{"id":25135,"date":"2025-03-14T18:00:06","date_gmt":"2025-03-14T21:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25135"},"modified":"2025-03-14T18:00:48","modified_gmt":"2025-03-14T21:00:48","slug":"podacst-economistas-o-protagonismo-feminino-na-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25135","title":{"rendered":"Podacst Economistas: O protagonismo feminino na economia\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Primeiro epis\u00f3dio da quinta temporada destaca a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos cursos de ci\u00eancias econ\u00f4micas e no mercado de trabalho, bem como a luta por equidade de g\u00eanero&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 no ar mais uma edi\u00e7\u00e3o do podcast Economistas, a primeira da quinta temporada, e o tema desta vez \u00e9 o protagonismo feminino na economia, em linha com a campanha pela valoriza\u00e7\u00e3o da profissional economista, realizada pela Comiss\u00e3o Mulher Economista e Diversidade, coordenada pela conselheira Teresinha de Jesus Ferreira da Silva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado de trabalho vem passando por mudan\u00e7as significativas, mas a presen\u00e7a feminina ainda enfrenta desafios. No podcast Economistas desta semana, Jana\u00edna Alves, Beatriz Barros, Michele Aracaty e Janine Alves falam sobre o protagonismo das mulheres na economia, a import\u00e2ncia da equidade de g\u00eanero e as barreiras que ainda precisam ser superadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7a o podcast Economistas desta semana no seu agregador de podcast favorito ou no player abaixo:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/141---O-protagonismo-feminino-na-economia-e306a8q\/a-abr5igd\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n\n\n\n<p><strong>Aproximar o curso de ci\u00eancias econ\u00f4micas das mulheres<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP) mostram que, entre os concluintes dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, a maioria \u00e9 composta por mulheres. Nos cursos de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, entretanto, a realidade \u00e9 outra: a propor\u00e7\u00e3o de mulheres entre os concluintes \u00e9 de cerca de 40%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo panorama geral da educa\u00e7\u00e3o superior brasileira as mulheres t\u00eam sido maioria. Segundo o INEP, s\u00e3o 59% dos concluintes do ensino superior, embora no curso de economia esta realidade seja diferente\u201d, comenta a economista e professora Jana\u00edna Alves, citando estudos acad\u00eamicos a respeito. \u201cH\u00e1 uma maior concentra\u00e7\u00e3o feminina em \u00e1reas de ci\u00eancias humanas e da sa\u00fade. Cursos como pedagogia e enfermagem s\u00e3o predominantemente femininos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca do curso de economia, Janaina mencionou que \u201c\u00e9 considerado dif\u00edcil, porque tem a matem\u00e1tica, a estat\u00edstica, a parte hist\u00f3rica. Precisamos informar mais as mulheres sobre o curso de economia, a riqueza, trazer uma vis\u00e3o global sobre este curso que proporciona uma forma\u00e7\u00e3o bem diversa e interessante. Precisamos traz\u00ea-lo mais para o contexto das mulheres\u201d. A economista tamb\u00e9m observa que \u201c\u00e9 importante desconstruir esta imagem masculina e trazer para as meninas, no ensino m\u00e9dio, a import\u00e2ncia da mulher na economia. N\u00e3o \u00e9 um curso de exatas, nem puramente hist\u00f3rico, mas que alia todas essas ferramentas, de cunho quantitativo, qualitativo e hist\u00f3rico\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existem setores da economia que t\u00eam pouca participa\u00e7\u00e3o feminina. Um deles \u00e9 a ind\u00fastria, no qual as mulheres s\u00e3o apenas um quarto do total de empregados. Segundo dados da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), seis em cada dez empresas do setor possuem programas ou pol\u00edticas voltadas para a igualdade de g\u00eanero. Empresas que adotam a diversidade e a inclus\u00e3o se tornam mais inovadoras e din\u00e2micas, al\u00e9m de possu\u00edrem um melhor clima organizacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 not\u00f3rio que a participa\u00e7\u00e3o feminina na ind\u00fastria tem crescido, mas ainda enfrentamos desafios significativos. Embora haja um aumento no n\u00famero de mulheres em fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, em \u00e1reas tradicionalmente dominadas por homens, como tecnologia, engenharia, matem\u00e1tica, a igualdade de g\u00eanero ainda n\u00e3o foi plenamente atingida\u201d, aponta a economista Beatriz Barros, coordenadora da Comiss\u00e3o de Assuntos \u00c9tnico-Raciais do Corecon-MG. Em cargos de lideran\u00e7a, as mulheres eram 24% em 2008 e 32% em 2021. \u201cMas h\u00e1 problemas que n\u00e3o foram resolvidos. Muitas mulheres ainda enfrentam barreiras no acesso a oportunidades de emprego e promo\u00e7\u00e3o, devido a preconceitos e estere\u00f3tipos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recorte de ra\u00e7a<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se aplica um recorte de ra\u00e7a \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero, as mulheres negras t\u00eam menor participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e taxas de desemprego mais altas que os demais grupos demogr\u00e1ficos. \u201cAs lutas enfrentadas pelas mulheres negras diferem significativamente das enfrentadas pelas brancas, especialmente no nosso contexto brasileiro\u201d, comenta Beatriz. \u201cO acesso a educa\u00e7\u00e3o e empregos dignos foi historicamente negado a elas \u2013 que, muitas vezes, eram relegadas a trabalhos dom\u00e9sticos e de servid\u00e3o. Apesar da melhoria na escolaridade das mulheres negras, a desigualdade racial na educa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 significativa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das mulheres brancas, cerca de 28% possuem ensino superior, contra 14,7% das negras. Al\u00e9m disso, quase 48% das mulheres negras ocupadas estavam em situa\u00e7\u00f5es informais. \u201cMesmo com todas essas barreiras sociais impostas, elas desempenharam e continuam desempenhando um papel vital na luta por direitos e reconhecimento\u201d, observa a economista. \u201cElas transcenderam essas limita\u00e7\u00f5es e deixaram legados em diversas \u00e1reas, e s\u00e3o exemplos inspiradores de for\u00e7a, dignos de ser celebrados. Sua hist\u00f3ria deve ser contada como parte integrante da narrativa do desenvolvimento nacional\u201d.&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres na Amaz\u00f4nia<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na Amaz\u00f4nia, a evas\u00e3o escolar \u00e9 um indicador que reflete a desigualdade de g\u00eanero. Ela \u00e9 maior entre as mulheres, que muitas vezes abandonam os estudos para se dedicar ao cuidado de familiares. Esta realidade cria dificuldades para a popula\u00e7\u00e3o feminina da regi\u00e3o no mercado de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDadas as peculiaridades log\u00edsticas e infraestruturais, s\u00e3o elas quem mais abandonam a escola, seja para se dedicar aos cuidados de familiares (idosos ou acamados), seja para gestar seus filhos em uma gravidez precoce, que \u00e9 a realidade regional\u201d, explica a economista Michele Aracaty, presidente do Corecon-AM\/RR e professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). \u201cAs amaz\u00f4nidas t\u00eam um cuidado especial com a natureza, o que garante a conserva\u00e7\u00e3o da floresta, o bem-estar e a pr\u00f3pria exist\u00eancia da sua comunidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas mulheres guerreiras da floresta s\u00e3o respons\u00e1veis pelo ativismo e lideran\u00e7a em prol da cultura e das tradi\u00e7\u00f5es familiares, al\u00e9m de serem respons\u00e1veis pela sustentabilidade ambiental\u201d, prosseguiu Michele. \u201cPrecisamos com urg\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas ao capital humano feminino, dadas as particularidades regionais e as dificuldades log\u00edsticas e infraestruturais que s\u00e3o realidade da nossa Amaz\u00f4nia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto amaz\u00f4nico, as mulheres desempenham um papel fundamental em suas comunidades, cabendo a elas a busca por solu\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, assumindo a fun\u00e7\u00e3o de ativistas e defensoras da floresta para a preserva\u00e7\u00e3o das sementes. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o detentoras dos saberes tradicionais, que s\u00e3o essenciais para a sobreviv\u00eancia de suas comunidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cElas desempenham fun\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a em suas comunidades, cabendo a elas a busca por solu\u00e7\u00f5es para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, assumindo a fun\u00e7\u00e3o de ativistas e defensoras da floresta para a preserva\u00e7\u00e3o de sementes, cuidando de animais, das suas ro\u00e7as, cuidando da \u00e1gua e, principalmente, levando em considera\u00e7\u00e3o o conhecimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 variedade de esp\u00e9cies aliment\u00edcias e medicinais, que s\u00e3o criadas por elas em seus quintais ou ro\u00e7as\u201d, continua Michele. \u201cElas cuidam dos idosos e dos filhos, o que possibilita compartilhar e transmitir conhecimento entre as in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es, o que garante a sustentabilidade da sua comunidade em termos de longevidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Economia do cuidado<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um assunto que vem ganhando muito espa\u00e7o no debate econ\u00f4mico de g\u00eanero \u00e9 a chamada economia do cuidado. Esta atividade, remunerada ou n\u00e3o, est\u00e1 muito associada \u00e0s mulheres, e este fen\u00f4meno tem um impacto fundamental na coloca\u00e7\u00e3o feminina dentro do mercado de trabalho, n\u00e3o s\u00f3 porque as atividades remuneradas acabam sendo exercidas predominantemente por mulheres, como tamb\u00e9m porque seu exerc\u00edcio de forma n\u00e3o remunerada atrapalha na busca por um emprego melhor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsta \u00e9 uma quest\u00e3o fundamental quando falamos sobre desigualdade de g\u00eanero no mercado de trabalho, porque n\u00f3s, mulheres, historicamente assumimos a maior parte das responsabilidades do cuidado, seja dentro de casa, seja em profiss\u00f5es como enfermagem, educa\u00e7\u00e3o infantil e trabalho dom\u00e9stico\u201d, aponta a vice-presidente do Corecon-SC, Janine Alves. \u201cIsso tem impactos diretos tanto na nossa inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho quanto nos rendimentos. A carga de trabalho n\u00e3o remunerado limita a nossa disponibilidade para empregos formais e bem remunerados. Os dados mostram que as mulheres gastam, em m\u00e9dia, 21 dias a mais por ano do que os homens apenas com tarefas dom\u00e9sticas. Significa menos tempo para investir na carreira, se qualificar, buscar promo\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo manter o emprego est\u00e1vel\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Janine aponta tamb\u00e9m que as profiss\u00f5es ligadas ao cuidado, mesmo quando s\u00e3o remuneradas, pagam sal\u00e1rios m\u00e9dios bem menores do que as profiss\u00f5es predominantemente masculinas. \u201cIsso acontece mesmo com a exig\u00eancia semelhante de qualifica\u00e7\u00e3o\u201d, critica. \u201cEnquanto o trabalho de cuidado for visto como uma obriga\u00e7\u00e3o das mulheres, e n\u00e3o uma responsabilidade compartilhada, e enquanto n\u00e3o houver pol\u00edticas p\u00fablicas para dividir esta tarefa, a desigualdade vai continuar existindo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E que pol\u00edticas seriam essas? \u201cAmplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a paternidade. Os homens t\u00eam apenas cinco ou 20 dias de licen\u00e7a, enquanto n\u00f3s podemos ter at\u00e9 seis meses. Isso refor\u00e7a a ideia de que os cuidados com a fam\u00edlia s\u00e3o uma responsabilidade exclusivamente feminina\u201d, comenta. \u201cOutra pol\u00edtica essencial \u00e9 o investimento em creches, escolas de tempo integral. Muitas de n\u00f3s j\u00e1 tivemos que abrir m\u00e3o de oportunidades de trabalho ou aceitar empregos mais prec\u00e1rios simplesmente por n\u00e3o ter onde deixar nossos filhos\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou\u00e7a o podcast Economistas desta semana no seu agregador de podcast favorito ou no player abaixo:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/creators.spotify.com\/pod\/show\/economistas-cofecon\/embed\/episodes\/141---O-protagonismo-feminino-na-economia-e306a8q\/a-abr5igd\" height=\"204px\" width=\"800px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro epis\u00f3dio da quinta temporada destaca a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos cursos de ci\u00eancias econ\u00f4micas e no mercado de trabalho, bem como a luta por equidade de g\u00eanero&nbsp; Est\u00e1 no ar mais uma edi\u00e7\u00e3o do podcast Economistas, a primeira da<\/p>\n<p><a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=25135\">Leia Mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25139,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-25135","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-podcast"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25135"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25135"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25141,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25135\/revisions\/25141"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}