feira (28) o semin\u00e1rio \u201cO papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos contempor\u00e2neos: desenvolvimento e natureza\u201d. O evento aconteceu de forma virtual e contou com a presen\u00e7a do economista Clovis Cavalcanti, tendo Marcus Eduardo de Oliveira como mediador. O debate \u00e9 o tema do podcast Economistas desta semana, que pode ser ouvido na sua plataforma favorita ou no player abaixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/150---Clovis-Cavalcanti-Estamos-destruindo-a-natureza-de-forma-insustentvel-e33jedf\/a-abvla40\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, diversos pesquisadores t\u00eam se dedicado a estudar de forma mais precisa o impacto das atividades humanas sobre os ecossistemas. Uma das abordagens mais influentes \u00e9 a que busca quantificar o consumo dos recursos naturais em compara\u00e7\u00e3o com a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o do planeta. Dentro deste contexto surge a economia ecol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos destruindo a natureza de uma forma insustent\u00e1vel. \u00c9 isso que percebemos atrav\u00e9s de um conceito desenvolvido por um economista ecol\u00f3gico, William Rees, da Universidade da Columbia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, que \u00e9 o conceito da pegada ecol\u00f3gica\u201d, comentou Cavalcanti. \u201cRees compara a pegada ecol\u00f3gica com a biocapacidade. Estamos numa situa\u00e7\u00e3o em que a biocapacidade \u00e9 ultrapassada em mais de 70%. Estamos explorando a Terra al\u00e9m dos seus limites. E entre outras coisas que acontecem, est\u00e1 a quest\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 faz algum tempo que a preocupa\u00e7\u00e3o com a crise ambiental ultrapassou as fronteiras da ci\u00eancia e adentrou outros campos, como o da pol\u00edtica. Nos \u00faltimos anos, diversas lideran\u00e7as pol\u00edticas passaram a defender a quest\u00e3o ecol\u00f3gica, reconhecendo a gravidade do momento. Na \u00faltima d\u00e9cada, a enc\u00edclica Laudato Si, do Papa Francisco, chamou a aten\u00e7\u00e3o do mundo para a conex\u00e3o entre a justi\u00e7a social, o cuidado com o planeta e a espiritualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um documento brilhante combinando religi\u00e3o e ci\u00eancia. A base cient\u00edfica \u00e9 muito s\u00e9ria, porque ele se baseou em um workshop organizado pelas Pontif\u00edcias Academias de Ci\u00eancias e de Ci\u00eancias Sociais do Vaticano um ano antes, fornecendo os elementos cient\u00edficos para que ele redigisse a sua enc\u00edclica ecol\u00f3gica\u201d, comentou o economista. \u201cEla foi muito importante, publicada em maio de 2015. Em novembro houve a COP de Paris que teve, como resultado, o Acordo de Paris\u201d, completou, em refer\u00eancia ao encontro no qual foram tra\u00e7ados os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista tamb\u00e9m contou uma hist\u00f3ria interessante de quando esteve com o Papa Francisco e falou ao pont\u00edfice sobre economia ecol\u00f3gica. \u201cQuando o cumprimentei, falei que estava ali como presidente da Sociedade Internacional de Economia Ecol\u00f3gica. E ele ent\u00e3o me perguntou o que \u00e9 economia ecol\u00f3gica. Fiquei surpreso, n\u00e3o imaginei que pudesse suscitar o interesse dele. E eu respondi: \u00e9 o que constitui a ess\u00eancia da sua enc\u00edclica Laudato Si\u201d, contou Clovis. \u201cEle deu um sorriso e falou: ent\u00e3o vamos trabalhar juntos para promover a minha enc\u00edclica. E criamos um grupo dentro da Sociedade, nos reunimos quinzenalmente, pessoas de diferentes partes do mundo, para assessorar o Vaticano\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Clovis Cavalcanti tamb\u00e9m explica que a economia ecol\u00f3gica surge como uma resposta \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do modelo econ\u00f4mico tradicional, colocando a sustentabilidade no centro das decis\u00f5es econ\u00f4micas. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas esse campo se consolidou com base em contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas robustas e no engajamento de estudiosos comprometidos com o futuro do planeta. Clovis foi um dos pioneiros da \u00e1rea no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEconomia ecol\u00f3gica n\u00e3o significa abandonar o que os economistas sempre pensaram. A economia ecol\u00f3gica \u00e9 a vis\u00e3o ecol\u00f3gica da economia. Significa submeter o processo econ\u00f4mico \u00e0s leis natureza, \u00e0s leis f\u00edsicas e biol\u00f3gicas\u201d, comentou Cavalcanti. \u201c\u00c9 a\u00ed que entra o pensamento do grande inspirador da economia ecol\u00f3gica, o romeno Nicolas Georgescu-Roegen, que escreveu um livro fant\u00e1stico chamado A Lei da Entropia e o Processo Econ\u00f4mico. Esse livro foi o que me motivou a tornar-me economista ecol\u00f3gico. Convivi com Georgescu quando fui professor visitante na Universidade Vanderbilt\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o economista Celso Furtado tamb\u00e9m deu uma grande contribui\u00e7\u00e3o a esta \u00e1rea, com a publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cO Mito do Desenvolvimento Econ\u00f4mico\u201d no ano de 1974. O livro questiona os fundamentos do modelo de crescimento baseado na expans\u00e3o ilimitada do consumo e da produ\u00e7\u00e3o, alertando para os limites ecol\u00f3gicos do planeta e para as contradi\u00e7\u00f5es sociais do desenvolvimento da forma como foi concebido pelos pa\u00edses industrializados. Sua reflex\u00e3o foi pioneira ao antecipar debates que hoje est\u00e3o no centro das preocupa\u00e7\u00f5es globais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos fugir do fato de que o aquecimento global vai levar o planeta ao colapso\u201d, apontou o economista. \u201cCelso Furtado, de certa forma, tratava disso no seu livro O Mito do Desenvolvimento econ\u00f4mico, quando n\u00e3o se falava ainda em mudan\u00e7a clim\u00e1tica. No entanto, o aviso de Celso Furtado no livro foi com rela\u00e7\u00e3o ao sobreconsumo dos recursos da natureza, que \u00e9 exatamente a quest\u00e3o da pegada ecol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 biocapacidade do planeta\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se aproximar a 30\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, a COP30, a vis\u00e3o de Clovis n\u00e3o \u00e9 otimista. Ele cita a opini\u00e3o do professor Luiz Marques, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apontando que o Brasil est\u00e1 amea\u00e7ado de perder o papel que deveria ter como l\u00edder global de uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. \u201cA conclus\u00e3o de Luiz Marques \u00e9 de que o mundo real mostra uma situa\u00e7\u00e3o em que estamos cada vez mais caminhando na dire\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, que \u00e9 o contr\u00e1rio do que o Acordo de Paris sugere. E \u00e9 interessante como h\u00e1 um esfor\u00e7o grande para explorar a chamada margem equatorial da foz do Amazonas. Isso \u00e9 contr\u00e1rio ao que pensam os cientistas, os ambientalistas e os povos tradicionais\u201d, lamenta Clovis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clovis Cavalcanti<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Clovis Cavalcanti \u00e9 graduado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Economia pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV\/RJ) e mestrado pela universidade de Yale, nos Estados Unidos. Ele \u00e9 professor da UFPE, pesquisador em\u00e9rito da funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco e presidente de honra da Sociedade Brasileira de Economia Ecol\u00f3gica, al\u00e9m de ter sido presidente tamb\u00e9m da Sociedade Internacional de Economia Ecol\u00f3gica. Ele tamb\u00e9m \u00e9 autor e coautor de v\u00e1rios livros e introdutor do conceito de <em>ethnoeconomics<\/em>, um campo interdisciplinar que estuda a forma como diferentes grupos \u00e9tnicos, culturais ou tradicionais organizam e vivem suas pr\u00e1ticas econ\u00f4micas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O semin\u00e1rio \u201cO papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos contempor\u00e2neos: desenvolvimento e natureza\u201d pode ser assistido na \u00edntegra no canal do Cofecon no YouTube.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"O papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos contempor\u00e2neos: desenvolvimento e natureza\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RQgKGZq8JjM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pioneiro da economia ecol\u00f3gica no Brasil abordou o papel do Brasil diante dos desafios clim\u00e1ticos contempor\u00e2neos e da COP30. 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