{"id":24950,"date":"2025-02-24T14:40:01","date_gmt":"2025-02-24T17:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24950"},"modified":"2025-02-26T17:36:45","modified_gmt":"2025-02-26T20:36:45","slug":"vejo-a-reforma-tributaria-como-a-possivel-nao-a-ideal-afirma-michele-aracaty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cofecon.org.br\/cofecon\/?p=24950","title":{"rendered":"\u2018Vejo a reforma tribut\u00e1ria como a poss\u00edvel, n\u00e3o a ideal\u2019, afirma Michele Aracaty"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A econ. Michele Aracaty, nova presidente do Conselho Regional de Economia da 13\u00aa Regi\u00e3o considerou que o texto aprovado da reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o foi ideal, mas ainda positivo para o Amazonas. Entrevista publicada originalmente no portal acritica.com<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A economista Michele Aracaty,&nbsp;<strong>nova presidente do Conselho Regional de Economia da 13\u00aa Regi\u00e3o Amazonas e Roraima (Corecon 13 &#8211; AM\/RR)&nbsp;<\/strong>considerou que o texto aprovado da reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o foi ideal, mas ainda positivo para o Amazonas. O texto final garantiu os benef\u00edcios da&nbsp;<strong>Zona Franca de Manaus (ZFM).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Terceira mulher a dirigir a institui\u00e7\u00e3o, a economista destacou a necessidade de diversificar a economia do Amazonas e apontou a possibilidade de novos aumentos na infla\u00e7\u00e3o e na taxa b\u00e1sica de juros do Banco Central.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A senhora \u00e9 a terceira mulher a assumir a presid\u00eancia do Corecon no Amazonas. Pela sua experi\u00eancia, a profiss\u00e3o de economista ainda tem um ambiente adverso para o p\u00fablico feminino?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, ainda \u00e9 muito adverso, mas n\u00f3s j\u00e1 temos algumas refer\u00eancias. Por exemplo, quando eu era estudante, n\u00f3s t\u00ednhamos apenas uma ou duas mulheres. E na mesa [de discuss\u00f5es], tinha uma mulher somente. Ao longo desses anos, a gente tem outras refer\u00eancias de economistas, inclusive compondo as mesas quando voc\u00ea vai participar de um evento ou algo parecido. Dentro das universidades, isso tamb\u00e9m mudou. Mais uma vez, quando eu era estudante, eu tinha uma \u00fanica professora. Agora n\u00f3s temos um corpo docente muito mais equilibrado e um ponto interessante que eu acho que seria relevante colocar \u00e9 que elas s\u00e3o muito mais qualificadas que eles. A n\u00edvel acad\u00eamico, n\u00f3s temos mais alunas do que alunos, o que n\u00e3o se reflete no mercado de trabalho. Quantas economistas voc\u00ea conhece? Poucas. Quantos economistas? Diversos. Isso tamb\u00e9m \u00e9 um desafio quando a gente fala de equil\u00edbrio no aspecto profissional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A senhora assumiu a sua gest\u00e3o j\u00e1 agora no in\u00edcio desse ano. Quais foram as primeiras a\u00e7\u00f5es tomadas at\u00e9 o momento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Logo no dia seguinte [\u00e0 posse] foi a reativa\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o dos alunos, o Corecon Acad\u00eamico. O Corecon Acad\u00eamico estava desativado h\u00e1 algum tempo por v\u00e1rios motivos, inclusive porque os calend\u00e1rios das institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam come\u00e7ando e terminando de acordo com as gest\u00f5es, por causa da pandemia. Por exemplo, a Ufam e a UEA agora que est\u00e3o organizando seus calend\u00e1rios. Isso tamb\u00e9m dificultava porque tinha aluno saindo, aluno chegando, ent\u00e3o n\u00e3o dava certo para que a gente tivesse um semestre correto para que ele pudesse estar participando. Ent\u00e3o reativamos o Corecon Acad\u00eamico, temos alunos da Ufam, da UEA, da Nilton Lins e de Roraima, porque [o conselho] \u00e9 AM\/RR. Essa \u00e9 a parte positiva no in\u00edcio do mandato.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00eas tamb\u00e9m realizaram o Caf\u00e9 Econ\u00f4mico tanto com economistas quanto estudantes, quais foram os assuntos abordados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Caf\u00e9 Econ\u00f4mico \u00e9 um evento j\u00e1 tradicional do Conselho Regional de Economia e ele acontece uma vez por m\u00eas. Esse primeiro encontro teve uma relev\u00e2ncia grande para falar da reforma tribut\u00e1ria, ent\u00e3o n\u00f3s conseguimos trazer os nossos quatro colegas, tr\u00eas s\u00e3o economistas e um n\u00e3o, mas trabalha com os economistas. Esses quatro colegas de Bras\u00edlia \u2013 Farid Mendon\u00e7a, Afonso Lobo, Thomaz Nogueira e Marcelo Pereira \u2013 trabalharam diretamente no texto que foi entregue em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma tribut\u00e1ria. Coincidiu de eles estarem aqui no final de semana do dia 15 e conseguimos reuni-los para falar da reforma, para tamb\u00e9m buscar o grupo de economistas que pudesse acompanhar a reforma tribut\u00e1ria a partir do momento em que ela est\u00e1 se desdobrando, a partir do texto principal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quais as preocupa\u00e7\u00f5es que eles apresentaram no ponto atual que a reforma est\u00e1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, as preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o principalmente a adapta\u00e7\u00e3o da sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma, esse novo modelo de tributa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o, principalmente para o estado, vai mudar tudo. Ent\u00e3o como \u00e9 que o estado vai se adaptar? Vamos botar a\u00ed uma perda da arrecada\u00e7\u00e3o, isso vale a pena a gente colocar para a sociedade, porque muitas vezes a sociedade n\u00e3o est\u00e1 tendo acesso a essa informa\u00e7\u00e3o como um todo, ela acha inclusive que a reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o tem nada a ver com a vida dela, mas vai mudar muita coisa, ent\u00e3o todos n\u00f3s vamos receber algum impacto dessa mudan\u00e7a da reforma tribut\u00e1ria. H\u00e1 40 anos esperamos por uma reforma, ent\u00e3o ela chegou, e \u00e9 um per\u00edodo grande de adapta\u00e7\u00e3o, a partir desse texto at\u00e9 o momento em que ela vai se concretizar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A senhora avalia que a reforma, da forma como foi aprovada, foi positiva para o estado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi positiva, mas ainda vejo a reforma tribut\u00e1ria como a reforma poss\u00edvel, n\u00e3o a ideal. N\u00f3s tivemos um texto poss\u00edvel, n\u00e3o o ideal, mas foi positivo para o Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse ano ainda ser\u00e1 votado o texto do Comit\u00ea Gestor do IBS e dos fundos de diversifica\u00e7\u00e3o. Como os economistas est\u00e3o acompanhando esse debate?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com muita preocupa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 por causa do fundo, que \u00e9 extremamente relevante. Quando a gente fala da quest\u00e3o, mais uma vez, vamos ter uma perda tribut\u00e1ria e como que isso vai ser compensado. Ent\u00e3o, olhar para esse fundo \u00e9 olhar tamb\u00e9m para algumas alternativas que n\u00f3s vamos ter para poder compensar essa perda de arrecada\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m, como o pr\u00f3prio nome diz, \u00e9 um fundo de desenvolvimento regional. Precisamos ver como que isso vai ser positivo no aspecto do desenvolvimento regional para a nossa regi\u00e3o, que \u00e9 t\u00e3o carente, principalmente de pol\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual que deve ser o futuro da economia com a reforma e com o iminente fim da Zona Franca de Manaus nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas? No que o estado deve focar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bom, n\u00f3s defendemos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma, o acompanhamento e, principalmente, essa clareza para a sociedade. Os empres\u00e1rios, os industri\u00e1rios, quem depende diretamente da arrecada\u00e7\u00e3o, eles precisam se preparar e se adaptar \u00e0s novas reformas, ao novo sistema como um todo. Principalmente na comunica\u00e7\u00e3o, como que a sociedade vai receber essa comunica\u00e7\u00e3o? Me refiro, principalmente, quando a gente fala do Plano Real, que ele foi muito bem comunicado, a sociedade entendeu como ele ia funcionar, isso muda tudo. Ent\u00e3o \u00e9 importante que os economistas tamb\u00e9m possam estar entrando nessa discuss\u00e3o e possar trazer para a sociedade, da forma mais clara poss\u00edvel, como que isso vai impactar na vida dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o do Polo Industrial de Manaus (PIM): n\u00f3s trabalhamos sempre com um modelo que possa complementar o modelo ZFM, j\u00e1 com base no que a gente chama de modelos de desenvolvimento regional end\u00f3geno, que vai levar em considera\u00e7\u00e3o as potencialidades regionais. Olhar, por exemplo, para o ecoturismo, para a bioeconomia, para a biotecnologia e outras atividades que possam complementar o modelo. Nunca concorrer com ele, mas complementar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma preocupa\u00e7\u00e3o recente de algumas pessoas da pol\u00edtica \u00e9 com as taxa\u00e7\u00f5es que o presidente americano, Donald Trump, implementou e que podem afetar a Zona Franca. H\u00e1 riscos para a regi\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a taxa\u00e7\u00e3o vai ser para o mundo todo, n\u00e3o somente para o Amazonas ou para o Brasil. O que n\u00f3s temos que buscar \u00e9 sempre uma alternativa. Como isso vai impactar em determina dos setores e como \u00e9 que n\u00f3s podemos buscar outros caminhos? Eu sempre falo que \u00e9 importante o modelo Zona Franca de Manaus buscar a diversifica\u00e7\u00e3o, principalmente no aspecto produtivo e tamb\u00e9m no momento em que vai se escoar seus produtos e seus servi\u00e7os. Por exemplo, poucas pessoas sabem que de 100% do que \u00e9 produzido aqui no PIM, 95% abastece o mercado nacional. Ent\u00e3o a gente n\u00e3o pode se preocupar tanto com isso. Outro ponto, n\u00f3s recebemos insumos e mat\u00e9rias-primas de onde? A maior parte vem da \u00c1sia. Ent\u00e3o, pode ser que essa taxa\u00e7\u00e3o americana seja at\u00e9 positiva para o Brasil quando a gente fala de Zona Franca. N\u00e3o estou falando de outros setores, estou me referindo \u00e0 ZFM, porque tenho inclusive a possibilidade de buscar novos mercados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Houve um aumento no pre\u00e7o da gasolina, mais de R$ 2,00 desde a privatiza\u00e7\u00e3o da Refinaria da Amaz\u00f4nia. Como a senhora avalia a venda da \u00fanica refinaria local?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea fala \u201c\u00fanica\u201d j\u00e1 \u00e9 um problema, porque a gente n\u00e3o tem concorr\u00eancia. O que n\u00f3s precisamos observar tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a esse cen\u00e1rio, al\u00e9m da falta de concorr\u00eancia, \u00e9 o custo amaz\u00f4nico. N\u00f3s temos problemas infraestruturais e log\u00edsticos, isso tamb\u00e9m encarece bastante o produto. S\u00e3o caracter\u00edsticas regionais que precisam ser observadas. Primeiro ponto, a gente precisa priorizar a concorr\u00eancia perfeita, n\u00f3s temos que ter mais de uma op\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o da refinaria, pelo que a gente tem acompanhado, n\u00f3s tivemos uma venda que foi abaixo do valor de mercado. Isso a sociedade est\u00e1 acompanhando, infelizmente a gente n\u00e3o pode fazer nada. Agora, estatizar, o processo inverso, ser\u00e1 que vai resolver o problema? Mais uma vez, a gente tem uma \u00fanica op\u00e7\u00e3o. O ponto principal seria diversificar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fechamos 2024 com a infla\u00e7\u00e3o ligeiramente acima da meta e o Banco Central, nos \u00faltimos meses, usou esse argumento para aumentar a taxa de juros. A infla\u00e7\u00e3o e essa taxa podem continuar em alta em 2025?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, se voc\u00ea for olhar a ata do Copom [Conselho de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria] que saiu depois de toda reuni\u00e3o, n\u00e3o foi somente a quest\u00e3o inflacion\u00e1ria. Foi a falta de corte de gastos p\u00fablicos. \u00c9 voltado tamb\u00e9m para essa quest\u00e3o que o mercado analisa como algo ruim e negativo para a economia. A falta de controle dos gastos p\u00fablicos influencia diretamente quando a gente fala de sustentabilidade. Se n\u00e3o houver uma pol\u00edtica de controle de gastos p\u00fablicos e se n\u00e3o houver um retrocesso em termos inflacion\u00e1rios, n\u00f3s vamos continuar tendo taxas de juros elevadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo pelo fato de o mercado n\u00e3o ter acertado boa parte das previs\u00f5es da economia, eles ainda conseguem verificar essa quest\u00e3o da taxa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a taxa de juros, quando ela \u00e9 implementada pelo Banco Central, eles levam em considera\u00e7\u00e3o quest\u00f5es internas, macroecon\u00f4micas e nacionais, e tamb\u00e9m o que est\u00e1 acontecendo no mundo. Ent\u00e3o tem muita coisa acontecendo no mundo. Ent\u00e3o essa instabilidade e essa palavra chamada incerteza no mercado financeiro tem um peso muito grande. E n\u00f3s temos a Argentina, que \u00e9 o nosso vizinho, e outras coisas acontecendo muito pr\u00f3ximo do Brasil. Ent\u00e3o isso tudo faz com que o Banco Central se resguarde, que ele \u00e9 autoridade monet\u00e1ria, e vai elevar a taxa de juros pensando que l\u00e1 na frente a gente pode ter algum problema. Ent\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rias vari\u00e1veis que implicam para que a gente tenha essa taxa de juros.<br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A econ. Michele Aracaty, nova presidente do Conselho Regional de Economia da 13\u00aa Regi\u00e3o considerou que o texto aprovado da reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o foi ideal, mas ainda positivo para o Amazonas. 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